segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O "Pai dos Animes no Brasil" e outros equívocos

Falta de conhecimento, oportunismo e assessorias mal preparadas vão espalhando erros de informação.
Imagem oficial de divulgação da participação de
Eduardo Miranda no evento Ressaca Friends 2019.
Eduardo Miranda foi o Diretor de Programação da TV Manchete na época em que a emissora exibiu Cavaleiros do Zodíaco, o maior sucesso da animação japonesa no Brasil, em todos os tempos. A febre CDZ provocou uma inundação de animês na TV brasileira, tanto na Manchete quanto nas concorrentes, criando uma época de ouro que jamais se vira antes - e que jamais repetirá. Por isso, Miranda foi apelidado por fãs como o "Pai dos Animes no Brasil", título que se tornou seu marketing pessoal. 

Mas, será que tal título é mesmo meritório? Sendo sincero: Não.

Animações japonesas já eram vistas e conhecidas no Brasil décadas antes do termo "animê" ter se popularizado 
através de revistas especializadas, em sua pronúncia equivocada "anime" (como paroxítona). 

Entre o final dos anos 1960 e início dos anos 70; foram exibidos no Brasil séries animadas de Zoran, Príncipe Planeta, Shadow Boy, Fantomas, Speed Racer, Sawamu, O Judoca, Cyborg 009, A Princesa e o Cavaleiro e vários outros títulos. Sem que se soubesse que eram desenhos japoneses (exceto quando a ambientação era óbvia), o público brasileiro já se acostumava com o traço expressivo oriundo do mangá. 

Nos anos 80, foram exibidos Rei Arthur, Honey Honey, Saber Rider, Angel, Zillion, Menino Biônico, Candy Candy, Robotech, Pirata do Espaço e Patrulha Estelar, entre outros desenhos que ainda mantiveram o traço japonês vivo na TV.

Quando Cavaleiros estreou, em 1994, praticamente não havia mais nada do gênero sendo exibido e um público totalmente novo descobriu a intensidade emocional dos desenhos japoneses. Mas, daí a chamar alguém de "Pai do Anime no Brasil" por ter trazido um grande sucesso, ainda que seja um divisor de águas, é um exagero de uma ingenuidade enorme. Mesmo a informação sobre ele "trazer" CDZ ao Brasil é um equívoco, pois não foi uma iniciativa que partiu dele. 


Ao longo dos anos, ouvi alguns desavisados ou gente "normal" (de fora do nicho) perguntando se CDZ foi o primeiro animê de todos os tempos. Esses certamente caem em qualquer lorota que lhes contam.
Cavaleiros do Zodíaco: Animê de maior sucesso
no Brasil, em todos os tempos. Mas não o pioneiro.
Cavaleiros do Zodíaco foi trazido ao Brasil pela empresa Samtoy, que apresentou um plano de licenciamento que incluía o lançamento dos belos - e caros - bonecos da Bandai. Não era uma aposta às cegas baseada apenas em intuição. CDZ fora um grande sucesso em seu país de origem e já despontava como um êxito comercial em alguns países da Europa, principalmente na França. Atribuir a "intuição" sobre a viabilidade de CDZ no Brasil a uma só pessoa é, no mínimo, desonesto.

Na posição de Diretor de Programação da TV Manchete, o crítico de cinema Eduardo Miranda aprovava e acomodava na grade de programação as atrações, o que era sim muito importante, mas não a ponto de fazer parecer que a ideia partiu dele. Não entrarei no mérito de analisar cada animê que se atribui a ele o lançamento no Brasil, pois são detalhes que podem ser melhor explorados por quem quiser se aprofundar. A questão é usar corretamente a linguagem em uma época marcada pela deturpação de sentido original em muitos termos. 


