terça-feira, 27 de maio de 2008

INTERCÂMBIO NO JAPÃO - PARTE 6

9 de março de 2008
OS TEMPLOS DE KYOTO 

Aulas de História e arquitetura nos templos de Kyoto
Paulo, Naguissa, Nagado e Raphael em Kyoto
Logo de manhã, pegamos outro Shinkansen, para seguir de Hiroshima para Kyoto, a antiga capital do Japão. Cerca de 1h40 de viagem depois, lá estavamos para um dia inteiro de passeios culturais, sem necessidade de terno ou traje formal. Depois de toda a emoção que passamos em Hiroshima e da correria na qual estávamos envolvidos desde o início da viagem, foi providencial termos momentos de paz e sossego. Conhecemos diversos templos, como o impressionante Templo dos Mil Budas. Dentro, onde não é permitido tirar fotos, havia um grande salão com mil estátuas do tamanho de uma pessoa. Cada buda representado tinha um rosto diferente, permitindo a identificação com um grande número de pessoas que podia procurar algum traço fisionômico próprio em cada estátua.

Caminhando pelo local, ainda tivemos a sorte (notaram como essa palavra tem sido recorrente na viagem?) de presenciar um casamento budista tradicional, tudo muito solene e elegante. Em outro templo, havia o Chão de Rouxinóis. Trata-se de um tipo de "alarme" que havia em alguns castelos e templos. O assoalho de madeira, quando pisado, emite um som parecido com o canto de um rouxinol. Não era madeira rangendo ou um barulho irritante, mas um som delicado que, com a multidão andando lá, causava a impressão de se ouvir uma revoada de passarinhos.

UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO


Depois, fomos ao Templo Daitokuji, onde tivemos uma experiência de prática da meditação Zazen sob a orientação de um monge. Em posição de lótus (ou quase, que aquilo não é mole não), tentamos esvaziar a mente e entrar em estado de produndo relaxamento. O monge passava de um lado a outro e, quem desejasse uma bênção, bastava ficar com as mãos em posição de oração e curvar o corpo para a frente. Com um bastão de madeira, ele dava batidas rápidas e secas nos ombros da pessoa. O barulho forte assustou alguns, mas não doía nada, muito pelo contrário, parecia que ativava a circulação. 


Vimos os belos jardins de pedra do templo e entramos em uma sala que não é aberta à visitação do público. Era o salão particular de meditação de Musashi, o mais famoso samurai da história do Japão. Alguns, mais entusiastas da história de Musashi, ficaram emocionados com a honra. O monge era extremamente simpático e sorridente, deixando todos muito à vontade. Em seguida, fomos conhecer uma das mais famosas atrações de Kyoto.




KINKAKU-JI - O PAVILHÃO DE OURO

Depois, fomos conhecer o impressionante Kinkaku-ji, um local de orações de senhores feudais com paredes folheadas a ouro. Localizado em um parque que no século XIII foi o vilarejo Kintsune Saionji, o pavilhão dourado impressiona pela beleza. Na verdade, todo o parque é extremamente bonito, bem cuidado e acolhedor. Oratórios, altares e templos dão ao parque um ar solene e passear naquele lugar dava uma sensação de serenidade e paz.

Site oficial:

www.shokoku-ji.or.jp/english/index.html (em inglês)

CULTURA TRADICIONAL


À noite, fomos assistir a uma demonstração de cultura tradicional no Gion Corner. A série de apresentações atrai muitos turistas e cada ato é planejado para oferecer, de forma rápida, uma visão sobre diversos tipos de arte tradicional japonesa.

Uma gueixa, pequena e delicada como uma boneca, demonstrou sua dança quase etérea, assim como um imponente ator mascarado de kabuki, mostrando dois extremos da dança tradicional japonesa. Também houve demonstrações de cerimônia do chá, ikebana (a arte dos arranjos florais), kotô (instrumento tradicional) e o teatro kyogen, que consiste em pequeno sketches cômicos. A mais interessante das apresentações foi do teatro de bonecos bunraku, onde uma trágica história é contada por meio de uma boneca articulada movimentada por operadores vestidos de preto. Somente o mestre pode mostrar o rosto, enquanto os auxiliares ficam cobertos de preto da cabeça aos pés. Depois, fomos jantar no Hotel Hiean no Mori.

HORA DE DESCANSAR

Finalmente, fomos ao último hotel que nos hospedaria no Japão, o Rhiga Royal Hotel Kyoto, da mesma rede que havia nos hospedado em Hiroshima. Os luxuosos e sofisticados hotéis Rhiga são considerados 3 estrelas no Japão, o que levou muitos de nós a achar que no Brasil, não existem hotéis 5 estrelas de verdade.

Depois de voltar ao hotel, eu, Daniel, Miguel e Gustavo (os 4 caras paulistas da turma) saímos para andar. Compramos saquê em lata numa loja de conveniência e ficamos bebendo pelas ruas de Kyoto. Conversamos sobre como tínhamos chegado até aquele ponto e sobre nossas expectativas com a viagem. Ninguém podia imaginar que tudo aquilo ia acontecer conosco. Entre o aviso de inscrição para o programa e a viagem, menos de três meses haviam se passado. E aquela semana estava sendo a mais intensa de nossas vidas.

O último dia de programação oficial nos reservava um mergulho no universo de um assunto que levou muitos de nós a se interessar pelo Japão: o mangá.

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