segunda-feira, 19 de junho de 2017

GODZILLA: Planeta dos Monstros - Terror em animê

Pela primeira vez em animê, o mais famoso monstro japonês será mostrado como o dono da Terra. E não pretende deixar que os humanos a tomem de volta.
Godzilla terá sua versão em animê.
A silhueta indica proximidade com
a recente versão feita em Hollywood.

O Rei dos Monstros está com muita força nesta década. O filme americano de 2014 terá continuação em 2019 e, em 2020, ele enfrentará outro monstro icônico do cinema: King Kong, em produção recheada de expectativas e especulações. Do outro lado, os japoneses retomaram a produção local e o filme Shin Godzilla, de 2016, conquistou o público local e tem sido visto em mostras especiais pelo mundo. E agora, o público japonês está ansioso para conferir a primeira versão em animê da criatura. Não é a primeira vez que o velho colosso vira animação.

Godzilla já apareceu em duas séries de animações americanas. A primeira foi produzida pela Hanna-Barbera em 1978, enquanto a outra veio em 1998, pela Adelaide Productions, feita a partir do filme americano do mesmo ano. Mas não será apenas uma versão para animê de mais uma história de origem ou um novo embate entre monstros ameaçando a civilização. 
A força-tarefa que chegará à Terra irá
encontrar um ambiente hostil repleto de monstros.
E Godzilla reina supremo.

A nova empreitada, produzida pela Polygon Pictures para a Toho Co. e NETFLIX promete resgatar a sensação de terror do filme original de 1954 e levar a um outro patamar, com situações inéditas na franquia. 

Intitulada Godzilla - Kaiju Wakusei (ou "Godzilla - Planeta dos Monstros"), a aventura se passa no futuro, quando a humanidade decide emigrar para outro planeta. O objetivo é abandonar o planeta e fugir da destruição causada pelos monstros, especialmente o mais poderoso deles, Godzilla. A missão para analisar um certo planeta a anos-luz de distância fracassa e os colonos decidem retornar à Terra, após 20 anos no espaço. 

A única opção para encurtar a viagem passa a ser tentar um salto no hiperespaço, o que teria consequências imprevisíveis. A perigosa e incerta viagem dimensional os arremessa no tempo e os faz chegar à Terra, mas 20 mil anos no futuro. 

A humanidade fora varrida do planeta e um ecossistema hostil se formou, com selvas e criaturas ameaçadoras, tendo Godzilla no topo da cadeia alimentar. 

Entre os soldados que tentarão tomar o planeta de volta para o que restou da humanidade, está o jovem capitão Haruo Sakaki. Ele tem uma vingança pessoal a cumprir, pois seus pais foram mortos na sua frente por Godzilla quando ele tinha apenas 4 anos de idade. Ele e seus companheiros de armas estão dispostos a tomar o planeta de volta, custe o que custar. 
A trilogia irá mostrar a luta dos seres
humanos para retomar o controle da Terra.
A produção é uma parceria entre a Toho Films e a NETFLIX, que irão fazer desse Godzilla em animê uma trilogia de longas. E uma equipe de respeito foi convocada.

A ideia original e o roteiro ficaram por conta do escritor Gen Urobuchi, bastante elogiado por seus trabalhos em Madoka Magica, Fate/Zero e Kamen Rider Gaim, entre outros. Com suas histórias cruéis, violentas e cheias de reviravoltas, ele tem uma legião de fãs e agora tem a chance de trabalhar com uma franquia longeva, mas que nunca foi elogiada por seus roteiros, sempre bastante previsíveis. 

O diretor Hiroyuki Seshita já trabalhou nas adaptações para animê de Ajin e Knights of Sidonia, ambas para a Polygon Pictures em parceria com a NETFLIX. O outro diretor, Kobun Shizuno, é mais veterano e já trabalhou em aventuras especiais das séries Detective Conan e Hokuto no Ken/ Fist of The North Star. 