Miranda foi importante, talvez até decisivo no lançamento de CDZ no Brasil, mas chamar ele de "Pai do Anime no Brasil" é de uma leviandade gritante. Talvez "Padrinho de CDZ no Brasil" fosse mais honesto. Mas a desonestidade intelectual vai além do animê, chegando ao tokusatsu. A organização do festival Anime Friends colocou, em um dos banners de divulgação de seu evento Ressaca Friends; acontecido em dezembro passado, uma imagem do Eduardo Miranda cercado de personagens. Um deles era o Jaspion, dando a entender que ele também foi o responsável pela explosão do tokusatsu no Brasil, o que não foi.

Jaspion e Changeman foram lançados no Brasil em fitas VHS em 1988 por iniciativa da Everest Vídeo, sendo uma aposta do empresário Toshihiko Egashira. Com o sucesso, a empresa conseguiu levar as séries para exibição na Manchete, tendo enorme sucesso. Isso ocorreu bem antes da entrada de Miranda como Diretor de Programação, o que só teria acontecido em 1993.

Kamen Rider BLACK RX
De memória não muito precisa em certos pontos, o sr. Miranda mais de uma vez respondeu à antiga questão sobre o motivo pelo qual algumas séries tokusatsu não tiveram seu final exibido no Brasil. Ele já disse, com a maior convicção, que por "malandragem", os japoneses da Toei Company produzem o episódio final das séries com apenas 10 ou 15 minutos, ficando o resto do tempo do episódio para propagandas da série seguinte. Por isso ele diz que não exibia o final das séries. Na verdade, a maioria teve sim o final exibido e as que não tiveram, foram por motivos variados e alguns nunca esclarecidos, mas nada relacionado à duração do episódio final. 

Toda a versão relatada por Miranda é uma bobagem sem tamanho. A duração de um episódio final de série é a mesma de um episódio comum (25 ou 30 minutos, incluídos os comerciais) e a chamada sobre a série seguinte ocupa cerca de 30 segundos. 

Ao ser questionado sobre suas afirmações referentes à sua gestão na época da TV Manchete, a resposta dele é desqualificar youtubers e blogueiros, simplesmente afirmando que "eles não estavam lá na Manchete para saber". Assim é fácil desviar o foco, mas felizmente os fãs mais hardcore sabem que os episódios finais têm sempre a mesma duração de um episódio comum. As séries que não tiveram final exibido sofreram diferentes problemas, nenhum relacionado à duração dos episódios.

Em outro arroubo de tagarelice descolada da realidade, Miranda falou sobre como conseguiu trazer o Kamen Rider BLACK RX ao Brasil, coisa que aconteceu na realidade pela iniciativa das empresas Tikara Filmes (antiga Everest), Glasslite e Alien International.

Como o animê se tornou uma mídia de enorme sucesso e popularidade, não faltam pioneiros a serem apontados de maneira equivocada.

Fire Force, animê trazido ao Brasil pela Sato Company,
integra a mostra Verão Otaku, em São Paulo (SP).
Em outro caso que vale relatar, entre 18 de janeiro e 2 de fevereiro de 2020, no Centro Cultural São Paulo, vai acontecer a mostra de animação japonesa e militância política intitulado Verão Otaku. Entre as atrações, foi anunciado um bate-papo com o sr. Nelson Sato; apresentado pela organizadora do evento, a Black Pipe Entretenimento, como "...responsável pela difusão de animes na televisão brasileira, que trouxe basicamente todo o catálogo exibido na extinta TV Manchete nos anos 1980 e 1990...". Nem de longe essa afirmação é verdadeira. Não se sabe onde tal informação brotou, mas está totalmente errada.
Em seu site, a empresa Sato Company, de propriedade de Nelson Sato, anuncia que seu proprietário foi o grande responsável pela difusão do animê no Brasil. A Sato Co. surgiu como Brazil Home Video nos anos 1980 e trouxe ao país animês como Macross - A Batalha Final, Voltes V, Baldios - Os Guerreiros do Espaço e Capitão Harlock e Sua Nave Arcádia, entre outros. Nelson Sato foi realmente um dos pioneiros no lançamento de animês de longa-metragem no país (ao lado da Everest Video), mas obviamente não foi pioneiro no lançamento de animês na TV brasileira, pelo que já foi explicado anteriormente. Felizmente ele não puxa para si tal mérito, é importante frisar.


