RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Elementos do Estilo Mangá

“Por que é tão difícil para nós, ocidentais, desenhar em estilo mangá? Não como aquelas imitações que vemos por aí, mas em autêntico estilo mangá. Será possível superar as barreiras culturais e desenhar como os mestres japoneses? E afinal, em que consiste o mangá? Descubra-o nesta jornada pioneira rumo à essência do mais popular – e mais toscamente copiado – estilo do mundo. Desperte o mangaka que existe em você.”


Com essa provocação, escrita na quarta capa, o artista plástico João Henrique Lopes apresenta sua obra, o livro Elementos do Estilo Mangá. A tarefa a que ele se propõe é pretensiosa, mas não desprovida de embasamento. Primeiro, ele trata de separar a narrativa da definição de mangá. Ele busca as origens do termo com uma tradução literal: "Desenhos transbordantes". Lembrando que outras traduções já se popularizaram, como “desenhos divertidos” ou até “desenhos irresponsáveis”. Considerando o termo a definição de um tipo de desenho, o autor exclui do processo a narrativa, ou seja, o encadeamento lógico de imagens e quadros que, no mangá, tem ritmos bem diferentes da maioria das HQs ocidentais. 

Segundo o autor, “A história de um mangá pode ser contada de qualquer jeito, mas não desenhada de qualquer jeito. As características desse jeito são o assunto de todo o livro”.


Cabe aqui registrar que o significado de mangá tem evoluído, bem como suas formas, e que muitos autores, incluindo este que vos fala, têm dito que a narrativa é o principal elemento para o moderno mangá. Pode-se discordar do pensamento do autor, mas não sem uma lida cuidadosa no livro, que é muito bom - e seria melhor se tivesse mais imagens, imprescindíveis nesse caso.

Considerar mangá somente pelo aspecto ilustrativo é deixar de lado as conquistas narrativas de Osamu Tezuka e dos grandes mestres da arte sequencial japonesa. Mas é a opção do autor, que explica seus pontos de vista e busca diversas citações para reforçar seus argumentos. No livro, a força da argumentação vem de explicações sobre os conceitos ligados à arte no ocidente e no oriente e o quanto a espontaneidade sempre foi cultivada na arte japonesa. Os exemplos são numerosos e, ao citar obras conhecidas do público brasileiro, a leitura torna-se mais saborosa.

Há questões técnicas que podem discutidas por profissionais do traço. Em certo momento, ao comentar sobre a naturalidade do desenho finalizado com pena, ele descreve as canetas como “ferramentas inflexíveis”. Não é assim que são as canetas descartáveis de tinta permanente, ou as canetas com ponta de pincel. Ele se refere às tradicionais canetas de nanquim, realmente rígidas quanto à espessura e fluidez de traço e cujo uso tem diminuído bastante.

No geral, a visão é bastante romântica e idealizada da arte, mas autores com prática profissional na produção de HQs ou ilustrações podem ter outra visão sobre retoques manuais ou digitais. Enfim, é um livro para ser debatido e é uma importante referência sobre aspectos criativos do desenho. Quando o autor discorre sobre economia de traço, soluções de contraste, clareza de informação visual e composição, a leitura informativa se converte em aula, sendo interessante tanto para o iniciante quanto para o profissional e o pesquisador. Meio sem querer, a preocupação com a clareza narrativa invade o discurso sobre o visual, mostrando que o mangá é, acima de tudo, uma forma de HQ que se destaca por contar bem uma história – e o faz com as mais variadas técnicas de desenho.

Elementos do Estilo Mangá nasceu do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) em Artes Visuais do paraense João Henrique Lopes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). O livro é uma publicação independente do autor (que também desenhou a capa) e pode ser adquirido no site da Livraria Cultura.

Contato do autor: jh_ufpa@yahoo.com.br 

7 comentários:

JJ Marreiro disse...

Precisamos de mais livros assim, que cheguem para clarear os fatos e embasar conhecimentos.
Obrigatório na estante de quem leva mangá a sério.

João Henrique disse...

Excelente resenha, Nagado. Foi a mais completa e profunda até agora.

Parabéns, e obrigado!

Joao Henrique Lopes

Hara Haira disse...

oi gostaria de fazer parceria com seu blog

Alexandre Nagado disse...

JJ, o livro é realmente interessante e espero que mais títulos assim apareçam.

João, que bom que gostou da resenha. Mesmo com alguns pontos em que divergimos, reconheço que você fez um bom trabalho. Parabéns.

Hara Haira: podemos combinar, sim. Qualquer um que tenha um site ou blog com afinidade com o Sushi POP, pode mandar um email para:
nagado@nagado.com

Abraços!

jhonata_tatsu disse...

oi gostaria de fazer parceria?


Tatsu Animes!

Patrick Raymundo disse...

Oi, Nagado! Muito bom o texto. Precisamos mesmo de muitos materiais como este para embasar novos estudos. E, finalmente, mandei meu TCC para o site Monografias.com, para tentar uma publicação on-line. Pois é, passaram-se 6 anos desde a criação do mesmo. Custei a tomar coragem para fazer isso e cansei de esperar pelo dinheiro (para publicar em pequenas tiragens). Lembra do TCC? Estética e Narrativa de Mangás em Quadrinhos Brasileiros. Estudo de caso: Mangá Tropical. Assim que conseguir a publicação on-line, eu posso te mandar um aviso com o link? Obrigado! :)

Alexandre Nagado disse...

Fala, Patrick! Pode mandar sim, que eu divulgo. E a discussão é bem pertinente, pois o tema do mangá nacional voltou com tudo graças ao anúncio da Ação Magazine.

Fico no aguardo.

Abraços!