quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Nostalgia - Memórias da Patrulha Estelar!

Em um relato de memórias de um jovem fã, o resgate de um momento emocionante e inesquecível.
Capa de um disco lançado na época, com os
consagrados Isao Sasaki e Mitsuko Horie.
A trilha sonora era um espetáculo à parte.
O meu desenho animado favorito de todos os tempos atende pelo título de Patrulha Estelar. É a resposta que dou há muitos anos, sempre que alguém me pergunta. A paixão por essa série vem de longa data e vou agora relatar um lado de fã, em uma época inocente e sem acesso à informação. 

O início da década de 1980 foi um período de escassez de animações japonesas na TV. A Record ainda exibia algumas reprises de Sawamu - O Demolidor, Candy Candy e O Menino Biônico, mas o traço japonês estava em baixa, após vários títulos terem sido exibidos na década de 1970.

Em 1983, estreou a hoje extinta TV Manchete, que exibia em sua programação as animações japonesas Don Drácula, Pirata do Espaço, D´Artagnan e os Três Mosqueteiros e Super Aventuras. Os títulos encantavam o público infanto-juvenil com a linguagem do animê, em uma época em que o termo ainda era desconhecido por aqui.
Da esq. p/ dir.: IQ-9, Iger, Sandor, Wildstar,
Orion, Dash e Homer. Ao menos, seus nomes americanizados.
O segundo lote de animações que a Manchete lançou no mesmo ano incluía uma nova série japonesa: Patrulha Estelar. Com o nome original de Uchuu Senkan Yamato (Encouraçado Espacial Yamato), a série surgiu em 1974, graças ao produtor Yoshinobu Nishizaki e o desenhista, roteirista e autor de mangás Leiji Matsumoto

Ícone pop em seu país, sucesso nos EUA e em vários outros locais, a saga foi um divisor de águas na história do animê, causando o primeiro anime boom, mas nada disso era de conhecimento aqui. Era um desenho japonês, mas longe de ser apenas "mais um". 

Na época, eu contava com 12 para 13 anos e, de início, a série não me fisgou. Eu gostava bem mais do Pirata do Espaço, que tinha mais ação e era bem mais visceral. No entanto, fui percebendo que a Patrulha estava em outro patamar, com histórias sempre em continuação, como em uma novela. E não era bem para crianças, pois a história exigia mais entendimento, o que fisgou o adolescente que eu era. A atmosfera foi me conquistando aos poucos e alguns amigos da escola também acompanhavam com interesse. 

Logo fui virando fã dos personagens, da trilha sonora e daquele clima de ficção futurista. Lembrava um pouco as séries americanas Jornada nas Estrelas e Galactica, mas era mais emocionante e com batalhas espaciais bem mais legais do que em Star Wars



A saga em questão mostrava a tripulação do Cruzador Espacial Argo (nome americanizado do original, escondendo sua origem na Segunda Guerra Mundial) e sua luta contra as forças do Cometa Império e seus aliados, o General Desslock e os gamilons. O enredo deixava claro que aquela série era continuação de uma outra, que eu só iria conhecer anos depois. Essa percepção ia descortinando uma grande saga cósmica, que eu estava adorando.

A música de abertura (repetida com outra letra no encerramento) estava em inglês, cantada por um coro imponente. O título que aparecia na tela era Star Blazers e os créditos davam a ideia de uma co-produção, mas depois eu viria a descobrir que era mesmo uma produção totalmente japonesa. Apenas estávamos assistindo à série após ela ter sido adaptada nos EUA, onde teve nomes de personagens alterados e
cenas de violência editadas

O Cruzador Espacial Andrômeda, um dos destaques da série.
Foram apenas 26 episódios, que eram exibidos diariamente. Após a exibição do capítulo final, começou a reprise e isso se repetiu algumas vezes. Não me importava em ver essas reprises, pois nem sempre conseguia assistir tudo e sempre me escapavam detalhes, fora que era uma maravilha rever episódios antológicos - e havia muitos, mesmo em uma série curta. A amizade entre os tripulantes da Argo, o senso de honra, as mortes cheias de heroísmo... A história tratava de valores e deveres universais, em um contexto futurista e cheio de otimismo na espécie humana. 

