domingo, 2 de junho de 2019

Tokusatsu GAGAGA - Uma declaração de amor aos super-heróis japoneses!

Uma história simpática que mostra como o tokusatsu pode ser apaixonante.

Um dorama diferente e encantador.
Em janeiro passado, a emissora japonesa NHK exibiu em sua programação um dorama (ou "drama") com um tema bastante inusitado. Tokusatsu GAGAGA conta a história de Kano Nakamura, uma jovem que trabalha como office lady, que é como são chamadas no Japão as funcionárias de escritório das empresas. 

Prestativa, solidária e competente, ela é bastante querida em seu setor, mas esconde um grande segredo de todos. Sem que algum colega desconfie, Kano é uma "tokuota", uma abreviação para "tokusatsu otaku", ou seja, uma fanática por seriados tokusatsu e seus dinâmicos super-heróis. Para nós, pode não soar estranho ou condenável, por isso cabe uma explicação sobre o pesadelo da garota: Seu medo de ser descoberta decorre do fato de que ser otaku é algo geralmente muito mal visto pela sociedade japonesa, ainda mais dentro de uma empresa. 

A palavra otaku não diz respeito a ser fã de cultura pop, mas é um indicativo do comportamento obsessivo de alguns fãs e colecionadores que dedicam sua vida de modo visceral a um hobby ou passatempo, sacrificando convívio social e familiar (e Kano faz muito isso). E isso não é bem visto no Japão. 

Vale ressaltar que simplesmente gostar de alguma série ou mangá não define um otaku, pois muitas pessoas do chamado grande público, ou o público "normal" podem ter um ou outro mangá ou animê de que gostam muito. 
No balão: "Eu gosto do que eu gosto!" (*)
- Kano Nakamura
As animações de Hayao Miyazaki ou Makoto Shinkai, por exemplo, são vistas como cinema para a família, blockbusters de entretenimento de apelo universal. Com tokusatsu não é bem assim. 

A visão negativa sobre tokusatsu como entretenimento não-infantil realmente existe no Japão, pois ele é, quase sempre, associado a produções infantis. Em geral, só é admitido na sociedade japonesa um adulto gostar de algum tokusatsu quando isso está relacionado a um sentimento de nostalgia. Poucas exceções fogem à essa regra, como o filme Shin Godzilla (2016), que conseguiu o feito de atrair o público não-especializado, em parte por causa do hype internacional envolvendo o personagem.

Do ponto de vista de um japonês médio, um adulto acompanhar seriados tokusatsu é algo encarado como vergonhoso e sinal de enorme tolice e imaturidade. E a sociedade japonesa é cheia de códigos de conduta social, com muito mais rigidez e distanciamento interpessoal em relação a povos ocidentais. Entender isso é fundamental, tanto para captar o drama da personagem, como para se divertir com os apuros pelos quais ela passa ao longo dos episódios.
Kano e um chaveiro de seu adorado Shishileo.
Kano, ansiosa por ter alguém com quem conversar, logo descobre ocasionalmente outra fã, a bela Kumi Yoshida, que é mais velha (faixa dos 30 anos) e um tanto encanada com a idade. Ela é uma tokuota bem mais atirada, costuma frequentar apresentações de personagens e adora fotografar os traseiros dos dublês que vestem os trajes de heróis. Juntas, elas podem conversar animadamente sobre seus episódios e personagens favoritos. E depois de conseguir sua primeira amiga otaku, Kano decide que irá conseguir mais gente para sua fraternidade. 

Ela está sempre com o dinheiro contado porque gasta tudo o que pode com DVDs e bonequinhos e vive dando desculpas esfarrapadas para ocultar seu passatempo secreto. Em seu próprio ambiente de serviço, tem medo da colega Yuko Kitashiro, que parece vigiar seus passos e desaprovar tudo o que faz, apesar de possuir um passado de otaku que a fez sofrer muito.
A deslumbrante Kana Kurashina é
Yoshida, a amiga mais velha de Kano. 
Sendo uma fã fervorosa de tokusatsu, Kano acompanha e consome tudo sobre a série da vez, no caso um esquadrão estilo Super Sentai ou Power Rangers intitulado Juushowan. Seu herói favorito é Shishileo, o líder do grupo. Na infância, seu personagem mais querido era o herói robótico EmerJason. Kano tem seus heróis como guias morais e, em vários momentos, vê os personagens interagindo com ela em sua imaginação, sempre sugerindo a atitude mais correta a se tomar. Tais momentos são bastante divertidos e fazem Kano colocar em prática coisas que aprendeu acompanhando seriados tokusatsu. 

