quarta-feira, 7 de abril de 2021

O Japão Contra o Politicamente Correto

O Japão pode ser o último refúgio da liberdade de expressão no campo do entretenimento e da cultura pop.


No último dia 6, estive no programa Tá em Shokkk?, da Shock Wave Radio para falar mais uma vez sobre a cultura pop japonesa. O tema foi O Japão Contra o Politicamente Correto.

Durante a conversa com a apresentadora Ju Ginger, falei sobre diferenças culturais e como o Japão lida com a liberdade de expressão, autorregulamentação, cultura de cancelamento e eventuais agendas políticas no entretenimento. 

Comentamos o recente banimento de Dragon Ball em uma região da Espanha por "sexismo e estereótipos de gênero" e o caso da reação japonesa aos ataques de justiceiros sociais contra desenhistas japoneses amadores e profissionais no Twitter

Foi bem interessante a conversa, e pude falar bastante sobre diversos assuntos relacionados. Assista na íntegra:


O tema do programa também era o título de uma coletânea de artigos (todos revisados) deste blog, organizada no ano passado. A ideia era mostrar diferenças culturais de produções japonesas para o ocidente, apresentar questões políticas, ideológicas, comportamentais e, finalmente, comentar algumas obras que trazem embutidos bons valores universais.

Inicialmente, o dossiê seria um livro impresso. O prefácio foi escrito pelo jornalista Paulo AP, bastante ativo em redes sociais. Muitas editoras foram sondadas, sem sucesso. Finalmente, uma editora se interessou pelo tema e se dispôs a publicar. Um contrato detalhado foi enviado e assinado. O material seria lançado no final de 2020 e foi enviado para revisão ortográfica. Então, a pessoa encarregada da revisão leu toda a obra e emitiu um alerta. Disse que o conteúdo era potencialmente explosivo por fazer críticas a posicionamentos de esquerda e aos justiceiros sociais.

O editor foi convencido a ficar com medo de lançar a obra e cancelou o contrato. Então, fiquei decidido a produzir um e-book e tentar vender por conta própria. Mas, com a crescente onda de perseguição e censura a conservadores, fiquei com a sensação de que esse e-book seria retirado das plataformas de venda. Achei que não valia à pena a dor de cabeça que poderia vir. Mesmo que todos os textos estejam on-line no blog.

Assim, resolvi distribuir gratuitamente uma versão crua da compilação, como um dossiê mesmo, sem tratamento gráfico, sem adereços, mas com uma força e riqueza de conteúdo que me deixam orgulhoso. Primeiro, enviei aos apoiadores do Sushi POP, depois postei no Telegram e agora disponibilizo para o público em geral. Há uma cópia em PDF (91 páginas em A4) e outra em ePub, para ler em seu Kindle ou e-reader favorito. Peço desculpas pela falta de tratamento e qualidade visual, mas a ideia é preservar a escrita e seu conteúdo, suas mensagens e informações. Isso não elimina a ideia, que ainda pretendo amadurecer, de uma ou mais coletâneas de artigos de referência deste blog.

Baixe os arquivos a seguir. É grátis, mas se você quiser demonstrar apoio, considere fazer uma doação de qualquer valor em minha campanha no ApoioColetivo

Obrigado pela atenção e até breve.


BAIXE AQUI:


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Com várias pessoas ajudando um pouco, eu consigo investir mais em material de pesquisa, em mais leituras e trazer mais conteúdo. Enquanto puder, continuarei a produzir, aqui e em outros veículos. 

Apoio Coletivo 

12 comentários:

Henrique Neves Barbosa disse...

Que ótimo comentário Alexandre. Vou assistir o vídeo e ver a conversa.

Alexandre Nagado disse...

Valeu, Henrique! Espero que goste.

Abraço!

tuneldotempotv disse...

Excelente participação na Shock Wave, Nagado. Infelizmente os dias tem sido difíceis, pois os mesmos que pregam o tal "politicamente correto" defendem ideologia de gênero nas escolas, liberação de drogas, fim da família tradicional e tantas ideias terríveis. Fazem questão de cancelar obras clássicas por coisas mínimas, enquanto são ferrenhos defensores de coisas muito piores.

Abraço!

Ass: Bruno (Canal Túnel do Tempo TV)

Alexandre Nagado disse...

Olá, Bruno!

Essa da Warner banir, retirar de catálogo o Ligeirinho e o Pepe Le Pew foi de uma estupidez gigantesca. Nos EUA, há um movimento para banir de faculdades de música a obra de compositores de música clássica que tenham vivido em época de escravidão. Toda a cultura está sendo obrigada a seguir parâmetros dos SJW e tem ficado cada vez mais complicado. Eu sou um dos únicos a se posicionar, pois a maioria tem um medo - justificado - de sofrer ataques e cancelamentos. Um dia, talvez eu tenha que parar de tocar nesses assuntos, mas enquanto puder, vou denunciar esses exageros e mostrar que não precisa ser assim.

Valeu! Grande abraço!

