quinta-feira, 22 de junho de 2017

Convocação para trabalhos acadêmicos sobre cultura pop japonesa!

Uma proposta para mostrar a moderna pesquisa acadêmica brasileira sobre cultura pop japonesa.
Cena de um comercial da Universidade de Kyoto,
feito em animê (2014). Em geral, os meios acadêmicos
sempre trataram as mídias pop com pouca atenção.
Isso está mudando aos poucos.


Nos meios universitários, TCC é o Trabalho de Conclusão de Curso, uma extensa pesquisa que é entregue pelo aluno ao final de um curso de graduação ou pós-graduação. De alguns anos para cá, cada vez mais trabalhos têm sido feitos focalizando o mangá, o animê ou algum aspecto da cultura pop japonesa nessas pesquisas acadêmicas, além de artigos científicos, trabalhos de mestrado ou doutorado. Nesse movimento, o Brasil foi um dos países pioneiros a tratar mangá e quadrinhos em geral como objetos de estudo acadêmico.

Na década de 1970, a Professora Doutora Sonia Luyten escreveu para a USP sua tese de doutorado sobre mangá, intitulado Mangá - O Poder dos Quadrinhos Japoneses. A iniciativa gerou um livro, já reeditado e atualizado algumas vezes. Mas iniciativas assim costumavam ser casos isolados. Entretanto, a explosão do animê na segunda metade dos anos 1990 formou uma geração que levou sua paixão para as faculdades. 
Capa da terceira edição do pioneiro livro
Mangá - O Poder dos Quadrinhos
Japoneses, de Sonia Luyten (2001, Ed. hedra).
Nos últimos anos, têm aparecido cada vez mais trabalhos acadêmicos focalizando o mangá, animê, games e diferentes aspectos da cultura pop japonesa. E isso tem mostrado resultados, ainda que tímidos, no sisudo meio dos pesquisadores acadêmicos. 

Em 2003, participei do Primeiro Seminário Internacional de Cultura Pop Japonesa na universidade UniSantos, no litoral paulista, a convite da professora Sonia Luyten. Mesmo que não tenha havido grande adesão por parte da comunidade universitária, foi uma importante conquista e que gerou até um livro, publicado pela editora hedra, o Cultura Pop Japonesa - Mangá e Animê (2005). 
Cultura Pop Japonesa - Mangá
e Animê (Ed. hedra, 2004)

Também já fiz parte da banca examinadora de um desses trabalhos muitos anos atrás, na USP. E de tempos em tempos, algum estudante me escreve atrás de dicas e informações para seus trabalhos de pesquisa. A cada ano, parece que esse movimento tem aumentado. 


O formato de um trabalho acadêmico é algo um pouco engessado (mas que pode abrigar soluções criativas), sendo obrigado a seguir uma rigorosa normatização para ser aceito. Por outro lado, para passar pelo crivo de avaliadores, a pesquisa precisa estar cultural e historicamente bem embasada, o que permite a criação de bons materiais de referência. E é isso o que é mais importante.


Não pertenço à área acadêmica, mas incentivo e prezo muito essas iniciativas de pesquisa e documentação. Por isso, quero fazer uma convocação a todos que tenham concluído um trabalho acadêmico sobre algum aspecto da cultura pop japonesa. A ideia é postar no Sushi POP links para que os interessados possam fazer download do material, gratuitamente. Por isso, trabalhos que já tenham sido transformados em livro comercial não serão listados. 

Você pode postar o trabalho na plataforma Issuu, que permite a tanto a leitura on-line quanto o download. Depois, é só mandar o link para o e-mail de contato do Sushi POP. Se não souber como fazer isso, pode mandar o PDF direto pra mim, que eu coloco no ar. 

Estão valendo trabalhos acadêmicos em geral, sejam TCCs, Teses de Mestrado ou Doutorado, desde que em formato PDF. Links para artigos publicados em sites acadêmicos ou científicos também podem ser incluídos. 

Irei organizar os trabalhos que chegarem e farei um post sobre isso no ainda no começo de agosto. Espero que haja uma boa participação e seja possível fazer esse serviço à valorização da pesquisa acadêmica sobre cultura pop japonesa. 