Uma das lojas que Kano frequenta tem como atendente um homem que a assusta e que ela chama, em sua mente, de "Sr. Yakuzá". O que ela vai descobrir depois é que de mafioso ele não tem nada, sendo um trabalhador pacato, gentil (embora desajeitado) e um grande fã de uma série de desenhos para meninas chamado Lovecute

Assim como Juushowan representa um Super Sentai e EmerJason personifica um Metal Hero, Lovecute é uma espécie de correspondente de franquias primariamente voltadas para meninas como Sailor Moon ou Precure. O episódio focado no Sr. Yakuzá, inclusive, é exemplar de uma das mensagens da série, sobre respeitar todos os gostos, independente da faixa etária ou demografia para a qual um produto de entretenimento possa ter sido majoritariamente direcionado. E mostra como é bom encontrar alguém que partilha dos mesmos gostos e entende os sentimentos envolvidos. 
"O tokusatsu me ensinou tudo o que é
mais importante!!" - Kano Nakamura (*)
Um ponto que esse dorama destaca bem é o quanto de ensinamentos morais as obras de tokusatsu podem passar ao público infantil. Determinação perante desafios, lealdade, senso de honra, dever e o sentimento de ajudar e proteger os mais fracos, especialmente crianças e idosos. São valores universais especialmente caros à educação japonesa e que são desejáveis em qualquer povo, mas que têm sido cada vez mais negligenciados pela sociedade das aparências, do vitimismo e do egocentrismo. 


Outra pessoa interessante que Kano encontra pelo caminho é o garotinho Taku Tamiya, que ela apelida de "Damian" (por achá-lo meio assustador no início, como o personagem do filme A Profecia). O que os aproxima é que são grandes fãs de Juushowan e, cada um a seu modo, sofre com as responsabilidades da vida. Ela, para conviver com seu trabalho e ele, para com a carga de estudos. É tocante a cena em que Damian conta que faz um caminho mais longo para o curso só para percorrer um corredor subterrâneo e transformar tudo numa brincadeira. Entre eles, surge uma amizade sincera. 

Mas acima de seus percalços no trabalho e sua eterna falta de dinheiro pra alimentar seu hobby, a grande preocupação que ronda a vida de Kano é sua mãe, uma mulher que sempre tentou direcionar a vida de seus filhos. Enquanto seu irmão é uma pessoa mais "normal", ela sempre sofreu pela recriminações de sua mãe, constantemente querendo controlar sua vida. 


A sra. Fumi Nakamura sempre criticou e proibiu o quanto pôde a ligação de Kano com tokusatsu. Primeiro, argumentando que não eram programas para uma menina assistir, e depois de alguns anos, implicando que ela já estaria "velha" pra ver seriados infantis. E mesmo já adulta, morando sozinha e financeiramente independente, Kano ainda luta para manter as aparências com sua mãe, mas isso a levará a momentos difíceis e a um tenso enfrentamento familiar. 

Esse equilíbrio de drama e humor permeia a série, que exigiu um dedicado trabalho, sobretudo da atriz principal, a jovem e já experiente Fuka Koshiba.
No balão: “Sou do tipo que quando gosta de uma coisa
vai com ela até o fim,então eu me simpatizo
com a Nakamura em seu gosto pelo tokusatsu.” (*)
- Fuka Koshiba
Nascida em 16 de abril de 1997, Fuka Koshiba encarnou Kano Nakamura com muita entrega ao papel e ajudou a criar uma personagem crível e adorável. Em 2014, ela interpretou a bruxinha de Kiki Delivery´s Service na adaptação live-action para cinema da famosa obra de Hayao Miyazaki, lançada em 2014. No mesmo ano, também trabalhou na versão dorama do famoso mangá Great Teacher Onizuka. A atriz fez um grande trabalho em Tokusatsu GAGAGA, sendo acompanhada por um elenco igualmente talentoso e selecionado com muita propriedade. 

