quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Shotaro Ishinomori - O Rei do Mangá

O Japão celebra a memória de um de seus maiores autores de mangá, ao relembrar os 80 anos de seu nascimento.
Capa de Shotaro World, livro em homenagem
ao mestre, lançado pela Media Factory em 1997.
Para o mundo, Osamu Tezuka (1928~1989) foi o maior autor de mangá de todos os tempos. É reconhecido como o principal codificador da linguagem visual do moderno mangá e foi uma lenda reverenciada ainda em vida. Mas, para o grande público japonês, há um outro antigo mestre capaz de rivalizar com Tezuka e até superá-lo em alguns aspectos. Ele é Shotaro Ishinomori (石ノ森 章太郎), que faleceu há 20 anos e ainda tem o nome em destaque na mídia, graças às contantes releituras, adaptações e novas versões de suas obras.

Seu nome verdadeiro era Shotaro (lê-se como "Shoutarou") Onodera e ele nasceu em 25 de janeiro de 1938 na cidade de Tome, em Miyagi, região de Tôhoku, que é a parte nordeste do Japão. Ele adotou o nome artístico de Shotaro Ishimori ainda na adolescência. Bem depois, já um autor maduro, mudou a assinatura para Ishinomori

Em 1954, com apenas 16 anos, venceu um concurso para novos talentos e isso lhe valeu um convite para ser assistente de Osamu Tezuka, que já era um profissional respeitado. Para trabalhar com Tezuka e aprender sobre o ofício enquanto desenvolvia suas próprias criações, ele deveria se mudar para Tokyo e interromper os estudos. 
Shotaro Ishinomori, um dos maiores nomes da
cultura pop japonesa, criador de centenas de personagens.
Seu pai era contra ele se tornar artista profissional e só concordou em deixá-lo ir quando sua filha mais velha, que já tinha 19 anos, se ofereceu para acompanhar e ajudar o irmão. Assim, por indicação de Tezuka, o jovem Shotaro e sua irmã Yoshie Onodera foram viver na hoje lendária pensão Tokiwa. 

Lá o iniciante artista conviveu com outros jovens como ele, que viriam a criar a primeira grande leva de autores populares de mangá, com uma explosão de criatividade. Osamu Tezuka ficou pouco tempo lá, mas entre os moradores havia nomes que se tornariam famosos, como Fujio Akatsuka (de Osomatsu-kun), Hideko Mizuno (Honey Honey) e a dupla Fujiko Fujio (Doraemon e Super Dínamo). 

Foi na Tokiwa, com os artistas ajudando-se mutuamente para cumprir prazos, que começou a se desenvolver o esquema de contratação de assistentes para o autor se concentrar na história, no desenho à lápis e na finalização das figuras, deixando o cenário, efeitos gráficos e acabamento para outros. O ambiente era propício para a troca de ideias, com muita criatividade e experimentação. Um futuro promissor começava a se desenhar. Porém, uma grande tragédia marcaria a vida de Ishinomori e das pessoas que lá viviam.
Página de HQ onde Ishinomori presta
homenagem à sua antiga casa. Ele é
o homem que está no primeiro quadrinho.
De saúde frágil, Yoshie Onodera sofria de asma e viria a falecer de complicações respiratórias em abril de 1958, aos 23 anos. As condições precárias da Tokiwa - fora o acúmulo de papéis e poeira - contribuíram para seu triste destino. Ela praticamente deu sua vida para que o irmão lutasse por seus sonhos. Consta que ela era muito bonita e simpática, tendo sido a paixão platônica de vários moradores da Tokiwa. Sua morte afetou profundamente Ishinomori, que teve de seguir em frente sem sua maior apoiadora.  

Em 1960, produziu a versão em mangá de Kaiketsu Harimao, um dos primeiros super-heróis da TV japonesa. Outra ocasião em que desenhou criação de outra pessoa foi com sua versão para o boneco italiano Toppo Gigio, feita em 1967. Mas foi com suas criações pessoais que Ishinomori se tornaria reverenciado em seu país como um grande gênio.


Cyborg 009, talvez a mais importante obra do autor.
Seu primeiro grande sucesso comercial foi o Cyborg 009, que surgiu em 1964 nas páginas da revista Shonen King. Com nove heróis ciborgues de diferentes países, liderados por Joe Shimamura, a saga dos ciborgues teve vários arcos de história, em diferentes revistas. Com 36 volumes compilados, talvez tenha sido o grande trabalho da vida do autor, tendo sido deixado incompleto. Foi adaptado como animê para cinema em 1966 e 67, ganhando sua primeira série de TV animada em 1968. 

A TV japonesa já era colorida desde 1966, mas essa primeira série do 009 foi em preto-e-branco e chegou a passar no Brasil na extinta TV Tupi. 009 teve também um longa em 1980, que foi lançado em vídeo no Brasil, com o título Cyborg 009 Contra o Monstro do Mar. Uma outra série de TV, produzida em 2001, foi exibida no Cartoon Network. Já nos tempos atuais, no portal NETFLIX estão disponíveis as produções Cyborg 009 vs Devilman (2015) e Cyborg 009 - Call of Justice (2017), ambas em três partes cada. Muito conhecido no Japão, Devilman é uma das criações mais famosas de Go Nagai, autor do icônico robô Mazinger Z e outro velho mestre reverenciado do mangá e animê. Da safra mais antiga de animês, a série em P/B baseada em mangá de Ishinomori foi o Esquadrão Arco-Íris (Rainbow Sentai Robin), série de 1966 que também foi exibida no Brasil. 