Com a febre Jaspion e Changeman no final dos anos 80, Sato lançou o tokusatsu Cybercop na TV Manchete em 1990 e, posteriormente, conseguiu a façanha de lançar o longa animado AKIRA em cinemas brasileiros, um feito inédito. 

Por tudo isso, a empresa e seu proprietário merecem um lugar de destaque na difusão do animê e do tokusatsu no Brasil, mas não se pode atribuir um peso maior do que realmente possui. Além disso, assim como animê, o tokusatsu também já era conhecido no Brasil, apesar do termo que o define também não ser usado aqui até a segunda metade da década de 1990. National Kid, Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven, Robô Gigante, Esper, Vingadores do Espaço, O Regresso de Ultraman, Spectreman, filmes antigos de Godzilla e Gamera... Tanto séries quanto filmes de tokusatsu já eram conhecidos no Brasil, mas viraram febre somente depois dos lançamentos da Everest/Tikara.


Atualmente, a Sato Company detém os direitos de Ultraman, National Kid e Jiraiya, mas a redação do texto de apresentação da empresa no site oficial é imprecisa, o que pode dar margem ao leitor desavisado entender que a empresa lançou originalmente esses ícones do tokusatsu no Brasil. Nenhum desses títulos citados na frase anterior foi originalmente trazido ao nosso país pela Brazil Home Video ou Sato Company. Clareza inequívoca de informação deveria ser regra obrigatória em qualquer peça de comunicação, ainda mais levando-se em conta as péssimas avaliações de nosso país no quesito interpretação de texto. 
"Como distribuidora, é pioneira e referência em animes, live actions e produções japonesas como National Kid, Ultraman, Jiraiya, Cybercop, entre muitos outros tokusatsus marcantes."
Verdade seja dita, em qualquer época, em qualquer área, existem pessoas que gostam de clamar pioneirismo ou exclusividade sobre algo de sucesso. Mesmo nessa área da cultura pop, é comum informações erradas em assessorias de comunicação. 

"O primeiro evento", "a primeira publicação", "o maior especialista em tal assunto", "o primeiro a falar tal coisa", "o maior responsável por tal acontecimento" são exageros e hipérboles que surgem tão espontaneamente que são mais fruto de despreparo e entusiamo do que de um planejado oportunismo (mas nem sempre). Este que vos escreve já foi muitas vezes apresentado como jornalista, coisa que nunca fui. Apresento-me como redator ou articulista; mas não faltou, no passado, quem me criticasse por supostamente me "auto-proclamar" jornalista, coisa que nunca fiz e sempre tratei de corrigir.
Cybercop: Um grande sucesso na 
TV Manchte, via Sato Company.
Tanto o sr. Eduardo Miranda da Manchete quanto o sr. Nelson da Sato Company são pessoas que tiveram enorme importância na difusão e fortalecimento do animê e da cultura pop japonesa no Brasil. São pessoas de visão que souberam aproveitar o que tinham em mãos e merecem aplausos e honrarias. Foram eles, mais o sr. Toshihiko da Everest/ Tikara, o pessoal da Samtoy e outros, como o sr. Takeo da Alien International, o pessoal da Romstar e demais empresas e profissionais de licenciamento que criaram o que se pode chamar de "era moderna" dos personagens japoneses no Brasil. 

Antes deles, as produções vinham aleatoriamente via distribuidoras, diretamente para os canais de TV, sem projeto de marketing e sem produtos licenciados. Esse tipo de planejamento estratégico só começou mesmo no final dos anos 80, com Jaspion e Changeman, e explodiu no período pós-CDZ. Porém, não se pode negar o pioneirismo VERDADEIRO de muitas pessoas anônimas dos departamentos de programação e seleção de atrações de vários canais de TV e distribuidoras que trouxeram dezenas de produções japonesas ao Brasil, muito antes daqueles a quem se atribuem méritos bastante imprecisos. 

