quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Spectreman e o Dr. Gori

O guerreiro ecológico que lutava contra os monstros criados por um homem-macaco vindo do espaço.
O simióide Dr. Gori e o
andróide de batalha Spectreman.

O impacto de Ultraman, Ultra Seven, Robô Gigante e outros super-heróis no Japão dos anos 1960 provocou um crescente interesse por seriados de ação e efeitos especiais. Isso desencadeou uma série de obras que, apesar de similares entre si, raramente conseguiam arranhar a popularidade dos heróis Ultra. Uma dessas produções, porém, feita no início da década de 1970, conseguiu não só rivalizar com os Ultras clássicos em seu país como também obteve sucesso nos Estados Unidos, França e Brasil.

A saga de Spectroman (nome original do herói) foi concebida por Souji Ushio (1921~2004), pseudônimo do autor de mangá, animador e produtor Tomio Sagisu, fundador do estúdio P-Production, o mesmo que produziu  Lion Man e Vingadores do Espaço

A abertura vista no Brasil:

Filmado com recursos bem limitados, o seriado ajudou a criar no Japão uma verdadeira mania por monstros, revigorando o gênero. Um herói com sentimentos humanos, fraquezas e rebeldia, inimigos carismáticos e histórias criativas fizeram a fama de um dos mais famosos clones do Ultraman. 

O enredo mostrava o guerreiro especial vivendo oculto na Terra a mando dos Dominantes, seres avançados do planetoide artificial Nebula 71, para alertar a humanidade sobre os riscos da destruição do meio ambiente. Disfarçado de humano e assumindo o nome Kenji, ele se juntou à Divisão de Pesquisa e Controle de Poluição, também chamada de Grupo Anti-poluição, uma equipe de pesquisadores ambientais. Liderados pelo Chefe Kurata, os agentes Kato, Ota, Wada e Minnie acolheram Kenji como um dos seus. 

Contra a barata gigante, um
dos monstros mais repugnantes
da série. E um dos melhores
trajes também.

A chegada de Spectreman coincidiu com o primeiro ataque do monstro venenoso Hidrax, enviado pelo Dr. Gori; um fugitivo do distante planeta Epsilon, um gênio científico dotado de um QI de 300. Gori é um simióide (homem-macaco) que almeja assumir o controle da humanidade. Ao seu lado, seu assistente Karas, um homem-gorila tão forte e leal quanto burro. 

Gori se especializou em criar monstros que se alimentavam de lixo e fez sucessivos ataques contra o Japão, um país que naquele tempo sofria com a poluição desenfreada de suas indústrias, que demorariam para investir em filtros eficazes. Mas as missões de Spectreman estavam longe de serem apenas batalhas contra monstros selvagens. 

No episódio duplo "O Exílio de Spectreman" (eps. 5 e 6), o herói se recusa a matar uma família que estava contaminada com um vírus mortal que podia se espalhar pelo planeta. Como punição, é imobilizado pelos Dominantes e lançado em um planeta deserto, onde é atacado por seus inimigos. A aventura foi escrita por Kazuo Koike (1936~2019), o aclamado criador do mangá Lobo SolitárioEm outro arco duplo de histórias, Gori saiu de cena para o confronto de Spectreman com o vampiro espacial Vordalak (eps. 44 e 45), uma aventura antológica. 
Tetsuo Narikawa como Kenji,
o disfarce humano do herói.

Um momento dramático e cheio de questionamentos sobre a condição humana veio no arco duplo "O preço do gênio" (eps. 48 e 49), inspirado no romance de ficção científica Flores Para Algernon, de Daniel Keyes. Nele, um homem de pouca inteligência é transformado artificialmente em um gênio da ciência, mas o processo o transforma em um ser horrendo. 