A direção e roteiro da obra também são excelentes, conseguindo equilibrar partes engraçadas, sérias e tristes de modo magistral. E espalhadas em algumas cenas, há participações especiais, algumas bastante rápidas. Entre os convidados, o cantor Yukio Yamagata (do tema de Gaoranger e muitas anime songs), o dublê Jiro Okamoto (Kamen Rider BLACK e BLACK RX) e o ator Hiroshi Miyauchi (Kamen Rider V3chefe Massaki em Winspector e Solbrain). Jiro Okamoto, inclusive, é quem veste o traje de EmerJason sempre que o herói aparece. O cuidado na produção revela que a NHK não apenas entendeu a essência do tokusatsu, mas foi fundo em muitos e saborosos detalhes que apenas os fãs irão apreciar.
Capa do primeiro volume do mangá,
um merecido sucesso editorial.
Tokusatsu GAGAGA teve apenas 7 episódios, quando o normal para um dorama é ter 11 ou 12. Tal redução pode ser explicada pelo custo superior de produção, que teve que recorrer ao uso intenso de efeitos especiais, principalmente para criar, de maneira convincente, tanto Juushowan quanto EmerJason, vistos como ficções dentro da ficção. Com muitos detalhes, a impressão que fica é a de que ambos realmente tiveram séries no mundo real. 


A produção foi baseada no mangá homônimo criado por Niwa Tanba, um grande sucesso que estreou em 2014 na revista Big Comic Spirits (Ed. Shogakukan) e já rendeu 14 volumes. Em 2017, venceu o badalado Prêmio Cultural Osamu Tezuka, o que foi decisivo para que a emissora estatal NHK selecionasse o trabalho para adaptar como atração em seu bloco de novelas Dorama 10


Combinando humor, drama e situações divertidas com personagens carismáticos, Tokusatsu GAGAGA foi muito mais que uma boa minissérie. Foi uma verdadeira declaração de amor ao tokusatsu e aos super-heróis japoneses.


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(*) Agradecimentos ao colecionador Usys222, do blog parceiro Casa do Boneco Mecânico, pela valiosa ajuda com as traduções.

Trailer oficial:



TOKUSATSU GAGAGA ~ トクサツガガガ

Ficha técnica

Estreia:
 18/01/2019 (NHK)

Total: 7 episódios de 43 minutos

Criação: Niwa Tanba
Roteiro: Shigenori Tanabe
Trilha sonora: Akio Izutsu
Colaboração (efeitos especiais): Toei Co.
Direção: Hajime Suenaga, Shinzo Nitta e Akira Ono
Gerente de produção: Shô Yoshinaga
Realização: NHK Nagoya Station
A graciosa Fuka Koshiba, escolha
perfeita para o papel.
Elenco:

Kano Nakamura: Fuka Koshiba

Kumi Yoshida: Kana Kurashina
Masaaki Matsumoto ("Sr. Yakuzá"): Manabu Takeuchi
Taku Tamiya ("Damian"): Kokoro Terada
Yuko Kitashiro: Haruka Kinami

Takashi Onoda: Takafumi Honda (BOYS AND MEN)
Yuki Shirahama: Rena Takeda
Naotarô Kawashima ("Chara Hiko"): Yuuki Morinaga
Fumi Nakamura (mãe): Yuki Matsushita
Mai Shiraishi: Mikoto Uchiyama (SKE48)
EmerJason (voz), narrador: Kenichi Suzumura
Shishileo (voz), vendedor de copiadoras: Shinba Tsuchiya


::: E X T R A :::

- A canção-tema da série, com a irreverente banda de rock Golden BomberA música está disponível oficialmente no serviço de streaming Spotify.

Capa do single, disponível mundialmente via Spotify.
"GAGAGAGAGAGAGA" ~ ガガガガガガガ
Letra e melodia: Shô Kiryuin (Golden Bomber)
Arranjo: Shô Kiryuin, tatsuo
Intérprete: Golden Bomber

Atenção: Vídeo com humor visualmente vulgar, não adequado para menores (NSFW).




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15 comentários:

Usys 222 disse...

Desse só pude ver um capítulo. Mas pude me reconhecer em todas as situações. Realmente é bem assim mesmo.

A repercussão da série foi muito boa no Japão. Teve muita gente que se sentiu representada e vejo isso como algo positivo. Mais e mais gente percebe que pode gostar do que gosta, não importa o que os outros digam. E que algo que parece infantil na verdade tem muito o que nos ensinar... ou nos relembrar de algo que esquecemos devido às atribulações da vida. Como acontece com a Kano quando um de seus Heróis aparece diante dela.

