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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Os seios de Andrômeda ou "Como irritar todo tipo de fã"

Algumas reflexões sobre a nova série da Netflix, que transformou um dos Cavaleiros do Zodíaco em uma amazona.
No lugar de Shun, agora teremos Shaun.
A animação japonesa com a maior base nostálgica de fãs no Brasil irá ganhar uma nova série pela Netflix e uma alteração na formação dos Defensores de Athena está deixando o fandom em chamas. Composta por 12 episódios, a nova animação irá estrear em 2019, como parte de um pacote que inclui a volta de Evangelion e o lançamento de ULTRAMAN

Conforme apresentando no primeiro trailer, mostrado no último fim de semana no evento CCXP (Comic Con eXPerience), o outrora andrógino herói Shun de Andrômeda agora será uma personagem feminina, rebatizada de Shaun. A questão incendiou o fandom, com a maioria dos fãs antigos mostrando muita irritação com a mudança. 

Uma parte, mais jovem, zomba da revolta desses fãs, dizendo que não precisa ver a nova versão e que basta ficar revendo a série clássica e ignorar a nova. Os que têm uma forte memória afetiva estão, em sua maioria, contrariados com a mudança. Em termos de mercado, há razões tanto para manter o status quo (apostar na nostalgia) quanto em tentar o novo (conquistar novos públicos). Da parte dos fãs, não há lado certo, tanto nostalgia quanto inovação têm seus valores e é inútil denegrir um ou outro tipo. 

Do lado da produção, falaram em aumentar a "representatividade de gênero", jogando a questão no campo político. E fizeram isso trocando o personagem que já era polêmico por ser andrógino, por quebrar o paradigma do herói viril e autossuficiente. A armadura que veste representa uma divindade grega feminina e a primeira versão da armadura até possuía seios, que eram visualmente amenizados quando Shun a vestia. 

Grandes alterações em uma obra consagrada sempre causam estranhamento para quem é fã das antigas. Não tem fim o debate entre os que dizem que "a molecada de hoje não sabe o que é bom" e os que dizem que a confusão é por causa dos "velhos chatos que ficam fazendo mimimi por causa da infância". 

Mudanças de gênero, de raça, de orientação sexual ou personalidade são coisas que eu condeno na medida em que se foge da concepção do autor original. Se os tempos são outros e mudanças são necessárias, que se criem novos personagens ou que se mude o foco da narrativa. 

No caso dos Cavaleiros, seria interessante introduzir novos personagens ou jogar em maior evidência as mulheres guerreiras da série, como Shina ou Marin, por exemplo. Mas, quando é o próprio autor quem promove as mudanças, claro que ameniza, para este que vos escreve, a situação de desrespeito à criação original. Mesmo que a aceitação tenha sido motivada por dinheiro, como pode ter sido o caso do autor Masami Kurumada
O Andrômeda original, parte fundamental da memória
afetiva de milhões de fãs.
Em geral, os autores de mangá têm pouca ou nenhuma interferência na realização das versões em animação ou live-action. Eles apenas autorizam ou não, mediante pagamento de direitos autorais, podendo para isso ser pressionados pela editora com quem divide esses direitos. Em muitos casos que li, inclusive, nem se pagam royalties sobre bilheteria ou arrecadação aos autores, eles apenas recebem um pagamento fixo para adaptação em outra mídia. Mas, se com o autor a situação pode ser resolvida com dinheiro, não há valor que compre a satisfação dos fãs ou que contente as diferentes militâncias que se movimentam a cada questão levantada. 

Nestes tempos de polarização política extremada e de grande atuação dos chamados justiceiros sociais, os criadores e produtores precisam sempre se cercar de todas as precauções. Mas, se pensaram em incluir uma mulher para agradar as feministas, parece que não deu muito certo. Afinal, Shun, apesar de retratado como heterossexual, representava um personagem andrógino, que misturava uma delicadeza e sensibilidade natural com a força de um guerreiro altruísta. 