Alguns momentos do seriado traziam uma carga de violência e drama impensáveis para produções infantis atuais, como a Operação Genocídio, mostrada no arco "Assassinos do Além" (eps. 59 e 60), com mortes violentas em profusão e o heroico sacrifício de um garotinho sensitivo no final. Mas a carga de violência que a TV da época permitia já é mostrada logo no segundo episódio, com Karas matando humanos como se quebrasse bonecos, girando fatalmente a cabeça de um e fazendo a cabeça de outro afundar dentro do corpo com um golpe. 

Ao longo dos episódios, o Grupo Anti-Poluição deixou as pesquisas de lado e começou a usar armas avançadas para ajudar Spectreman, tornando-se o Grupo Anti-Monstros. Ficou uma imitação meio rústica de equipes estilo Esquadrão Ultra (de Ultra Seven) mas, sem dúvida, a mudança deixou os episódios mais movimentados. A partir do episódio 36, todos aqueles pesquisadores passaram a usar armas de raios e um arsenal que incluía um helicóptero armado com foguetes. 

A ameaça do monstro
Giganthermis.

A conclusão da série foi carregada de drama, como não poderia deixar de ser. Kenji faz amizade com um jovem boxeador, mas ele é usado por Gori para criar um monstro cujos reflexos fossem capazes de impedir Spectreman de disparar seu Spectro-Flash. Com a derrota da criatura, Karas se oferece para um desafio final contra Spectreman. Tanto esforço empregado em sucessivas batalhas acaba cobrando seu preço e o herói exaure totalmente suas forças. Os momentos finais da série mostravam o herói partindo de volta para seu lar, depois de perder o poder de assumir forma humana, vencer Karas e presenciar o suicídio do Dr. Gori. 

Vendo-o partir, os membros do Grupo Anti-Monstros revelam que já haviam descoberto sua identidade secreta. E foi assim, de modo bem melancólico, que o programa terminou, com aquele senso de nobreza e drama que tanto caracterizava os super-heróis japoneses clássicos.

O VILÃO COMO ASTRO 

Dividindo as atenções com o poderoso herói, a grande atração da série era sem dúvida o maligno Dr. Gori. Egocêntrico, histérico, megalomaníaco e cheio de tiques nervosos, o estiloso macaco loiro e seu fiel assistente Karas foram criados graças ao sucesso mundial do primeiro filme da franquia O Planeta dos Macacos, lançado em 1968, bem como de suas sequências, iniciadas já em 1970. Gori, apesar de ser o vilão, era o personagem-título da série, em uma jogada bastante ousada. 

Assim, Uchuu Enjin Gori (ou "Homem-Macaco Espacial Gori") era uma obra bastante peculiar. Ao longo da exibição, o título da produção mudou para Uchuu Enjin Gori x Spectroman e, finalmente, apenas Spectroman na fase final. 

Um dos muitos livros
de referência sobre a série.

Tendo estreado com 8,35 de audiência, foi evoluindo e fechou com um pico de 20% de audiência, uma boa marca para a época. Foi menos que o Kamen Rider original da Toei Company (que teve média de 21% e máxima de 30%) e O Regresso de Ultraman da Tsuburaya Pro (média de 22,7% e máxima de 29,5%), mas bem assim mesmo. 

Considerando que o Rider era trabalho de um grande estúdio e o Ultraman Jack tinha uma produção muito mais cara e trabalhosa, a equipe da P-Productions conseguiu um ótimo resultado em termos de audiência. Sem o mesmo recurso de seus concorrentes, a equipe de Souji Ushio se concentrava muito nos roteiros, entregando histórias dramáticas que prendessem a atenção da audiência. 

Além de Gori, os monstros eram outra grande marca do programa. Ao longo da série, apareceu 
uma barata gigante (eps. 7 e 8), um rato alado gigante e com duas cabeças (eps. 9 e 10), uma baleia cachalote voadora (eps. 17 e 18), um monstro com cabeça de semáforo (eps. 23 e 24) e muitas outras ameaças memoráveis. O herói teve uma versão em mangá com nove volumes assinada por Daiji Kazumine, que desenhou adaptações de Ultraman, Ultra Seven, Ultraman Leo, Inazuman, Lion Man, Fireman e muitos outros personagens televisivos. 