Pode ser que tudo seja fruto de equívocos de assessoria, mas aqueles que se beneficiam dos aplausos por méritos que não são seus, deveriam ser os primeiros a trabalhar pela divulgação da verdade dos fatos. 

Leia mais:

Detonando os mitos do próprio Pai dos Animes [Blog Daileon]

Avisos:

1) O espaço de comentários deste blog é moderado e todas as manifestações são lidas antes de serem liberadas. Raramente vejo em tempo real as postagens. Por isso, peço paciência. Postagens com grosserias e ataques gratuitos sempre são devidamente recusados. Este é um blog particular, não um fórum aberto.

2) Qualquer pessoa ou empresa citada nominalmente tem garantido o direito de postar seu posicionamento na área de comentários.

Playasia - Buy Games & Codes for PS4, PS3, Xbox 360, Xbox One, Wii U and PC / Mac.

32 comentários:

César Filho disse...

Análise didática e com a qualidade de sempre, mestre Nagado! Eu reconheço que Miranda teve um papel importante nos bastidores da Manchete, mas é lamentável que uma pessoa pública como ele crie e defenda dados errôneos em plena "era da informação". É fácil o sr. Miranda dizer "você não tava lá na Manchete" quando há registros de lançamentos disponíveis na internet. Quem já me acompanhava no Twitter um pouco antes da publicação do meu texto sobre as informações equivocadas do "pai dos animes", viu que já tinha uma implicação com a questão da duração dos episódios finais que jamais passaram na Manchete. Ou seja, são afirmações como essa, entre tantas outras, que são fáceis de serem questionadas e contrariadas com dados e registros da época.

Inclusive, tentei conversar com o Miranda via inbox após a manifestação dele sobre a minha análise, mas ele foi bastante irascível e sempre se colocava na posição de "vítima", ao invés de tentar contrapor os dados acachapantes. Pelo contrário, ele quis comprar briga comigo na noite de Natal e ainda induziu seus seguidores a me atacar no meu perfil pessoal no Facebook. Ele pode ter apagado esse post na sua fan page, mas outras pessoas já tinham printado e postado nas redes sociais ainda na madrugada de Natal. Não respondo a provocações, mas não resisti em respondê-lo onde ele mesmo dizia que minhas fontes são "furadas e mentirosas". Fiz questão de mostrar para o Miranda que um desses registros estão lá no Blog Clipping, cujo ele mesmo é o autor. Tudo isso é uma vergonha e principalmente vindo de um veterano da área de cinema e TV. Em tempo, ele está ciente de que haverá sanções numa próxima tentativa de chantagem e de censura.

Sobre o sr. Sato, também é inegável que ele tenha um papel importante como distribuidor. Mas ao contrário do "pai", o problema é de falta de precisão com as informações de assessoria. Então, é preciso ter muito cuidado antes que mitos parecidos seja criados por aí sem um contexto claro da cronologia das séries japonesas no Brasil.

PS: Adicionei o link do seu post com o texto da minha análise. :)

Alexandre Nagado disse...

Fala, César!

Quando o assunto envolve cultura pop, a imprensa sempre cometeu os maiores erros e lambanças. Agora, quando o erro vem de dentro do meio nerd/geek/otaku, é muito mais complicado. Quando evento grande divulga inverdades ou uma assessoria especializada perpetua erros e comete gafes, algo de muito errado está acontecendo. Somos pequenos perto de empresas e empresários que movimentam grandes cifras e lidam com grandes projetos, mas nosso compromisso é com informação de qualidade. E vamos continuar.

Valeu a força! Quando eu digo "Tamo junto!", é pra valer!

Abraços!

Adelmo Veloso disse...

Excelente matéria, mestre Nagado.

Como alguém que cresceu no final dos anos 1980 e pegou esse boom dos animês nos anos 1990, pude entender bem o que aconteceu, mas não consigo compreender o vitimismo do cidadão ao atacar o César, afinal, algumas das informações foram retiradas do site do próprio ofendido!

