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Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Versão japonesa

Shibiru Uoo - Kyaputen America (ou Capitão América - Civil War)
Além da adaptação ao sistema fonético japonês e tradução, o filme
também terá um tema musical exclusivo para o público local.
Descubra várias adaptações que produções ocidentais receberam quando foram exibidas no Japão, de nomes a trilhas sonoras, passando até por alterações no roteiro. 

Quando um produto cultural de um país - seja filme, seriado, gibi - é exportado para outro, adaptações são inevitáveis. Mas além de traduções, dublagens ou alterações de nomes e títulos, há intervenções mais invasivas. 


Quando o aclamado animê Street Fighter II - Movie (1994) foi lançado nos EUA, além do previsível corte da cena de nudez de Chun Li, houve também uma troca de trilha sonora. As músicas compostas por Yuuji Toriyama Tetsuya Komuro foram substituídas por outras compostas por Cory Lerios e John D'Andreamais várias canções de rock de artistas variados. 

No Brasil, diversos animês e seriados tokusatsu ganharam músicas em português, sejam versões ou temas originais, com alguns exemplos notáveis, como Sawamu (1970) e Rei Arthur (1979). 

Mas, e quando ocorre o contrário? Títulos ocidentais também são adaptados quando apresentados ao público japonês. Em termos de idioma, apesar do inglês ser de uso comum no Japão, muitos títulos são alterados para facilitar a leitura ou o entendimento. A série Smallville (2001~2011), é conhecida lá como Young Superman, enquanto o filme A Liga Extraordinária (The League of Extraordinary Gentleman, 2003), virou League of Legend, só pra citar alguns exemplos.

Quando o assunto é trilha sonora, os japoneses não costumam mexer no BGM (background music) original, mas é comum inserirem canções de astros locais, seja versões em japonês do tema principal ou mesmo canções próprias.

No clássico australiano Mad Max (1979), foi inserida como tema de encerramento uma canção original chamada "Rollin´ into the night", cantada por Akira Kushida, posteriormente famoso pelos temas de Gavan (1982), Jiraiya (1988), Jiban (1989) e uma infinidade de outros super-heróis.

Jabirii to Uruvarin (Jubilee e Wolverine):
Os X-Men ganharam uma eletrizante abertura
japonesa, mas também foram vítimas de
uma adaptação de texto não muito elogiável.
Outro caso famoso que merece destaque é o da série animada clássica dos X-Men (1992~1997). Para a abertura e o encerramento, novas e eletrizantes sequências de animação foram criadas, bem como novas canções, interpretadas pela banda de rock Ambience. Isso injetou impacto e adrenalina e fez tanto sucesso que acabou sendo exibida em reprises da série nos EUA. 

Porém, se a versão japonesa teve esses méritos, também fez alterações típicas daquelas que deixam otakus enlouquecidos de raiva quando acontece com animês. Vários diálogos de X-Men foram alterados no Japão para ganharem conotação cômica e outros ainda foram modificados para que os personagens mencionassem o jogo X-Men: Children of the Atom, que a Capcom estava promovendo na época. Posteriormente, a série foi redublada, com maior fidelidade ao texto americano original. Inserção de músicas originais talvez seja a adaptação mais comum feita no Japão. 

Atsushi, ídolo japonês, teve uma canção
inserida na trilha sonora de
Capitão América - Guera Civil.
Em alguns casos, ter identificação com
a obra original é o que menos importa. 
O filme O Juiz (Judge Dredd, 1995), com Sylvester Stallone, ganhou uma música inédita de Ryo Aska (da dupla Chage and Aska), que chegou a ser incluída no álbum da trilha sonora distribuído no Reino Unido. Em 1997, o tema do Hércules da Disney, "Go The Distance", de Michael Bolton, ganhou versão em japonês cantada por Fumiya Fujii (ex-The Checkers), após este ter sido aprovado pelos produtores americanos. A Disney é conhecida por ser bastante criteriosa para as adaptações de suas produções, com grande ênfase na parte musical. 

E chegamos a um dos grandes blockbusters da temporada atual, Capitão América - Guerra Civil (2016), a estrar nos cinemas japoneses em 29 de abril próximo. O comercial local mostra como tema do filme uma canção sentimental do astro Atsushi, da banda EXILE. Não parece combinar muito com o filme, mas a intenção aqui é puramente comercial e a Marvel (pertencente à Disney) se rende à lógica de mercado local.

Esse tipo de jogada de marketing é antiga e existe em todo o mundo. Mesmo no globalizado mundo de hoje, adaptar para tornar mais palatável um produto cultural a um público de outro país é uma garantia a mais de retorno financeiro. Não há problema algum nesse tipo de mentalidade, desde que os trabalhos de adaptação, inserção ou alteração sejam feitos com competência e respeito à obra original. 


Clipes musicais

- Comercial japonês de Capitão América - Civil War, que estreia no Japão em 29 de abril. A música de fundo, cujo título ainda não foi divulgado, é do astro local Atsushi, da boys band EXILE. A canção, bem sentimental, deve tocar durante os créditos finais. 