Então, depois que eu vi pela segunda ou terceira vez o último episódio, liguei novamente a TV no dia seguinte e no mesmo horário, pronto para rever o primeiro capítulo. Foi quando aconteceu.

Começou a tocar a música, mas a imagem que surgiu era diferente. Com um fundo preto e depois vermelho, aparecia a imagem de um Sol em erupção. Na mesma hora, surgia a imagem da espaçonave, dando um rasante na câmera enquanto apareciam letras em japonês. A música também estava sendo cantada em japonês e isso, como se diz, explodiu minha cabeça! Parecia o desenho mais legal do mundo. E era!

Vim a saber depois que aquela era a série III do Yamato (de 1980), que dava continuidade à série 2 (1978), mas com um grande salto técnico em termos de produção. Afinal, dois anos separavam as duas obras, sendo que nesse meio tempo a paleta de cores foi aperfeiçoada, com tons mais vivos mesmo nos cenários espaciais. Os raios de energia disparados pelas naves também ganharam um design mais arrojado, com efeitos de luz mais sofisticados. 

A abertura era formada por imagens contemplativas, mas tinha uma atmosfera mais dramática do que a série anterior. E a música, entoada pelo cantor original, Isao Sasaki, ganhava tons ainda mais épicos. 

Aquele momento em que vi a abertura da série III pela primeira vez me deixou emocionado e até hoje lembro da sensação. Era uma empolgação genuína. Eu pulava de alegria, sem acreditar que estava vendo uma nova temporada da minha série favorita naquela época. Tamanha empolgação eu nunca mais senti. Até hoje, o tema do Yamato é minha anime song favorita e uma das músicas mais legais que ouvi em toda a minha vida.

A série, além de toda a grandiosidade que se esperava, tinha uma violência mais acentuada, por não ter passado antes nos EUA. E como se não bastasse o visual mais colorido e refinado, havia também a presença de caracteres japoneses para identificar personagens, lugares e espaçonaves. Isso, obviamente, fora limado da adaptação americana, mas estava presente na série III, conferindo ainda mais charme à produção. 

Olhando em retrospecto, posso avaliar que a série 2 tinha um enredo mais interessante e com um melhor desenvolvimento de situações, mas a emoção que a terceira série trouxe à minha vida teria consequências. 

Passei a pesquisar material do autor Leiji Matsumoto, passei a procurar a trilha sonora, tanto instrumental quanto cantada, e isso foi me levando a contatos com fãs e muitas outras descobertas, numa época em que eu nem sonhava em um dia escrever sobre minhas séries favoritas. 


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- E você? Consegue lembrar de um momento marcante com sua série favorita? Você teve algum momento digno de "explodir a cabeça"? Vamos trocar uma ideia na área de comentários. 


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8 comentários:

anderson disse...

Quando era garoto vi Rayearth pela primeira vez ,e me surpreendi com o visual e a ação intensa,além de um tipo de beleza diferente das heroínas mais amazônicas nos desenhos ocidentais.Outros momentos marcantes na virada do século foram a batalha de Goku contra Vegeta, Speed Racer tendo que disputar uma corrida perigosa totalmente cego, e a primeira aparição de Charizard .

Detonation Uchiha disse...

Eu não tenho exatamente um animê favorito, pelos menos por enquanto (já mangá sim, meu favorito é Akira disparado). Se for pra mim pensar em um favorito agora eu colocaria Neon Gênesis Evangelion, mas ainda assim essas séries me impactou como um todo e não consigo me lembrar de um momento em específico que me causou um sensação de "UAU", teve vários.
Mas, posso compartilhar pelo menos uns três momentos de outras séries que me marcaram muito, não são exatamente as minhas favoritas mas me impactaram bastante.