Spectreman no traço
de Daiji Kazumine.

No elenco, brilhou o ator e lutador de karatê Tetsuo Narikawa (1944~2010), que depois faria participações em Kamen Rider, Lion Man, Ultraman Leo e muitas outras produções para TV. O diretor Kurata foi vivido por Toru Ohira (1929~2016), que antes havia interpretado o vilão Rodak (voz e traje) em Vingadores do Espaço. Célebre como dublador e locutor, foi o narrador em Gorenger, Goggle V, Jaspion, Spielvan, Jiraiya, Jiban e muitas outras séries. 

Na equipe, além dos cinco homens, havia espaço para uma integrante feminina, mas foram quatro ao longo da série, sem que as substituições fossem explicadas. As que ficaram mais tempo foram a modelo Sakurako Shin (Chieko) e a cantora Rie Asakura (Kimie), que adotou depois o pseudônimo Taeko Sakurai. Vestindo o traje do herói como suit actor, estava Koji Uenishi, que já havia feito o mesmo trabalho em Ultra Seven. E ele ainda pôde dar voz ao inimigo Karas, já que a voz do herói transformado era feita pelo próprio Tetsuo Narikawa.

A TRAJETÓRIA NO BRASIL


Nos Estados Unidos, levado pelo produtor Richard L. Rosenfeld, o nome do herói foi alterado de Spectroman para Spectreman e o seriado ganhou sua estilosa música-tema conhecida no ocidente. O tema americano de abertura é uma variação sobre a base instrumental da canção "The first day of forever", da Mystic Moods Orchestra, de 1973. Criação do americano Brad Miller com vários colaboradores ao longo do tempo, a banda manteve-se ativa entre 1966 e 1993. Já a melodia do tema original (confira no fim do post) foi mantida na trilha instrumental, especialmente em cenas de batalha. 

No Brasil, o herói estreou em 1981 na TV Record, onde era exibido
 semanalmente à noite e com uma hora de duração; o que funcionava bem, pois quase todos os episódios eram duplos. A série logo migrou para a TVS (que logo se tornaria o SBT), onde ganhou enorme popularidade na programação infantil, indo até meados de 1990. Infelizmente, nem todos os episódios passaram na emissora de Silvio Santos durante as exibições finais da série. 

A dublagem, feita nos estúdios da TVS, era recheada de vozes que ficariam mais conhecidas na dublagem de Chaves, como Marcelo Gastaldi (o Chaves) como o agente Wada, Carlos Seidl (Seu Madruga) como o Dr. Gori ou Osmiro Campos (Prof. Girafales) como Karas. Porém, a edição de áudio era péssima, parecendo que as vozes saíam de dentro de uma cabine.
Os quadrinhos nacionais, com
a arte de Eduardo Vetillo.

Spectreman ganhou no Brasil uma versão em quadrinhos na Editora Bloch desenhada por Eduardo Vetillo, que teve um grande destaque como desenhista dos Trapalhões. Foram 30 edições em formatinho, lançadas entre 1983 e 1986. Com o nome do herói alterado de Kenji para Kenzo, traje do herói com design e cor diferentes do original, o gibi era uma produção "alternativa", nunca autorizada ou reclamada pela P-Production, cujo espólio pertence atualmente à Tsuburaya Productions. Recentemente, Vetillo voltou a desenhar pequenas tiras com o personagem, colocando-o na luta contra o Covid-19

Olhando em retrospecto, Gori podia ser definido como um ambientalista e ecoterrorista, alguém que via a humanidade como um perigo para a natureza e queria destruir as pessoas. Spectreman e seus amigos, por outro lado, eram ecologistas e buscavam preservar o meio ambiente, o que inclui a harmonia do homem com a natureza.