O problema da interpretação de texto é algo sério. É como o episódio em que o Goku ia se transformar no SSJ3 no 11 de setembro de 2001, já esclarecido pelo César, também. O pessoal insiste em divulgar isso aí. Eu não tava na globo, mas era um telespectador e lembro que não era isso que ia passar na minha região.

Coisas simples como tentar refutar um A + B = C tem sido uma tarefa compĺicadíssima, então é mais fácil atacar quem está dizendo tais coisas. Já sabemos bem o que é tudo isso depois de algumas obras de um certo velhinho...

Alexandre Nagado disse...

Fala, Adelmo!

Espero que mais alguém aqui seja "redpillado" e tenha entendido a referência freiriana, ah ah.

Sim, no fundo é triste ter que falar que o óbvio e o documentado são verdades, e não opiniões. Mas, vamos em frente. O próximo assunto aqui no Sushi POP será ligado à música japonesa e, se tudo der certo, entra aqui no dia 09/01.

Abração!

Major disse...

Excelente matéria mais uma vez, um grande abraço Nagado!

Detonation Uchiha disse...

Grande Nagado! Primeiramente, feliz 2020! Bom, só estou sabendo dessa polêmica agora (digamos que tirei umas férias da internet para manter a sanidade) e posso dizer que já sabia do fato de Eduardo Miranda ser chamado de "pai dos animes no Brasil", mas pra dizer a verdade isso nunca me incomodou muito, pois sempre achei que fosse só um apelido carinhoso dado a um homem que como você bem ressaltou teve grande importância na construção do mercado atual de animês no Brasil. Só que eu estou surpreso como tantas pessoas, incluindo o próprio, levam isso tão a sério, como se fosse um título, é uma pena pois isso escancara como vários portais na internet e até grande parte do público ignora tudo relacionado relacionado à animês e tokusatsu pré-Manchete, criando inúmeros mitos que se espalham muito rápido nesta era da (des)informação.

Bruno Seidel disse...

Olha... eu sempre evito me pronunciar em casos de "tretas" como essa. Principalmente quando envolve pessoas que eu não conheço pessoalmente e cujo histórico de bastidores possui diferentes interpretações e opiniões. Já tinha lido o texto super completo e esclarecedor que o César Filho publicou no Blog Daileon e, diferente do que foi apontado em alguns comentários raivosos, considero um grande serviço de utilidade pública para os fãs que merecem (e devem) conhecer uma versão alternativa dos fatos, que não é exatamente aquela que o próprio sujeito em questão usa para se autopromover. Em tempos de internet e explosão midiática, qualquer um pode usar um blog pessoal, o Youtube ou o Instagram para fazer jornalismo investigativo (ou simplesmente disseminar fofoca mesmo). E sabemos que brasileiro adora uma boa fofoca. Aliás, alguns youtubers vivem disso, chegando a promover tretas com outros influencers (algumas, talvez, até encenadas). E só pra deixar uma opinião pessoal (positiva) aqui: admiro demais o Toshihiko Egashira pelo profissionalismo e pela sua história "aventureira" quando trouxe Jaspion e Changeman (na carona de Comando Dolbuck) para o Brasil em 1987. Acho que a história dele merecia uma biografia ou um documentário.

Alexandre Nagado disse...

Obrigado, Major!

Alexandre Nagado disse...

Valeu, Uchiha! Um ótimo ano pra você e sua família!

Olha, eu já tinha ouvido muito esse papo de "Pai do Anime no Brasil", mas achava só algo bobo. No entanto, fui descobrindo que várias lorotas estavam sendo contadas, como puxar pra si os méritos de trazer CDZ e tokusatsu. Eu acompanhei os bastidores de algumas coisas e o nome dele nunca aparecia. Quando vi o texto do Blog Daileon e a reação de pessoas que foram lá só pra atacar, achei que devia registrar um ponto de vista, discutir um conceito que estava sendo usado de modo leviano.

