sexta-feira, 15 de maio de 2020

BURN - Heroínas do Tokusatsu

Um livro que foi grande referência para pesquisa de imagens antes da internet.
Capa do livro SFX Heroines BURN
Ser um fã de produções japonesas antes do advento das facilidades da internet como conhecemos hoje não era fácil. Escrever sobre esse assunto, então, era ainda mais complicado. Na metade dos anos 1990 a internet engatinhava e estava longe de ser uma fonte de referências e pesquisa. Seja para informações ou imagens, era preciso recorrer a publicações importadas, seja em inglês ou em japonês, mas além de caro, era um trabalho de garimpo. 

Durante a época do trabalho na revista Herói, que estreou no final de 1994 e durou até o começo da década seguinte, reunir imagens para ilustrar matérias era um trabalho demorado. Eu recorria a publicações que adquiria em livrarias japonesas, algumas vezes fazendo encomendas específicas. Uma vez comentei aqui sobre uma de minhas fontes de pesquisa, a revista B-Club. Em uma de suas edições, vi um anúncio para um livro de fotos de heroínas, e acabei encomendando. 

O livro em questão era o SFX Heroines Best Collection - Tokusatsu Heroine Shashin Shu BURN. Lançado pela editora Tokuma Shoten em 1994, era uma edição luxuosa, com capa dura e sobrecapa em papel couché, no formato 21 x 29,7 cm e 118 páginas. Trazia uma belíssima coleção de fotos de personagens femininas, entre heroínas, parceiras, vilãs e coadjuvantes de séries tokusatsu da Toei Company desde os anos 1970 até a época da edição do livro. O preço era salgado: 2.500 ienes, o que dava cerca de 25 dólares, mais as taxas de importação. 

Há um grande destaque às produções daquele ano, no caso Kakuranger e Blue SWAT, com Tsuruhime (a atriz Satomi Hirose) e Sara (a atriz Yuka Shiratori), respectivamente, além de Mei (a atriz Reiko Chiba), de Zyuranger. Nas páginas internas, elas ganhariam mais páginas que as demais, assim como Rin (Natsuki Takahashi), de Dairanger. As fotos, todas em alta definição e grande beleza, capturavam poses, cenas de ação, imagens descontraídas de bastidores e momentos especiais. Não há texto, somente imagens, com exceção da página final, com créditos e nomes das personagens retratadas. 

Uma coisa que chama a atenção é que não foram colocados os nomes das atrizes, somente das personagens, indicando que são todas imagens de propriedade da Toei e seus parceiros, como a Ishimori Pro e a TV Asahi, sem direitos de imagem para as pessoas fotografadas. Tal prática é comum no Japão, mas não nos EUA, onde os empresários negociam e pagam cada imagem aproveitada em publicações e licenciamentos. Diferenças culturais e profissionais à parte, é fato que o livro é uma verdadeira obra de arte e um item de coleção raríssimo atualmente. 

Abaixo, reproduzo algumas imagens do livro:

1) Diana era a parceira do Guerreiro Dimensional Spielvan (1986). Também tinha sua armadura e lutava muito, além de arrancar suspiros da molecada com a beleza e simpatia da atriz Makoto Sumikawa, com seu traje civil bem sensual. 
Diana e seu parceiro Spielvan.
2) As fotógrafas - Já é de longa data que muitas musas de séries de heróis são repórteres ou fotógrafas, o que as leva para perto da ação e do perigo. Aqui, uma seleção de respeito. Na esquerda, Junko, a atrapalhada fotógrafa amiga de Machine Man (1984). Junko (no original, Maki Hayama) foi interpretada por Kiyomi Tsukada, pouco antes dela entrar para o elenco de O Fantástico Jaspion (1985) como a andróide Anri, seu papel mais conhecido no Brasil. No centro, Reiko Shiratori, a namorada de Issamu Minami, o Kamen Rider BLACK RX (1988). Reiko foi vivida por Makoto Sumikawa, a Diana de Spielvan. E finalmente, Maya Aoki (Mai Ougi, no original), a musa de Metalder - O Homem Máquina, a dramática série cult de 1987.
Junko (de Machine Man), Reiko (RX) e Maya (Metalder).
3) Em Jiraiya (de 1988), a irmã do herói, a jovem Kei Yamashi, começa como uma adolescente normal, mas logo mostra que é também uma herdeira do legado dos ninjas de Togakure e adota o codinome Himenin Emiha. Kei foi interpretada pela atriz Megumi Sekiguchi. Ao lado de Jaspion e Changeman, Jiraiya está encantando uma nova geração na programação da Band
Himenin Emiha, a irmã de Jiraiya.
4) Bastidores: Uma das páginas mais interessantes mostrava bastidores de algumas séries. No topo, Maskman (1987) e Blue SWAT (1994). No meio, Jiraiya e Changeman (1985). E abaixo, Kamen Rider BLACK RX (1988) e Zyuranger (1992)

Bastidores da Toei, entre 1987 e 1994.
5) A mortífera Rainha Cosmos, inimiga do Policial de Aço Jiban (1989). A personagem chegou impondo respeito na série, mas acabou reduzida a um monstro não muito inspirado. Foi vivida pela atriz, modelo e cantora Youko Asakura.
Rainha Cosmos, de Jiban.
6) Rin, a guerreira Houou Ranger, do Esquadrão Cinco Estrelas Dairanger, de 1993. Foi uma incursão da franquia Super Sentai no universo da mitologia e das artes marciais chinesas. A série combinou bem drama, violência e humor, com uma pegada dinâmica e boas coreografias de ação. Rin foi interpretada pela atriz Natsuki Takahashi.
Rin, de Dairanger.
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10 comentários:

Jorge Hakaider disse...