Longe dos super-heróis, seu interesse por ficção científica deu origem a Genma Taisen, criado em parceria com o escritor Kazumasa Hirai e que teve mangá em 1967, compilado em volume único. A versão em animê para cinema veio em 1983, com direção de Rintarô e desenhos de personagens por Katsuhiro Otomo. Uma versão para TV com 13 episódios foi lançada em 2002 e exibida no Brasil no extinto canal pago Animax.
A agente 009-1 (Zero Zero Kunoichi)
Em 1967, Ishinomori também produziu um mangá ousado para adultos, com muita ação em tramas de espionagem. É 009-1, que não tem relação alguma com o Cyborg 009. Em japonês, a série é escrita como 009ノ1, que se lê "zero zero ku no ichi", sendo que "kunoichi" é o termo que designa uma ninja mulher. 

O título gerou 6 volumes e teve uma série de TV com atores chamada Flower Action 009-1 em 1969. Anos depois, veio uma série em animê em 2006 intitulada 009-1. Um novo live-action viria em 2013, com direção do aclamado Koichi Sakamoto. 
Sabu to Ichi: Um mangá adulto
no melhor sentido do termo. 
Em 1968, surgiu a obra Sabu to Ichi Torimono Hikae (Sabu and Ichi´s Detective Stories), publicada na revista Big Comic, que venceu um prêmio na editora Shogakukan e foi adaptada em um animê para adultos. A série contava as aventuras do jovem investigador Sabu e seu amigo espadachim Ichi, que percorriam o Japão antigo ajudando pessoas em dificuldades. 

Sabu to Ichi teve vários arcos de histórias publicadas, totalizando 17 volumes, sendo uma das obras mais importantes do conjunto da obra de Ishinomori, ao lado de Cyborg 009. Teve uma série de TV em animê com 52 episódios em 1968, uma versão live-action para TV em quatro partes entre 1981 e 82 e outra para cinema, também com atores, em 2015. 

Abertura e encerramento originais de Sabu to Ichi Torimono Hikae


Trabalhando com o produtor Toru Hirayama, ele ajudou a definir padrões para os super-heróis japoneses, distanciando-os das influências de Ultraman e da Tsuburaya Pro. Seu herói sombrio Skullman foi sendo remodelado e desenvolvido até se chegar ao conceito do ciborgue com visual e poderes de gafanhoto que seria o primeiro Kamen Rider, em uma parceria com a Toei Company, no início da década de 1970. 

Ishinomori trabalhou no mangá de Kamen Rider, cuja história básica foi adaptada para a TV. Hirayama formatou a série para um programa semanal e coordenou a equipe de produção. 

O tema do herói trágico que usa um poder concebido para o mal e desafia seu destino para proteger as pessoas é recorrente na obra de Ishinomori e conquistou o público. 

Concorrendo diretamente com O Regresso de Ultraman e Spectreman em 1971, o Kamen Rider causou uma verdadeira febre entre as crianças do Japão. Com poucos recursos, a série era rica em drama e ação, com pitadas de terror, levando as aventuras de super-heróis a um novo patamar. 

Abertura original do primeiro Kamen Rider:


Mas Ishinomori não se contentou em acompanhar de longe a adaptação de seu herói. Além do mangá, que foi compilado em quatro volumes, ele dirigiu e coescreveu um episódio da série de TV, o de número 84. O trabalho recebeu elogios do produtor Hirayama, mas os editores de Ishinomori não deixariam ele se aventurar muito atrás das câmeras (coisa que faria pouquíssimas vezes). Era como autor de mangá que ele continuaria a trabalhar e o êxito da parceria de seu estúdio Ishimori Pro. com a Toei geraria muitos outros frutos. 

O sucesso da série Kamen Rider, com 98 episódios, deu origem a uma franquia, com novos Riders sendo criados um após o outro. 
O primeiro Kamen Rider, no
desenho dinâmico de seu criador.
A explosão de popularidade do Kamen Rider gerou o Henshin Boom, a mania por heróis de tamanho humano que se transformavam com poses estilosas. Vieram na sequência o Henshin Ninja Arashi (1972) e os andróides Kikaider (1972) e Kikaider 01 (73), sempre feitos no esquema de parceria entre o autor e a Toei. Geralmente o produtor Hirayama discutia alguns conceitos gerais com Ishinomori, que vinha com a história básica e o design dos personagens. Aí, Ishinomori trabalharia no mangá e Hirayama na série de TV, separadamente. 

Sendo considerado uma minha de ouro pela Toei, Ishinomori elaborou personagens e enredos básicos para muitas outras séries em linha de produção, como Robot Keiji (1973), Inazuman (73), Akumaizer 3 (75)Zubat (77), Dai Tetsujin 17 (77) e muitos outros. De heróis "menores" em sua obra e que ficaram conhecidos no Brasil, podemos citar Machine Man (85) e Bicrossers (86). Esses dois, bem como vários outros, não tiveram mangá produzido por Ishinomori. 

