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sábado, 26 de maio de 2012

Boletim 39: Sobre a mudança editorial na JBC e o trabalho de um editor

Na última sexta-feira, dia 25, o mundo dos leitores de mangá agitou-se com o anúncio, por parte da editora JBC, da saída do editor e gerente de conteúdo Marcelo Del Greco. Após 10 anos à frente da linha de publicações de mangá da empresa, Del Greco foi substituído pelo tradutor e jornalista Cassius Medauar, ex-Conrad. Logo em seguida, constatei uma enxurrada de comemorações de fãs e blogueiros festejando sua saída, além do descontentamento de muitos com a linha editorial da JBC e a qualidade física de suas publicações.

O fã (de qualquer coisa) é passional e muito parcial. Não tem obrigação de conhecer os bastidores, reage ao que tem em mãos e tem todo o direito de reclamar e se manifestar como quiser, enquanto público consumidor. Mas percebi, em meio a muitos comentários espalhados pela web, algumas percepções equivocadas sobre o papel de um editor.



Um editor de quadrinhos, no Japão, Europa ou EUA, é um indivíduo que acompanha o processo criativo dos autores, pode sugerir rumos, estimular a criatividade (ou criar amarras), estabelece diálogo com o público e supervisiona detalhes técnicos da produção. Ele trabalha para um publisher, um publicador, que é o diretor-geral ou mesmo o proprietário ou presidente da editora. No Brasil, com poucas e louváveis exceções, editor é o profissional que seleciona material estrangeiro a ser traduzido, acompanha o processo de adaptação, detalhes técnicos e igualmente, estabelece diálogo com o público. Em editoras pequenas, o editor também é o publisher, mas voltemos ao caso da JBC. 


Em uma editora que trabalha com material traduzido, conseguir um título de grande sucesso no exterior é mais mérito de quem negocia material do que do editor. Pode haver mais editoras interessadas e é preciso atender em geral a mais exigências do que um título pouco conhecido exige. Porém, se um editor convence a editora a trazer um título desconhecido do grande público por apostar nele e esse material se mostra de qualidade, aí o mérito do editor é muito maior.

Não cabe ao editor a palavra final sobre qual o papel a ser utilizado, o preço final da publicação ou mesmo certas políticas editoriais. Ele pode sugerir, brigar, se manifestar internamente mas deve, como profissional contratado, acatar e passar ao público da melhor forma aquilo que foi resolvido por seus contratantes. Em muitos casos, poderá desagradar os leitores. Aí, ele escolhe entre dois caminhos: Ou fica se desculpando em nome da editora ou destaca pontos positivos do trabalho e segue em frente. 


Summer Wars: Exemplo de
mangá pouco conhecido cujo
lançamento depende
muito do editor.
Em outro exemplo, títulos importantes podem ser anunciados e festejados num certo momento. De repente, se algo vai mal nas finanças (por "n" motivos), o departamento financeiro da empresa indica um caminho, que pode ser adquirir papel mais barato para impressão, mudar para uma gráfica mais barata, adiar ou cancelar lançamentos, cortar títulos, demitir funcionários (sobrecarregando outros) ou outras medidas impopulares. Tudo para não ameaçar a própria existência da empresa. Isso é mercado.

Não estou aqui para defender o Marcelo Del Greco, que aliás já está agitando novas empreitadas. Já trabalhamos juntos diversas ocasiões e somos amigos há quase 20 anos, apesar de termos tido pouco contato nos últimos tempos. Qualquer coisa que eu diga aqui no intuito de defender sua pessoa vai soar como parcial demais pelos detratores. Então, não irei me manifestar sobre as decisões que realmente cabiam a ele e que muitos fãs criticaram. Mas é preciso ser justo.


Mensagens editoriais, seleção de títulos, indicação, supervisão e revisão final de adaptações, tudo isso realmente é atribuição do editor. Preço, papel, periodicidade, distribuição, cumprimento de metas da empresa, ações de marketing e cancelamento ou não de uma publicação passam por outros departamentos. Mas sempre acaba na mão do editor a tarefa de dar a cara à tapa e lidar com as paixões dos leitores. Que, repito, têm todo o direito de se manifestar. Mas informação e esclarecimento podem contribuir para que as manifestações sejam direcionadas de modo correto e objetivo, tendo mais chances de provocar mudanças.

