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- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Armadilhas de uma pesquisa

Manga Calendar: pioneiro como produção
seriada para TV

Fazer pesquisa sobre qualquer assunto sempre exige cuidado e atenção. Quando se lida com um assunto que poucos dominam, pior ainda. Hoje em dia, a Wikipedia e o Google, para o bem ou para o mal, tornaram as pesquisas muito práticas e as pessoas, preguiçosas. 


Em minha área, ligada à imprensa especializada em animê, mangá e cultura pop japonesa, é comum encontrar garotos em fóruns desdenhando o trabalho de gente da minha geração, ignorando que na época da explosão das revistas sobre animê e heróis japoneses, não existiam os sites que citei e a informação deveria ser garimpada com muito esforço. Pesquisando em revistas inglesas e americanas (Protoculture Addicts, Animerica, Sentai, Markalite, Oriental Cinema...) e também em publicações nipônicas (B-Club, Animetype, Animedia, Animage, Uchusen...) com a ajuda de professores do idioma e amigos, eu ia cavando informações para materias. Hoje, qualquer garoto acessa a Wikipedia e acha que já sabe de tudo. Realmente, a Wikipedia ajuda muito, mas tem muito erro também, visto que qualquer um pode escrever nela.

Também era comum ter que alugar fitas em locadoras da colônia japonesa, congelar a imagem na hora dos créditos e copiar as letras, para depois pedir ajuda ao professor de japonês. Era um trabalho árduo e que, por inexperiência ou pela dificuldade em saber exatamente qual das leituras possíveis o artista tinha escolhido para seu nome escrito em ideogramas, ocasionava alguns erros. Até professores e tradutores experientes têm dúvidas na hora de ler nomes de artistas, pois é normal que existam leituras diferentes para uma mesma escrita em kanji e um artista nem sempre vai escolher a leitura mais comum ou óbvia.

Hoje, é mais fácil cruzar referências, mesmo sem depender totalmente dos meios digitais. E, ainda assim, erros passam vez ou outra. Um antigo erro meu que o amigo Rodrigo de Goes apontou recentemente me levou a um grande esclarecimento sobre um fato da origem da indústria dos animês.

Consultando um guia de referência da revista Animedia, consta, na seção "Terebi anime" (Animês de TV), Manga Calendar como o primeiro seriado, com data de 25 de junho de 1962. Era uma série de vinhetas sobre datas comemorativas e fatos históricos, não uma aventura seriada como conhecemos hoje, sendo por muitos vista como um documentario em animação.  Porém, a serie começou com o título Instant History em primeiro de maio de 1961. Quando o título pelo qual a serie seria conhecida foi oficializado (em 25/06/1962), já haviam se passado 312 episódios. Houve também uma mudança de formato, com as vinhetas sendo expandidas de 3 para 5 minutos. Ao pé da letra, a primeira série foi mesmo Manga Calendar, já que o nome substituiu o anterior e se tornou o nome oficial da série toda. Mas por causa da mudança de nomes e uma confusão ao cruzar referências históricas, a informação da Animedia estava errada e eu repassei esse erro para o meu Almanaque da Cultura Pop Japonesa, mas já assinalei a correção para uma futura reimpressão.

Spectreman: Série mudou de
nome duas vezes
O caso foi semelhante ao que aconteceu com o seriado Spectreman. Ele estreou em 2 de janeiro de 1971 como Uchuu Enjin Gori (Homem Macaco Espacial Gori) - é isso mesmo, o astro era o malvado Dr. Gori. Bom, a serie mudou de nome duas vezes. Primeiro, a partir do episódio 21 virou U. E. Gori x Spectroman (no original é com "o" mesmo). E foi somente no episódio 40 que virou apenas Spectroman. Como Spectreman (nome ocidental) é uma serie cult, ninguém comete o erro de atribuir uma data errada para sua estreia, considerando a estreia de Gori como sendo a data de estreia de Spectreman. Já com Manga Calendar, cuja existencia só é relevante para pesquisadores, o erro passou batido até no Japão, em um guia de referência de uma revista especializada tradicional.


Esse tipo de erro já vi em livros de muitos pesquisadores daqui e de outros países, sem querer tirar minha grande parcela de culpa. Já vi tese acadêmica chamar o animê Evangelion de um tipo de Super Sentai, um disparate para quem conhece um pouco sobre animês e seriados japoneses. E erros menores, como datas e nomes trocados, não são absurdos de acontecer. Bem como cair em boatos e esquecer que fontes confiáveis e originais também estão sujeitas a erros humanos. Por mais critério que se tenha, alguma coisa sempre passa, ainda mais quando a carreira já acumula bons anos de estrada. Claro que ainda vou cometer erros, mas esse sobre o Manga Calendar, pelo menos, eu aprendi.

3 comentários:

Yatta disse...

Errar é humano, e isso todos tem de admitir, lógico!

Li o Almanaque (bom, tive de ler via internet, pois estava sem dinheiro para comprar, mas, li). Eu realmente não imaginava que havia este erro. Mas, é normal hoje em dia haver erratas em publicações, com sempre foi, afinal, ninguém faz nada 100%, sempre haverá algo por consertar! ^^"

Direto, vivo errando pra aprender... E vivo aprendendo por errar, heheh... Mas, seria muioto bom o povo se conscientizar de que ninguém sabe TUDO sobre qualquer assunto que seja, por mais que se tenha lido em Wikipedia, ou pesquisado em vários lugares. Sempre haverá algo por faltar, ou algum erro pode haver! ^^"

sandra monte disse...

OláNagado,
Olha, erros existem inclusive em trabalhos acadêmicos.
Tenho um livro sobre animação que tem um errinho lá no meio.

Tudo bem. A pesquisa do estudioso - hoje professor - foi bem feita e o errinho é aceitável.

Os maiores erros, por incrível que pareça, estão no assunto "Disney". Quem pesquisa um pouco que seja, percebe que há muita, mas muita bobagem escrita em relação ao próprio Walt Disney e aos estúdios dele.

Anime, caro, até agora... foi o de menos!

Alexandre Nagado disse...

Bem lembrado, Sandra. Muitos o definem como "empresário", "animador", "diretor", "desenhista", e outras definições bem desinformadas e até reducionistas. Mas o tema cultura pop japonesa, mesmo que bem mais recente em nossa terrinha, tem produzido pérolas inacreditáveis. E vem mais por aí, claro.

Abraços!