Não faltou quem chamasse sua substituição por uma mulher de um gesto de machismo, pela eliminação de um herói que poderia ser usado para carregar alguma bandeira simpática às causas LGBTQ (ainda que, como já disse, Shun fosse heterossexual). E Shun sempre representou sensibilidade, enquanto muitos militantes queriam é ver uma mulher casca-grossa, que ficasse ombro a ombro com os homens mais agressivos, e não em posição mais frágil e defensiva como era o Shun. 

Os saudosos do velho e sensível Shun agora são vistos por alguns como conservadores, mas também não se pode dizer que tenha havido algum tipo de progressismo na mudança de gênero do personagem. Ainda mais, como já dito, que se trata de um personagem que quebrava paradigmas machistas. Quando um assunto vai para o pantanoso terreno político, nunca haverá consenso. 

Isso sempre leva à questão de que produzir uma nova versão repetindo tudo que já foi feito não faz sentido, mas que mudanças radicais sempre vão desagradar muitas pessoas que seriam fãs e divulgadoras apaixonadas. Encontrar o equilíbrio neste nosso mundo tão politizado é uma tarefa quase impossível. 

E, ao lembrar que há uma polêmica gigante rolando antes que o desenho estreie, não deixa de causar desânimo uma certa constatação. A briga no fandom está profundamente contaminada por discursos políticos de militâncias. 

Essa mentalidade de achar que tudo é um ato político e que uma produção de entretenimento tem maior ou menor valor sendo medida pela régua das causas sociais é uma forma de castração. A ânsia de agradar a todos, de ouvir toda hora discursos de empoderamento e engajamento social leva a um tipo de censura, que acaba sendo seguida por algum tipo de boicote do lado desagradado, inevitavelmente. É a praga do "politicamente correto", que se manifesta em toda parte, mas principalmente no mundo do entretenimento. 

O resultado é um tipo de puritanismo social, castrador e sempre vítima de patrulhamento ideológico. Isso deixa de escanteio qualidades como roteiro, design, direção, trilha sonora e outros itens que, ao invés de serem manifestações da criatividade, se tornam meros adornos de alguma mensagem social. 

A politização panfletária do entretenimento é a fórmula perfeita para criar debates acirrados, inúteis e cheios de rancores e insatisfação. Não precisava ser assim. 
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34 comentários:

Renan Carlos disse...

Gosto bastante da série mas não sou fanatico, não estranhei a mudança de sexo do personagem pois isso e normal lá no Japão, retratar personagens com outro genero, vide Terry Bogard mulher no último game da SNK. Saberia dizer se essa polêmica toda aconteceu no japao também?

Gabriel disse...

É engraçado porque essa mudança não agradou nenhum dos dois lados, rs.

Os fãs antigos e a galera mais conservadora obviamente não aprovaram mudarem o sexo/gênero do personagem, que apesar de ser sensível sempre foi homem, e até tem teorias de que ele gostava da June de Camaleão...
Já a galera do lacre odiou porque queriam MAIS LACRE AINDA, eles queriam que o IKKI tivesse virado mulher, pois segundo eles, o fato do Shun ser visto como sensível e fraco (por muitos) e ter virado mulher, reforça "esteriótipos de gênero", seja lá o que isso signifique. Ah, e eles também querem que o Shun seja uma mulher trans/travesti, e não cis. Conseguiram problematizar até isso.

Quem lacra, não lucra, certo?

Alexandre Nagado disse...

Olá, Renan!

Eu consigo falar de CDZ sem paixões porque nunca gostei da série. Apenas, como pesquisador independente, sempre reconheci seus méritos e acompanhei seu sucesso. E olha, não é tão comum assim a mudança de sexo em personagens no Japão. Sobre a repercussão no fandom japonês, eu não faço ideia. Quem sabe o nobre Usys222, nosso parceiro, tenha dado uma olhada em algum fórum de lá.