Falou! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Então, o Toshi foi muito importante para o que eu chamo de era moderna dos heróis japoneses no Brasil. A entrada do licenciamento foi fundamental para abrir caminho até CDZ. Ele deu algumas entrevistas muito interessantes, mas deve ter muita coisa. Eu acompanhei um pouco daquela época, nos bastidores mesmo, e digo que ele sempre foi muito atencioso e sempre jogou limpo. Nem todos fazem ou faziam isso.

Abraços!

Rocky Silva - @RockySilvaBR disse...

Ultra Q foi exibido no Brasil!?... ou entendi errado? Se sim, nossa, nem sabia! Sabia só do Ultraman, Ultraseven e Ultraman Jack. Mas duvido que alguém tenha a dublagem guardada rs

anderson disse...

E após CDZ muita gente ficou com a idéia de que todos os animes trazem
batalhas grandiosas e histórias dramáticas.Por essa razão tentativas com
Doraemon não funcionaram bem e já houve pérolas como um redator do ANMTV
dizendo que Pokemon não é um anime de verdade.Claro que também é idiota
certos blogs SJW viverem reclamando dos "shonens de lutinha " serem populares.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Rocky!

Sim, segundo amigos mais velhos, foi exibido mesmo, mas por pouco tempo. Um falou que foi uma única exibição, sem reprises. Acho difícil não ter reprisado pelo menos uma vez, pois é série curta. Situação parecida com a de Agentes Fantasmas, outro tokusatsu da era preto-e-branco que passou brevemente no Brasil e só o pessoal na faixa dos 50 anos vai lembrar vagamente.

Falou! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Anderson, um cara no Twitter foi comentar e disse que achava ridículo eu escrever uma matéria enorme pra contar algo que todo mundo já sabe: que animês já passavam no Brasil antes de CDZ. Aí é que está, CDZ fez despertar uma geração inteira que nunca havia prestado atenção no estilo japonês. Muita gente de fora do fandom já perguntou se CDZ era o primeiro animê, se foi a partir de CDZ que desenho japonês virou "anime" e se coisas como Bucky e Pokémon também podiam ser chamadas de anime. A desinformação impera e alguns, marotamente, aproveitam disso pra surfar.

Eu nem ia falar nada do "Pai dos Animes", mas depois de ver a postagem no Blog Daileon e acompanhar algumas reações, achei que tinha que escrever algumas coisas, por mais óbvio que soassem para alguns.

Valeu! Abraço!

Junnão disse...

Tem um outro ponto que tanto no Blog do Daileon, quanto no Sushi Pop não foi muito abordado que eu acho ainda mais grave: Como a organização de evento como Anime Friend, que talvez seja o mais importante evento de cultura pop japonesa por aqui, abre espaço pra um cara deste que desinforma, aliena, e confunde o público alvo do próprio festival? Não é um tiro no pé, ou tô ficando louco?

Alexandre Nagado disse...

Olá, Junnão.

Sim, eu concordo com você, mas isso é algo que a organização do evento deve resolver, dando mais atenção à parte de assessoria e seleção de atividades. E eu espero que eles vejam as matérias, pois eu e o César nos preocupamos com a qualidade da informação, seja em qual assunto for.

Valeu! Abraço!

stéphano bahia disse...

Miranda se esqueceu que a Manchete passou antes dele... Capitão Harlock, Yamato, Don Dracula. Piratas do Espaço e Doraemon.....l

stéphano bahia disse...

César e Alexandre...
conversei com Miranda no FB... e citei Yamato pra ele... disse que curtia..
(falei que passou antes de CDZ)...
Ele me disse que foi outro responsável de cinema que levou Yamato pra Manchete.
Nem contestei pra ele o temro "pai dos animes"..
só disse isso.

Anderson Gomes disse...

Décadas após décadas não conseguimos deixar de fazer os mesmos erros: ignorar a história. Por isso tanta coisa no passado foi modificado por aqueles que tinham interesse, e mesmo com toda a tecnologia a desinformação continua a acontecer.