A dupla Ishinomori e Hirayama criaria outra série icônica, o Gorenger em 1975, que seria o primeiro grupo Super Sentai, franquia com o maior número de séries de TV até hoje. Gorenger e seu sucessor, o esquadrão JAKQ ("Jakkar") deram início à linhagem Super Sentai, mas só foram assim reconhecidos pela Toei muitos anos depois. Com a explosão das adaptações ocidentais que formam a franquia derivada Power Rangers, o Super Sentai ganhou o mundo. 
Da esq. p/ dir.: Aorenger (Gorenger), Kamen Rider V3, o ator
Hiroshi Miyauchi, Big One (JAKQ) e Zubat. O astro foi
quem mais interpretou diferentes heróis criados por Ishinomori.
Junto com o grande parceiro Hirayama, desenvolveu também a linha Fushigi Comedy ("Comédias maravilhosas"), que começou em 1981 com o Robot 8-chan. Entre 1989 e 1993, dentro dessa ideia de produções mais cômicas, houve uma sequência de séries de aventura com heroínas uniformizadas em histórias leves e cheias de humor. É dessa linhagem a personagem Patrine (Poitrine, 1990), que chegou a ser exibida no Brasil na extinta TV Manchete

Nas várias séries Kamen Rider que sucederam à original, Ishinomori teve pouco envolvimento, geralmente se limitando a algumas reuniões e esboços de histórias. Mas em 1984, pegou todo mundo na Toei de surpresa, quando anunciou que estava planejando um novo Kamen Rider, que seria tema de um longa-metragem para TV, o Kamen Rider ZX (leia Z-Cross). 
A ambiciosa incursão
de Ishinomori em assuntos
sobre economia.

Em 1986, publicou os dois volumes da grandiosa obra Manga Nipponkeizai Nyūmon (マンガ日本経済入門), lançada nos EUA como Japan Inc.: Introduction to Japanese Economics (disponível na Amazon). Sendo capaz de discorrer sobre assuntos extensos e complexos, produziu um mangá sobre a história do Japão, com 48 volumes.

Voltando aos Kamen Riders, Ishinomori produziu somente mais um mangá para a franquia, o Kamen Rider Black (1987), na revista semanal Shonen Sunday. A versão da TV foi produzida por Susumu Yoshikawa, seguiu uma linha bem diferente da adotada no mangá. Já a continuação, Kamen Rider BLACK RX (1988), mal teve a participação de Ishinomori, que continuava se focando nos mangás. 

Sua versatilidade parecia não ter limites e sua produtividade era assombrosa. Enquanto Tezuka teve um recorde registrado de 300 páginas num único mês, Ishinomori chegou a um pico de produção de 500 páginas em um mês, trabalhando simultaneamente para diferentes revistas. 

Mesmo com assistentes cuidando de cenários e acabamento e sendo o desenho dele bastante estilizado, é uma marca impressionante, nunca superada. Pela altíssima qualidade, influência e extensão de sua obra, é chamado em seu país de "Rei do Mangá", um título só rivalizado por Tezuka, aclamado como o "Deus do Mangá"

Ishinomori tinha algumas crenças bastante pessoais e consta em algumas referências que ele acreditava na interpretação das profecias de Nostradamus que fizeram muita gente acreditar que o mundo iria ser destruído na virada do ano 2000. Isso se refletia em suas histórias, que raramente mostravam o mundo depois desse ano. 
Capa de Kamen Rider Black, o segundo
e último Rider a ter mangá
assinado pelo próprio Ishinomori.
O final niilista de Kamen Rider Black no sexto volume do mangá é um bom exemplo, com o herói sozinho em um mundo morto após viajar no tempo e se confrontar com seu irmão de criação convertido para o mal. Foi uma batalha decisiva perto da virada do novo milênio. Vale lembrar que o mangá de Black tem muito pouco a ver com a série tokusatsu, sendo que foram autorizadas três adaptações na época, bem mais fieis à TV. 

Entre um mangá e outro, Ishinomori fazia pontas em algumas produções, antecedendo em décadas as aparições do roteirista Stan Lee nos filmes da Marvel. E, trabalhando sem parar, aprendeu a escrever letras de músicas. É dele a autoria da letra da primeira versão de "Let´s Go! Rider Kick", tema de abertura do primeiro Kamen Rider. Ele também escreveu letras para os temas de abertura de Kamen Rider V3, X, Amazon, Super 1, Sky Rider, Robokon, Kikaider, Gorenger, Machine Man e Bicrossers, entre muitas outras canções que tocaram em produções onde participou da criação. 

Outro campo onde Ishinomori deixou sua marca foi na área dos dorama, as novelas japonesas, principalmente por causa de HOTEL, baseado em mangá que estreou em 1984 na revista Big Comic e gerou 37 volumes encadernados, sendo uma das obras de grande renome do mestre. HOTEL teve dorama seriado e também vários especiais de TV. 
HOTEL: O cotidiano agitado
em um grande hotel, com histórias
que conquistaram o público adulto.
Em 1992, foi lançado Shin Kamen Rider, um violento filme para adultos com uma nova e sombria versão de seu famoso herói. O filme foi roteirizado por seu filho Jo Onodera, e Ishinomori fez uma ponta, como membro de uma organização secreta. A obra, infelizmente, não fez sucesso e parte do fracasso se deveu ao roteiro fraco e arrastado. Mas, se por um lado Joe Onodera não mostrou o talento criativo do pai, ao menos conseguiu deixar sua marca como ator. Ele trabalhou em Machine Man e Kamen Rider BLACK RX em papéis de coadjuvante cômico. Depois, foi um dos personagens principais de Ultraman Dyna, em 1997, tendo voltado algumas vezes ao papel em aventuras posteriores. 

Também em 92, Ishinomori produziu uma adaptação em mangá do game The Legend of Zelda: A Link to The Past, para a revista japonesa Nintendo Power. Porém, problemas cardíacos foram minando sua saúde, e ele trabalharia pouco na década de 1990.