JhuSonic disse...

Precisamos proteger a cultura pop e ajudar os autores da maneira que pudermos!
Obrigado por trazer a nós essa visão :)

Alexandre Nagado disse...

Fala, JhuSonic!

Sim, é preciso defender a liberdade criativa dos artistas e produtores de conteúdo. O mundo caminha para modelos ditatoriais em todos os aspectos da vida, mas há muita gente que discorda desse tipo de coisa e essas vozes precisam se manifestar. Precisamos perder o medo de assumir posições.

Valeu, abraço!

stéphano bahia disse...

Independente do cancelamento . lacração... a indústria de animação e quadrinho dos EUA estagnou... não soube se renovar... salvo exceções

stéphano bahia disse...

Nagado, o mangá felizmente tem identidade própria e não depende do Ocidente.
Além disso, conquistou o público global (especialmente infantil e juvenil)... inclusive dos EUA e da UE (tradicionais polos de HQ)...
Pessoal dos EUA e UE + novo tem + atração pelo mangá por questão de empatia, inovação etc.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Stephano.

Sim, a indústria de entretenimento no Japão é auto-sustentável, mas por enquanto. A população lá não para de diminuir, envelhecer e, com a pandemia, cada vez menos casamentos e nascimentos devem acontecer. Há estudos que apontam que a população japonesa já pode ter entrado em uma curva irreversível que conduz a uma situação insustentável.

A tendência é estúdios, editoras e produtoras precisarem, e muito, do público ocidental para conseguirem se manter. Isso já a médio prazo e pode afetar a indústria criativa como um todo. Vamos ficar de olho.

Abraço!

stéphano bahia disse...

Quem sabe a tragédia demográfica japonesa deixe de ser realidade no futuro. As vezes os reveses podem ser superados !
se lembre que o Japão tem grande fandom na Ásia e na Oceania também...
praticamente nas portas dele.

stéphano bahia disse...

Tô lendo seu livro... você mencionou o passado "vermelho" de Ikeda.
me lembrei disso. tem 1 estudioso de HQs de N países que descobriu isso: (citação)
""Comics of the New Europe: Reflections and Intersections", livro de 2020 sobre a produção e cenas de quadrinhos na ex-RDA), ex-Tchecoslováquia, Polônia, ex-Iugoslávia, Hungria, Romênia e ex-URSS. Um dos editores, o José Alaniz (da University of Washington) já havia publicado um livro inteiramente sobre quadrinhos na Rússia (cobrindo inclusive o período da extinta URSS e questionando bastante a ideia de que nada se produzia por lá). Fica a dica ai para se pensar em quadrinho europeu como algo muito além de França-Bélgica ou Itália."

citação 2 "Capa do livro "História em quadrinhos russos do Reino da Iugoslávia" (tradução livre), de Irina Antanasievich, publicado em 2018 (São Petersburgo: Cítia, 2018. 237p.). Os primeiros capítulos são dedicados aos quadrinhos russos antes da Revolução e depois (inclusive fala que personagens norte-americanos como Tarzan, Fantasma, etc, eram publicados por lá até mesmo em períodos da Guerra Fria). Também demonstra como os países do Leste Europeu e até mesmo quadrinistas franco-belgas foram influenciados pelos autores soviéticos e que o peso da produção da Europa Ocidental era menor sobre cenários como a Iugoslávia. O livro coloca por terra todos aqueles pressupostos que estão enraizados na pesquisa de quadrinhos aqui no Ocidente e também na fala de sabichões, de que quadrinhos nunca entraram na Rússia e que lá as HQs eram sempre vistas como lixo imperialista."

(Nota... o estudioso não tem filiação ao "Partidão"... ele pesquisou independente de militância. )
Há tenho mangá sobre a biografia de Tezuka. As obras dele eram populares na China e na Iugoslávia. O fator cultural acima do político. Tezuka visitou Xangai em 1980 e se confraternizou com "manhuahuas" locais ! em 1988... (na porta da morte) foi jurado de 1 evento de animação na China.
Tezuka participou de 1 festival internacional de animação na Iugoslávia em 1984. Conheceu artistas locais e até soviéticos.

anderson disse...

Muitos comentando o novo Superman pró-BML,as versões dark de Winx e PPG e o desastre que o
novo Indiana Jones deve ser,mas vou falar sobre algo menor mas que mostra a estupidez dos
"revolucionários" atuais.Eu não vejo Miraculou Ladybug a um bom tempo mas li que um especial
recente causou reclamações por mostrar uma chinesa se tornando uma heroina temporariamente e
ganhando cabelo loiro na transformação do trailer-uma coisa comum em magical girls,mas que foi considerado "enbranquecimento" pelos SJWS,levando a equipe a mudar seu visual antes da estréia
do episódio,o que abre a possibilidade do desenho francês atender a mais demandas imbecis no
futuro.Vai ser tão engraçado e triste o linchamento virtual se algum dia colocarem alguém de olhos azuis para in
terpretar Naruto.