O herói principal terá a voz do badalado Mamoru Miyano, que também estará simultaneamente dublando o Ultraman Zero na série Ultraman Geed, além de outros animês. 
Martin Lazani, Yuuko Tani, Haruo Sakaki, Adam Bindewald e Muluel Galg.
O design do monstro se aproxima da versão americana de 2014, talvez para tornar mais familiar sua figura ao resto do mundo. Vários monstros clássicos do universo de Godzilla deverão aparecer, bem como algumas criaturas inéditas.

Godzilla - Kaiju Wakusei irá estrear nos cinemas japoneses em 17 de novembro, no sistema de temporadas curtas e itinerantes chamado de Road Show. Ainda em 2017, será lançado mundialmente na programação da NETFLIX

Ficha técnica:
GODZILLA - KAIJU WAKUSEI (Monster Planet)

Estreia: 17/11/2017 (Japão)
Criação: Tomoyuki Tanaka, Ishiro Honda e Eiji Tsuburaya (Toho Co.)
História original e roteiro: Gen Urobuchi (Nitroplus)
Planejamento (composição) da série: Gen Urobuchi e Sadayuki Murai
Direção musical: Satoshi Yamamoto
Design de produção: Naoya Tanaka e Ferdinando Patulli
Produção de animação: Polygon Pictures
Direção: Kobun Shizuno e Hiroyuki Seshita (Polygon Pictures)
Realização: Toho Co. e NETFLIX

Elenco:
Haruo Sakaki: Mamoru Miyano
Yuuko Tani: Kana Hanazawa
Metphies: Takahiro Sakurai
Martin Lazzari: Tomokazu Sugita
Adam Bindewald: Yuuki Kaji
Muluel Galg: Junichi Suwabe 

Site oficial: godzilla-anime.com

12 comentários:

Bruno Seidel disse...

À primeira vista, parece ser um anime muito bem feito e com a grandiosidade que o lagartão merece. Mas devo sempre lembrar que, da última vez que vi o Godzilla em uma produção animada, me frustrei amargamente. Foi justamente o desenho de 1998, que foi exibido no Cartoon Network na mesma época. Eu lembro que me enchi de expectativa e entusiasmo pra ver aquela animação. Achava que iria me viciar. Mas não...
Tive pouco contato com a versão de 1978 da Hanna-Barbera, mas sei que se trata de uma produção mais "light" e infantil. Não é a imagem que eu tenho do Godzilla.
Agora, porém, tenho motivos para retomar o otimismo. Um deles é o fato de ser uma produção genuinamente japonesa. Apesar de ter achado o filme de 2014 bom, não curto a forma como os americanos tratam o Godzilla e nem o visual que deram a ele no filme de 98 (mais parecia uma mistura de alien com tiranossauro rex).
O fato de ter o dedo do Netflix também me enche de boas expectativas. Sou fã do serviço prestado pela empresa que considero um marco na história do entretenimento mundial, estabelecendo o streaming como uma plataforma que veio para ficar e fazendo algo que poucos souberam fazer: combater a pirataria com preço acessível, serviço de qualidade e facilidade na aquisição de conteúdo. E mais: os animes originais do Netflix que eu assisti até agora são de altíssima qualidade e insistentemente recomendados: Ajin Demi-human Cyborg 009 (esse último eu sou suspeito pra falar, até porque devorei todos os 12 episódios num gole só).
Quanto à sinopse de "Godzilla - Kaiju Wakusei", achei uma proposta diferente e interessante. Gosto muito de produções "futurísticas" e me parece que esse anime terá uma pegada de "Attack on Titans", com o protagonista (o capitão Haruo Sakaki, no caso) tendo um trauma de infância transformado em sede de vingança. Estando aos cuidados do Gen Urobuchi, a chance de eu me decepcionar é quase nula. Curti demais a forma como ele conduziu o enredo de Kamen Rider Gaim e devo concordar que as definições "cruéis, violentas e cheias de reviravoltas" descrevem bem seu estilo de narrativa.
E que fase do Mamoru Miyano, ein? Geed e o Sasaki no mesmo semestre!
Aliás, esse lance de haver um "quinteto" formando a tropa de combatentes aparentemente liderada pelo Sasaki me lembra as patrulhas das séries Ultras. Será que só eu notei isso?
E tomara mesmo que resgatem o clima original do filme clássico de 1954. Talvez os fãs mais novos e menos familiarizados com o histórico do Godzilla não tenham essa imagem dos filmes do lagartão, mas ele foi originalmente concebido como uma produção de terror e altas doses de suspense, com efeitos especiais artesanais (marca registrada do lendário Eiji Tsuburaya). Hoje em dia, é mais relacionado a filmes de ação e pirotecnia com uso abusivo de computação gráfica.
Outra coisa que acho sempre válida quando se fala em Godzilla é o clássico (e, de certa forma, manjado) debate sobre a "índole" do personagem: “herói ou vilão?” Lembro de uma matéria da revista Henshin (uma edição especial sobre "Vilões") que trazia essa discussão e concluía o raciocínio comparando Godzilla a uma força da natureza, que não é boa nem má: apenas interage e responde ao ser humano de acordo com o tratamento que recebe do mesmo. Essa "filosofia" está sempre presente nos filmes que eu assisti da série e foi até traduzida em forma de frase na versão hollywoodiana de 2014, quando o Dr. Ichiro Serizawa (interpretado por Ken Watanabe) comenta que "a arrogância do ser humano é pensar que a natureza está sob seu controle e não o contrário".
Esse tipo de reflexão, que eu particularmente acho muito pertinente e profunda, é o que me faz perceber que Godzilla pode, sim, ter muita sapiência disfarçada de entretenimento. É muito mais do que um filme de um monstro gigante e incontrolável pisoteando prédios e cuspindo raios radioativos para entreter comedores de pipoca na sala de cinema.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Bruno!