São trabalhos como o seu e do César Filho que ajudam a manter a verdadeira informação e suas fontes acessíveis. Parabéns. Tenha certeza de que há uma boa quantidade de pessoas que apoia e admira vossos esforços.

César Filho disse...

Pois é, Stephano. Patrulha Estrelar estrou na Manchete em 28 de junho de 1983. Miranda assumiu a Divisão de Cinema da emissora em 1993. Tem alguma coisa errada que não tá certa...

Alexandre Nagado disse...

Oi, Stephano. Olha, o problema de certas pessoas talvez não seja desconhecimento ou falta de memória...

Alexandre Nagado disse...

Anderson, há quanto tempo, meu velho!

Muito obrigado pelo apoio. A realidade, sempre passível de interpretações, é uma só quando coisas como pioneirismo ou ineditismo são abordadas. E aí, registros e fontes primárias são fundamentais.

Valeu! Grande abraço!

stéphano bahia disse...

talvez seja "amnésia seletiva"....

Jefferson disse...

Grande Nagado, concordo com tudo que foi dito!
É que CDZ vai fazer 25 anos de Brasil e tem uma molecada empolgada que nem tinha nascido e acredita no que lê pela frente. Em terra de cego...
Ainda bem que existem pessoas como você pra pontuar isso senão a história vai sendo reescrita por quem nem a viveu.
Obrigado e parabéns pela postura.
Forte abraço!

Raphael Soma disse...

Ótimo trabalho, Nagado.

Sabe, pela minha nova postura, eu deveria ficar meio de lado nessas tretas do fandom brasileiro, mas o que vejo o Miranda fazer não é uma atitude que alguém com a idade dele e tempo na indústria deveria estar tendo. Na verdade, só vejo como algo vergonhoso. OK, dá pra reconhecer os méritos dele no meio, estão bem claros. Agora, querer tomar pra si os créditos que não são dele sobre coisas que não tem a mão dele, eu poderia chamar de falta de caráter, canalhice, ou até mesmo senilidade. Eu diria até mesmo falta de vergonha na cara.

Se tem uma coisa que tu sabe bem que sou contra é a falta de ética neste meio. Confesso que tô me segurando pra não entrar aplicando voadora com os dois pés, ainda mais que estragaria a boa contra-argumentação que o César, tu e outros estão esfregando na cara do Miranda; eu fiz um juramento de que meu trabalho agora seria guiado por coração, conhecimento e racionalidade do que pela "bile", e é por isso que até agora nem me pronunciei muito. Acredito que o melhor jeito de por o Miranda no assento reservado dele é esclarecer o público quanto a essas falácias dele.

No mais, é um ótimo texto. Quanto mais esclarecimentos da REAL história, melhor. E gente como você, que acompanhou boa parte desse período, é mais que necessária, já que gente como o Miranda não se deu conta do estrago que vem causando, com esses contos de pescador cheios de incongruências...

Abraço e Feliz 2020, Tio Nagado! :)

Alexandre Nagado disse...

Stephano, o que esse senhor "esquece", tem sido preenchido com muita imaginação. Olha, vou te contar, é muito picareta!

Alexandre Nagado disse...

E aí, Jefferson!

Sim, CDZ deve ser um assunto forte neste ano e já sabemos quem está virando arroz de festa pra capitalizar isso, não é? Que coisa feia para um senhor já de certa idade.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Raphael, que bom ver você por aqui!

Tem sido difícil manter uma postura ponderada, por que já extrapolou o equívoco e o engano. O cidadão é um mitômano descontrolado. E cada um que dá palco ou microfone para ele está contribuindo para que a história seja reescrita de acordo com os delírios de um irresponsável oportunista.

Talvez eu tenha sido muito elegante, mas gente como ele espera uma palavra mais áspera para se fazer de vítima e desfilar toda uma vida "virtuosa" contra quem o ataca. Como ele é bem falante, as pessoas fracas, desinformadas ou igualmente oportunistas, ficam do lado dele pra sair bem na foto.

