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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Vagabond - A Lenda de Musashi

Vagabond - A saga do espadachim
Miyamoto Musashi volta às bancas brasileiras
em uma - espera-se - versão definitiva
Na história do Japão, o mais famoso e mítico espadachim é Miyamoto Musashi. Tendo vivido entre 1584 e 1645, seus feitos são lendários e consta que ele nunca foi derrotado em combate. 

Ele vagou pelo Japão como um ronin (um samurai errante sem mestre) e, no período do xogunato de Tokugawa, foi o maior mestre na arte da espada. Também interessado em artes e literatura, é dele o famoso Livro dos Cinco Anéis, um verdadeiro tratado sobre estratégia militar. É considerado o equivalente japonês ao reverenciado A Arte da Guerra, do chinês Sun Tzu

A elegante e detalhista arte
de Takehiko Inoue.
A mais famosa narrativa sobre a vida do espadachim é o romance Musashi, escrito por Eiji Yoshikawa em 1935 e publicado originalmente em capítulos no jornal Asahi Shinbum. A obra chegou ao Brasil em 1998, pela editora Estação Liberdade, dividida em dois volumes. É esse livro serviu de base para um impactante mangá produzido por Takehiko Inoue. Ainda em produção no Japão, já rendeu 37 volumes encadernados e está sendo atualmente editado no Brasil pela Panini Comics. 

Já a quarta vez que tenta-se a publicação desse clássico em nosso país. Primeiro foi a Editora Conrad, que iniciou a série em 2001. Adotando o formato de metade do tankobôn ou compilação original (chamada aqui de "meio tanko"), parou no volume 44, o equivalente ao número 22 do mangá. Em 2005, tentou publicar Vagabond no formato da compilação original e com mais requinte, mas foram só 14 volumes. 

No início de 2015, a editora Nova Sampa conseguiu os direitos de Vagabond e tentou retomar a publicação de onde a Conrad havia parado e lançou o volume 15, mas não foi bem-sucedida nas vendas. No final do ano, anunciou que havia perdido os direitos de publicação que, revelou-se depois, foram para a editora Panini através de seu selo Planet Manga. Agora com uma editora mais estruturada, há uma garantia maior de que o título seja publicado de maneira completa e uma nova geração pode se encantar com o belo trabalho de Takehiko Inoue. 

A história de Musashi é narrada desde sua juventude, quando ele era conhecido como Takezo Shinmen e andava ao lado do amigo Matahachi Hon´niden. Com apenas 17 anos, Takezo tem a força de um touro e reflexos formidáveis. Tem sangue nos olhos e vive para o desafio e a batalha, tendo optado se tornar um vagabundo errante a fim de se aperfeiçoar enquanto lutador. 

Únicos sobreviventes de uma batalha na guerra entre clãs que marcou o período, Takezo e seu velho amigo Matahachi encontram abrigo na casa onde vive a bela Okoo e sua filha adolescente, Akemi. Para sobreviver, as duas saqueiam lugares onde aconteceram chacinas decorrentes de batalhas entre clãs. 
A capa aberta do volume 2 - Arte de alto nível
em todos os detalhes.
Matahachi não é determinado como Takezo, sendo também bem mais fraco fisicamente. Ainda assim, eles são amigos desde a infância e o futuro Musashi preza muito a amizade e a gratidão, o que o leva a sofrer decepções e traições em sua vida. Como amparo, terá papel importante a ex-noiva de Matahachi, a temperamental Otsu e o bondoso monge Takuan, que se tornará o responsável pela grande virada na vida de Takezo, que tem início no volume 2. 

Isso é apenas o começo da longa jornada, marcada por muita violência e aprendizado, de um personagem mítico que faz parte da identidade cultural do povo japonês. Sua personalidade decidida a vagar em busca de aprimoramento para suas habilidades também serviu de inspiração para muitos personagens da cultura pop japonesa, como o lutador Ryu, da franquia Street Fighter. Personagem histórico de tamanha importância não poderia ser adaptado por um artista comum. 

A narrativa de Takehiko Inoue é clara, precisa, cinematográfica. O desenho, na melhor tradição do gekigá (o mangá de apelo adulto e dramático) tem uma estilização mais calcada no realismo do que no cartum. A arte é detalhada, cheia de hachuras, gerando tanto imagens de serenidade quanto explosões de ação e emoção, além de cenas de batalha grandiosas. 

Nascido em 12 de janeiro de 1967, Takehiko Inoue começou como assitente de Tsukasa Hojo (do clássico mangá City Hunter) e é um dos grandes ilustradores japoneses a fazer quadrinhos. Além das capas, também são lindas as artes que faz com suaves pinceladas de cor na quarta capa e nas orelhas de cada volume. Artista bastante premiado em seu país, é também autor de Slam Dunk, obra épica sobre basquete. Mas Vagabond é, sem dúvida, a obra de sua vida. 

Recentemente, a editora anunciou em seu Twitter que Vagabond vol. 1 terá uma segunda tiragem, pois a primeira esgotou. Uma ótima notícia para quem quer acompanhar desde o começo, com a perspectiva de ter a coleção completa, um dos grandes clássicos do mangá. 

Vagabond
Roteiro e arte: Takehiko Inoue
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 256 páginas
Total de volumes: 37 (ainda em produção no Japão)

Lançamento no Brasil: Fevereiro de 2016
Preço: R$ 17,90
Distribuição: Mensal
- Classificação indicativa: Para maiores de 18 anos.

Takehiko Inoue junto com os murais
que fez para a livraria Kinokuniya,
em Nova York. (2007)

2 comentários:

Usys 222 disse...

Saudações.

De Musashi eu só vi até agora a série da NHK, baseada no livro de Eiji Yoshikawa. E a cena que eu mais me lembro é de quando ele era apenas Takezo e enfrenta Yagyu Sekishusai, que faz ele passear de "roda gigante" várias vezes. O ancião desarmado sempre conseguia parar a espada de madeira do futuro Mestre Espadachim e o arremessava por cima do ombro, devolvendo-lhe então a arma. Era bem engraçado.

É legal ver um desenhista, autor de uma obra de sucesso, conseguindo emplacar mais um. E ainda por cima com um gênero totalmente diferente do anterior. Mais ainda: botando até mais de sua alma. Nesses últimos tempos só tenho ouvido falar de "One Hit Wonders" no ramo, mas é bom saber que nem sempre é assim. E é curioso saber que este mangá teve tantos percalços ao ser publicado por aqui.

Ale Nagado disse...

Salve, Usys!

Essa série da NHK bem que poderia entrar no Crunchyroll. A história de Musashi é fascinante e parece que fica melhor com o tempo.

Esse lance do "One hit wonder" é interessante. São poucos autores atualmente que conseguem a proeza de emplacar diferentes trabalhos com grande sucesso. E Takehiko Inoue merece, pois tem uma qualidade absurda.

Agora com a Panini, que é uma multinacional, acredito que a coleção fique completa um dia.

Abraço!