quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Shadow Boy

Um desenho de terror vindo de uma época ingênua e experimental. 

Shadow Boy e seu inimigo Spectro
na capa do disco com as músicas
da série (1967).

Um garoto misterioso, dotado de grande força e possuidor de uma adaga mágica, luta contra seres sobrenaturais e monstros, especialmente o poderoso Dr. Spectro (Ghostar). Despertado de seu esquife de vidro para lutar pela justiça, seu nome é Shadow Boy (Shadar). 

Com muito senso de proteção em relação aos mais fracos, ele viaja tentando ajudar pessoas, seguindo os passos de seu pai, um herói que lutou até a morte contra o pai de Spectro. A adaga de Shadow Boy é capaz de se transformar em uma espada, gerar luzes ofuscantes, emitir um raio de energia e criar cópias ilusórias de seu dono. Assim, ele consegue lutar de igual para igual com seu inimigo, que possui um bastão de combate com poderes similares. 

A série é dividida em duas fases bem distintas. Na primeira, Shadow Boy combate as forças do Spectro viajando na aeronave Ion, criada pelo Dr. Polker (Dr. Manbo) e seu cão Xereta (Pokey). O Spectro tem como assistente um gato preto chamado Catta que, assim como Xereta, é antropomórfico e fala. 

Na segunda fase, o cientista e o cão saem de cena, quando Shadow Boy se une ao menino órfão Roko, único sobrevivente de uma família assassinada. A parti daí, as histórias ganham um teor mais sombrio. Sem explicação, Catta sai de cena e entra um gato de aspecto realista chamado Black.

Shadow Boy na versão em mangá.

De modo bastante incomum, Shadow Boy era uma série composta em episódios de 10 minutos (incluídos a abertura e os comerciais), exibidos de segunda a sábado. A cada seis capítulos, um arco de histórias era concluído. Depois, foram editados e compilados em 26 episódios de meia hora cada. Foi nesse formato exportado para alguns países, inclusive no Brasil, onde foi exibido nos anos 70 pelas TVs Tupi e Record (onde ficou até o começo dos anos 80). Alguns episódios podem ser encontrados no YouTube e Dailymotion, mas nenhum com imagem boa. 

Shadow Boy foi uma série experimental de sobrenatural e terror para crianças. Não havia violência explícita e tudo era bastante estilizado, mas havia profusão de mortes e seres bastante bizarros e assustadores. Tecnicamente era uma produção bem descuidada e de traço meio grosseiro, mas que entregava histórias criativas que funcionavam muito bem na época. Era ideal para crianças que gostavam de um pouco de medo e aventura. 

Monstros bizarros e aterrorizantes
eram a marca da série.

A adaptação em mangá foi lançada simultaneamente à estreia na TV, tendo sido desenhada por Kentarou Nakajou (1938~2020) para a revista Bouken OH (Adventure King), da editora Akita Shoten. Nakajou trabalhou em adaptações para mangá de séries como Ultra Q, Ultra Seven, Kaiki Daisakusen e várias outras. 

Shadow Boy é uma série meio esquecida, que não chegou a sair em VHS ou DVD e nunca foi remasterizada. Também não ganhou reconhecimento de obra cult, mas foi um produto bastante interessante de uma época em que o animê crescia como mídia de entretenimento e testava fórmulas e formatos. 

::: FICHA TÉCNICA :::

Título original: Bouken Shonen Shadar ~ 冒険少年シャダー ("Aventuras do Jovem Shadar")
Estreia no Japão: 18/ 09/ 1967 (Nihon TV e Nihon Housou Eiga)
Total: 26 episódios (agrupando 156 episódios curtos)

Criação: Mitsuteru Okamoto
Roteiro: Shadar Group (Makoto Tsuji, Shinichi Kuwashima e outros)
Direção: Tadazo Kataoka e outros
Planejamento e produção: Teruo Yamoto e Kensuke Fujii
Produtores: Masami Niikura, Toru Ueno e Hiroo Mishima
Realização: Nihon TV e Nihon Housou Eiga

Emissoras no Brasil: TV Tupi e TV Record
Versão brasileira: Cinecastro

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- Veja mais alguns clássicos dos anos 60 exibidos no Brasil:

Vingadores do Espaço - A Princesa e o Cavaleiro

Esper - Ultra Seven - FantomasO Judoca 


12 comentários:

BRENO O PERUIBENSE disse...

Shadow Boy foi muito popular na Record, talvez tanto quanto Fantomas, Sawamu e outros animes antigos constantemente reprisados pela mesma emissora. Se algum estúdio fizesse um remake, seria desaconselhável para crianças.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Breno.

Shadow Boy não era uma produção de ponta, mas tinha seu charme e seu valor. É uma pena que não tenha sido valorizado no Japão. Não sei se há registros restantes no Japão. Um remake, com um traço moderno e elaborando mais as histórias, poderia encontrar um novo público. E aí eu concordo, seria uma produção para um público juvenil para adulto, assim como Tokyo Ghoul ou Ataque dos Titãs.

Valeu! Abraço!

BRENO O PERUIBENSE disse...