- A primeira abertura japonesa de X-Men, ao som da canção "Rising", da banda Ambience. O mesmo grupo faria também um tema de encerramento e, posteriormente, uma segunda abertura. As eletrizantes aberturas japonesas acabaram sendo exibidas nos EUA, durante reprises da série.

 
- "Rollin´ into the night", tema de encerramento japonês (mas cantado em inglês) do filme australiano Mad Max, estrelado por Mel Gibson em 1979. A voz é de Akira Kushida, ainda com uma interpretação e timbre diferentes do que seria seu estilo inconfundível nos anos 1980. A música é muito bonita e poderia ter sido lançada internacionalmente.

18 comentários:

Michel disse...

Uma série americana, que teve os diálogos bem modificados, foi a primeira temporada de Transformers Beast Wars. As piadas e trocadilhos ficaram bem ao estilo japonês, citando Lupin Sansei ou Ultraman Taro. Mas a pior parte, foi terem mudado o sexo da Maximal Airrazor, que era mulher. Isso eliminou a aproximação que ela tinha pelo Tigertron.

Rafael Carreira disse...

Essa abertura japonesa do desenho é massa, melhor que a original dos estados unidos, a voz do Kushida tá bem diferente nessa música, não gostei muito não!

Ale Nagado disse...

Fala, Michel!

Cara, eu não sabia desse lance do Beast Wars, que incrível. Então, até mudaram o sexo de uma personagem. Me lembrei da versão ocidental da Sailor Moon original, que transformou Jedite em mulher, sendo que no original era um homem bem andrógino.

Alguém sabe de mais algum caso similar? Minha proposta, com esse post, foi mostrar que adaptações do tipo que os otakus tanto odeiam, também são feitas pelos japoneses.

Abraço! E obrigado pela participação!

Ale Nagado disse...

Olá, Rafael!

Sobre a voz do Kushida, também achei muito diferente. Mas não está ruim, acho que pediram a ele uma interpretação diferente e contida, o que acabou descaracterizando o que a voz dele tem de mais legal. Eu gostaria de ouvir essa canção regravada com o "estilo Kushida".

Abraços!

Bruno Seidel disse...

Uma análise bem interessante. Estamos acostumados a observar e julgar adaptações ocidentais como se os japoneses fossem apenas uma "vítima" das mutilações internacionais. Concordo plenamente com a conclusão do post: havendo competência e respeito à obra original, esse tipo de adaptação é algo totalmente compeensível e, muitas vezes, até necessário. Lembro que uma vez vc comentou aqui mesmo, no blog, que algumas dessas adaptações denunciam padrões culturais entre os países. O caso de Speed Racer e Patrulha Estelar, por exemplo: no ocidente destacam mais os personagens humanos no título enquanto no Japão, a analisar pelos nomes originais (Mach Go Go Go e Uchuu Senkan Yamato, respectivamente) quem leva a fama é o veículo e a nave.
Sobre temas musicais, eu tendo a simpatizar mais com as adaptações e "traduções" da música original. E isso aconteceu muito no Brasil com animes e Tokusatsu. Algumas até me agradaram bastante, como os temas brasileiros do Spielvan e do RX. Em compensação, já não me agrada tanto a ideia de fazer uma música completamente diferente da original, como ocorreu com os Cavaleiros do Zodíaco, Pokemon e Digimon. Acho que pelo menos a essência do original (os arranjos, a melodia...) deve ser mantida.

Michel disse...

Sim, entendi a proposta, inclusive, tinha feito uma postagem no blog, sobre essas adaptações japonesas em Beast Wars, quando passou aqui. Faz parte, adaptar com a cultura daqui, mas mudar sexo de personagem é foda...
Lembrei de outro caso, a Forte, de GALL FORCE Fase Terra, que foi "dublada" pelo Hermes Barolli... Isso porque GF era um grupo de 7 garotas...rsrs!

Ale Nagado disse...

Falando nisso, Michel, seu blog faz falta. Poderia postar algumas coisas lá, para quem não está no Face (meu caso).

Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Curiosidades: Kagome (Inuyasha) teve o nome mudado pra Agome nos paises hispanofonos e lusofonos pra evitar piadas com o verbo cagar.
Captain Harlock teve o nome mudado pra Albator nos paises francofonos pra evitar confusão com o capitão Haddock (Tintin).

Michel disse...

Entendo, mas acabei perdendo o pique, pra redigir um blog pelo menos da maneira que eu fazia, com matérias longas. Por isso fiquei só no Facebook e Twitter, pois dá pra fazer tudo em tempo real, e ter um mínimo de feedback. Se eu voltar com o blog, vai ser com postagens curtas, como os japoneses fazem.

Usys 222 disse...

Tem mais alguns casos, sim. E envolvendo a Marvel.