O primeiro deles foi em Dragon Ball: no final da saga Red Ribbon quando o Goku parte para a batalha final contra o exército da Red Ribbon são mostradas diversas cenas do decorrer da saga enquanto toca uma empolgante música que infelizmente não sei o nome, poucas vezes eu fiquei tão empolgado com a preparação para o grande clímax.
O segundo foi em Cowboy Bebop, mais especificamente o filme: e o momento é justamente quando ele acaba, eu nunca tinha assistido a série até então embora já conhecia ela graças as revistas. Depois que todo o filme já tinha me fisgado graças ao seu clima divertidíssimo subia os créditos ao som da espetacular música "Gotta Knock a Little Harder", o longa encerrava com frase "Você está vivendo no mundo real?" (que tem haver com o contexto do filme), eu não me esqueço que na hora eu literalmente disse "uau"...
E por ultimo foi em Naruto: SPOILERS A SEGUIR- Durante o torneio preliminar da Prova Chunin houve a luta entre Rock Lee e Gaara, a luta em si foi incrível mas o que me impressionou de verdade foi que Lee era um personagem cativante, ele não tinha habilidades especiais como os outros ninjas então se esforçava apenas em força bruta e artes marciais e nisso ele se tornou um gênio. Ele lutou ao máximo para provar que era capaz de ser um grande ninja mesmo sem ter as técnicas que os outros tinham, a batalha durou 3 episódios e no final, ele perdeu a luta e ficou fisicamente acabado... aquilo me deixou de queixo caído, principalmente porque mesmo perdendo a luta, a perseverança dele provou tanto para os personagens quanto para mim o quanto ele era forte, talvez mais forte que todos os outros.
- FIM DO SPOILER. Eu devia ter uns 8 anos na época e aquilo me ensinou a me esforçar ao máximo independente das minhas limitações e também me ensinou que o forte entre os fortes nem sempre é necessariamente aquele que vence as batalhas.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson.

Se for lembrar de cenas de ação ou combates antológicos, dá pra escrever vários posts. Mas a ideia aqui foi registrar um contexto e como isso criou um momento marcante. Acho que ainda farei mais postagens assim.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Uchiha. Que depoimento bacana! E essa sequência que comentou do Naruto parece mesmo carregada de significado, ainda mais que o herói não conseguiu vencer. É esse toque de vida real, mesmo em um contexto totalmente fantasioso, que torna as narrativas japonesas tão envolventes.

Obrigado pela participação. Abraço!!

Usys 222 disse...

Uchuu Senkan Yamato! Ah, eu me lembro dessa série! Via em livros e revistas japoneses e até cheguei a ver em um daqueles VHS de locadoras de filmes japoneses, mas não conseguia entender nada e acabava entediado.

Depois que passou na Manchete passei a entender e me empolgou. As cenas de combate espacial eram ótimas e tinha o poder do famigerado Canhão de Ondas, que só depois eu soube que se usado de forma incorreta, poderia destruir o universo.

E o tema de abertura é lindo! Tanto na versão americana quanto na japonesa. Interessante que na americana a letra era atualizada de acordo com a temporada, em que "fighting with the gamilons we won´t stop until we won" mudava para "we'll fight the Comet Empire battle through the raging fire", enquanto que na japonesa ela era fixa, com a tripulação sempre "indo para Iscandar". Quando estive no Japão, cantei essa em um karaoke com o Clube de Anime da faculdade, começando com a versão em japonês e no meio troquei para a versão em inglês, o que arrancou aplausos do pessoal (não foi pela minha voz ou habilidade de canto).

A série 3 era realmente bem fantasiosa. Me lembro do choque de se haver um planeta vivo que criava ilusões. O Canhão Buraco Negro também era medonho. Outro choque foi o sacrifício de Domon, que algumas vezes era o protagonista da temporada e parecia que ia se tornar o sucessor de Kodai.