Valeu pela participação e apareça mais! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Pois é, Gabriel. Esse negócio de ficar politizando toda hora, de ficar fazendo panfleto de empoderamento, de alterar criações de outras pessoas para defender suas bandeiras ideológicas, tudo isso cansa demais! E muitas vezes, quem mais enche o saco ou fica valorizando esses discursos panfletários, nem liga para desenhos animados ou gibis. Só aguardando mais bizarrices a caminho.

Valeu! Abraço!

Stephano Barbosa disse...

Shun virou mulher . Eita, Shun caiu no lago chinês ? (O mesmo que Ranma 1/2 caiu) hehehehehehe

Gustavo Reis disse...

Como sempre, ótimo texto e muito sensato. Até onde sei saint seyia não é tão forte no Japão, ao contrário do ocidente (exceto EUA) e China.
Essa politização no entretenimento é castradora, parece que tem uma cartilha de elementos que tem que ter em todo produto e deve-se representar a todos, todas as vezes. Quadrinhos para garotos não pode ter garotas lindas que o protagonista se apaixona porque é sexualizada, heteronormatividade, misoginia, etc. O porre dos progressistas nesse lance do Shun foi pelo Shun. Se tivessem colocado ele como gay, ou Ikki como mulher eles aplaudiriam e achariam lindo e partiriam pra cima com xingamentos quem fosse contra.
E tem a galera que não aceita vc questionar as escolhas das empresas, se elas visam diversidade, afinal o antigo tá aí pra você que é antigo ver. Não se pode mais discutir. Os comics vem sofrendo com esses SJWs que muitas vezes não consomem. Muitos dos progressistas não fazem nem parte do público que sustentou uma franquia. Não faço parte do fandom de Saint Seiya, mas como otaku, não gosto que personagens clássicos sejam alterados dessa forma. Só demonstra que não há habilidade de se criar novas franquias de sucesso. Saint seyia ja teve vários spin offs, que não mexeram com a base central da franquia e nao vi ninguém se sentindo ofendido por isso. O problema não é o novo, mas sim as mudanças que nunca tiveram como base o desenvolvimento da franquia em si, mas agradar determinados grupos sociais.
Mas, novamente, foi o melhor texto sobre o assunto que li até agora, parabéns!!

Ruan disse...

Com o perdão do palavreado, mas definitivamente esta é a década mais bosta para o mundo do entretenimento, felizmente nem tudo foi contaminado (ainda?) mas espero que essa onda de chatice passe daqui a alguns anos, quando essa turma SJW amadurecer e ter preocupações de verdade na vida.

É bizarro ver os comentários de qualquer notícia de remake de algo antigo o pessoal fazendo brainstorming (ainda que seja zoação) sobre as possíveis mudanças para agradar os SJWs, que tempos...

Jason Scott disse...

Já que queriam colocar uma mulher como parte dos heróis, poderiam ter colocado a Marin e relocar o Shun para mestre do Seiya. Do jeito que fizeram, foi uma falta de respeito com os fãs do Shun. Sem falar que a mudança foi para se enquadrar no politicamente correto e não porque deu na telha.

Usys 222 disse...

Desde que passei a usar o conceito de Multiverso em todas as obras de ficção que vejo passei a ter bem menos dor de cabeça.

Respondendo à pergunta, as reações no Japão não foram muito diferentes das daqui. Foi bem negativa. Quem não gostou mesmo foram as Fujoshi, já que muitas delas "despertaram" vendo aquela cena do Shun com o Hyoga. Transformar Shun em mulher cortaria o efeito.

Pessoalmente acho que se tivessem colocado o Ikki como mulher ficaria mais engraç... interessante. Daria um contraste maior com o Shun. A irmã durona e o irmãozinho delicado. Algo como Otome, a irmã de Ryoma Sakamoto, de gênio forte, sempre dizendo para seu irmãozinho chorão se portar como um guerreiro. Isso sem falar que daria um quê de "figura materna" e a cena em que Ikki se sacrifica ganharia mais carga dramática. Imaginei várias situações nesse sentido e sinto que funcionaria melhor que com o Shun.