Estou com boas expectativas para essa produção. A ideia é interessante, mostrando os seres humanos como sendo os "invasores" da vez. Fiquei um pouco desapontado ao ver que o design do monstro é próximo da versão americana mais recente, mas tudo bem. E eu espero que eles mantenham o tema original do Akira Ifukube. Filme de Godzilla sem aquela marcha não tem graça.

Que o visual será um arraso, disso acho que ninguém duvida. E acho que faltava um roteirista de renome pra trazer credibilidade ao Godzilla perante fãs mais exigentes. Vamos aguardar.

Valeu! Abraço!

Anônimo disse...

Eu li recentemente que Emmerich detestava Godzilla e apenas aproveitou
o filme em desenvolvimento para criar seu próprio monstro e a Toho
aceitou pois era o diretor de ID4 .

Usys 222 disse...

Esse é um projeto bem interessante, de trazer um dos ícones do Tokusatsu para o Animê. Por alguma razão algo que nunca foi feito no Japão. E a história tem uma proposta totalmente diferente dos filmes de até então. Difícil saber como os humanos vão enfrentar um novo ecossistema inteiro.

Eu mesmo gostei da versão animada de 1998. Lá os monstros eram mesmo ameaças que não podiam ser detidas com armamento convencional, dando para ver bem que pesquisaram sobre os filmes de monstros japoneses. E o Godzilla era mais próximo do original, mas com elementos do desenho da Hanna Barbera, sendo que ele era o "monstro-herói" que defendia os humanos. Até tem um episódio em que os membros da HEAT vão parar no futuro em que a humanidade foi quase totalmente devastada por uma ninhada de monstros criados em laboratório que conseguiram derrotar até mesmo o Godzilla usando a vantagem numérica. O episódio da Ilha dos Monstros também me lembrou muito os filmes antigos.

Em Gen Urobuchi eu confio e por isso dá para ter altas expectativas quanto à história. E o bom é que vai sair pela NETFLIX com lançamento mundial. Tomara que o Brasil esteja incluído.

Alexandre Nagado disse...

Olá!

Não sabia dessa, mas faz sentido. Certamente há referências ao Godzilla japonês e a cena da labareda flamejante foi cuidadosamente planejada e executada. Mas no geral, fiquei meio decepcionado com o filme.

