quarta-feira, 28 de abril de 2021

Candy Candy - O animê

Um dos maiores clássicos shojo, com breve passagem pelo Brasil.

Candice "Candy" White

Candice White é uma doce e sensível garota órfã que foi abandonada ainda bebê na porta de um orfanato cristão em Michigan, nos Estados Unidos. Ao seu lado, outra menina fora abandonada, de nome Annie. Acolhidas na Casa Pony, administrada por freiras, as duas crescem como irmãs. 

Apelidada de "Candy", e menina tem grande liderança entre as crianças do orfanato e possui um guaxinim de estimação, que sempre a acompanha. Ela tem uma grande guinada em sua vida ao ser adotada por uma rica família, apenas pouco tempo depois de Annie também ter sido adotada. 

Na casa da família Andrew, onde passa a morar, Candy conhece o galante Anthony Brown, pertencente ao mesmo clã que a adotou. Candy fica encantada com o rapaz, a quem ela imagina ter visto tocando gaita de fole e a quem se referia em seus pensamentos como "O Príncipe da Colina". 

Assim, em meio a uma vida nova e cheia de desafios e alegrias, ela vive seu primeiro amor, sendo correspondida. Sua melhor amiga, Annie, também acaba sendo adotada por uma família rica. Mesmo seguindo rumos diferentes, a amizade entre elas permanece firme e inabalável e elas se esforçam para manter contato.



Uma nova reviravolta acontece quando, durante um passeio a cavalo, Anthony sofre um acidente fatal, para desespero de Candy. Sem forças para continuar vivendo naquela casa que passaria a ser associada à tragédia, a garota foge e retorna para o orfanato, encerrando mais uma fase de sua vida.

Série simpática com momentos de grande drama, Candy Candy é um dos maiores clássicos do mangá e animê shojo (para garotas) da segunda metade da década de 1970, sendo referência no gênero até hoje. 

No Brasil, apenas a primeira etapa da série foi mostrada, culminando com a morte e o funeral de Anthony. Na trama, o acidente é presenciado por Candy, e a direção do episódio é tensa, com a cena de morte acontecendo ao entardecer, com a luz do crepúsculo dando uma atmosfera tensa e violenta à cena. Para uma produção marcadamente infanto-juvenil, deve ter sido um choque e tanto para o público. 

Novos desafios, na
fase inédita no Brasil.

Daquele momento em diante, a vida de Candy segue cheia de dificuldades, pois ela estuda para se tornar enfermeira, na época em que eclode a Primeira Guerra Mundial. Mesmo vivendo nos EUA, ou seja, longe dos combates que ocorriam na Europa, ela conhece a crueldade humana e tenta ajudar os mais necessitados no hospital onde vai trabalhar.

Candy volta a se apaixonar, desta vez por Terry, a quem conhece durante uma viagem. A vida de Candy é marcada por decepções, perdas e escolhas difíceis, em uma longa jornada de amadurecimento marcada por renúncias e altruísmo. 

Nem sempre é uma história de fácil digestão, e ainda assim o enredo mantém uma doçura e um otimismo em relação à vida, com a protagonista sendo um exemplo de coragem, resiliência e amor ao próximo. 

Candy Candy no traço
de Yumiko Igarashi.

De autoria de Kyoko Mizuki (história original) e Yumiko Igarashi (arte), o mangá que deu origem ao animê foi publicado na revista mensal Nakayoshi (Editora Kodansha) entre 1976 e 1979, sendo depois compilado em nove volumes. 

No Brasil, somente 25 episódios foram adquiridos, tendo sido exibidos pela TV Record na primeira metade da década de 1980. Para o público comum que acompanhou a série, a morte de Anthony era o final, mas muita coisa ainda iria acontecer, com o animê de 115 episódios cobrindo a vida de Candy até por volta dos seus 20 anos. 

Além da série, três curtas para cinema foram produzidos, sendo os dois primeiros de 1978 e o último, de 1992. A produção fez tanto sucesso que na Itália uma continuação foi autorizada a ser produzida com autores locais.