Ishinomori faleceu em 28 de janeiro de 1998, apenas três dias após completar 60 anos, vítima de problemas cardíacos que já vinham deteriorando sua saúde há anos. Curiosamente, ele deixaria este mundo com a mesma idade que Osamu Tezuka. 
A derradeira saga dos heróis.
Quando faleceu, estava envolvido com o planejamento do último arco de histórias de Cyborg 009, que ficou incompleto. Anos depois, em 2012, seu filho Jo Onodera escreveu o roteiro final da saga Cyborg 009 - God´s War, baseado em anotações e rascunhos de seu pai. A arte foi produzida por Masato Hayase e Sugar Sato, tendo sido publicada entre 2012 e 2014, totalizando cinco volumes. 

Em 2001, foi inaugurado o Ishinomori Mangattan Museum em sua homenagem, na cidade de Ishinomaki. O grande tsunami de 2011 castigou duramente a cidade e o museu ficou bastante danificado, mas a reconstrução mobilizou fãs e pessoas da indústria de entretenimento.
Sea Jetter Kaito - O último personagem.
Depois de um grande trabalho de recuperação, o local foi reinaugurado em 2013. Para a ocasião, a Toei produziu um curta-metragem de exibição exclusiva no museu chamado Sea Jetter Kaito, transformando em realidade um personagem que Ishinomori havia esboçado, mas que nunca fora utilizado em nenhuma história.

E como se não bastasse tanta coisa que ele fez, Ishinomori ainda figura no Guiness Book of Records com a marca de maior número de mangás produzidos: 770 títulos espalhados em 500 volumes, totalizando cerca de 128 mil páginas, de acordo com a contagem oficial da entidade. 


No Japão, estão sendo comemorados os 80 anos de nascimento do grande mestre. Um dos maiores criadores de entretenimento do Japão em todos os tempos e com vários campos de atuação, a obra de Ishinomori é eterna. 

Com seu trabalho e carreira incomparáveis, ele não apenas merece o título de Rei do Mangá, mas também de Rei da Cultura Pop Japonesa. Sem ele, provavelmente não haveria uma indústria de entretenimento no Japão como conhecemos hoje. 

Logo oficial das comemorações dos 80 anos
de nascimento de Shotaro Ishinomori.
HOMENAGEM:

マンガは“萬画”だ!〜ヒーローを生み出したヒーローの物語〜
Mangá é "MANGÁ"! A História do Herói que criou Heróis 

- Veja agora um emocionante curta em animação lançado pela Ishimori Pro. em 24/01/2018 para celebrar a obra do mestre. É absolutamente lindo! 



Site oficial: www.ishimoripro.com


(Agradecimentos a Felipe Onodera, Stephano Bahia e a todos os leitores do Sushi POP)

::: E X T R A S :::

1) A reinauguração do Ishinomori Museum
- Pequeno documentário em inglês mostrando a reabertura do museu em 2013 após ter sido atingido pelo grande tsunami de 2011.



2) "Ore no seishun" (ou "Minha juventude") - Tetsuo Kurata 
Letra: Shotaro Ishinomori / Melodia: Michiaki "Chumei" Watanabe

- A música toca no primeiro de dois episódios especiais de cinema que o herói teve simultaneamente à série de TV e também no capítulo final. A composição foi escrita por dois gênios. Chumei Watanabe, que tem 92 anos atualmente, assinou trilhas sonoras para Super Giants, Mazinger Z, Kikaider, Gorenger, Gavan, Goggle V, Jaspion, Gokaiger, Shinkenger e uma infinidade de produções. 

30 comentários:

Adelmo Veloso disse...

Grande Nagado!

Matéria incrível! Só conhecia o autor por Kamen Rider Black e Cyborg 009! O histórico dele é bem corrido e mostra que trabalhou bastante até seu último suspiro. Uma grande perda logo no início da carreira poderia fazê-lo desistir, mas ele ergueu a cabeça e seguiu em frente!

Alexandre Nagado disse...

Oi, Adelmo!

A obra de Ishinomori é vasta e muito interessante. Gostaria muito que alguma editora se interessasse em publicar algum de seus mangás. Infelizmente, a garotada de hoje acha o desenho dele muito "antigo". Espero ter feito minha parte para abrir os olhos de mais pessoas sobre o conjunto de obra desse mestre.

Valeu! Grande abraço!

César Filho disse...

Alô, mestre Nagado! Belíssima homenagem ao Ishinomori! Bem que algum ou outro título clássico como Cyborg 009 poderia ser publicado no Brasil. Aliás, essa é uma série que tenho curiosidade de me aprofundar. Acompanhei apenas o crossover com Devilman e o recente Call of Justice na Netflix. Também gostaria de ver o Kamen Rider Black em mangá. Sobre o Joe Onodera, ele também participou do especial "Kore ga Kamen Rider Black da!!". Episódio de pré-estreia de Kamen Rider Black em 27 de setembro de 1987 como apresentador. Ao seu lado estava Michiko Enokida, que viveria 16 meses mais tarde a Chefe Yoko em Jiban. Ambos voltaram a contracenar na mesma série quando Onodera participou do episódio 23.

Gustavo Reis disse...

Tão importante quanto Tezuka, mas menos lembrado no ocidente. Não tenho nem palavras para descrever o que penso das obras do mestre ishinomori.

Usys 222 disse...

O que posso dizer? Mais uma vez um trabalho completo, desta vez sobre um dos nomes mais influentes da Cultura Popular Japonesa!