E confesso que gostei da aparição do "Zilla" americano em Godzilla - Final Wars e da luta entre eles. Lá ficou bem explicitada a escala de poder.

Valeu! Abraço!
(PS: Apesar do sistema aceitar o anonimato, acho legal que a pessoa crie um pseudônimo, ao menos para eu saber quando a participação é recorrente. Fica menos impessoal assim.)

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Não cheguei a ver a animação de 98, mas pelo que diz, parece que foi uma boa combinação de elementos clássicos.

E acredito que o Brasil esteja incluído nesse lançamento mundial. A NETFLIX já sabe que aqui há um público forte pra animê. Vamos aguardar. Quem sabe até lá eu não faço minha assinatura.

Grande abraço!

César Filho disse...

Tive pouco contato com os desenhos do Godzilla. Da série dos anos 70 eu só vi alguns vídeos. Minha mãe é quem assistia na época. Já o desenho de 1998 eu vi poucas vezes nos finais de tarde do Cartoon Network. Não me atraiu tanto quanto o primeiro longa americano (que apesar dos pesares, eu gostei). Mas eu curtia mais os filmes originais do Godzilla que eram exibidos no extinto Cinema em Casa, do SBT.

Sim, esta nova animação está incluída no Brasil. No catálogo da Netflix já é possível ver o título com o selo original, mas sem imagem e apenas com uma pequena sinopse. Também estou na expectativa e a Netflix tem produzido várias animações japonesas de primeira como Knights of Sidonia, Cyborg 009: Call of Justice, AJIN: Demi-Human, etc.

Alexandre Nagado disse...

Olá, César!

Que boa informação você trouxe aqui! Então, a NETFLIX já está divulgando que vai passar o animê do Godzilla. Muito bom saber disso. Atualmente só assino a Crunchyroll, mas estou tentado a dar uma chance pra Netflix, pois o catálogo deles parece bem interessante.

E o SBT exibiu vários filmes da fase anos 80~90 do Godzilla, incluindo o meu favorito, que é Godzilla vs Biollante. Mas acho que faz tempo que não reprisam.

Valeu! Abraços!

César Filho disse...

Assim, Nagado. A divulgação das séries "originais" da Netflix (aquelas com o selo de exclusividade do canal de streaming) são mais tímidas se tratando de animês, por exemplo. Eles investem pesado nas divulgações de séries de destaque do grande público como House of Cards, Narcos, Sense8, Demolidor, etc. Mas séries "originais" de outros países ou produções secundárias tende-se a ter uma divulgação menor, infelizmente. No caso do Godzilla, por enquanto só aparece o título no catálogo, que deve chegar em novembro mesmo. Até lá deve sair pelo menos algum trailer como divulgação. Assim como aconteceu com várias animações japonesas. Isso é comum pros padrões da Netflix. Tem muita coisa bacana por lá, inclusive. Vale a pena.

Ah, Godzilla no SBT, se não me falha a memória, só foi até 1998. Foi o ano que a afiliada daqui de de Fortaleza, a TV Cidade (canal 8) trocou o canal do Silvio Santos pela Record. Depois disso, só assisti o Godzilla 2000 na Globo, depois de ter visto em DVD.

Abraços!

Alexandre Nagado disse...

Oi, César.

Eu imaginava que produções japonesas não teriam o mesmo destaque que as produções americanas. É questão de buscar o maior público, mas acho que aos poucos as produções japonesas vão conquistar mais espaço lá.

Sobre os filmes do Godzilla no SBT, tenho a impressão que foi além de 1998 a exibição deles, mas não tenho certeza.

Grande abraço!

job marques dasilva disse...

Eis um icone que amo .Ao lado de seven e jack sao minhas mais preciosas lembrança da infancia , nao vi a serie de 98 ao qual muitos se referem. Sempre espero o melhor numa produção em que japoneses tratam de seus herois . somente eles sabem o valor ea dimensao que suas criaçoes possuem.

Alexandre Nagado disse...

Concordo com você, Job. Já vi muitas adaptações que perdiam a essência da criação original.

Abraço! E apareça mais por aqui!