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segunda-feira, 30 de maio de 2011

O FIM DO BIGORNA: SINTOMA DE UM MERCADO RUIM PARA AS HQs NACIONAIS

Ilustração de Bira Dantas utilizada no
texto de despedida do Bigorna
Em comunicado publicado ontem à noite, o cartunista e editor do site Bigorna.net, Marcio Baraldi, anunciou que o portal encerra atividades por tempo indeterminado, até que surjam voluntários dispostos a investir e tocar o barco. Durante sete anos, o portal levantou a bandeira da HQ nacional. Falava de cultura pop, cinema, animação e quadrinhos em geral, mas a grande maioria de seu espaço era dedicada à divulgação de projetos e trabalhos nacionais, mesmo de fanzines e grupos amadores ou iniciantes, que jamais seriam divulgados nos grandes sites da área. De certa forma, o Bigorna foi vítima de seu idealismo.


Quando fui convidado para suprir, durante 4 semanas, a seção de notícias do portal, a decisão já estava tomada, pela falta de tempo dos responsáveis, o Baraldi e o jornalista Matheus Moura. Por quatro semanas e por um valor combinado previamente, escrevi notícias, dicas e notas rápidas diariamente para o site, pois na reta final o Matheus já estava sem tempo. A ideia era que, pelo menos, o site continuasse funcionando normalmente até o prazo que eles haviam estipulado internamente. O conteúdo fica no ar por tempo indeterminado, até que vença o registro do domínio ou algum grupo resolva assumir o título com qualidade profissional. Mas também pode ser o fim, sem volta. 


O mercado de HQ no Brasil anda mal há muitos anos. O grande número de lançamentos de álbuns e revistas independentes camufla uma realidade: quase ninguém está ganhando bem pra publicar. A maioria tira do bolso pra ter essa satisfação. Tirando os profissionais que fazem Turma da Mônica, Luluzinha, Didi, os que fazem arte para Marvel e DC Comics e alguns poucos aqui e acolá, a maioria esmagadora não vive de fazer HQ. Eu faço parte de uma minoria ainda mais silenciosa, que vive de HQ e comunicação institucional, coisa que raramente aparece na mídia, por ser fechada  a interesses de alguma instituição, apesar de muito melhor remunerada do que a HQ editorial. 


O fim do Bigorna é reflexo de um mercado que, como fonte de renda, já morreu há tempos. Poucas andorinhas não fazem um verão. Mas sempre há esperança de que isso seja somente uma hibernação, um hiato. E que o Bigorna retorne um dia, não às custas de suor e dinheiro de idealistas, mas como um investimento rentável em um mercado realmente justo e com oportunidades profissionais. 


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Leia o comunicado de Marcio Baraldi sobre o fim do Bigorna aqui.


E, se quiser, registre suas opiniões e comentários aqui no Sushi POP. 

11 comentários:

Vicente Cardoso disse...

Já foi tarde.

Zé Wellington disse...

Uma pena.

Leandro Malósi Dóro disse...

O site Bigorna, especializado em quadrinhos brasileiros, fechou devido a falta de tempo para atualizações e por falta de produção nacional de quadrinhos. Esse é um problema brasileiro que perpassa não apenas esse meio de comunicação, mas tudo a nossa volta. Por exemplo, é uma vergonha uma Hyundai ter que vir para o Brasil fabricar elevadores devido a nossa incompetência em criar esses negócios. Trabalhar com quadrinhos brasileiros é ingrato. Ainda assim, são mais procurados que a maioria da literatura nacional. A diferença é que muitos dizem não ler quadrinhos por gostar de literatura. Mentira, não lêem nem bula de remédio. O brasileiro é ignorante na arte solitária de ler. Prefere socialização - mesmo que em redes sociais - e TV a abrir um livro ou revista e concentrar-se para ler. Isso é uma herança maldita de Portugal, que queimou e quebrou todas as gráficas brasileiras até 1808 para evitar que nosso povo pensasse e, portanto, tornasse-se independente. Deu certo. Nossa independência continua fajuta. Enfim, estou muito magoado por estar em um país que não consome sua própria cultura.

Alexandre Nagado disse...

Andei lendo algumas coisas no Twitter sobre o fim do Bigorna e a situação do mercado de HQ. O que me deixa puto é ler comentários ácidos e descolados de gente que nunca publicou porra nenhuma (ou fez isso como diletante), mas é cheio de querer dar lição de moral, cheio de achar que sabe tudo e que tudo se resume a "vai trabalhar ao invés de reclamar, vagabundo".

Como se gente como eu e o Baraldi, que aponta grandes problemas no mercado (apesar de termos visões diferentes sobre isso) ficasse falando "mimimi" e choramingando ao invés de trabalhar.

Vão se informar, só isso.

José Aguiar disse...