Cheia de momentos intensos e antológicos de uma época ingênua, Spectreman é uma produção cult como poucas. E, preparando o terreno para cada um de seus divertidos episódios, uma sóbria locução alertava os telespectadores, mais ou menos assim:
Planeta: A Terra. Cidade: Tóquio. Como todas as metrópoles do planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem, a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode acontecer o dia em que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir? 
Spectreman man man!!
::: FICHA TÉCNICA - SPECTREMAN ::: 

Títulos originais

- Uchuu Enjin Gori (Homem-Macaco Espacial Gori/ episódios de 1 a 20)
- Uchuu Enjin Gori x Spectroman (episódios de 21 a 39)
- Spectroman (episódios de 40 a 63)

Estreia no Japão:
02/01/1971 (TV Fuji)

Número de episódios: 63

Equipe de produção

Criação: Souji Ushio
Planejamento: Toru Matoba
Roteiro: Masaki Tsuji, Keisuki Fujikawa, Kazuo Koike, Shouji Nemoto, Susumu Takaku e outros
Trilha sonora: Kunio Miyauchi e Naohiko Terashima
Efeitos especiais: Tooru Matoba, Nobuo Yajima, Takeo Sakai e Koichi Ishiguro
Direção: Keinosuke Tsuchiya, Kouichi Ishiguro e outros
Produtores: Tomio Sagisu, Koji Bessho (TV Fuji)

Realização: P-Production e TV Fuji
Emissoras no Brasil: TV Record e TVS/ SBT
Versão brasileira e dublagem: TVS (Estúdio Com-Arte)

Elenco
(Nota: Quando necessário, o nome original do personagem aparece entre parênteses.)

Kenji (Jooji Gamou)/ Spectreman [voz]: Tetsuo Narikawa
Chefe Kurata: Tohru Ohira
Kato (Shinichi Kaga): Takamitsu Watanabe 
Takashi Ota: Kazuo Arai
Wada (Toshio Arito): Koji Ozaki
Minnie (Rie Endo): Machiko Konishi
Chieko (Mineko Tachibana): Sakurako Shin
Yumi (Midori Sawa): Rumi Goto
Kimie (Hiromi Yanagida): Rie Asakura

Spectreman [suit actor]: Koji Uenishi
Dr. Gori [voz]: Kiyoshi Kobayashi (eps. 1~10, 19~29), Seizo Kato (eps. 11 ~ 18), Ren Nishiyama (eps. 30 ~ 63)
Karas (Raa) [voz]: Koji Uenishi
Voz dos Dominantes e Narrador: Kyoshi Kobayashi 

::: E X T R A S :::
 
[ 1 ] Abertura original da série, mostrada do capítulo 1 ao 39. O nome da série era de Gori, mas desde o começo a música falava do herói. Em seguida no vídeo, toca o tema de encerramento que foi usado até o capítulo 35. A imagem que ilustra o vídeo é a capa do single lançado na época. 

Spectroman Go Go
Letra: Yuuji Amemiya / Melodia: Kunio Miyauchi 
Intérpretes: Mizusu Jidôu Gashôudan (Coral Infantil Mizusu), Honey Knights, Studio Orchestra

Uchuu Enjin Gori na no da
Letra: Yuuji Amemiya / Melodia: Kunio Miyauchi 
Intérpretes: Honey Knights, Studio Orchestra / Diálogo: Kiyoshi Kobayashi


[ 2 ] Segunda abertura da série, marca a mudança do título para Spectroman, a partir do episódio 40. 

Spectroman March
Letra: Souji Ushio / Melodia: Kunio Miyauchi
Intérpretes: Mizusu Jidôu Gashôudan, Vocal Shop


[ 3 ] A música que deu origem ao tema americano da série. Melodia inspirada e uma linha de baixo vibrante!