E consegui também um livro que contava a história de Be Forever Yamato. Gostei da história do Tenente Alphon com a Yuki. Mas só podia imaginar como era se movendo pois o desenho animado não estava disponível por aqui e não conseguia encontrar em lugar nenhum.

Esse se tornou uma grande mania para mim também na época. E uma curiosidade é que bem nessa eu vi um episódio de Doraemon em que o gato-robô tira do bolso uma máquina que faz kits de montar se transformarem em máquinas sofisticadas de controle remoto, e o garoto Nobita faz isso com uma miniatura do Yamato ("Kabato", dentro do desenho). São boas lembranças.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

O tema do Yamato em inglês era bem legal mesmo e tinha seus próprios méritos, sendo a letra um deles. A original é "anison raiz", que fala diretamente sobre o enredo do desenho, mas poderiam ter mudado também a cada temporada. (E um dia quero ver você cantar essa música no karaokê, hein!)

O tema de encerramento do Yamato III mostrava imagens de "Be Forever Yamato" e aquilo me intrigava, pois na época não sabia do que se tratava. Levou anos para que eu conseguisse assistir o longa, numa exibição da ORCADE no SESC Pompéia. Foi uma experiência eletrizante. É um bom filme e fez também enorme sucesso na época.

E falando no final da série III, foi um dos finais mais épicos de todos os tempos. Aquela arma absurda, o Canhão Buraco Negro, aparecendo só no final, a nave do Desslock mostrando seu poder, o sacríficio de Domon e Ageha, tudo criou um clima devastador. Eu também achava que Domon seria o sucessor de Kodai, que iria assumir de vez o posto do cap. Okita. A abertura dava essa impressão. Mas aí, no capítulo final, a morte dele causou um choque no público. O final do Yamato III foi antecipado devido a baixa audiência, tanto que nos episódios finais acontecem muitas coisas, mas ficou emocionalmente bem intenso. Foi um privilégio e tanto termos visto essas séries aqui.

Valeu! Abração!

Bruno Seidel disse...

Que relato bacana!!! E que bela memória também!

Como eu sou nascido em 1985, acabei "chegando tarde demais" pra acompanhar séries como Yamato enquanto ainda eram novidade. Logo, "saudosismo" não chega a ser a minha relação com o anime. Ainda assim, curto demais esse tema de abertura e me empolgo só de lembrar da música. Lembro até de um episódio curioso que aconteceu no ano passado: estava em um karaokê de SP na companhia de um amigo que já tinha dito, certa vez, que era fã de Patrulha Estelar e, principalmente, da abertura. Esse meu amigo era um pouco mais velho do que eu e não era necessariamente um fã de animes, ou seja, Yamato pertencia a um baú de memórias afetivas e não à uma playlist corriqueira. No meio do karaokê, eu o surpreendi com esse tema. O cara simplesmente pirou!!! Se emocionou mesmo!!! Ali eu percebi como essa mistura de surpresa, com meória afetiva e música pode ter um impacto poderosíssimo. Sem falar que essa música, no karaokê, é de botar o estabelecimento abaixo!

Agora, fica difícil recorrer a um momento específico de "explodir a cabeça", mas posso citar o Anime Friends de 2003 como um momento especial, justamente por ver cantores originais como Kageyama e Akira Kushida canterem ao vivo, e na minha frente, os temas de clássicos como Changeman, Saint Seiya, Jiraiya, Jiban, Daileon, Sharivan... Era um show diferente de tudo que eu já tinha visto e me provocou uma sensação que eu jamais imaginei que sentiria até aquele momento. Foi um dia inesquecível!!!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

O compositor Hiroshi Miyagawa já era famoso na época, por ter sido o produtor responsável pela dupla Peanuts. Mas nada se compara ao que ele faria com o Yamato. Pra mim e pra milhares de fãs, ele criou o tema de animê mais legal de todos os tempos.

Falou! Abraço!