Estou triste pois sempre tive muito carinho pelo Bigorna. Nele eu sempre tive espaço. Sempre fui tratado com profissional e amigo. A inicitiva de tratar igualmente quem já tem renome, quem já fez muito no passado e quem quer muito fazer no futuro em prol de nossas HQs sempre foi algo corajoso. Torço que o Bigorna não suma, que esteja apenas dando um tempo.Para ser repensado, recriado, melhorado e, como sempre mereceu, valorizado.
Em vez de lamentar, dou meus parabéns a todos os colaboradores que fizeram o Bigorna em todos esses anos em que ousaram noticiar o que poucos mostrariam. Tenho muito orgulho de ter sido tantas vezes divulgado e incentivado por vocês, meus caros Bigornas.

Tiburcio disse...

Oi Nagado.
Olha, o Monarca tb está parado ja tem um tempinho, mas não é outro sintoma do fim do quadrinho nacional. É justamente porque tenho trabalhado mais em outras frentes.
A HQB a rigor não existe como meio de vida, só a MSP mesmo, como o Baraldi disse. Mas isso não impede que tentemos. Isso não impede que insistamos. Isso não impede que contimuemos a nos manifestar - claro que entendendo que não vai dar dinheiro - artisticamente pela HQB já que todos os movimentos culturais começaram dessa forma. Voluntariamente.
Proponho irmos em frente inspirados pelo exemplo dado pelo Bigorna. Porque acredito que o exemplo é mais forte do que as palavras.

Bira disse...

Eu discordo muito do que o Baraldi escreveu, e esta ilustração foi mexida e publicada no artigo de despedida dele sem eu saber.
Aqui o que escrevi a respeito:
http://www.fotolog.com.br/bira2009/56369851
Abracos

Alexandre Nagado disse...

Feito o registro, Bira. Eu não sabia que havia sido à revelia a utilização para aquele texto. Mas acredito que tudo possa se resolver conversando.

Esse desabafo do Baraldi motivou uma serie de artigos no site Ambrosia.com.br com posições de diferentes profissionais.

Eu mais concordo do que discordo do que disse o Baraldi.

Publicar não é sinal de mercado bom e sim sinal das facilidades do mundo moderno. Assim como gravar uma música em um estúdio caseiro com microfone acoplado ao computador e um pro tools para edição não significa mercado musical bom.

Publicar recebendo dignamente (não precisa ser pra ficar rico) seria sim um sinal de mercado bom.

Esse ponto de vista vou defender com meu artigo para o Ambrosia, que está sendo revisado e deve sair amanhã.

Abraços.

Patrick Raymundo disse...

O mercado brasileiro é difícil! Sinto muito que o Bigorna tenha fechado, porque faz falta ao mercado um espaço para divulgação de trabalhos. Agora que temos boas inciativas, como a Ação Magazine, será necessário mais espaço de divulgação para as HQ's nacionais. Vendo o fechamento do Bigorna, a luta pelo Cine Belas Artes, e a expressão do escritor Ledo Ivo que disse "se um livro vender 5 mil exemplares já é um best seller", eu fico receoso com o que acontece na nossa cultura. Enfim, sinto pelo fechamento do Bigorna e espero que seja temporário e que o mesmo possa voltar um dia.

JJ Marreiro disse...

Durante sua existencia o Bigorna foi uma frente de batalha em prol do Quadrinho Nacional. Deu espaço a artistas de G~eneros e estilos diferentes de maneira democrática, deu atenção às produções independentes, das mais luxuosas às mais humildes, sem diferenciação.

O bom Baraldão tem seus motivos, e fortes motivos, pra cada um dos tópicos apresentados no texto. No Brasil há uma visão mercantilista sobre a produção cultural e o que não tem interesse para os grandes grupos corporativos é levado adiante graças a outros esforços, neste caso esforços independentes.

É chato ver o fim de um grande projeto, mas é mais chato ainda ver que as justificativas que levaram a seu encerramento são claras, objetivas e justas, embora seja uma injustiça o tratamento que o quadrinho tem no país.

Alexandre Nagado disse...

O texto do Baraldi movimentou muita gente. Muitos apedrejaram o Baraldi, com críticas típicas de quem só olha de fora, nunca se envolveu com esse ramo de atividade ou só conhece gente que tem um envolvimento "glamouroso" com o assunto. Para tentar deixar as coisas nos seus devidos lugares e tentar mostrar porque esse "mercado" é visto como bom por uns e ruim por outros, fiz um texto para o portal Ambrosia, a convite do editor.

http://www.ambrosia.com.br/2011/06/03/e-mercado-de-quadrinhos-nacionais/

Eu estou entre os que dizem que o mercado está ruim, pois minha percepção de mercado passa pela parte financeira. Isso nunca pode ser perdido de vista, por mesquinho que pareça para muitos.

Abraços!