The first day of foreverMystic Moods Orchestra


[ 4 ] Episódio piloto:

- Aqui, o episódio piloto produzido em 1970, com cerca de 11 minutos de duração. Originalmente, Gori teria o visual que acabou ficando com Karas e não haveria um assistente na ponte de comando da espaçonave. Spectreman (que quase se chamou Element Man) tinha um visual muito diferente, com parte do rosto do suit actor Koji Uenishi à mostra. Além disso, a atmosfera era bastante sombria. 

Produzido ao custo de 8 mil dólares, esse piloto também apresentou um ator diferente, cujo nome se perdeu no tempo. Os produtores inicialmente queriam o famoso modelo Jiro Dan (que acabou interpretando Hideki Goh em O Regresso de Ultraman), ou alguém com seu tipo físico.


14 comentários:

anderson disse...

Posteriormente a Tsuburaya também entrou na onda dos macacos da Fox com Saru no Gundam que
foi um dos poucos tokusatsu da época sem heróis fantasiados ,copiando mais o filme com
Charlton Heston mas com elementos mais fantásticos-aliens e viajem no tempo.Saru no Gundam
foi levado aos EUA por Sandy Frank com os principais episódios editados como um filme-Time
of The Apes.Sobre Spectreman, me pergunto se as lâminas de pulso do Ultraman do anime recente
não seriam uma homenagem ao antigo concorrente.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson!

"Saru no Gundan" é uma daquelas séries que eu só li sobre o assunto, fora ter visto a abertura em um antigo VHS. Tenho curiosidade de ver, pois o astro principal da série é o Tetsuya Ushio, que fez o Lion Man. Parece que houve mesmo uma "macacomania" no Japão.

E bem lembrado essa das lâminas do ULTRAMAN do animê. Pode ser sim. Aliás, eu gostaria muito que a Tsuburaya um dia fizesse um remake do Spectreman, atualizando os conceitos. Se bem que era capaz de enveredar por aquecimento global e outras pautas progressistas e aí ia ter muita controvérsia.

Falou! Abraço!

Jorge Hakaider disse...

Eu adorava Spectreman na minha infância. É um dos meus tokusatsu favoritos. Torço também para que um dia façam um remake (ou continuação) desde que seja de boa qualidade, diga-se de passagem.

Eu notei assistindo O Regresso de Ultraman que o Hideki Goh não tinha uma "pose de transformação". Lá pela metade da série ele começou a erguer o braço direito antes de se transformar, seria alguma influência de Spectreman? 😅

Livre do Sistema fanático disse...

Olá! Ótima matéria sobre essa série que muito me marcou e considero uma das melhores do gênero. Queria comentar que na TVS ( SBT ) Foram sim exibidos todos os episódios ! Mas, com o tempo alguns deixaram de ser exibidos no caso os episódios 25,26 e 27 ... Sou colecionador e tenho um amigo que tem um trecho dublado de um desses episódios ... não sei explicar o porquê eles se perderam com o tempo ... talvez as matrizes estivessem com má qualidade ...talvez.. O mesmo caso com o episódio da série " Regresso de Ultraman " ep 06 segunda parte ... esse episódio passou na década de 70 e tinha falhas de áudio na dublagem. Parabéns por essa grande matéria de uma das séries mais amadas dos brasileiros .

Alexandre Nagado disse...

Fala, Jorge.

Difícil saber sobre essa referência... As séries se influenciavam umas às outras. Mesmo em Spectreman, a partir de certo momento ele começou a lutar bastante em tamanho humano, enfrentando soldados inimigos. Certamente influência do Kamen Rider.

Valeu! Grande abraço!

Alexandre Nagado disse...

Olá, "Livre". Então, eu achei uma referência que dizia que o 27 nunca foi exibido na TVS/SBT e eu realmente não me lembro. O arco "Uma arma para Spectreman" me marcou muito quando vi de noite, na TV Record, mas nunca consegui rever no SBT. Pena que é difícil conseguir referências certeiras sobre esses detalhes obscuros. E o episódio citado do Regresso de Ultraman eu nunca vi mesmo a continuação, pois sempre pulavam. Pode ter acontecido mesmo algum problema técnico com a cópia de posse da emissora.