Alexandre, se fizessem um remake, muita coisa teria que mudar em Shadow Boy. Por exemplo, que eu me lembre, a origem do personagem jamais foi explicada, assim como o motivo do vilão da trama ser seu antagonista. Também seria necessário a criação de um interesse romântico pra ele, para agradar um público feminino, e definir se a obra seria seinen ou shounen. Mas mantendo a essência, seria muito legal.

Usys 222 disse...

Eu me lembro desse, ainda que vagamente, e era bem medonho. As histórias tinha bastante variedade, fazendo jus ao título original, de "Garoto Aventureiro". Tinha criaturas bem estranhas como os Cabeça grande, os monstros de três cabeças, a sereia Lydia e uma mulher de neve. Tinha até um em que ele vai para o mundo dos mortos e encontra a mãe. Gostava de ver, junto com o Fantomas e para ser sincero, posso ter feito confusão entre os episódios que citei. Pena que sobrou pouquíssimo material sobre a série e por isso acredito que deu bastante trabalho para fazer a matéria.

Só que eu não me lembro de como terminou, se é que teve um final. Mesmo assim foi bom resgatar mais este seriado. Acho que com isso conseguiu falar de todos os que passavam na época, no Canal 7.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys. Eu tinha poucas lembranças de Shadow Boy até resolver pesquisar para este post. Acabei revendo o primeiro episódio e um outro que achei, todos com imagem ruim. Desconfio que não tenha saído nem em VHS no Japão, e pode ser uma obra perdida no tempo, infelizmente.

E pensado bem, acho que já cobri mesmo quase tudo o que passou na Record, menos uma (eu acho). É Candy Candy, uma série que eu gostava e que certamente ainda vou escrever sobre. Só que ainda demora, tenho dois rascunhos de posts que tentarei finalizar nesta semana.

Falou! Grande abraço!

Detonation Uchiha disse...

Muito bacana este regate, Nagado. Aliás é sempre bom ver como você consegue fugir do óbvio em seus textos. Eu nunca tinha ouvido falar desse Shadow Boy, mas talvez dê uma olhada, gosto de produções de terror e volta e meia eu fico curioso com desenhos animados que tentam adaptar o gênero para o formato infantil.
Fora que além disso, os japoneses sabem trabalhar elementos de terror bem, Dororo de 1969, por exemplo possui várias criaturas que são genuinamente sinistras até hoje, pelo menos na minha opinião e pelo que eu vi nas imagens que você ilustrou a postagem, a criaturas deste Shadow boy também são legais.

anderson disse...

Humanoid Monster Bem foi outra mistura de terror e super-heróis mais famosa na época, se
tornando um cult na Itália e conseguindo 2 remakes animados e um dorama.Um exemplo mais
moderno de "terror familiar" foi Ghost Stories que conseguiu algum sucesso no Brasil,mas
nos EUA teve uma dublagem totalmente bizarra(basicamente a distribuidora americana não
queria se arriscar com um desenho infanto-juvenil tão sombrio,então transformou o anime
em uma comédia negra para ficar mais "adulto").

Mauricio disse...

Assim como o Breno, lembro de Shadow Boy daquela fase de animes da Record, com Sawamu, O Judoca, Jet Mars (O Menino Biônico) e Fantomas.
Uma curiosidade é que Shadow Boy foi adaptado naquela época em que as dublagens nacionais, especialmente de animes, eram muito "criativas", provavelmente por nem haver uma tradução adequada, e o pessoal acabava criando falas sem contexto. Eu nunca me esqueço de um episódio em que o Dr. Espectro conseguiu uma fórmula para transformar farinha de mandioca em ouro. Mesmo sendo criança na época, eu ri muito dessa bobagem.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Uchiha!

Infelizmente, não há muita coisa de Shadow Boy para ser vista, pois não achei material nem em japonês. Dublado, tem muito pouca coisa e, como já comentei, com imagem bem ruim.

Dororo eu já vi muita gente comentando. Uma hora vou dar uma olhada.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson. Boas informações trouxe. Esse lance do Ghost Stories me lembra o post que escrevi sobre "Cortes e mutilações em animês", pois também aborda casos em que uma obra é adulterada para caber dentro dos padrões americanos de classificação etária. Nunca fica satisfatório.

Valeu! Abraços!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Mauricio.

Esse caso que comentou sobre as dublagens inventadas já foi relatado pelo grande dublador Gilberto Baroli. Na época em que ele dublou o Satã de "A Princesa e o Cavaleiro", ele disse que cerca de 10 scripts não vieram da distribuidora. Ele era o diretor de dublagem e escreveu pessoalmente scripts para dar sentido ao que tinha em mãos. O trabalho dele foi tão bom que ninguém desconfiou até ele contar em uma palestra. E me lembro do tradutor Arnaldo Oka comentando comigo que viu no original alguns episódios e ficou surpreso ao descobrir que o roteiro era completamente diferente, mas que a versão do Baroli também fazia sentido, de tão bem escrita.

Infelizmente, parece que Shadow Boy não teve a mesma sorte.

Falou! Abraço!

omar9010 disse...

Lembro que o via junto com o principe planeta, fantomas, zoran, tetsujin 28 e outros, eram o que tinham de melhor para a epoca, tenho um episodio dele.