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terça-feira, 26 de julho de 2016

Arakawa Under The Bridge - A vida sob uma ponte

Nino, uma bela moradora de ponte,
vivendo em uma realidade com muita pobreza
material e riqueza de imaginação.
O Japão é o país que possui a maior diversidade temática em seus quadrinhos. Procurando, pode-se encontrar boas histórias sobre qualquer tema, de viagens espaciais a futebol, de culinária a administração hoteleira. É tanta diversidade de temas e estilos que pode-se dizer que pessoas que gostam de quadrinhos em geral mas não curtem mangá, só não descobriram ainda um título que lhes desperte o interesse. 

E no desenvolvido e moderno Japão contemporâneo, não deixa de ser inusitado descobrir uma série de mangá sobre pessoas sem-teto, moradores de rua. Ou, mais precisamente, pessoas miseráveis morando embaixo de pontes. Sim, existem sem-teto no Japão, mas eles são provavelmente a camada mais invisível de uma sociedade que é conhecida por seu grande nivelamento econômico. Pois esse é o tema de Arakawa Under The Bridge, uma surpreendente e bem humorada história sobre pessoas com histórias tristes. 


Kou Ichinomiya é o jovem herdeiro de uma família rica e futuro proprietário da poderosa Ichinomiya Company. Criado com muita dureza por seu pai, Kou é obcecado com a ideia de não depender de ninguém e nunca dever favores a ninguém. Mas um belo dia, após uma sequência de fatos azarados, ele tem sua vida salva por uma garota. Ele faz questão de retribuir o gesto, mas não podia imaginar que ao fazer isso estaria entrando em um mundo bizarro e cheio de dificuldades.
A arte de Hikaru Nakamura é bastante simples no começo
e evolui ao longo da série. Já a narrativa já é ótima desde sempre.
A garota se diz chamar Nino e é uma sem-teto que mora no alicerce de uma ponte no distrito de Arakawa. Aflito para retribuir o "favor", Kou diz que ela pode pedir o que quiser, achando que será algum bem material o pedido, visto que a garota vive na miséria. Então, com a mesma naturalidade com que Nino diz que veio do planeta Vênus, ela pede que Kou seja seu namorado e viva embaixo da mesma ponte que ela. 

Chocado, relutante e sem nem mesmo tocar na garota, Kou começa a viver sob a ponte. Logo, conhece outros moradores sem-teto, que são ainda mais estranhos que Nino. Como o "Prefeito", que vive fantasiado de Kappa (um ser mitológico japonês) ou "Sister", na verdade um homem enorme que se veste de freira e anda com uma pistola automática, bancando o conselheiro e protetor do local. 


Imagem promocional da
versão em animê, de 2010.
Em destaque, Nino e Kou.
Todos os moradores têm comportamentos excêntricos e a maioria oculta a verdadeira identidade. Apelidado de "Recruta" ou apenas "Ric", o jovem milionário tem contato com um mundo de pobreza material, mas muita imaginação e pessoas estranhas e de passado misterioso. Em meio a tudo isso, desenvolve enorme afeição pela Nino, enquanto tenta desvendar a realidade da qual ela veio antes de se tornar moradora de ponte. 

Arakawa Under The Bridge se enquadra no chamado neossensorialismo (ou "shinkankaku-ha" ~ 新感覚派), um movimento literário japonês surgido na década de 1920, com o escritor Riichi Yokomitsu (1898~1947). Seus autores defendiam modelos estéticos baseados na subjetividade e na exploração dos sentidos e não no realismo e na objetividade. Com influência da literatura modernista, os neossensorialistas faziam metáforas e descrições subjetivas e poéticas. Seu maior expoente foi Yasunari Kawabata (1899-1972), o primeiro japonês a receber um Prêmio Nobel de Literatura. No mangá, as percepções de realidade dos personagens, que levam o leitor a questionar o que é concreto e o que é imaginário, permitem esse enquadramento.  

A série tem roteiro e arte de Hikaru Nakamura e começou a ser publicada no final de 2004, na revista para jovens adultos masculinos (a demografia "seinen") Young Gangan, da editora Square Enix e ainda está em publicação, tendo já sido compilado em 14 volumes. 

Em 2010, Arakawa Under The Bridge teve duas séries em animê com 13 episódios cada, produzidos pelo estúdio Shaft. Também teve um drama para TV (dorama) de 10 capítulos em 2011 e um filme para cinema em 2012. Isso mostra a força da história, que conquistou um público fiel. 

Com um senso de humor afiado, críticas à sociedade e uma visão bastante sensível sobre a condição humana, a autora brinda o leitor com uma história incomum e divertida. 

Arakawa Under The Bridge [ 荒川アンダーザブリッジ ]
Roteiro e arte: Hikaru Nakamura
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 176 páginas 
Total de volumes: 14 (ainda em produção)
Lançamento no Brasil: Maio de 2016
Preço: R$ 13,90
Distribuição: Bimestral
- Classificação indicativa: 16 anos


Extra 1: Abertura da primeira série em animê, ao som da canção "Venus and Jesus", de Etsuko Yakushimaru.




Extra 2: Trailer da versão live-action para cinema (2012)


2 comentários:

Natália Maria disse...

Olá! Estava esperando pelo post de Arakawa Under the Bridge que eu comprei porque achei o nome curioso, e por ter um tema fora do clichezão básico que ando fugindo. Isso sem contar na curiosidade do que seria uma obra neossensorialista, da qual ainda estou um pouco confusa...
Mas enfim, achei bacana em como a autora coloca reflexões sérias no meio de tudo isso, como não julgar as pessoas pela aparência.
Sabia que nas páginas coloridas dá para se ler de trás pra frente e de frente pra trás? Vi no Pipoca e Nanquim e tentei e funciona.
Empolguei.
Deixa eu ir lá tentar escrever o meu texto sobre o mangá.

Ale Nagado disse...

Oi Natália!

Então, a princípio eu evitei mencionar o neossensorialismo, mas acabei incluindo no texto mesmo depois de ter postado. Dei uma pesquisada e incluí no texto um link para o verbete (em inglês) da Wikipedia. Mas tenho pouca base para comentar com propriedade o quão longe esse mangá vai dentro da estética neossensorialista. No final do volume 1, no glossário, há um bom resumo pra situar o leitor no significado do neossensorialismo. Há algumas referências em português, mas é preciso procurar pela grafia pré-reforma ortográfica: neo-sensorialismo.

E legal esse lance das páginas coloridas que mencionou! Não tinha reparado mesmo. :-)

Abração!