sexta-feira, 2 de março de 2018

10 Anos da Grande Viagem ao Japão

Relembrando a viagem mais incrível que fiz em toda a vida.
O belíssimo Pavilhão de Ouro, uma entre muitas
imagens do Japão que permanecem vivas em minha memória.
Neste dia, há exatos 10 anos, embarquei na maior aventura da minha vida. Fui ao Japão realizar intercâmbio cultural MOFA - Ministry of Foreign Affairs (Ministério de Assuntos Estrangeiros) daquele país, como um dos selecionados no programa Jovens Líderes. Foi uma atividade oficial do governo japonês por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Tudo começou meses antes, com um longo processo seletivo. Fui avisado pela Professora Sonia Luyten, grande pesquisadora da área de mangá, de que haveria uma seleção de 25 pessoas de todo o país para uma viagem ao Japão com tudo pago. Mas havia duas condições: O(A) candidato(a) deveria ter graduação ou pelo menos estar cursando alguma faculdade e deveria ter, no máximo, 35 anos. Eu não tenho curso superior e já estava com 36 anos, sendo que eu completaria 37 durante a viagem. Mas era a grande chance da minha vida e resolvi tentar. 

Era preciso fazer uma carta de apresentação e uma redação, em inglês, sobre o motivo do interesse em fazer essa viagem cultural. Contei sobre minha carreira na área, os trabalhos na revista Herói, na Henshin, no site Omelete, as participações em eventos e o meu Almanaque da Cultura Pop Japonesa (cuja primeira edição havia saído em outubro daquele ano). Escrevi o material, juntei documentos e mandei. Depois, fiz uma entrevista no escritório do Consulado Geral do Japão de São Paulo e cruzei os dedos. Só restava aguardar e torcer. 

Então, em 27 de dezembro de 2007, poucos dias depois do nascimento da minha primeira filha, recebi o telefonema dizendo que eu fora selecionado. A euforia foi enorme e fui correr atrás de tirar passaporte e preparar a viagem. 
Uma das muitas visões da grandiosidade de Tokyo.
Foi apenas uma semana em solo japonês, mas foi uma estadia extremamente intensa e produtiva, com atividades toda manhã, tarde e noite. Palestras, encontros, visitas a museus... Tudo estava rigorosamente planejado e correu tudo bem, graças a Deus. Agora, 10 anos depois, lembro com bastante saudade daqueles dias e daquela emoção a cada descoberta. Pude enriquecer meus conhecimentos sobre o Japão e acrescentar uma experiência única à minha vida. 

Atualmente, mantenho o interesse vivo e renovado com este blog, onde tento fazer o meu melhor para divulgação cultural de qualidade. O Sushi POP, inclusive, nasceu em maio de 2008 graças à viagem ao Japão. 


::: RESUMO DA VIAGEM :::

Fiz breves relatos poucos meses depois, e os capítulos estão listados abaixo, em ordem cronológica e com palavras-chave associadas para facilitar a consulta:

PARTE 1 ~ Reunião dos participantes, chegada em Tokyo, Akihabara, chegada ao tradicional Ryokan Hotel.

PARTE 2 ~ Recepção no Ministério, visita ao Production I.G. (estúdio de animê), workshop na escola de culinária.

PARTE 3 ~ Panasonic Center, palestra com Yasuki Hamano (cultura pop japonesa), papo com o produtor musical DJ Taro.

PARTE 4 ~ Oizumi, workshop de taikô, Hotel-Cápsula, terremoto!
A sede do MOFA - Ministry Of Foreign Affairs do Japão
PARTE 5 ~ Mercado de peixes, trem-bala, Hiroshima, Museu Memorial da Paz, palestra com Emiko Okada (sobrevivente da bomba).

PARTE 6 ~ Kyoto, templos, Pavilhão de Ouro Kinkaku-Ji, demonstrações de cultura tradicional.

PARTE 7 - final ~ Museu Internacional do Mangá, palestra com Shuhei Hosokawa (sobre Osamu Tezuka e o mangá no pós-guerra), retorno ao Brasil. 

10 comentários:

Stefano Barbosa disse...

O tempo voa!! E nem damos conta !! Ah... você comprou muito suvenir lá ligado ao anime? Deve ter visto muito "otaku" em Akiba!!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Stefano!