Infelizmente, houve brigas judiciais envolvendo direitos autorais entre a escritora Kyoko Mizuki e a desenhista do mangá, Yumiko Igarashi, o que acabou envolvendo também a Toei Animation

Isso gerou vários problemas jurídicos na área de licenciamento, inclusive dando brechas para lançamentos piratas em alguns países e até adaptações não-autorizadas, o que prejudicou a viabilidade comercial da obra. Independente disso, Candy Candy ainda é lembrada e referenciada como um dos maiores clássicos femininos, uma obra que extrapolou sua demografia original e se tornou uma das mais icônicas obras dos quadrinhos e desenhos animados japoneses. 

::: FICHA TÉCNICA :::

Título original: Candy Candy ~ キャンディ・キャンディ
Estreia no Japão:
01/ 10/ 1976
Número de episódios: 115

Criação: Kyoko Mizuki e Yumiko Igarashi 
Planejamento: Kasuga Higashi (Asahi Tsushinsha), Yasuo Yamaguchi, Kazuki Shigeno (Toei Animation)
Roteiro: Shunichi Yukimuro, Noboru Shiroyama
Character design: Mitsuo Shindo
Trilha sonora: Takeo Watanabe
Direção: Hiroshi Shidara, Osamu Kasai, Hiromi Yamamoto, Hidenori Yamaguchi, Yugo Serikawa, Tetsuo Imazawa e outros.
Produtor: Matsuji Kishimoto
Realização: NET - TV Asahi, Asahi Tsushinsha e Toei Animation
Emissora no Brasil: TV Record

::: EXTRAS :::

1) Candy Candy - Abertura
Letra: Kyoko Mizuki / Melodia: Takeo Watanabe
Intérpretes: Mitsuko Horie e The Chirps
- Canção belíssima que fez grande sucesso na época da série. Tanto a abertura quanto o encerramento originais foram mostrados na TV Record.


2) Ashita ga Suki ("Eu gosto do amanhã") ~ live
Letra: Kyoko Mizuki / Melodia: Takeo Watanabe
Intérprete: Mitsuko Horie 
- O tema de encerramento, em um show comemorativo da carreira da grande Mitsuko Horie, a rainha das anime songs. Uma das mais bonitas canções japonesas de todos os tempos, na humilde opinião deste que vos escreve. 


3) Candy Candy ~ live
Intérpretes: Mitsuko Horie e Yoshimi Iwasaki 
- O encontro de duas estrelas. Yoshimi Iwasaki é famosa pelo tema do animê Touch.


Veja também:

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9 comentários:

tuneldotempotv disse...

Olá, Nagado.

Mais um excelente texto sobre animes clássicos, que infelizmente tem sido pouco lembrados atualmente. Nos anos 70 e 80 tivemos grandes animes e tokusatsu na TV, principalmente na Tupi, Record e TVS/SBT. Acho que os animes exibidos nos anos 80 são ainda menos lembrados que os da década anterior, pois ainda vemos muitos falando de Speed Racer, Sawamu, A Princesa e o Cavaleiro, Pinóquio, Super Dínamo, entre outros. Porém, nos anos 80, a TV brasileira teve Candy Candy, Honey Honey, Angel - A Menina das Flores, Rei Arthur, Patrulha Estelar, O Pirata do Espaço, Don Drácula, Heidi, Super Aventuras, Zillion, etc. Gostaria de entender porque a memória dos fãs parece pular dos anos 70 para os animes da Manchete nos anos 90 (que realmente foram marcantes), sendo que tantos clássicos nipônicos sempre marcaram presença em nossa TV.
Textos como este são de grande valor para a preservação da memória dos animes no Brasil. Parabéns por seu brilhante trabalho!

Abraço e sucesso sempre!

Ass: Bruno (Canal Túnel do Tempo TV)

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno.

Realmente, muita coisa dos anos 80 se perdeu, e acho que foi devido a contratos de exibição muito limitados. Acho que muitos davam audiência, mas nada espetacular, que incentivasse renovações de contrato.