E vejo que tem aparecido muitas séries nesse sentido, voltadas aos chamados otaku ou àqueles que são só entusiastas. Kaiju Club, Koe Girl e mais recentemente Yuube wa Otanoshimi Deshita ne, dirigido pelo Kiyotaka Taguchi. Mesmo na China tem obras sobre os otaku e suas dificuldades sociais, como Our Shining Days, disponível na Netflix. Também fala de se gostar do que gosta não importa o que digam. Soube desse através desta matéria: http://animebrilliantblog.blogspot.com/2019/04/tokupapos-our-shining-days.html

Torço para que façam mais e que um dia tragam para cá em algum serviço de streaming.

André Silva disse...

essa série é maravilhosa adoro tanto tokusatsu, quanto animes e mangás e me sinto muito representado, curtir ultraman, sentais, precure, dragon ball etc. é uma felicidade só.
valeu pela matéria, achei muito informativa.

anderson disse...

Nos EUA "mais tolerantes" também existe preconceito com quem ainda se diverte com
os rangers depois de crescidos .Por isso o filme da Lionsgate basicamente teve vergonha
das características básicas da franquia : Megazord horroroso estilo Michael Bay,cenas
de luta artificiais tentando fazer dos rangers homens de ferro dos pobres,drama teen
insuportável para não parecer infantil ,e anunciando orgulhosamente terem a primeira heroina
lgbt da história (não adianta explicar que Sailor Uranus e S Nephtune vieram muito antes
e sem fazer retcon em personagens hetero).Em contrapartida os dois Pacific Rim e o GodziLLa mais recente fracassaram nas bilheterias americanas devido as "excentricidades" de tokusatsu.
E infelizmente muita gente nos EUA defendem que os filmes de heróis devem ser ferramentas
políticas,no mesmo estilo da Capitã Machona(roubar homens brancos agora é heroismo).

Adelmo Veloso disse...

Essa precisa entrar na minha lista! Por três motivos: primeiro, por voltar a curtir os Tokusatsu (principalmente os atuais, como a franquia Kamen Rider e os aparecimentos dos Super Sentai em seus filmes) e por gostar de Doramas. Há bastante tempo que não pego um pra acompanhar, devido aos episódios serem longos se comparados aos animes. Terceiro, porque estou na casa dos trinta e poucos anos e muitos amigos me veem como infantil por curtir tais coisas e colecionar figuras de ação, mas não ligo! Valeu a recomendação e excelente resenha!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Koe Girl eu preciso dar uma olhada ainda. E bem lembrado sobre o Kaiju Club. Fiz matéria aqui divulgando, o tempo passou e acabei esquecendo de conferir.

Esse tipo de temática é interessante, pois envolve preconceitos das pessoas ditas "normais" com quem está fora da curva. Quando soube de Tokusatsu GAGAGA, lembrei imediatamente de Densha Otoko, creio que o primeiro dorama a abordar o mundo otaku.

E não deixe de ver completo o Tokusatsu GAGAGA, acho que vai gostar de como a história avança.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, André. Esse dorama fala fundo ao coração de quem gosta de super-heróis japoneses, não apenas de tokusatsu. Quando puder, tente ver, que é bem legal mesmo.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, anderson.

Você lembrou um ponto interessante. Muitos produtores acabam colocando elementos sérios e sombrios para tentar oferecer um produto mais "maduro" e "palatável". É uma tentativa, geralmente fracassada, de se tornar menos passível de críticas por parte de gente que, no fundo, detesta esse tipo de programa. O interessante é quando conseguem fazer uma fantasia competente e contar uma boa história, que não se preocupe em ser cientificamente possível ou socialmente relevante. Será muito mais relevante se for feito com sinceridade.

Até mais. Abraço!

Alexandre Nagado disse...

E aí, Adelmo!

É bem interessante o contraste entre Kano e sua amiga Yoshida, pois esta última é 10 anos mais velha e tem outras encanações. Eu já não tenho esse tipo de preocupação. Já entrei em loja pra comprar bonequinhos e o vendedor pergunta: "Embrulha pra presente?". Ao que respondo: "Não, é pra mim mesmo."

Assista, você vai gostar.
Grande abraço!

Eltony o nostalgico disse...