Shotaro Ishinomori era um grande gênio, que detestava obviedades e o status quo. Um homem que sempre esteve na vanguarda, coletando ideias e explorando novas possibilidades, sem se prender a um único gênero. Prova disso é sua vasta obra.

Falando nisso, Kazuhiko Shimamoto conta uma história interessante sobre o Mestre. Shimamoto era assistente de Ishinomori e lhe disse que queria partir para buscar novas possibilidades. O Mestre foi contra, pois não o julgava pronto e lhe perguntou "quanto é 1+1?". Shimamoto pensou um pouco e respondeu:"35!". O Mestre se surpreendeu, mas sorriu sardonicamente e então o deixou ir.

Alexandre Nagado disse...

Fala César!

Uma editora que talvez pudesse lançar algo do Ishinomori talvez fosse a New POP, mas não sei como eles estão atualmente. O material em inglês já é bastante escasso. Espero ver isso mudar um dia.

E obrigado pelas informações adicionais.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Oi Gustavo! Por aqui Ishinomori é mais conhecido pelos seriados tokusatsu, o que na verdade representa uma parte menor em sua obra. Já vi dizerem que ele seria um equivalente ao Stan Lee, o que considero incorreto. Ishinomori foi infinitamente mais versátil, nuncaso ficou preso a super-heróis.

Valeu! Grande abraço!

Ricardo disse...

Parabéns por mais um belo texto, Nagado. Realmente o Ishinomori merece todas as homenagens. É quase impossível medir o alcance de sua influência na cultura pop japonesa.

Não posso dizer que conheço verdadeiramente o trabalho de Ishinomori. Eu vi dezenas de séries live-action e alguns animes baseados em sua obra, mas são todas produções que acabaram diluídas e misturadas com a visão de produtores, roteiristas, animadores e atores.

Infelizmente, a parca distribuição de seus mangás no Ocidente acabou me privando de ter um contato direto com seu material. Dei uma olhada na Amazon enquanto escrevia esse comentário, não tem praticamente nada disponível por lá.

De qualquer forma, uma coisa que me chama a atenção ao ver boa parte dos personagens que criou é que eles não são entes à parte do que entendemos como humanos: andróides, ciborgues, humanos remodelados. Esse tipo de personagem sempre me atraiu, pois permite ao criador explorar as incongruências e falhas de nossa sociedade chocando-as com o ponto de vista “inumano” dos protagonistas. Gostaria muito de ver como o Ishinomori trabalhava esse aspecto em suas obras.

Falando sobre o Ishinomori longe das pranchetas, gostaria de destacar, além do episódio 84 de Kamen Rider que foi mencionado no texto, também a co-direção do 39º e último episódio de Stronger, que assinou com Minoru Yamada (que a princípio seria o final da saga dos Kamen Riders) e principalmente o episódio 11 de Inazuman.

Ishinomori dirigiu e co-escreveu (ao lado de Masayuki Shimada) esse episódio, que é quase um reboot da série – alguns dos coadjuvantes foram deixados de lado a partir dessa história, e Inazuman passou a apresentar tramas bem mais dramáticas. Essa especificamente é emocionante, comparável ao clássico episódio 42 de Gavan. Vale a conferida, mesmo sem ter visto os episódios anteriores.

Não tenho dúvidas que o trabalho de Ishinomori continuará a gerar muitos frutos, e encantando mais e mais gerações. Daqui fica apenas a torcida para que um dia possamos ter alguma obra do Rei lançada no Brasil.

Alexandre Nagado disse...

Fala Usys!

Realmente, Ishinomori era um artista incansável e surpreendente. Deve ter sido incrível para Shimamoto e uns poucos sortudos ter convivido com ele. E que história curiosa essa que você trouxe. Muito legal!

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Ricardo!

Obrigado pelas informações adicionais que trouxe.

Fico pensando se Ishinomori tivesse investido na direção de filmes pra valer. Parece que ele fazia bem tudo o que se propunha a realizar.

Até mais! Abraço!

FelipeOnodera disse...

Finalmente chegou minha hora de postar aqui. O texto esta realmente muito bom, Nagado. Eu gostei de como você não se focou em uma coisa só, mas foi atrás de todas as mais representativas obras de Ishinomori. É quase impossível para mim falar de Ishinomori sem me repetir um pouco. Praticamente tenho dedicado uma boa parte da minha vida a ele, é a razão até pela qual conheci minha esposa. É muito díficil imaginar onde eu estaria agora se nunca tivesse tido contato com o trabalho de Shotaro Ishinomori.

Eu o considero meu mentor, mesmo que nunca o tenha conhecido. Li biografias, depoimentos de pessoas que trabalharam com ele, seu manual sobre como fazer mangá, até o principal motivo de eu ter estudado a língua japonesa foi para poder conhecer mais os trabalhos de Ishinomori. É realmente algo que tomou conta de mim, até me tornei um cartunista eu próprio por causa da admiração que tinha por Ishinomor. Me aventurei em livros, cinema e muitas outras mídias para seguir os seus passos. Em suas biografias, Ishinomori dizia que queria ser Leonardo da Vinci. No meu caso, eu queria seria Shotaro Ishinomori.