O desenho do Quarteto Fantástico feito nos anos 1960 foi exibido no Japão como 宇宙忍者ゴームズ (Uchuu Ninja GOLMES, algo como "Ninja Espacial"). O tal "Golmes" do título seria o Sr. Fantástico (Gom, borracha em japonês + Holmes). E os outros personagens também ganharam outros nomes. O Coisa virou o "Ganrock" (Gan, seria uma leitura de 岩, "iwa", rocha), Mulher Invisível ficou como "Suzy" mesmo e o Tocha Humana virou o "Fire Boy". Dr. Destino se tornou o 悪魔博士 (Akuma Hakase, algo como "Dr. Demônio"). Vários desenhos da Hanna Barbera também tiveram aberturas com músicas feitas no Japão.

E recentemente teve o desenho Disk Wars Avengers, adaptando os personagens da Marvel ao gosto japonês, feito pela Toei Animation para promover uma linha de brinquedos de mesmo nome. Uma adaptação é que o Capitão América usa uma armadura metálica. O desenho não é grande coisa, mas surgem uns personagens raros, como o Destruidor da Gangue da Demolição, até com destaque. O Deadpool tem seu lado cômico (e absurdo) mais enfatizado. E o Homem Aranha... é o Homem Aranha (versão Marvel).

Em jogos também acontecem "suavizações" ao passarem da versão americana para a japonesa (nesse caso não envolve mais a Marvel). Nas séries Fallout, foram removidas as mutilações e referências à Bomba Atômica. E em God of War, foi vetada a nudez e o personagem principal não consegue mais matar humanos comuns.

Como dá para ver, essas adaptações não são coisa só de americano. Foi uma boa pauta para mostrar isso.

JOSE NAGADO disse...

Olá!Seu blog é sempre interessante Até para um ancião como eu! Parabéns pelo conteúdo e comentários! Seus leitores São feras na matéria! Grande abraço.

Ale Nagado disse...

Fala Usys!

Eu estava torcendo para que você e o Michel Matsuda participassem com seus conhecimentos.

Obrigado pelos acréscimos preciosos ao post.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Olá, tio! Ah ah, ancião já é exagero!

Obrigado pela visita ilustre. E tem razão: meus leitores me dão a certeza de que sou um blogueiro de sorte.

Depois precisamos colocar o papo em dia.

Abraços!

Aniki disse...

O Usys citou um ponto interessante: a adaptação dos desenhos da Hanna-Barbera no Japão. Inclusive foi lançado anos atrás um CD com as aberturas adaptadas em japonês, o Hanna-Barbera Dousoukai. Cheguei a encontrá-lo pra download mas infelizmente se perdeu com o tempo.

Aliás, os nomes de alguns personagens são um tanto exóticos, como Uchuu Kaijin Ghost(Space Ghost), Super Three(Os Impossíveis), Yowamushi Crooper(Scooby-Doo) Black Maoh(Dick Vigarista), Kaijuu Oh Targan(Zandor, dos Herculóides)... creio que apenas Tom & Jerry ficaram com seus nomes originais.

Grande abraço.

Rogério disse...

Muito, muito bom esta postagem Nagado,

Em casos de adaptações são famosas as mudanças de nome em Star Wars para evitar os cacófatos:

https://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/fox-brasileira-muda-nomes-em-star-wars/

E eu já citei aqui os famosos "abrasileiramentos" feitos em desenhos da HB pelos estúdios de dublagem nos anos 70. Manda-Chuva (Top Cat) tornou-se um clássico da versão brasileira com a participação de Lima Duarte.

Na Alemanha o clássico da Disney Mowgli é até hoje a maior bilheteria da história do país e muito disso é creditado à dublagem local comandada por um popular e prestigiado artista, Heinrich Riethmuller, que deu às canções e suas letras um espírito e sabor locais que marcaram o filme profundamente na cultura popular da então Alemanha Ocidental.

Hoje em dia eu tenho sérios problemas com este tipo de adaptação. É algo que não soa bem ao ouvido e para mim prejudica a "suspensão da descrença".

Eu prefiro ter clara a noção de que aquele produto cultural vem de outro país, com todas suas características.

Diogo Almeida disse...

Excelente tópico, Nagado!
Sobre as adaptações de Sailor Moon, o general do Negaverso (Reino Sombrio) que teve o sexo trocado foi Zyocite/Zoycite e, realmente, ele era tão andrógino quanto o Olho de Peixe da fase Super S...
Eu já tinha visto as adaptações japonesas dos desenhos da HB e a segunda abertura japonesa de X-Men podia tranquilamente ser usada no jogo de luta da Capcom. Mas nada supera a abertura japonesa do Batman da Filmation (aquele que tinha o Batmirim)!
https://www.youtube.com/watch?v=ItIXcpf6uhw

Ale Nagado disse...

Olá, Diogo.

Cara, acabei de ver o vídeo que indicou. Sensacional em todos os sentidos. Grudento, sem nexo com o personagem, mas de alguma forma charmoso e cheio de estilo. Muito divertido!

Obrigado pela contribuição!

Abraço!

Synbios disse...

Muito interessante esta postagem! Inclusive me fez lembrar de uma reportagem mais ou menos recente de um grande portal que fala das adaptações que nossas novelas sofrem no mercado internacional, lembro que tem uma novela das 7(não lembro qual delas de cabeça) que virou "Dinosaurs and Robots".