Anos 70 e anos 90 foram realmente as décadas de ouro das produções japonesas no Brasil. Em ambos os casos, puxadas por material feito no Japão na década anterior.

E obrigado pelo reconhecimento e apoio ao meu trabalho. Tem coisas que não vejo mais ninguém abordar, o que é uma pena.

Falou! Grande abraço!

BRENO O PERUIBENSE disse...

Spoiler:

No final (que pode ser encontrado em espanhol na internet) Candy fica com aquele cara de barba e óculos, que apareceu algumas vezes durante a primeira fase, o tal tio da mansão, que só era citado e ela nunca via.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Breno. Eu tinha lido sinopses extensas da série antes do post. Eu só não lembrava do personagem aparecendo na primeira fase. Tomara que o mangá chegue por aqui, apesar dos problemas entre as autoras.

Abraço!

BRENO O PERUIBENSE disse...

Oi, Nagado

Pode-se encontrar o anime em espanhol no youtube, mas descobri recentemente que o mangá está disponível online em português, a obra completa, em 48 capítulos, um excelente trabalho de tradução. Como não sei se posso dizer aqui o nome da Scan, basta o pessoal pesquisar "Candy Candy mangá traduzido" no google, que vai encontrar sites com o material traduzido. Agradeço a atenção.

Usys 222 disse...

Eu via a Candy em revistas infantis e fiquei surpreso quando apareceu na TV pela primeira vez. Claro que caçoavam bastante de mim por ver, pois naquela época tinha aquilo de "coisa de menino" e "coisa de menina". Felizmente os tempos mudaram e agora vejo que era besteira. Gostava muito daquela menina empivetada.

E achava estranho o Albert aparecer de cabelo castanho e barba no desenho, e nas revistas ele ser loiro, sem barba. Por um momento achei que era o Antony, mas depois aprendi a ler os nomes e vi que aquele era o Albert mesmo.

Como foi bom terem deixado a abertura e o encerramento em japonês, já que foi meu primeiro contato com a Mitsuko Horie. E ela é famosa também na Itália onde o pessoal sabe de cor as canções.

Uma pena ter acontecido esse desentendimento entre as criadoras. Felizmente os fãs tem se esforçado para manter viva a memória da Candy, ainda que de forma não-oficial, até com um museu dedicado.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Quando eu assistia, lembro que teve uma época em que eu desenhava a Candy direto. Tinha duas meninas nisseis da minha classe que conheciam e eu desenhava na lousa pra elas. Como a molecada gostava de me ver desenhando, nem passava pela cabeça que alguém podia achar constrangedor por ser desenho de menina. Na verdade, só depois de adulto fui saber o que era shonen e shojo, que tinha essa divisão por público. Então, foi algo natural na minha época.

Valeu! Abraço!

jeh disse...

Eu fui descobri esse anime graças a uma revista chamada animeexpo de 2001, falando dos 30 anos de animes no brasil, onde tinha candy, captain harlock,macross, entre outras joias (infelizmente, não tenho mais a mesma :/). Lembro que antes mesmo do youtube ''bombar'' , já era possível achar episodios para baixar, em espanhol, italiano e francês! A dublagem espanhola pra mim é umas das melhores, mas bom mesmo seria ver legendado em japonês, né? E sobre a versão italiana, cheguei a ver, mas parece tudo uma mentira, um verdadeiro dramalhão sem pé nem cabeça, só pra protagonista ficar com quem o público quer.Hoje gosto do final original, afinal, assim é a vida: cheia de idas e partidas. Obrigada pelo ótimo texto :D

Alexandre Nagado disse...

Olá, Jeh.

Olha, isso que você contou é novidade para mim. Não sabia que a versão italiana tinha desdobramentos diferentes. Deve ser interessante ver esse material, mas ainda preciso ver mais da série clássica, pois só vi mesmo o que passou aqui.

Espero que encontra mais posts do seu interesse por aqui. Valeu!
Abraço!