A essa altura já é tarde demais para fazer alterações. Agora é esperar e ver como ficou. Se Eugene Son consegue dar conta do recado e fazer alguma história boa. E também a equipe de animação. E esperar mais trailers para ver como vão ser os rumos da história.

Só que uma dúvida veio à minha cabeça. Será que Shun... ou melhor, Shaun é mesmo menina? Se o roteirista fosse japonês com certeza haveria uma reviravolta nesse sentido... E por que será que ela não usa máscara?

Alexandre Nagado disse...

Fala, Gustavo!

Eu sempre tenho certo receio de mexer com esse tipo de assunto, mas fico aliviado quando pessoas que considero demonstram que gostaram. Pode não parecer, mas não teria escrito o que escrevi anos atrás, quando eu ainda não havia iniciado minhas leituras mais intensas sobre filosofia e comportamento. É preciso tentar ver um pouco acima das discussões acaloradas que envolvem gostos pessoais para tentar um julgamento mais ponderado. E eu tenho a opinião de que não se deve alterar a criação de outra pessoa. O Yamato 2199, por exemplo, incluiu muitas mulheres fortes na Patrulha Estelar, novas personagens que se integraram à mitologia criada por Leiji Matsumoto e Yoshinobu Nishizaki sem alterar significativamente o que já havia, mas explorando novas possibilidades e situações.

Realmente, não está fácil criar entretenimento hoje em dia.

Valeu, Gustavo! Grande abraço!

Alexandre Nagado disse...

Stephano, muito boa essa do lago amaldiçoado, ah ah!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Ruan.

Essa porcaria de politização polarizada em TUDO chegou no mundo nerd/otaku e parece que veio pra ficar. Com isso, a diversão vai ficando em segundo plano e desenhos, seriados e gibis irão cumprir mais uma suposta "função social". Depois o povo reclama que dá prejuízo.

Falou! Abraço e até mais!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Jason!

Sim, foi mesmo um desrespeito com os fãs do Shun. Nunca é legal quando fazem isso e é raro fãs de clássicos aprovarem mexidas tão drásticas. É como diz o filósofo Luiz Felipe Pondé quando critica o "politicamente correto e seu batalhão de idiotas do bem".

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Obrigado por contar sobre a repercussão lá no Japão. Uma pena que tenham feito isso pensando em agradar uma faixa de público (as feministas), mas acabaram irritando elas. Por um lado, bem feito!

Agora, isso que comentou é interessante. Shaun deveria cobrir o rosto, se fosse seguir à risca o que era contado na série clássica. Será que estão pregando uma peça no público e, afinal, Shaun é uma garota trans (ou seja, um rapaz transexual)? Do jeito que esse povo é obcecado com Ideologia de Gênero, não duvido nada... Só esperando pra ver mesmo.

Valeu! Abração!

Stephano Barbosa disse...

sinceramente vou passar longe do netflix pra não me chatear. Simples !

Anônimo disse...

Anderson:Não acho que a Toei vá permitir algo radical como uma moça trans.Isso ainda é um anime comercial ,não algo como Steven Universe que vive unicamente para agradar os SJWS.Espero que pelo menos mantenham a natureza simples de Bem X Mal da franquia,se a panfletagem também contaminar os animes,é hora do mundo acabar.

Anônimo disse...

Anderson:Sobre CDZ ,foi uma mudança desnecessária ,mas ainda é uma produção principalmente japonesa, e pelo que eu vi não vai descaracterizar a franquia tanto quanto a "Ben She-ra" que é feita unicamente para promover a agenda ideológica de sua autora.O que é revoltante é que em vez de elogiar a representatividade feminina aumentada estão atacando a mudança ,simplesmente porque não aceitam uma personagem feminina tão pacifista quanto o Shun original.
Pregam que toda heroína é obrigada a ser uma Xena da vida(engraçado é que muitas dessas feministas já foram fãs de Sailor Moon e Sakura Card Captors).

Alexandre Nagado disse...