A reputação dele como autor de super-heróis é algo que eu nunca fui capaz de compreender. Pode ser porque muito mais pessoas preferiam assistir televisão ao invés de ler um mangá e aquelas séries marcaram toda uma geração. Ao mesmo tempo, o seriado de televisão inspirado em Hotel é um dos programas de maior audiência da TV japanose e durou por mais de 10 anos, enquanto o mangá foi publicado sem interrupção por quase 20 anos. É realmente surpreendente que as pessoas não lembrem que o autor daquele seriado é o mesmo criador do Kamen Rider. Inclusive, Jo Onodera era também um membro regular do elenco! Acredito que marketing seja o que realmente influencia nesse aspecto, Kamen Rider é uma marca, com uma companhia poderosa como o Bandai por trás dela. Hotel é uma série sem apelo para merchandising, focado num público adulto que não consumiria muitos produtos relacionados.

Cont...

FelipeOnodera disse...

...Continuação do texto anterior...

Outra obra emblemática do Ishinomori é o Manga Nihon no Rekishi, de 48 volumes, recontando a história do Japão desde o período Yamata-Tai até os tempos atuais. Dizem que todas as casas de família no Japão tinham pelo menos um exemplar desse mangá, um dos mais vendidos de todos os tempos em conjunto com o Romance dos Três Reinos, do Mitsuteru Yokoyama. Um aspecto às vezes admirado e outras vezes criticado é o fato de que o Ishinomori não pega leve na crítica sobre o Japão ao longo da história. Outras publicações similares tentaram diminuir consideravelment os aspectos negativos do Japão, chegando até negar eventos históricos como o Massacre de Nanquin. Ishinomori, no entanto, conta a história exatamente como aconteceu e tem um tom bastante pessimista com relação as atividades do Japão em tempos de guerra e também em outros momentos.

Por fim, eu só gostaria de fazer algumas considerações. Em um dos meus textos antigos e não mais disponíveis online, eu falei de como as pessoas exageram a participação do Tezuka na vida do Ishinomori. Mais do que mestre e aprendiz, eles eram rivais. E Tezuka era especialmente competitivo e temeroso de ser passado pra trás por um artista mais jovem. O trabalho como assistente foi bem breve, não durando mais do que uma semana até que Ishinomori se tornou um autor próprio. Tezuka também nunca compartilhou o mesmo apartamento que Ishinomori como muitos pensam, ele se mudou pra dar lugar à dupla Fujiko Fujio, antes mesmo de Ishinomori e seu amigo Fujio Akatsuka se mudarem pra lá. A rivalidade existe até os dias de hoje com a Tezuka Pro afirmando que Tezuka produziu uma maior quantidade de páginas, mas provas para isso não existem. É dito que ele produziu uma quantidade de 170.000 páginas de mangá, contra as 150.000 de Ishinomori. No entanto, a coleção de obras completas de Tezuka não chega nem a 100.000 e ninguém sabe o que são essas 70.000 páginas perdidas. Essa contagem só foi considerada quando ambos competiam por um recorde no Guinness Book. Ishinomori venceu e encerraram o caso, mas essa informção ainda pode ser encontrada por várioas fontes espalhadas pela internet.

Também sobre Ishinomori e seu lado mais espiritual, eu acredito que ele não levasse as previsões de Nostradamus tão a sério, mas também não as ignorava. Pelo meu conhecimento, Ishinomori era agnóstico, ele não duvidava nem afirmava sobre o conteûdo que apresentava em seus mangás. Ele construiu uma pirâmide para canalizar energias criativas em sua própria casa, mas dizia que toda vez que subia lá, acabava só bebendo saquê e não tendo nenhuma ideia nova. Ele gostava de brincar com misticismo e durante uma fase ficou muito interessado por temas mais esotéricos como OVNIs, parapsicologia e deuses astornautas. Mas no fim das contas, alguns de seus mangá ainda são ambientados em futuros muito mais distantes do que 1999 e ele havia anunciado que iria lançar o primeiro volume da conclusão de Cyborg 009 em 2000. Eu também já vi ele fazer referências ao astronomo Carl Sagan, conhecido mundialmente por ser um dos maiores críticos da pseudo-ciência, popularizada por autores como Erich Von Daniken.

Além disso, o texto está ótimo e ficou feliz que exista uma outra nova forma de pesquisa para todos aqueles que quiserem conhecer mais sobre o trabalho de Shotaro Ishinomori!

Abraços,
Felipe Onodera

Alexandre Nagado disse...

Olá Felipe!

Confesso que estava apreensivo para ler seu comentário, por saber de sua admiração e conhecimento sobre Ishinomori e sua obra.

A história da suposta crença em Nostradamus é uma coisa que ouvi falar há muito tempo atrás, na época em que consegui o volume 6 do Black. Agora você me esclareceu melhor.

E essa série sobre a história do Japão eu tinha esquecido completamente. Como é importante, inclui uma citação no texto, graças ao seu comentário.

E muita coisa teve de ser posta de lado. Jun, por exemplo, ficou de fora e tenho umas imagens muito legais dele em um livro. É difícil ser muito conciso com tanto assunto pra mencionar. Por isso, digo que cortar texto é mais difícil do que escrever.

Minha ligação maior com a obra dele é mesmo pelo tokusatsu, mas eu quis fortemente mostrar que a obra de Ishinomori vaí muito além disso. Por isso, ler seu comentário foi recompensador.

Obrigado! Grande abraço!

Bruno Seidel disse...

Que post sensacional!!! Parabéns por reunir tanta informação relevante, precisa e interessante num texto tão bem escrito como esse. Eu considero o Ishinomori o autor mais versátil que já conheci. Sua contribuição para a Cultura Pop Japonesa é imensurável e seu legado é eterno, pois tudo que ele construiu continua impactando fortemente nos dias de hoje.