Atenção: Somente serão aceitos trabalhos enviados pelo próprio autor.
Prazo de envio: 04 de agosto de 2017

Três publicações recentes criadas a partir de trabalhos acadêmicos.
Livros que nasceram de trabalhos acadêmicos:

Aqui no Sushi POP já postei algumas resenhas sobre publicações profissionais feitas a partir de teses acadêmicas:






Leia também:


Os Pioneiros da Pesquisa de Quadrinhos no Brasil 

23 comentários:

Bruno Seidel disse...

Olha... o meu TCC (2008) não chegava a ser exatamente sobre esse tema. Era especificamente sobre eventos de anime que ocorriam em Porto Alegre naquela época. Mais precisamente o animeXtreme, que é até hoje o maior do estado.
A explicação sobre o que são animes, mangás, tokusatsu e temas relacionados foi utilizada apenas para contextualizar e explicar do que se trata esse tipo de evento e a natureza do público consumidor.
Para explicar essa parte, recorri várias vezes ao Almanaque da Cultura Pop Japonesa, que foi talvez a minha principal referência "acadêmica" durante a faculdade (uma colega minha até brincava que eu andava pra lá e pra cá com aquele livro. Hehehehehehe).

Mas era isso. Não acho que se enquadre no perfil sugerido aqui.

E tbm não é um trabalho que me orgulhe muito hoje. Apesar de ter tirado nota 10 e de ter recebido convite pra ser publicado na biblioteca, hoje eu acho que poderia ter feito algo bem melhor (que bom, ne? Sinal de evolução).

Até pensei algumas vezes em ter feito um Mestrado depois pra dar sequência na vida acadêmica, mas o que vc falou sobre ser algo muito engessado e arrastado me incomoda e me desmotiva bastante, pra ser honesto.

E já que tocou no assunto, isso aqui andou viralizando recentemente: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10150965891439956&id=46452974955

Stefano Barbosa disse...

que bom que a universidade abriu espaço pra este universo incrível.


PS: mandei lins legais via twitter.

Alexandre Nagado disse...

Faaala, Mr. Bruno!

O seu TCC talvez siga meio tangencial ao tema, mas será aceito, caso resolva enviar. Já ajudei num TCC sobre eventos e cosplayers. Tudo depende da abordagem fazer sentido.

E eu soube desse TCC usando Cavaleiros do Zodíaco. Não sei o que dizer, eu teria que ler. Isso foi uma manifestação de fã ardoroso ao buscar "traços de liderança" para justificar um TCC da área de administração. Eu tenho um livro que explica fundamentos da filosofia usando situações de filmes e quadrinhos de super-heróis. E um outro explicando conceitos científicos e personagens de quadrinhos. Ambos os livros são leituras divertidíssimas. Fazendo sentido e estando dentro do universo da cultura pop japonesa, irei aceitar. Apenas me reservo o direito de barrar trabalhos que contenham muitos erros.

Abração!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Stefano!

Obrigado, mas quero lembrar que, conforme o post explica, só serão incluídos na lista os trabalhos enviados pelos próprios autores. Faço isso para evitar reclamações e problemas com qualquer autor que prefira não compartilhar, seja porque viu erros no trabalho, seja porque planeja transformar em livro ou o que for.

Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Estou recomendando essa matéria pra conhecidos!!

Angela Longo disse...

Olá,

Eu conclui meu mestrado esse ano (2017) sobre animação japonesa no programa de pós-graduação em comunicação e informação da UFRGS. A minha formação da graduação é em Artes Visuais e em Estudos Artísticos. Uma das questões sobre pesquisa em animação ou animação japonesa no Brasil, é que não existe ainda uma àrea solidificada de pesquisa.
Por exemplo, no curso em artes visuais, não existe uma àrea de pesquisa que abarque a animação, que não tenha exatamente um comprometimento com arte contemporânea ou com as teorias da "alta" cultura, ou seja, ela acaba caindo como mídia de massa. Há poucos ou quase nenhum professor que tenha formação nessa àrea ou que tenha alguma afinidade. Nos cursos de animação existe geralmente só a graduação, não havendo espaço para pesquisa acadêmica posterior. Isso ainda está sendo estabelecido. Acabei encontrando espaço na comunicação, que mesmo não sendo o ideal, ofereceu alguma abertura.
Conversando com um professor de animação, que também foi banca no meu mestrado, entramos num consenso de que é precisso alavacar pesquisas para que possamos ter futuros professores na área, para poder propor um espaço próprio de pesquisa no futuro.
Acho que são muitas as pessoas, eu inclusa, que sempre estão em busca de uma brecha para poder falar sobre esses assuntos na acadêmia. Sempre acabo encontrando pessoas que querem fazer, mas não possuem os meios para tal. Por isso, acho que essa iniciativa é bem legal para compartilhar, mas também para encorajar as pessoas a pesquisarem seus temas de interesse com qualidade.

