domingo, 31 de agosto de 2008

O SALÃO DE HUMOR DE PARAGUAÇU PAULISTA

Na quarta-feira passada, retornei de Paraguaçu Paulista, cidade onde estive como jurado e palestrante no 4º Salão Internacional de Humor da cidade. Localizada perto de Quatá, Presidente Prudente e Assis, Paraguaçu Paulista é uma cidade bastante agradável, com um ritmo sossegado. Uma das atrações de Paraguaçu é uma recuperada locomotiva construída em 1879, a mais antiga ainda em operação no Brasil. Com uma numerosa colônia japonesa, existe lá um monumento ao Centenário da Imigração e um jardim típico doado à cidade pela colônia.

Fui lá como membro do júri rotativo do salão de humor, a convite do cartunista Mario Mastrotti, o presidente do júri. Neste ano, os premiados foram escolhidos pelos renomados cartunistas Cláudio, Junião, Sampaio, Julinho Sertão e este que vos escreve. Mesmo entre grandes feras do desenho humorístico, eu não me senti um estranho no ninho, visto que minha carreira começou com cartuns, há quase 20 anos. E desenvolvo um trabalho de caricaturista de eventos há mais de 15 anos.

O processo de votação foi assim: dos quase 1.500 trabalhos enviados de mais de 40 países, uma comissão separou cerca de 250 para serem votados. Foram deixados de lado os mais amadores, os plágios óbvios e também trabalhos que sabidamente já haviam sido expostos ou na mídia ou em outros salões, visto que o ineditismo do trabalho era item obrigatório. Os trabalhos selecionados foram expostos em um auditório e numerados. Nós, os jurados, íamos analisando cada trabalho e fazendo anotações de nossas preferências. Depois de confrontar os votos, ficávamos discutindo nossoas critérios para desempatar posições e definir tanto premiados quanto os que receberiam menção honrosa, uma homenagem a trabalhos de qualidade que mereciam incentivo.

A VOTAÇÃO
Algumas categorias foram mais fáceis, como caricatura e cartum temático. Julgar as melhores charges foi bem difícil, pois o nível era alto e os critérios de relevância e qualidade das mensagens transmitidas eram muito variáveis de um para o outro. As tiras, no geral, apresentaram trabalhos bem irregulares. Alguns bem divertidos e outros unanimemente considerados fracos ou enfadonhos. Durante os debates, era comum que jurados mudassem seus votos, conforme argumentações eram apresentadas. O nível das discussões foi altíssimo, apontando critérios técnicos, contexto político, criatividade, ousadia e qualidades intrínsecas de cada obra.

A categoria criada para esta edição, o mangá (como homenagem ao centenário da imigração japonesa), foi a que teve o menor número de trabalhos enviados para seleção. O nível era bem fraco. Muitos não fizeram uma HQ de uma página conforme o regulamento, mas sim fizeram um fragmento de HQ. Havia um trabalho específico que era tecnicamente muito bom, mas que dificilmente poderia ser caracterizado como mangá e notamos que estava fora do regulamento. Por isso, houve somente um premiado na categoria mangá e nenhuma menção honrosa.


A experiência foi muito interessante, e posso dizer que aprendi mais sobre charges convivendo com artistas com uma vivência fantástica com desenhos de humor. E, impossível não mencionar, aprendi mais ainda sobre História com o Cláudio, que além de chargista político do jornal Agora, é autor do livro Pizzaria Brasil (Ed. Devir), uma fantástica aula sobre a História recente do Brasil.

- A lista dos vencedores e destaques está disponível aqui.
- A exposição dos vencedores e demais trabalhos selecionados prossegue até o final de setembro.

AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos ao pessoal ligado ao Salão, especialmente ao Dênis Mendes, o cartunista e arquiteto que é o cabeça e o pulmão do evento, e também à Lilian e ao Schmidt, colegas do Dênis na secretaria de turismo que estavam sempre a postos para cuidar de nós. Muito obrigado também ao pessoal da escola Giornaletto, que liberou minha ida e ao Flávio Andrade e Emerson Rocha, que me substituíram nas aulas. Obrigado também ao Mario Mastrotti, pela indicação ao júri, e aos colegas de ofício que conheci nessa viagem e que já se tornaram bons amigos.

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