Anderson, uma coisa que eu percebi é que os justiceiros sociais NUNCA estão satisfeitos. E na mídia, quando vejo aqueles títulos com a palavra "problematizar" ou a frase "Precisamos falar sobre...", já sei que vem bomba. Aliás, uma vez escrevi um artigo que começava exatamente com essa frase, para ilustrar uma crítica contra toda essa mentalidade de luta de classes na cultura pop. É este aqui:

https://reflexocultural.blogspot.com/2018/02/precisamos-falar-sobre-gente.html

Falou! Abraço!

Ricardo Ortiz disse...

Cavaleiros do Zodíaco possui uma base sólida de fãs em qualquer canto do mundo. Se hoje estamos com 30 anos ou mais, não importa, a memória deveria ser respeitada.

Se já criticamos quando o traço de um desenho muda de uma temporada para outra, imagina quando alteram os personagens.

Desde Lost Canvas - que infelizmente não terminaram -, não houve nada consistente em termos de produção animada da série. Erraram absurdamente em Ômega, falharam em transformar Miro em mulher no filme Lenda do Santuário e agora alterando o sexo de um personagem de vital importância na série. Shun nada mais é do que o hospedeiro de Hades.

Com alguma ressalva Soul of Gold teve seus créditos por ter mantido a fidelidade no traço e não teve nenhuma alteração grotesca no enredo.

Por fim, uma pena que os demais dubladores aceitaram participar dessa produção.

Se não houve aceitação na troca (por razões óbvias) do dublador de Chaves, já pensou Seiya, Hyoga, Shiryu e Ikki sem as vozes originais? FAIL TOTAL. Não deve ser diferente pra uma série que troca sexo de personagem sem aprovação dos fãs.

forsadetartaruga disse...

Quando você é visto como conservador e reacionário por se incomodar por terem substituído por uma mulher um personagem homem, delicado, andrógino e que fez conchinha pra aquecer um amigo semi-congelado...... eh, eh, eh....

Bruno Seidel disse...

Eu realmente não gostei dessa mudança, assim como não gostei de terem transformado "o" Miro de Escorpião "na" Miro no filme "A Batalha do Santuário" (2014). E olha que, naquela época, ainda nem estava tão enraizada e insistente essa discussão de empoderamento, representatividade e igualdade de gênero. Hoje em dia, é praticamente impossível fugir dessa imposição. E o Netflix talvez seja o melhor exemplo de forçação de barra em produções "lacradoras" com uma pegada ideológica em prol das bandeiras da esquerda (igualdade de gênero, descriminação das drogas, legalização do aborto, casamento homoafetivo, estado laico, cotas...) E olha que sou assinante do serviço e admiro muito a forma como a plataforma revolucionou o consumo de produções audiovisuais, bem como a altíssima qualidade das suas produções originais.
Esse lance de transformar o Shun em mulher dá voz aos argumentos desse post e dos excelentes comentários que tivemos aqui. Mostra como as pessoas mais esclarecidas e sensatas (que me parece ser o público predominante do blog) se posicionam com relação a essas mudanças. Que a presença feminina está ganhando cada vez mais espaço e protagonismo, isso sabemos e, possivelmente, todos apoiamos. Sou a favor de colocar, por exemplo, uma mulher como Red em uma série Super Sentai e da inclusão de personagens negros e homossexuais na linha de frente em produções de entretenimento, desde que isso não soe como forçação de barra ou aquelas participações claramente estabelecidas por cotas (algo nada raro). É o que me parece esse caso do Shun: entenderam que faltava uma mulher no quinteto dos cavaleiros, sendo que a principal mulher do anime é a frágil Saori Kido, sempre em apuros e à espera de seus salvadores. Além do estrago já estar feito, temos a militância do lacre sempre insatisfeita, como já aconteceu em produções como o filme do Pantera Negra.
A pergunta que sempre fica no ar é: vale tanto a pena esse "selo de produção politicamente correta" ao custo de tantos fãs decepcionados?

