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Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quinta-feira, 10 de março de 2016

Especial Rurouni Kenshin - Versão do Autor

Uma nova versão para a saga
de Kenshin Himura, assinada pelo
criador da história original.
A saga Samurai X foi um grande sucesso dos animês e mangás no Brasil. Sua série de TV produzida no Japão entre 1996 e 98 foi vista pelo grande público brasileiro principalmente na TV Globo (mutilada) e no Cartoon Network, emissora esta que também exibiu um longa feito na época da série. Já o mangá original, publicado no Japão entre 1994 e 99, foi uma das primeiras apostas da hoje vitoriosa linha de mangás da editora JBC. Lançado por aqui em 2001, foram 56 volumes publicados, em edições com metade do tamanho do original, composto de 28 volumes. O sucesso no Brasil foi tanto que os fãs daqui preferem chamar a série pelo seu nome original, que é Rurouni Kenshin, ou Kenshin, o Andarilho. 

Agora, a JBC, que já havia publicado também o especial A Sakabatou de Yahiko, apresenta mais um material inédito do personagem, com a publicação em dois volumes do Especial Rurouni Kenshin - Tokuitsuban - Versão do Autor. O trabalho foi feito em 2012, época em que o personagem ganhou um filme em live-action, estrelado por Takeru Sato, ator famoso que já havia interpretado o Kamen Rider Den-o entre 2007 e 2010. 


Battousai, o Retalhador.
O subtítulo "Versão do Autor" se deve ao fato da trama principal ter sido elaborada como ponto de partida para o filme. No entanto, o desenvolvimento da história teve a pesada mão do diretor e produtores, ficando muito distante da ideia original. Assim, o autor Nobuhiro Watsuki sentiu a necessidade de lançar sua própria versão da história que iria apresentar Kenshin e seus amigos a uma potencial nova geração de fãs. 

A edição reúne uma minissérie publicada na revista Jump SQ e uma história fechada - chamada de "Ato Zero", que saiu na Shonen Jump. Assim, o volume 1 apresenta as partes 1 e 2 da minissérie e o início da parte 3. Em seguida, fechando a edição, mostra o Ato Zero, que relata acontecimentos ocorridos antes da cronologia do mangá. 

Chegando a Tóquio, o andarilho Kenshin conhece Kaoru Kamiya, que lutava em um ringue perigoso para conseguir dinheiro para manter o dojo (academia) fundado por sua família. Junto dela, vive o garoto Yahiko, colocado lá a mando do cruel e histriônico Kanryu Takeda. O magnata possui negócios sujos e deseja cada vez mais riqueza e poder, sem medir consequências para seus atos. 

Quando Kenshin se envolve acidentalmente na competição e depois decide defender o dojo, Kanryu contrata perigosos mercenários para ajudá-lo, sendo que o primeiro é Sanosuke Sagara, dotado de grande força e um golpe descomunal. Kenshin decide usar sua espada de lâmina invertida - a Sakabatou - para evitar mais derramamento de sangue. 

Já no conto fechado Ato Zero, Kenshin é mostrado em suas andanças, chegando a Yokohama, onde presencia o trabalho nobre de um misterioso médico mascarado. o Dr. Elder. Ele é alvo do plano maligno de um médico inescrupuloso da região, que quer acabar com a concorrência. Para isso, contrata o assassino espadachim Espiral Rotación, vindo da Espanha. A história é curiosa porque dá o motivo pelo qual Kenshin teria fixado residência no dojo Kamia. 

O volume dois, que
conclui a trama.
A arte de Nobuhiro Watsuki e sua narrativa continuam excelentes, com muita dinâmica visual e aquele senso de humor ligeiro que cativaram milhões no Japão e em vários países onde a obra foi publicada. Fechando com chave de ouro cada edição, há o tradicional "Free Talk" do artista, onde ele conta interessantes e divertidos casos de bastidores, com uma humildade e franqueza que só fazem aumentar a simpatia dos fãs. Alguns rascunhos também são mostrados, junto com explicações sobre o processo de criação e as escolhas estéticas. 

Outro item importante da edição é que acontecimentos históricos são contextualizados em notas explicativas, até mais do que na edição original, por abordarem passagens da história antiga do Japão. Algumas diferenças de nomenclatura foram adotadas em relação à publicação do mangá original, mas foram escolhas editoriais, visto que o tradutor é o mesmo, o sempre competente Luiz Kobayashi

Essa nova Versão do Autor obviamente não invalida a publicação original, pois como o autor mesmo diz, trata-se de uma história alternativa, um mundo paralelo. E foi pensada como algo de curta duração exatamente para acompanhar a divulgação do filme, capturando um novo público. Dentro dessa proposta, e tendo claro que as características que tornam os personagens charmosos foram mantidas, a empreitada foi um êxito criativo. Pode agradar não apenas os fãs novos, que conheceram Kenshin com os filmes do cinema, como também os leitores antigos, desde que tenham mente aberta e apreciem uma história ágil, bem escrita e bem desenhada. 

Especial Rurouni Kenshin - Tokuitsuban - Versão do Autor

Roteiro e Arte: Nobuhiro Watsuki
Editora: JBC
Formato: 13,5 x 20,5 cm, com 160 (vol. 1) e 216 páginas (vol. 2)
Total: 02 volumes
Lançamento: fevereiro de 2016 (mensal, com distribuição nacional)

Preço: R$ 16,50
- Classificação indicativa: Para maiores de 14 anos.

6 comentários:

Mauricio disse...