Lembro que rapidamente guardei seu nome quando fiquei sabendo (graças à Herói, possivelmente) que ele era o mesmo autor de Kamen Rider e Gorenger, além de ser o responsável pela criação de Bicrosser, Patrine e Machine Man. Isso me despertou o interesse em conhecer outras de suas obras, afinal, aparentemente tudo que ele fazia tinha um selo de altíssima qualidade. E foi assim que eu me interessei em assistir o anime de Cyborg 009 que estreou no Cartoon Network em 2003.

O anime, que era bem recente (produzido em 2001, três anos após o falecimento do autor) sofreu muitas críticas por parte dos fãs daquela época, que estavam mais acostumados a ver coisas como DBZ, Rurouni Kenshin e Sakura Card Captors. O "estranhamento" do traço incomodou muita gente que claramente não enxergava o significado daquilo. Para mim, que já tinha "feito o dever de casa", lido e estudado sobre a vida e a obra de Ishinomori, foi um presente e tanto! Logo me apaixonei por aqueles personagens, a densidade do enredo e a forma como a história era conduzida, além das importantes lições que ficavam nas entrelinhas. Considero meu anime preferido!

Nos episódios finais do anime, temos uma homenagem muito especial a Ishinomori, que é a aparição do autor em seu estúdio onde ele costumava produzir suas infindáveis obras. Nessa cena, ele recebe uma visita do Dr. Gilmore (o mentor dos ciborgues) e os dois passam a narrar a sequência do arco final.

Aliás, alguns elementos de Cyborg 009 denunciam a influência que Osamu Tezuka teve em seu discípulo: o ciborgue 002, por exemplo, tinha jatos sob as solas do péque o permitiam voar em momentos de combate, algo claramente inspirado no Astro Boy.

Alguns elementos de Cyborg 009 também acabaram sendo transportados para obras posteriores do grande mestre: o drama pessoal de personagens amaldiçoados por sua condição de heróis involuntários, por exemplo, se tornou uma marca registrada dos Kamen Riders da era Showa.

Se hoje os Kamen Riders são um sucesso comercial e absoluto no Japão, tudo se deve ao legado cosntruído por Ishinomori lá atrás, nos início dos anos 1970. O mesmo se deve aos Super Sentais e até aos Power Rangers. Aliás, é impossível dizer o que seria da cultura pop japonesa hoje sem a assinatura desse gênio, pois a quantidade de autores que se inspiraram nele e que surgiram em decorrência do seu talento e da admiração que ele gerou é incalculável.

Por essas e outras que a homenagem é justíssima! O mundo perdeu um gênio mas herdou uma lenda!

anderson disse...

Aproveitando eu queria saber se Patrine surgiu antes ou após o mangá Sailor V e se talvez teve influência em Sailor Moon.E curiosamente o fato de Poitrine ser escolhida por um velhinho e enfrentar vilôes bizarros em vez de montros é semelhante a Miraculous Ladybug.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Anderson.

Patrine é de 1990, enquanto Sailor V veio em 1991.
(http://nagado.blogspot.com.br/2015/09/codename-sailor-v.html)

Se levarmos em conta que Patrine foi uma das influências para Naoko Takeuchi criar Sailor Moon, isso aumenta ainda mais o peso da importância de Ishinomori para o conjunto da cultura pop japonesa.

Abraço!

FelipeOnodera disse...

Cometi um pequeno erro no meu comentário, então queria só esclarecer o erro. A contagem de páginas para Ishinomori que consta no Guinness World Records são de 128.000 páginas. Minha memória falhou naquela parte. O que acontece é que muitas fontes publicaram que Osamu Tezuka fez um total de 150.000 páginas de mangá. O que não é verdade. A coleção de obras completas do Ishinomori consta de 500 volumes, com 770 títulos diferentes. A coleção de Osamu Tezuka são 300 volumes, com um total de 80.000 páginas. É verdade que existem algumas histórias perdidas. Mas para Tezuka alcançar um número tão grande quanto 150.000 páginas, isso significaria mais de 70.000 páginas perdidas. A contagem não faz sentido e a Tezuka Pro provavelmente alegou o número precipitadamente. Existe um motivo para Shotaro Ishinomori ter levado o recorde mundial.

Na questão de Sailor Moon/Patrine, vale a pena lembrar que Patrine não foi a primeira super-heroína do Ishinomori. Na verdade, a inspiração para a Patrine veio do seriado "Suki! Suki! Majo-Sensei", levemente inspirado no mangá Sennome Sensei (A Professora dos Mil Olhos). Em uma tentativa de levantar a audiência da série, que era uma comédia familiar como a série rival "Comet-San", Ishinomori e Hirayama criaram um elemento novo inspirado no sucesso de Kamen Rider: Andro Kamen. Andro Kamen não existia no começo da série, mas da metade pro final a heroína Hikaru Tsuki ganha a habilidade de se transformar em Andro Kamen. O formato desses episódios segue a mesma fórmula de Kamen Rider, só que voltado ao público feminino. Segundo Ishinomori, Patrine foi diretamente inspirada por Andro Kamen. Outra semelhança com Sailor Moon é que a Hikaru dizia "Moon Light Power!" na hora de usar seus poderes. Vale lembrar também que Andro Kamen antecedeu Cutie Honey, criada por Go Nagai, como a primeira garota mágica que usa seus poderes para lutar contra o mal.

Alexandre Nagado disse...