Ps: Não aguentava mais os mesmos trabalhos acadêmicos sobre os mesmos objetos artísticos, hahahaha.


Alexandre Nagado disse...

Oi, pessoal!

Gostaria de registrar que os primeiros trabalhos já foram enviados para mim e foram escritos por mulheres!

Meus agradecimentos especiais para Angela Longo e Loanny Carneiro!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Angela!

Obrigado pela gentil participação. O meio acadêmico sempre olhou meio torto para as manifestações de cultura pop. A professora Sonia Luyten sempre falou sobre esse tipo de dificuldade. As coisas estão mudando, mas é por força da insistência de alunos com uma visão séria, que têm conseguido convencer seus orientadores.

Mas eu tenho visto também uma enorme dificuldade em fontes de pesquisa. Quando se chega a partes muito específicas, o orientador acaba tendo que confiar no orientado, pois não é familiarizado com o universo que está sendo objeto de estudo. Isso já fez muitos erros passarem inclusive em teses de mestrado e doutorado. Eu sou um dos poucos que incentiva essa parte de pesquisa acadêmica (mesmo eu não tendo formação), pois sei que isso faz melhorar até o nível do mercado editorial. E num futuro próximo, haverá mais professores como Sonia Luyten, Waldomiro Vergueiro, Moacy Cirne e tantos outros que se dedicaram a fazer a cultura pop ser analisada com seriedade e profundidade, pois ela diz muito sobre nossa sociedade e civilização.

Obrigado pelo depoimento! Abraço!

Anônimo disse...

Grande Nagado, boa noite!

O meu TCC de pós-graduação não foi sobre cultura pop, mas o contexto permitiu que eu inserisse alguns assuntos relacionados.
Escolhi falar sobre como a tecnologia pode ser benéfica à criança, e como isso influencia na adolescência. Dentro deste assunto, mencionei Satoshi Tajiri e o Pokémon, falei sobre um jovem brasileiro que havia criado uma fanpage para a atriz Meisa Kuroki e sobre o auxílio dos videogames no desenvolvimento psicológico e motor da criança.

Não sei se o meu TCC estaria dentro dos seus objetivos.

Alexandre Nagado disse...

Olá! A ideia original era listar artigos e trabalhos acadêmicos tendo algum elemento da cultura pop japonesa como foco principal. Mas do jeito que mencionou, parece ser bem interessante para ser incluído.

Pode mandar sim, que eu dou uma olhada.

Obrigado!
Abraço!

Anônimo disse...

Esqueci da identificação!
Sou eu, Marcos, quem escreveu sobre o TCC de crianças e tecnologia.

Alexandre Nagado disse...

Stefano, obrigado pela força!

Marcos, sua contribuição será bem-vinda!

Adelmo Veloso disse...

Mestre Nagado!

Muito interessante esse espaço e mais bacana ainda é poder ajudar a divulgar o trabalho do pessoal. Até eu, no fim da faculdade, fiz o projeto de uma página da web que venderia Action Figures, mas foi só um projeto, mesmo.

Aquela expressão que "desenho é coisa de criança" não tá nem perto de se tornar realidade. Fomos influenciados quando pequenos e até hoje ainda aprendemos com obras desse tipo.

Até a próxima!

Anônimo disse...

De: LucianoMT

Fala, Nagado.

Quando vi o título da matéria eu lembrei, de cara, sobre a repercussão do TCC sobre Cavaleiros do Zodiaco. Que surpresa a minha ver você tendo participado de bancas examinadores. Muito legal.

Mesmo você alegando que não tem proximidade com a academia, os seus textos tem gosto de alguém que tem familiaridade com o meio, mesmo o foco aqui sendo o entretenimento.