Foi um grande achado esse livro. Algumas dessas imagens hoje em dia acham na internet fácil, mas eu imagino o quanto era raro na época. Será que ainda seria possível achar esse livro à venda?

Alexandre Nagado disse...

Fala, Jorge!

Olha, eu achei na Mandarake, mas não sei se mandam para o Brasil. Precisa dar uma verificada:
https://order.mandarake.co.jp/order/detailPage/item?itemCode=1109900336&ref=doc&lang=en

E esse livro foi ótimo, usei muitas vezes. E o melhor é que são fotos limpas, sem aquele monte de letreiros sobrepondo figuras, como é comum nas revistas infantis. E as fotos são muito bonitas.

Abraço!

Usys 222 disse...

E. Esse tipo de livro era objeto de desejo na época. Me lembro que via em livrarias especializadas, mas não tinha fundos para comprar às vezes. Eram boas fontes de referências. Interessantes essas fotos de bastidores. Na telinha a gente vê os heróis e vilões se pegando, e até estranha um pouco ver que por trás das câmeras eles se dão bem em um tremendo clima de camaradagem.

Complicado isso de não pagarem direitos de imagem aos atores. Não sei direito como é isso, mas pelo visto se não houver uma agencia grande por trás deles (Johnny's etc.), realmente eles não recebem.

A Mandarake manda para o Brasil, sim. De fato, comprei várias figuras por lá. Só é preciso ler com atenção a condição do produto, se é usado, se tem defeitos ou danos e quais são. Eles mandam pelo correio, mas o serviço postal de lá não está enviando para o Brasil devido à pandemia. Algumas lojas estão segurando as encomendas até as atividades postais voltarem ao normal. Outra opção é a DHL, serviço particular de entregas, que pelo que vi está funcionando normalmente, mas o frete é muito maior.

Jorge Hakaider disse...

Muito obrigado pelo link Nagado. Mas no momento não tenho como pagar R$ 108,00 + frete. 🤣

Quando as coisas melhorarem quem sabe, porque realmente vale muito a pena. 🙂

anderson disse...

Só por algumas imagens dá para perceber como as atrizes se esforçavam nessa
época,bem diferente das estrelinhas sjw de capitain marvel e batwoman que tratam
os dublês como lixo e ainda mentem que fizeram suas próprias cenas de ação.

Alexandre Nagado disse...

Anderson: a atriz Sayoko Hagiwara (Nefer, Dyna Pink), uma vez contou que teve problemas com as cenas de ação das séries, porque ela tinha uma carreira paralela como modelo e aparecer de maiô ou saia curta era complicado quando tinha hematomas nas pernas. Mas ela não parou, não, ah ah.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Excelentes orientações, valeu! E realmente, eu adoro ver essas fotos de bastidores, pois mostram o lado mais humano das pessoas envolvidas nas produções. Queria ver mais disso, mas no livro mesmo, tem pouca coisa relacionada.

Abraço!

Ricardo Cerdeira disse...

Muito interessante! Eu já tinha visto a capa desse livro, mas achei que ele focava apenas as heroínas da metade da década de 90. Bom saber que ele pega um período bem mais amplo.

Um ponto que sempre chamou a minha atenção em tokusatsu, não vou negar, foram as atrizes e as personagens que elas representam.

Desde lá atrás com a Fuji e a Annie, passando pela outra Annie, a Marshall e a Keiko (Momoko) e mais recentemente Ranru, Luka, Escape e Tsukasa, foram dezenas de heroínas, vilãs, amigas, irmãs e interesses românticos representadas com a graça e beleza das mulheres japonesas.

Eu consegui comprar alguns livros como esse nos últimos anos, quase todos através da Mandarake. A qualidade de impressão é muito boa, incrível como edições de 15, 20 e 30 anos ainda estão bonitas.

Só um parêntese, sobre essas páginas com fotos de bastidores. Sou maluco por esse tipo de imagem, sempre fico contente quando algum livro que compro traz fotos como essas. Compraria um livro só de imagens assim sem pensar duas vezes.

Obrigado pelo texto. Certamente esse livro já entrou para a minha lista de interesses.

Bruno Seidel disse...

Muito legais essas imagens, ein!! Esse tipo de publicação é mesmo uma preciosidade! Dá até uma certa "nostalgia" bater os olhos em algumas dessas fotos e lembrar dos "recortes" que apareciam nas páginas da Revista Herói. hehehehehehe! E bem que esse "Top 6" aí renderia facilmente um Top 10, 25 ou até 50 ein? Até me arrisco a listar aqui minhas 10 heroínas preferidas de Tokusatsu (sem pensar muito): 1) Diana (Spielvan); 2) Emiha (Jiraiya); 3) Annie (Shaider); 4) Laiha Toba (Ultraman Geed); 5) Anri (Jaspion); 6) Sara - Yellow Flash (Flashman); 7) Hammy - Chamaleon Green (Kyuuranger); 8 - Yua - Valkyrie (Kamen Rider Zero-One); 9 - Tomoko (Cybercops); 10 - Patrine.

Alexandre Nagado disse...

Oi, Bruno!

Esse livro é um pequeno tesouro e foi usado à exaustão, em várias oportunidades. Deve existir no Japão versões com personagens mais recentes. E tendo a concordar com essa lista, mas eu acrescentaria a Mayu Hasegawa (Moa em Ultraman Geed) e a Rika Kishida (Jetman).

Valeu! Abraço!