Cassius Medauar é um profissional sério e gabaritado, mas que ninguém ache que ele sozinho vai melhorar qualidade de papel, preço, distribuição ou qualquer dos itens já citados que não competem ao editor.

Ao Cassius e ao Del Greco, desejo toda a boa sorte do mundo. Acima de tudo, são profissionais de um mercado competitivo, sujeito a muitas turbulências e atuando numa função pouco compreendida. 

6 comentários:

hamleprimeiro disse...

Oi Nagado,

Nada como a opinião de quem entende. É bom ouvir um ponto de vista tão equilibrao.

Kanta Mizuno disse...

Summer Wars: Exemplo de
mangá pouco conhecido cujo
lançamento depende
muito do editor.

???
como algo q quase concorreu ao oscar iria ser desconecido? depois disso era facil de o mangá chegar por aqui!

Alexandre Nagado disse...

Sim, o "quase" foi de conhecimento apenas do fandom. A própria existência do mangá de Summer Wars (que é adaptação do animê, não obra original) era de conhecimento restrito. Não tem como comparar com mangás de grande apelo popular.

E sim, cabe a um editor selecionar e indicar esse tipo de material, que não é óbvio para quem não é do fandom. Ao lançar em banca, obviamente o fandom é importante, mas é preciso ter em mente um público mais amplo. Foi para mim uma grata surpresa ler esse mangá, que eu nem sabia que existia até a JBC lançar por aqui.

Abraço!

Anônimo disse...

FERNANDO

bom, apesar de marcelo del greco ter ajuda a trazer novos titulos de mangás ao brasil como o Summer Wars por exemplo, o pessoal reclama e muito da qualidade do papel, as capas que ngm gosta, os atrasos das chegadas as bancas dos titulos e os aumentos de preços anuais, sem ter a melhora das capas, qualidade do papel e os constantes atrasos ao longo desses ultimso 10 anos da jbc e sem contar a eterna comparação com a conrad editora
e vamos ver se tudo isso a partir de agora vai ser resolvido sem o marcelo del greco (aaaaaaa que saudades do marcelo del greco, vc alexandre nagado e elvis ricardo na sessão "correio galatico" na revista herói na decada de 1990)
se for resolvido, com ctz o vilão será marcel odel greco agora se nada mudar na editora com as queixas dos leitores e consumidores da jbc... quem será a próxima vitima a sair da editora
só o tempo dirá

Alexandre Nagado disse...

Fernando, que eu saiba as capas são as mesmas das edições japonesas, exceto quando as edições brasileiras eram metade do tamanho das originais.

E repito: muita gente acha ainda que papel e atrasos dependem de editor. Pode ou não ser resolvido com o novo editor. De qualquer forma, não é atribuição dele esse tipo de decisão. Espero que as pessoas que leram tenham entendido minhas colocações.

"Você é responsável pelo que diz, mas não pelo que o outro entende."

Robinson Oliveira disse...

Realmente fiquei surpreso com a saida do Marcelo da JBC, após ler num site, só que, ainda mais surpreso quando li inúmeras reclamações sobre o trabalho dele. Ainda para piorar deixei um comentario no chat que seria muito interessante se por acaso sair no Brasil algo de Tokusatsu em Mangá, dividindo cada edição com Ultra e Riders. Quase fui explodido por alguns "supostos fãs" de anime. Realmente é complicado comentar algo neste país. Sobre os Mangás Nagado tem um bom tempo que não acompanho: curtir Samurai X, Video Girl, Lobo Solitário, Vagabon(parei por conta de não ter fim no Brasil!!! E teve continuação? Nem sei...larguei para lá como Blade, também não sei se teve continuação aqui...) curtia muito estes dois títulos mas com a paralisação acabei não acompanhando mais nada.
Desejo ao Marcelo um bom trabalho na próxima oportunidade.