Mais uma matéria sensacional e informativa pra pessoas inteligentes que somos nos que amamos o genero tokusatsu...não vi esse dorama,mas quando sair daqui vou correr pra assisitir,nagado mais uma vez obrigado por textos maravilhosos que so você tem a manha de fazer pra nossa alegria e leitura, muito rico todo o texto com as informações que você adicionou,não sabia que existia esse dorama...to por fora de muita coisa mesmo,mas vou me atualizar promento,e graças a você mestre pude recuperar o gosto pela leitura que eu havia perdido devido aslutas que passamos na vida,e não é facil gostar do que gostamos hoje em dia com tanto preconceito por partes de uns e ate mesmo por causa da religião que julga tais coisa como maligna e do mal quando na verdade ela mesma consegue ser tudo isso quando faz esse pre-suposto erroneo por parte das suas doutrinas estupidas...,mas isso não é assunto pra agora,mestre nagado!?, desculpe alguns erros ou a falta de acentos etc...e um forte abraço a você mestre valeu!.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Eltony.

Não costumo fazer isso, mas vou dar uma dica de onde conseguir ver com qualidade:

http://www.newzect.com/p/tokusatsu-gagaga.html

Assista, que é muito divertido.

Abraço!

Bruno Seidel disse...

Até o momento, eu só assisti aos dois primeiros episódios de Tokusatsu GA GA GA. Então, é bem provável que eu retorne aqui e volte a comentar quando já tiver assistido a todos os sete episódios. Mas vamos às minhas impressões iniciais: achei uma produção muito bem feita e com requinte impecável na caracterização do Juushowan e do Emerjason, que representam a verdadeira essência das franquias Super Sentai e Metal Hero, respectivamente. Também me identifiquei demais com algumas situações e sentimento que só os fãs são capazes de ter e entender. É, sem dúvida, uma série que abraça esse público e que expõe uma sensação pouco explorada em obras de ficção. Quanto às divergências culturais entre ser fã de Tokusatsu no Japão e no ocidente, talvez esse tenha sido o único ponto questionável no meu entendimento sobre a trama. Confesso que achei "exagerado" o pavor da protagonista em dar qualquer pista sobre sua verdadeira identidade. Para mim, ter personalidade o suficiente para gostar e assumir as coisas que eu gosto (mais do que das coisas que as pessoas ou que a mídia dizem para eu gostar) sempre foi um motivo de orgulho. Mas quando eu assistir a série até o fim terei uma opinião mais estruturada.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Conforme comentei, é importante ter em mente a realidade onde vive a personagem. Aqui no Brasil, somos mais desencanados e no máximo podemos ouvir uma zoeira. Como o contexto social lá é muito diferente, faz sentido sim a preocupação da Kano. E a graça está no exagero. A direção é absolutamente soberba com a tensão e alívios cômicos que vão aparecendo. Depois conte o que achou do conjunto da obra.

Abraço!

Junnão disse...

Vale a pena a assistir até o último episódio. Está série é uma deliciosa diversão, e me identifiquei demais em muitas situações.
E o que dizer de Kana Kurashina? Impossível dizer não àquele sorriso!

Alexandre Nagado disse...

Concordo, Junnão.

Sabe a cena com o garotinho Damian ficando encantado com o sorriso da moça? Então, acho que naquela hora ele representava a maior parte da audiência masculina da série, ah ah. Ela é mesmo impressionante!

Abraço!

César Filho disse...

Fala, mestre Nagado. Ando bem sumido e obviamente atrasado com os comentários (messes puxados por aqui), mas vamos lá. Finalizei o Tokusatsu Gagaga há alguns dias. Olha, me idêntico com a Nakamura em algumas coisas e outras nem tanto. Tá certo que os contextos entre lá e cá são diferentes. É compreensível. Nunca fui de esconder que sou fã de tokusatsu, mas procuro conversar mesmo com quem curte e entende do assunto. De vez em quando eu posto alguns materiais relacionados a tokusatsu no meu Instagram pessoal e faço isso como algum fã de quadrinhos, por exemplo, poderia compartilhar. Algumas pessoas do meu convívio podem até achar que sou otaku ou algo do tipo. Já me considerei em tempo bem remotos, mas quando dou por mim eu vejo que sou mais uma pessoa que trabalha, estuda, paga contas assim como as pessoas "normais". Gosto de tokusatsu porque é legal, podemos tirar boas lições e pessoas de qualquer idade pode curtir. Quem sabe um dia essa realidade mude como acontece com atualmente com os heróis da Marvel e da DC no cinema, né?