Confesso que, apesar de fã de Kenshin e dos trabalhos do Watsuki, fiquei bem desapontado com esse manga.
A arte do Watsuki continua top de linha, mas suas habilidades de roteirista parecem ter decaído.
O manga é apressado e distorce muitos os personagens originais. Muitas das grandes cenas de impacto do manga original acabam sendo mostradas nesse sem nem um traço daquela emoção de antes.
Fiquei com a impressão de foi uma obra feita às pressas, num espírito "caça-níqueis" por ocasião do lançamento dos filmes.

Ale Nagado disse...

Fala, Mauricio.

Bom, desde o começo fica claro que esse material foi feito por causa do filme, para capitalizar potenciais novos leitores.

Penso um pouco como o autor. A editora queria uma história fechada e uma minissérie de poucos capítulos, no máximo preenchendo dois volumes. O autor poderia recusar (e perder um bom dinheiro), poderia passar o trabalho a outro ou assumir os riscos perante os fãs antigos.

Condensar 28 volumes em dois (ou menos, visto que o Ato Zero introduz qualquer uma das versões) é tarefa impossível, assim como é impossível condensar com igual profundidade e quantidade de situações um livro de 300 páginas em um filme de duas horas de duração.

São situações diferentes e o autor poderia fazer um resumão, que só ia funcionar pra recapitular acontecimentos para os fãs antigos, ou contar novas histórias apresentando os personagens. Ele optou por fazer algo novo. Por isso ele fala em versão alternativa. Com tão menos páginas que o original, não tem como criar a mesma profundidade e impacto emocional que uma narrativa extensa permite.

A série clássica está lá, intocada, e você pode simplesmente jogar fora (física ou metaforicamente) a nova versão, ignorá-la. Mas penso que para novos leitores a coisa funcione bem melhor.

Por isso eu achei o material interessante, pois mostra como o autor lida com limitações de espaço. Certamente o background dos personagens foi sacrificado, mas sua essência foi preservada. Claro que até isso é passível de discussão, pois os fãs podem enumerar "n" situações que apareceram no mangá original que criaram texturas nos personagens que foram ignoradas na nova versão. Infelizmente, sempre que uma obra extensa for adaptada para uma outra mídia ou tiver que ser condensada e recontada para novos leitores eventuais, muita coisa vai se perder e fãs sempre vão ficar irritados.

Mas se um autor ou empresa pensar em somente agradar fãs antigos, uma hora vão ficar sem público, pois deve haver renovação. E certamente não faltarão argumentos de fãs dizendo que "não precisava ser tão ruim". Mas digo como roteirista e autor: quando se lida com tempo, espaço e prazos, muitas vezes o artista idealista dá lugar ao profissional pragmático. Sempre vai acontecer algo assim.

Abraço!!

Usys 222 disse...

Eu já achei elogiável a atitude do autor de apresentar sua versão de como ele queria que fosse o filme. Conheço outros que simplesmente não fazem nada e só falam mal do resultado final de uma versão para cinema ou outras mídias, até mesmo pedindo que ela seja "desconsiderada". Discordo. Uma vez feita, a obra existe e não pode ser negada. Uma solução seria a de colocar como um universo paralelo, o que é melhor do que fazer com que ela seja "algo que não aconteceu".

E achei elogiável da parte dele também fazer a adaptação por si mesmo, já sabendo que iria ser criticado. Todo e qualquer tipo de remake fica sujeito a esse tipo de coisa e ele preferiu fazer isso com suas próprias mãos.

Isso tudo me faz pensar no quanto um autor fica escravo de sua obra para sempre. Mesmo que o próprio autor crie uma continuação/versão para as suas histórias, ele sempre vai ter que lidar com gente que "sabe mais do que ele mesmo" ou que acaba impondo sua interpretação da obra.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! Conforme expus em meu comentário, concordo com você.

Foi muito bacana o Watsuki ter aceitado o desafio, mesmo sabendo que ia ter que competir consigo mesmo e com sua obra mais famosa.

O resultado foi bem interessante, mas não adianta comparar com a obra original. Essa HQ foi feita primordialmente pra quem não conhecia o Kenshin e ficou sabendo do filme. E nesse contexto, saiu uma obra satisfatória e divertida. O Ato Zero é a melhor coisa da primeira edição.

Abraço!

Adelmo Veloso disse...

Deve ser bacana essa parte aí! Lembro que quando acompanhava os mangás pela Editora JBC, tivemos alguns "brindes" em alguns volumes - como o One-Shot que deu origem à série.

Também acho uma chatice quando o dono da obra se torna escravo dela e fica à mercê de fãs chatos que afirmam saber mais que o próprio autor! Isso impede o crescimento da mesma - e podemos até usar o Saint Seiya Omega como exemplo: muitos fãs das antigas não gostaram, mas uma nova geração precisava conhecer Seiya e os outros - e acredito que deu certo.

Rurouni Kenshin foi uma alegria nas minhas manhãs, mesmo com os episódios cortados e sem as melhores cenas - que não impediu que eu assistisse tudo pelo Cartoon Network completão!

Bruno Seidel disse...

É um dos meus mangás preferidos. Lembro de ter comprado alguns exemplares na primeira "onda de mangás" que veio no início da década passada. Achava que a versão mangá era mais detalhada do que no anime.

Houve uma época em que eu era muito (mas muito!) fã de Rurouni Kenshin. Isso foi lá por 2003, quando passava as madrugadas de sábado acordado à base de café pra acompanhar o anime no Cartoon Network.

Assisti aos três filmes da trilogia live action e achei sensacional!

Gosto muito desse tabu moral que o herói jogou a si mesmo, de nunca mais matar ninguém (depois de muito já ter matado). Acho que aprendi muito com o Battousai nesse ponto.