Vou adorar receber o trabalho bem feito pelos academicos. Parabéns pela iniciativa.

Carla Rangel disse...

Oi Alexandre!

Eu vi essa postagem e achei bem interessante. O meu TCC foi sobre cultura pop japonesa e comunicação e eu usei seu almanaque como referência, desde então sigo você nas redes sociais.
Vou tentar colocar meu trabalho na plataforma.

Beijo!

Alexandre Nagado disse...

Oi, Luciano! Obrigado pela força.

Espero conseguir reunir trabalhos legais e promover uma troca de informações entre pesquisadores de diferentes partes do país.

Abraço!!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Carla!

Poxa, que bom que o Almanaque foi útil pra você, fico contente. Sua participação será muito bem-vinda.

E olha que coisa interessante: Com você já são cinco autoras com interesse em participar, contra apenas um autor masculino. Tomara que a presença feminina fique forte também nos comentários, pois tenho conseguido manter um espaço com discussões de alto nível.

Obrigado! Um abração pra você!

NaraCz disse...

Sou formada em jornalismo e minha monografia foi sobre a exclusão de subculturas no jornalismo cultural, em especial sobre animê/mangá. Eu até queria disponibilizar meu tcc, mas andei relendo ele e achei muitos erros. Sem falar que o tema está um tanto quanto datado, pois hoje em dia há mais espaço na mídia de massa para as “subculturas”. Mas achei muito legal a iniciativa de juntar esses trabalhos de conclusão de cursos. Realmente espero que haja uma boa participação. Estamos sempre carentes de referencias.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Nara!

Talvez fosse interessante você dar uma revisada no seu trabalho e participar com ele. Não seria válido como registro? Fica a seu critério.

Alguns trabalhos bem legais já chegaram e espero ter mais ainda, para poder fazer uma postagem com bastante conteúdo em agosto.

Valeu! Abraço! (E apareça mais vezes por aqui!)

Frank Delmindo disse...

Olá, Alexandre Nagado!
Na sua opinião, a produção acadêmica poderia enfocar aspectos mercadológicos do fenômeno da cultura pop, e ser utilizada para indicar caminhos de viabilização da produção autoral nacional?

Você acharia relevante uma hipotética produção acadêmica enfocando a atividade autoral quadrinheira como atividade ligada ao empreendedorismo?

Eu participo de um mvp, cuja proposta é o empreendedorismo autoral. Se interessar conhecer, eis aqui o tal mvp em https://issuu.com/alepmagazine/docs

Alexandre Nagado disse...

Olá, Frank! Desculpe a demora em responder.

Sim, eu acredito que uma pesquisa acadêmica abrangente e bem embasada pode sim indicar caminhos para a produção nacional. Tenho visto grande efervescência no cenário dos quadrinhos nacionais, mas nunca acompanhado de um projeto comercial. São iniciativas artísticas que encontram apoio para serem viabilizadas via financiamento coletivo, mas não para gerarem lucro e renda regular para autores. E eu acho que HQ pode - e deve - ser uma atividade profissional como qualquer outra.

E vi seu projeto postado no Issuu. Bem interessante a iniciativa e vou ler com calma.

Obrigado pela participação. Espero que encontre mais assuntos de seu interesse aqui.

Abraço!

Leo Feitoza disse...

Saudações!

Meu nome é Leonardo Feitoza e leio vários de seus artigos sobre cultura pop japonesa desde os tempos da revista Herói nos anos 1990.

Na carreira acadêmica, sou licenciado em História, especialista em Artes Visuais e graduando em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda. Profissionalmente, atuo como diagramador de material didático no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN.

Atendendo à sua convocação, enviei para o seu email o link do Issuu do TCC da especialização a qual concluí em 2011, "Estética e educação: o uso do mangá como apoio ao ensino de História".

Ficarei bastante agradecido se, apesar dos erros e inconsistências que ele apresentar, meu trabalho possa estar ladeado pelas outras pesquisas acadêmicas a serem divulgadas no Sushi Pop.

Desde já, obrigado pela oportunidade de divulgação.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Leonardo!

Um leitor das antigas, que legal! Recebi seu email e seu trabalho será incluído sim.

Muito obrigado pela participação e apareça mais vezes.

Abraço!