Valeu! Abraços!

Bruno Seidel disse...

Uma grande matéria sobre uma grande série! Aliás, você tocou exatamente nos pontos que fizeram de Spectreman um herói tão querido pelo público brasileiro. Gosto sempre de destacar o episódio 4, um dos mais divertidos da série, em que o Karas sai pela cidade de Tóquio disfarçado de humano e se mete em situação divertidíssimas, chegando até a causar confusão numa boate. A dublagem também encaixou perfeitamente e o fato dos dubladores terem sido os mesmos do Chaves deu um ar mais "cômico" para a trama, o que talvez tenha sido até "acidental", mas acertou em cheio. Tenho muito carinho por essa série e acho que ela se mantem cumprindo sua finalidade mesmo com o passar dos anos, pois é um clássico cujo charme não se deixa abater pela produção precária e a "tosquice": muito pelo contrário, isso parece cada vez mais precioso! E até mesmo essa mensagem ambientalista/ecológica que tem ainda mais apelo nos dias de hoje era discutida com um outro senso de responsabilidade, numa pegada muito mais voltada à conscientização e ao nosso papel enquanto terráqueos do que a uma "militância ideológica". Os personagens são todos muito carismáticos, mas não há como negar o destaque à inesquecível dupla de vilões Gori & Karas, um dos maiores acertos já vistos no Tokusatsu.

Usys 222 disse...

Ah, aqueles tempos ingênuos em que a gente achava que o Spectreman era um tipo de Ultra ou que ele era irmão do Ultra Seven. Pelo menos era assim na vizinhança. E tinha ficado louco da vida quando aconteceu algo de errado no meio da exibição do episódio do "Retorno de Spectreman" e passaram o Hércules no lugar.

Essa era uma daquelas séries típicas da P-Production, em que eles tinham pouquíssimos recursos para os efeitos mas a mensagem era bem forte, com uma pegada dura, melancólica. Pena que eu já me esqueci de muitos episódios, só que essa do Nohman eu me lembrava. E ao ver o original vi que era bem mais horrível.

Interessante que o próprio Dr. Gori tinha uma canção-tema composta pelo Kunio Miyauchi. Era bem gostosa de ouvir, com uma pegada militar contando a vida do vilão. Dizia "Eu sou Cientista, o Simióide Espacial Dr. Gori" e "Eu sou Imperador". Vi o discurso dele no primeiro capítulo em japonês e percebo que desde essa época, de certa forma "o macaco está certo". Outro ponto interessante é que ele fugiu do planeta E (Epsilon) porque iam fazer uma "alteração mental" (jeito eufêmico de se dizer "lavagem cerebral"?) nele. Então dá para ver que ele não era "simplesmente mau" e tinha suas motivações, embora deturpadas, com o egocentrismo e megalomania citados.

E eu vi essa versão em quadrinhos! Até tinha alguns exemplares. Achava estranho terem trocado as cores e o nome do protagonista. E via que o estilo de desenho era bem parecido com o d'Os Trapalhões. O herói também soltava umas piadas sem graça. Se descobrirem fico pensando se não soltam uma versão recolorida daquela figura articulada do Spectreman como uma "Brazil Version".

Foi bom para trazer o personagem à tona com todas essas documentações. Esse foi marcante e precisava de algo completo.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno. O Dr. Gori é muito carismático e nada me tira da cabeça que o vilão Macaco Louco, das Meninas Superpoderosas, foi uma homenagem ao nosso cientista maluco favorito. E pensar que o visual dele seria originalmente como o Karas. Tomara que um dia a Tsuburaya resolva reviver o personagem, ou pelo menos venda os direitos a quem se dispuser. Gostaria de ver algumas histórias daquela época adaptadas e com uma produção moderna.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Quando eu era criança, me lembro de desenhar o Spectreman junto com Ultra Seven e os dois Ultramen. Era nítido que os efeitos especiais eram inferiores, mas isso era compensado com as histórias cheias de drama.