E veja como ele está conseguindo ser uma unanimidade na área. Eu, você, o César do JBox, o Danilo do TokuDoc, Mara do Mais de Oito Mil e tantos outros estamos indignados com tanta mentira que esse cara conta. Mas um dia ele vai cair, pois está subindo as escadas de um castelo de cartas, só isso.

Valeu, abraço!

Will disse...

Ótimo texto!
Eduardo Miranda é um falastrão.

Jefferson disse...

Pois é, vai saber o que acontece na cabeça de cada um.

O ponto que acho que deve ficar claro, e isso está no seu texto, é que o crucial não é "desmascarar" um ou outro oportunista. É dar nome aos bois e crédito a quem de fato merece dentro de sua participação. Se ele teve algum papel que seja pelo que de fato foi feito, dentro de sua função.

No fim, ao menos pra mim, fica a máxima:

Pai é quem cria!

Sei que é trabalhoso fazer um canal no youtube mas uma live vez ou outra seria interessante. Sou fã da época da revista Herói, passando pelas demais: Heróis do Futuro, Mangá Mania, etc. Fora os quadrinhos dos tokusatsus.

Muita coisa essa gurizada não viveu.

Awika! Senpai

Unknown disse...

Primeiramente gostaria de parabenizar pelo trabalho. Eu gostaria de deixar minha opinião, pois trabalhei na televisão aqui no RS, na TV Pampa filiada da Rede TV! e sei como muita coisa desse meio funciona. Acredito que sempre devemos ouvir os dois lados da história, no caso do Eduardo Miranda, vi diversas entrevistas e até mesmo falas em documentários onde, em todos, ele sempre deixa claro que era apenas o responsável pela divisão de cinema da Tv Manchete, em nenhum dos vídeos que vi, ele se auto proclamou "Pai dos animes do Brasil", pelo contrário, ele atribuiu isso aos fãs e até mesmo a uma rádio que o entrevistou. Sobre a cronologia das séries na TV Manchete, eu falo por experiência própria, é difícil mensurar tudo que vai ao ar e ainda mais em detalhes, pois um dia de trabalho na TV é muito estressante e de muita pressão, há muito dinheiro em jogo e o tempo é extremamente cronometrado. E mais, diretores ou até mesmo chefes de divisão como o Miranda, talvez não tenham todo o conhecimento detalhado do que vai ao ar, essa questão fica a critério dos "funcionários do último estágio" que era o meu caso na TV Pampa por exemplo. Eu trabalhei como Operador Master, colocava os programas e comerciais no ar depois que vinham da edição e sabia tudo que ia ao ar, enquanto a minha diretora só sabia o título dos programas e nada mais. Então acredito que ele não deve se lembrar de tudo que foi ao ar de fato, ainda mais 25 anos depois, equívocos podem acontecer. Sobre a alcunha de "Pai dos animês" não acho que seja para tanto, se fosse assim, o pai então deveria ser Milton Zanella que trouxe animês como Fantomas e outros antigos, em uma época muito mais remota do que a do Miranda, porém isso não me incomoda e não acho que você deveria se incomodar com isso. Lembre que isso é uma necessidade do coletivo, de criar uma mística em torno de uma pessoa, é um fenômeno social na verdade. Também não vou julgar se o Eduardo Miranda resolver aceitar esse título, cada um sabe de suas dores e responsabilidades, no canal dele, ele mesmo fala que fica emocionado com o fato dos fãs o chamarem assim, então fica na consciência dele isso. Eu fico muito feliz de verdade que o Miranda pode ter sido esse instrumento, que mesmo que sem intenção, mudou a minha vida e a vida de milhares de pessoas e agradeço que várias outras pessoas além dele puderam fazer parte disso.

Alexandre Nagado disse...

Prezado anônimo:

Claramente você não leu ou não entendeu meu texto, apenas veio defender alguém que admira. Lamento.

Só não venha dizer com o quê eu devo me incomodar.

Mas obrigado pelo seu registro.