Alexandre Nagado disse...

Olá, Ricardo Ortiz!

Então, além de "Prólogo do Céu" tem mais produção de CDZ que ficou pelo caminho, que coisa. Deveriam ter mais respeito com os fãs. Na verdade, os empresários tratam tudo isso como produtos. Só ouvem os fãs quando algo que desagrada atinge os bolsos.

E sobre os dubladores, por mais que alguns tenham muita ligação afetiva com personagens e obras, pra eles sempre será trabalho. Não imagino alguém recusando um trabalho por não concordar com alguma decisão da produção.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Pois é caro forsadetartaruga, as coisas estão ficando muito, mas muito malucas neste nosso mundo. Depois, malucos somos nós que ficamos vendo desenho depois de crescidos, ah ah. Abraço!

Stephano Barbosa disse...

Nagado, simplesmente a indústria do entretenimento não deve ceder às chantagens e ameacas dos SJW. Simples. Prefiro criticas a condolências.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Em seu livro "O Imbecil Coletivo" (1996), o escritor Olavo de Carvalho fala sobre como a cultura estava começando a se pautar pelas causas sociais, não por manifestações criativas sem interesses políticos. Isso estava atingindo a chamada "alta cultura" e é claro que ia chegar na cultura pop. Já está aí há anos e, tal qual o conceito da "Janela de Overton", vai se alargando cada vez mais para moldar a opinião pública. Só que uma hora isso cansa. Se o maior mérito de uma obra da indústria cultural de massas é carregar uma bandeira política, não é entretenimento, é propaganda.

E a linha de frente dessas militâncias nunca estará satisfeita. No caso do Pantera Negra, vi criticarem a falta de personagens gays, criticarem o fato do herói ser um rei (apologia à monarquia) e por aí vai. Nunca estará bom para esses infelizes "idiotas do bem", como bem define o Luiz Pondé ao falar dos patrulheiros do politicamente correto.

E finalmente, respiro aliviado por tentar fazer deste blog um ponto de bom senso e encontrar leitores que me deem atenção. Obrigado.

Até mais! Grande abraço!

Alexandre Nagado disse...

Concordo com você, Stephano. E alguns criadores de conteúdo já perceberam que, não importa o que façam, os "Social Justice Warriors" NUNCA ficam satisfeitos. São eternos infelizes dispostos a moldar o mundo para se sentirem menos oprimidos. E, muitas vezes, sequer consomem os produtos de entretenimento nos quais procuram interferir em nome de uma suposta justiça de empoderamento. Difícil.

Falou! Abraço!

Cláudio Roberto disse...

Olá Nagado, bom dia/boa tarde/boa noite!

Eu bem que tente até fazer um vídeo falando sobre disso, mas... Não dá! Infelizmente vejo o "Politicamente Correto" como um 'Regime de Excessão Implícito', onde a LIBERDADE DE EXPRESSÃO é tolhida por coisas como "Precisamos falar sobre", "Todxs somxs iguais"...

E o pior: Estes JUSTICEIROS SOCIAIS CONSOMEM ESTE TIPO DE CULTURA (A CULTURA POP)?

Francamente, não! Quando muito, devem 'ouvir falar de cosplay' quando este tipo de pauta aparece num "Encontro com Fátima Bernardes" da vida...

Toda esta reação contrária da maioria dos fãs ao "Shun Mulher" é - com toda a verdade -justificada. Estamos num MUNDO REAL onde as pessoas tem tido as "Reações Certas" (totalmente inversas as idéias de "Emponderamento" e afins dentro do universo da "Lacrosfera", totalmente alheias e distantes da realidade). E daí Jornais e/ou Blogs alinhados com este tipo de agenda subvertem este olhar dizendo "Onda conservadora rejeita Mulher em Cavaleiros do Zodíaco" QUANDO NA VERDADE NÃO É P**** NENHUMA DISSO!...

Eu lanço um desafio: Algum Justiceiro Social já foi a um evento "Geek"? CCXP, Anime Friends? BGS?

