quinta-feira, 29 de maio de 2008

CENTENÁRIO DA IMIGRAÇÃO - O SHOW DE ABERTURA

Neste ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, muitas atividades têm sido realizadas como preparação para a grande festa em junho. Uma das mais interessantes foi o show de abertura das festividades oficiais, realizado no dia 16 de janeiro, no auditório do Ibirapuera (São Paulo, capital). Abaixo, vou republicar, para fins de registro histórico, o relato que escrevi na época, para a antiga versão deste blog.

Estive lá como convidado do Consulado Geral do Japão de São Paulo, o que foi uma honra. Havia muitos convidados ilustres, gente da música, da política, artes, imprensa e meio empresarial. Eu estava na terceira fileira, perto do palco, e assisti um show que nunca vai sair da minha memória. O repertório era eminentemente instrumental, talvez a melhor maneira de derrubar barreiras de idioma, usando a música como linguagem universal.

Primeiro, o trio feminino Rin´ apresentou sua fusão de instrumentos tradicionais com música eletrônica. Tocando okotô (similar à harpa), shamisen (similar ao banjo) e shakuhashi (flauta japonesa) e cantando de modo angelical, elas criaram uma atmosfera hipnótica, o que tornava ainda mais divertidas suas falas em português (lidas com um sotaque graciosamente irresistível) entre as músicas. No palco negro, iluminado de modo elegante, apenas algumas faixas brancas com escritos em kanji decoravam o fundo. Uma delas trazia a inscrição "Chikyu no koe" ("Voz da Terra"), uma definição perfeita para algumas músicas.

Depois delas entrou o genial Yamandu Costa e seu violão de sete cordas, ao lado de Hamilton de Holanda, uma lenda do bandolim. Uma apresentação impressionante, com uma entrega de corpo e alma ao que de melhor em termos de melodia, ritmo e harmonia a música brasileira tem a oferecer. E Yamandu arriscou seu japonês, tão "bom" quanto o português dos convidados, deixando o clima alegre e descontraído. Mas quando eles tocavam, a reverência ao som das cordas era quase religiosa de tão solene.

O show seguinte foi de Hiromitsu Agatsuma, jovem gênio do shamisen, tradicional instrumento japonês de 3 cordas. Fazendo o máximo com o mínimo, ele mostrou, tocando e cantando, porque é considerado um símbolo de renovação da música tradicional japonesa. Em algumas músicas, foi acompanhado pelo pianista Yoichi Nozaki. Entre o clássico e o jazz, Nozaki mostrou não ser apenas um músico de apoio, com vigorosos solos tocados com impacto e grandiosidade. Depois, Yamandu e Hamilton voltaram, fazendo uma outra performance memorável ao lado de Agatsuma e Nozaki.
Finalmente, para a apoteose do show, o trio Rin´ subiu novamente ao palco e, juntos, os sete interpretaram "Mais que nada", música de Jorge Benjor que ficou famosa mundialmente na interpretação de Sergio Mendes e já foi até regravada pela banda japonesa Pizzicato Five.

Encerrando, os músicos interpretaram a delicada "Furusato" ("Terra Natal"), que embalou de nostalgia muitos dos cerca de 800 presentes. Solos virtuosos, simplicidade e bom gosto marcaram uma apresentação que foi aplaudida de pé em vários momentos. Ao final da última música, a parede de fundo do palco foi elevada, revelando o bosque do Ibirapuera, todo iluminado. A platéia foi às lágrimas e a emoção contagiou a todos.Naquele palco, os sete artistas não fizeram apenas música. Criaram vida. (Fotos:
Fundação Japão)

Sites dos artistas:
- Rin´
- Yamandu Costa
- Hamilton de Holanda
- Hiromitsu Agatsuma

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