Isso que notou do Gori é realmente interessante. Ele se livrou de um sistema totalitário onde o governo faz lavagem cerebral nos indivíduos que fogem do padrão ou apresentem perigo à ordem estabelecida. O discurso sobre a destruição do meio ambiente também faz todo o sentido. Ou seja, ele até vislumbrava concepções corretas, mas como era um psicopata, não se importava de destruir vidas para atingir seus objetivos. Tem coisas que a gente só vai analisar mesmo depois de adulto.

Valeu! Grande abraço!

tuneldotempotv disse...

Olá, Nagado.

Estava esperando por essa matéria no Sushi Pop há algum tempo, já que este é meu tokustasu favorito. Realmente Spectreman é muito marcante por seus roteiros e protagonista carismático. Gostei da citação do episódio "O Exílio de Spectreman" que é um dos melhores ao lado de "O Solitário Cavaleiro do Espaço" em minha opinião.

Ótimas lembranças deste grande herói. Abraço.

marcio disse...

Nossa está série tem episodios que até hoje estão na memória kk lembro que estava assistindo o monstro bicefalo meu pai depois me convidou e eu fui ver meu primeiro filme no cinema o ataque das formigas gigantes😅😅😅cinema de rua que ficavá três quarteirões de casa tem coisas que vão continuar você ate sua morte

Unknown disse...

Blz? Parabéns pela matéria, super completa. Spectreman é o meu tokusatsu favorito, ao lado do Kamen Rider Black. Sempre li que a falta de recursos faz o ser humano ser mais criativo, e Spectreman é a prova disso: orçamento baixo compensado com personagens carismáticos e histórias muito criativas. Não se vê muito disso por aí, nos dias de hoje.

Olha, vou dar meu "testemunho" sobre os episódios 26 e 27: eu posso garantir que lembro desses episódios sendo veiculados na TV, inclusive lembro que foi na TV Powww!! (essa é pré-histórica). Eram episódios que eu curtia muito. Na época, a série passava somente às quintas feiras, por volta das 18:00hs. Porém, quando começaram a transmitir a série no programa do Bozo à tarde, esses dois eps já não passaram mais. Minha suspeita é que a fita contendo os dois eps possa ter sido danificada, e o SBT simplesmente os pulava, ou transmitia "Uma Arma Para Spectreman pt. 1" duas vezes. Isso também ocorreu com vários eps. do Chaves, como bem sabemos. Já conversei muito sobre esses eps por aí, mas somente uma pessoa se lembrou, num comentário Youtube.

Também colecionava os quadrinhos do Spectreman. Tenho alguns exemplares aqui comigo até hoje. Relendo, até que são umas historinhas bem legais, rsrs!

Viajei no tempo agora, pra uma época bem melhor. Abs!

Guigo Teles disse...

Muito bom ler algo
relacionado, aos personagens dessa série.
So considero, que há diferenças no enredo em comparação as séries anteriores e aí o termo clone, por só manter o aspecto de herói gigante e identidade secreta não caracteriza como uma repetição absoluta dos heróis ultras da Tsuburaya...eu aprecio essa alteração que usou a tematica investigação e terror em vários episódios
Os confrontos, corpo a corpo que surgem já no episódio 4(sem o uso do tamanho gigante ), além de acrescentar aliens com particularidades fascinantes o que resultou em diálogos marcantes.
O que mais se aproximou, dos ultras foram a utilização da criança que tem elo com uma criatura( ep o vingador e do ultraman: estrada 87 perdão se não for o título correto ) e o herói enfrentar uma copia gigante, no ep: O Impostor( algo que já tinha acontecido em Ultraseven ).
Muito top, a ficha técnica do elenco e as menções referentes aos monstros .
Ótima sequência de 2021!, continue com esses spectres conteúdos interessantes, bem desenvolvidos sobre tokusatsu.