Uma pessoa normal - ao ver uma cosplayer de Jade do Mortal Kombat - tiraria uma foto do lado dela e colocaria numa rede social a imagem com a legenda "Cosplay da Hora da Jade - Fatality"!

Mas um Justiceiro Social - ao ver a mesma cosplayer - usaria uma foto dela e colocaria num blog a seguinte chamada: "Precisamos conversar sobre a sensualidade descabida diante de crianças e adolescentes". Uma pessoa normal, sabe que num evento vão pessoas de TODAS as idades com a intenção de SE DIVERTIREM. Compartilharem BONS MOMENTOS. Nenhuma cosplayer de Jade ou Kitana vai num evento para se exibir como "pedaço de carne para homens ávidos por sexo" (e nenhum cosplayer de Scorpion ou Sub Zero vai com a intenção de "promover a supremacia hetero-cis espancando pessoas em jogo sanguinário"). Uma pessoa 'normal' não vê isso.

Mas o "lacrador'... Pqp!...

No caso do Mortal Kombat, são os pais quem controlam o conteúdo do que os filhos jogam (não o estado e/ou a 'Lacrosfera'). Duvido muito que a Softhouse coloque personagens LGBTXYZ para "agradar": Existe uma carga de fãs que NEM SONHANDO OUSARIAM MACULAR!

Mas no caso de CDZ... OUSARAM. E o resultado esta aí!

Finalizo dizendo que este mesmo Justiceiro Social, não mudaria o seu ponto de vista. E usaria de qualquer artifício (entrevista com 'psicologos' ou 'reportagens tendenciosas'), para falar de "violência gratuita em jogos", 'Sensualidade", "Ritos de Morte" e o diabo a quatro para chamar a atenção para si (e para a 'Lacrosfera'). Para o universo Nerd, este papo é motivo de "Chacota". Mas a coisa não é bem assim engraçada, quando esta gente INFLUÊNCIA o mercado, promovendo a inclusão desta PAUTA SUPOSTAMENTE INCLUSIVA, EM NOME DE UMA "MINORIA" QUE NÃO É MAIORIA.

Pobre do Shun. E pobre de Nós!...

CR

Alexandre Nagado disse...

Cláudio, seu desabafo certamente encontra eco no sentimento de muita gente que se sente esmagada por essa tirania de pensamento único que tenta se impor. Eu rezo para que aqui não fique como no Canadá, onde há um projeto de lei com chances de ser aprovado que torna CRIME a pessoa não adotar a linguagem neutra (aqui é o "x" em "meninx", "todxs" e etc) e isso é uma engenharia social perversa.

Eu criei um blog alternativo, o Reflexo Cultural, para abordar questões políticas e, a princípio, o Sushi POP é apolítico. Mas perante casos como esse, eu não tenho como me manter neutro. Até pelo fato de eu ser talvez o único declaradamente conservador a escrever sobre cultura pop. Eu estaria sendo omisso se não me manifestasse. E isso está deixando de ser um embate "esquerda x direita" pra ser uma luta pela liberdade de pensamento e expressão contra o totalitarismo.

Obrigado e até mais! Abraço!

Stephano Barbosa disse...

Os SJW são quase uma polícia política. Felizmente muitas áreas de entretenimento não se curvam a esses tiranos.

Stephano Barbosa disse...

Canadá vai fazer o que?? Pessoal vai escrever como ?? "Thx bxy" "Lx garçxn" ?? hahahaahahahaha

De neutro só conheço artigo em alemão.
A língua alemã tem artigo masculino ("Der") feminino ("Die") e neutro ("Das")

Anônimo disse...