Não comprei muita coisa, pois estava em uma fase meio sem grana. Mas voltei com alguns CDs e bugigangas. E vi muitos otakus em Akihabara, claro. Mas não prestei muita atenção nas pessoas, pois tem MUITA loja lá que dá vontade de passar o dia olhando.

Falou! Abraço!

Adelmo Veloso disse...

Que bacana! Tenho muita vontade de conhecer o Japão e a Coreia do Sul. Deve ser muito legal poder ver de perto um pouco de tudo aquilo relacionado ao seu trabalho! Se já fico perdido numa Ri Happy e numa banca de revistas, imagina no Japão!

Há dez anos eu estava recém iniciando minha carreira profissional e nem sabia da existência do Sushi Pop. Que venham outras viagens como essa para ti e que tenha grana sobrando para comprar de tudo um pouco!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Adelmo!!

Eu gostaria de voltar ao Japão pelo menos uma vez mais na minha vida, pois quero muito rever Tokyo e conhecer Okinawa, terra de meus avós. E meu lado mais consumista voltou meio frustrado. Comprei algumas coisas legais, mas não era nem um décimo do que eu gostaria de ter comprado. Um dia, quem sabe.

Valeu! Abraços!!

Bruno Seidel disse...

Muito legal, Nagado! Você tem uma relação íntima com o Japão de uma vida inteira. Muito mais do que alguns brasileiros que moram lá e não possuem uma relação tão próxima com a cultura nipônica. Logo, posso imaginar o quanto essa viagem representou na sua vida. Uma semana inesquecível, certamente!

Eu tbm tive a oportunidade de conhecer o Japão por um período curto (outubro de 2010) e tratei de aproveitar cada momento. Inclusive, também me hospedei no Rhiga Royal Hotel Kyoto. Só de ver essas suas fotos e esse seu relato é como se algumas memórias voltassem instantaneamente à minha cabeça!

Tomara muito mesmo para que você volte pra lá em breve. Tomara que você consiga fazer isso com a esposa e as filhas. Já pensou??? Seria uma viagem para marcar a família para sempre!

Abraços!

Usys 222 disse...

Ir ao Japão é uma experiência agradável. É bom para ver como são as coisas em um país mais organizado, embora tenha seus problemas que nós ocidentais não tenhamos tanta consciência.

Aqui está uma prova de que existe flexibilidade na seleção, valorizando o currículo. E provavelmente levando em conta sua desenvoltura em falar e se comunicar. Foi bom ter tentado, mesmo sabendo desses pré-requisitos, sendo que muitos desistiriam e nem experimentariam. E foi recompensador, como pode ser visto em seus relatos. Por isso, sempre vale a pena tentar.

Deve ter sido bastante enriquecedor visitar um estúdio de animação e ver como é esse trabalho. E também assistir a essas palestras. Óbvio que uma visita a Hiroshima não pode faltar. Para nos lembrar do porquê de não querermos guerras. Tudo isso ajuda a alargar nossa visão e nossos horizontes.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Essa viagem foi meio que um reconhecimento do trabalho de uma vida. Eu queria poder fazer mais pela divulgação cultural de qualidade, mas vou fazendo o que posso.

E sim, quero voltar lá com minha família. Minhas filhas gostam de animê (Pokémon, Love Live, etc...), a mais velha adora Ultraman e mangá e elas ouvem j-pop e anime songs desde sempre aqui.

Valeu o apoio de sempre! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Sim, é até surpreendente que tenham aberto uma exceção fora das regras para mim. No dia da palestra com o produtor musical, eu falei pelo grupo e foi bem legal. As visitas ligadas a mangá e animê foram experiências incríveis, e sei que fomos privilegiados com o que vimos por lá. Descobri muita coisa e realmente fiquei com assunto para a vida inteira.

Obrigado pela força! Abração!

Stefano Barbosa disse...

Dúvida, na época que você visitou a parte "otaku" de Tokyo, você chegou a ver turistas "otakus"?
Li que o "turismo otaku" cresceu muito lá.

Alexandre Nagado disse...

Oi.

Olha, o fenômeno do "turismo otaku" é meio recente e diz respeito aos lugares que serviram de referência aos cenários de algum animê. Em Tokyo mesmo não notei isso, mas certamente não é difícil ver estrangeiros em Akihabara.

Falou!