Oi Felipe!

Muito obrigado por ajudar a enriquecer ainda mais a postagem. Não sabia da Andro Kamen, agora fiquei curioso pra ver alguma coisa.

Sobre o número de títulos e páginas, achei prudente confiar na contagem do Guiness. A produtividade de Ishinomori era assombrosa mesmo.

Obrigado! Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Nagado, se formos falar de todas as obras dele, levaremos séculos. Valeu por citar meu nome. divulgue os vídeos
https://youtu.be/Z2_xEDIS3u4 https://youtu.be/MXinERzrcGw

Stefano Barbosa disse...

Tezuka morreu em 1989

Alexandre Nagado disse...

Tem toda razão, Stefano.
Já corrigi na postagem, obrigado!

Alexandre Nagado disse...

Só completando o post:

Estava eu lembrando a primeira vez que tive contato com uma obra de Ishinomori. Em 1984, comprei numa livraria japonesa que havia perto de casa um pacote promocional com 4 mangás da Shonen Sunday. Aquilo teve um impacto enorme em mim, mesmo sem entender nada. Depois, aprendi a identificar os nomes dos autores. E só tinha fera: Rumiko Takahashi, Ryoichi Ikegami, Kazuhiko Shimamoto e, é claro, Shotaro Ishimori (ele só adotaria Ishinomori dois anos depois). A série era Green Grass, que nunca foi adaptada nem em animê nem em live-action, até onde eu saiba.

O assunto é inesgotável mesmo.

Stefano Barbosa disse...

Pena que Shotaro não deu 1 pausa na carreira pra cuidar do coração. Ele poderia estar vivo ainda.

Anônimo disse...

De: LucianoMT

Oi, Nagado

Não tenho muita coisa para falar, já que apesar de entusiasta, sei muito pouco para poder opinar sobre o senhor Ishonomori, apesar de ter noção de que ele era um maratonista da criatividade. Por isso me atenho mais a ler o seu mini compêndio e aos comentarios dos colegas aqui.

Na verdade a minha dúvida é sobre o nome Ishinomori. Sinto que tem algum trocadilho a adição do "no" do Katakana no nome dele. Se puder responder, agradeço muito.

Abraços.

FelipeOnodera disse...

Oi Luciano,
Aparentemente, a adição do "no" ao nome é um resultado de vários fatores.
O primeiro deles é que Ishinomori não gostava do nome verdadeiro "Onodera" pois
existia um outro cartunista que atendia por esse nome e era conhecido pelos seus quadrinhos de teor militarista. Ele não queria dar a impressão de que existia alguma ligação entre eles. Ishinomori veio de um vilarejo no interior do Japão, e ele escolheu o nome Ishinomori em homenagem à terra natal, já que não existiam muitos autores de mangá vindos daquela região. Aparentemente, a intenção dele foi sempre ser chamado de Ishinomori, mas editores e amigos continuamente pronunciavam o kanji como "Ishimori". E assim ele foi conhecido até 1984, quando oficialmente mudou o nome para Ishinomori. Muitos fãs antigos ainda o conhecem pelo nome Ishimori Shotaro, mas Ishinomori é como ele próprio gostaria de ser conhecido. Em algumas ocasiões, ele assinou seus trabalhos como Woodstone (Floresta de Pedras), que era a tradução literal de Ishinomori.

Alexandre Nagado disse...

Olá, LucianoMT! Obrigado por ter trazido essa questão, que foi apenas mencionada de passagem na matéria.

Isso permitiu acrescentar mais uma informação sobre a vida desse gênio.

E deixo aqui meu agradecimento público ao Felipe Onodera, a quem pedi que respondesse à questão sobre o sobrenome do Ishinomori. O Felipe é uma referência sobre Shotaro Ishinomori e consultou fontes primárias para esclarecer a dúvida.

Obrigado!

Stephano Barbosa disse...

confira!!
https://www.mangaupdates.com/authors.html?id=2835

Stephano Barbosa disse...

Dorama sobre o sensei !
https://vimeo.com/288804931

Anônimo disse...

Olá, Nagado

Obrigado por se importar com a minha questão e ter humildemente ter passado a questão para o Felipe Onodera. Meus mais profundos agradecimentos a vcs dois. O idioma japones, pelo fato dos kanjis, que mesmo com formas distintas, tem leituras identicas que permitem uma infinidade de jogos de palavras, torna tudo tão fascinante.

PS1: Na verdade, eu tinha respondido logo, mas utilizei o celular, mas é muito ruim usar o móvel para escrever aqui e acabou não saindo o texto e aí fui esquecendo. E como tenho utilizado o notebook, demorei para responder.

PS2: Agora percebi que o Kamen Rider Kuuga que aparece em Decade é chamado Yusuke Onodera. E pelo visto não foi por mera coincidência...

Abraços!

Stephano Barbosa disse...

Assisti o dorama sobre o imperador do mangá. Gostei, mas faltou algumas coisas... ex: certos mangás legais que ele fez e são pouco conhecidos.
Vi a oposição do "oto-san" dele pra ser artista. Também me surpreendi que ele viajou pra n países pra tentar amenizar a dor da perda da irmã.
E vi que ele leu 1 revista falando de filme de cyborg. Eis a origem de cyborg 009. Teve 1 cena que Tezuka confessa pra Ishinomori que sentiu inveja dele e se retratou. Ishinomori acabou se retratando também.
A cena final aparece Ishinomori levando os filhos pra conhecer o estúdio onde tava filmando Kamen Rider.