Anderson:Recentemente houve uma situação chata com uma situação chata com um excelente animesque :Voltron Legendary Defender.Na penúltima temporada um dos heróis foi revelado como LGBT de forma sutil e sem panfletagem .Mas os SJWS estadunidenses não ficaram satisfeitos,principalmente porque o boyfriend do herói morreu(principalmente por ser um personagem sem importância).Devido a repercussão negativa a última temporada adicionou as pressas um novo companheiro para Shiro,só que dessa vez com beijo na tela.Não estou dizendo que isso destruiu a qualidade do desenho ,mas ficar cedendo a pressões de militantes folgados vai ser muito ruim para a animação ocidental a longo prazo.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson. Eu não sabia desse lance do Voltron. Me fez lembrar do novo Star Trek e seu oficial Sulu agora sendo retratado como LGBTQ, casado e tal. Sempre volto ao ponto em que digo que deveriam criar personagens novos ao invés de alterar os já existentes. Normalmente, prefiro distância desse tipo de polêmica.

Valeu! Abraço!

Alexandre disse...

Eu ia comentar que estava surpreso com a sensatez (e, nas atuais circunstâncias, coragem) do seu texto, mas depois vi o outro blog e tudo ficou mais claro. Continua sendo sensato e corajoso.
Uma das coisas que mais me incomoda em toda essa moda de mudar personagens e etc. é, justamente, o total desrespeito com quem criou os personagens e todo mundo que esteve envolvido em transformá-los em produtos de sucesso (Isso vale para muita coisa na verdade). Aposto que muitos desenhistas, roteiristas, etc. batalharam muito para fazerem bons trabalhos, concorreram com outras pessoas, enfrentaram reveses e fracassos até conseguirem algum sucesso. Todo mundo concorreu no mesmo mercado e o público foi fazendo suas escolhas. E então chega alguém que se aproveita do trabalho e do suor alheio para veicular sua mensagem política, ideológica, chame de como quiser. Isso me enoja. Os heróis/personagens A, B e C não fizeram sucesso porque eram X, Y e Z ou porque impediram que personagens E, F e G surgissem. Muita gente deve ter dado duro para entregar um produto que agradasse as pessoas.
E a questão política só deixa tudo pior. Uma coisa é o entretenimento ou qualquer outro produto cultural usar a política, porque no final continua seguindo as próprias regras; outra muito diferente é submeter-se à política e deliberadamente virar veículo ideológico ou de qualquer chavão atual. Não se pode ter dois senhores, e o que está acontecendo agora é que a política vai prevalecendo quando ocorrem essas "mudanças". Não tenho problema algum com a criação do que quer que seja motivado por ideais políticos/ideológicos/blablabla, mas que seja lançado no mercado e concorra com todo mundo como tantos outros que vieram antes e que tiveram que concorrer.
E se me permite que eu me alongue mais um pouco: eu vim parar aqui por causa de um comentário seu no YouTube. Lembrei do seu nome porque eu era um leitor/comprador assíduo da revista Herói (estou com 35 anos e ainda tenho boas lembranças dos tempos de Jaspion e Changeman, CDZ, Herói, etc). Bom saber que você ainda está por aí. Parabéns pela sensatez e coragem (coisa rara hoje em dia na internet).

Alexandre Nagado disse...

Opa, um xará que ainda por cima é leitor das antigas! Seja bem-vindo e obrigado pela visita e pelo apoio.

Mais de 20 anos atrás, o escritor Olavo de Carvalho (que eu admiro, mas não concordo com tudo) escreveu sobre como a esquerda estava condicionando a cultura a ter seu valor medido pelo seu "valor social". Uma obra seria tão boa quanto fosse seu poder de dialogar com algum segmento político, levantar bandeiras da esquerda e cumprir uma "função social". Entretenimento virou ação social e política e isso aconteceu de forma sórdida, pegando carona em produtos consagrados.

Essa percepção assusta muita gente, e a maioria dos que enxergam essa distorção acabam deixando pra lá. Não tenho como ficar quieto e renegar toda uma bagagem cultural, por isso me manifestei. Mas é sempre como pisar em ovos. Felizmente, não atraí haters com esta postagem, mas é sempre um risco.

Valeu e espero que encontre aqui mais textos que o inspirem a ler e comentar. Grande abraço!