sexta-feira, 19 de outubro de 2018

ESPER - Velocidade da Luz

É hora de desvendar as aventuras de um herói tecnológico da distante década de 1960. 
Esper: Um herói da ciência e tecnologia.
O termo "esper" é derivado da ficção científica e apareceu pela primeira vez em um conto do escritor americano Alfred Bester intitulado Oddy and Id. Um esper seria um indivíduo portador de ESP - Extra-Sensorial Perception. Essa palavra inspirou um super-herói clássico de tokusatsu cujos poderes vinham não da mente, mas da tecnologia. Aliás, o foco da série era sobre tecnologia, dentro e fora da ficção. 

Kousoku Esper, ou Velocidade da Luz Esper foi uma série de 1967 da produtora Senkosha, com patrocínio da empresa Toshiba, que desejava promover suas lâmpadas e aparelhos elétricos. Assim como fora o National Kid para a National (atual Panasonic) em 1960, Esper era um símbolo para as campanhas da Toshiba.
Com seus jatos acoplados, Esper consegue
alcançar a velocidade da luz.
O seriado foi exibido no Brasil na década de 1970, primeiro pela TV Tupi, no cultuado programa do Capitão Aza e depois na TV Gazeta, que na época praticamente só sintonizava bem em partes da capital paulista e algumas cidades próximas. 

A série contava as aventuras do garoto Hikaru Higashi, que se transforma no super-herói Esper, equipado com alta tecnologia para combater o mal e proteger a humanidade. 

No primeiro episódio, o rapaz está fazendo um passeio de balão com seus pais, até que um acidente misterioso derruba o veículo. O balão havia se chocado com uma pequena nave vinda do planeta Esper, com um casal de pesquisadores alienígenas fugitivos. 

Os pais do menino morrem no acidente, e para tentar minimizar a tragédia, os aliens entram nos corpos sem vida e os restauram, assumindo suas identidades. Incrivelmente, Hikaru não percebe a troca e a vida seguiria normalmente. Porém...
Os ardilosos aliens Giron.
Quando os aliens Giron, que haviam destruído o planeta Esper, ameaçam a Terra, os pais de Hikaru resolvem entrar em ação. Eles usam sua telepatia e conhecimentos alienígenas para ajudar seu parente, o Dr. Asakawa, a concluir seu ambicioso projeto de super-traje de combate. Desenvolvido no Laboratório de Energia de Ondas de Luz, o traje é confiado a Hikaru, que se torna o super-herói Esper. Devidamente equipado, ele pode acessar diversos recursos especiais: 
Esper com seu segundo uniforme.
1) Voo: Com botas antigravidade e um jato nas costas, Esper é capaz de voar a altas velocidades. Em ocasiões especiais, alcança a velocidade da luz, que dura no máximo por um minuto e esgota as energias do traje. [Nota: A velocidade da luz é equivalente a 300 mil km por segundo. Apesar da escala inimaginável, tornou-se um poder bastante comum para heróis japoneses em animê.]
2) Redução de tamanho: Girando o disco em seu peito, pode encolher a tamanhos microscópicos por até 30 minutos.
3) Telepatia: Com seu capacete, pode acessar a habilidade natural dos seres esper de ler mentes e transmitir seus pensamentos a longas distâncias. 
4) Replicação: Pode criar cópias de objetos inanimados, um recurso útil para enganar inimigos. 
5) Visão posterior: É capaz de visualizar a última imagem vista por uma pessoa desacordada ou mesmo morta.
6) Habilidade de combate: O uniforme possui capacete com emissor de ondas de choque, arma de energia na cintura e uma pistola com diferentes tipos de raios.
7) Screen/Tela de proteção: Espécie de campo de força que protege o uniforme. Isso permite tanto que ele viaje pelo espaço quanto mergulhe nas profundezas do mar. Porém, o calor em excesso pode prejudicar o funcionamento do traje.

Esper e sua poderosa arma de raios.
Ao longo da série, recebe a ajuda do passarinho-robô falante Chika, que lhe ajuda a elaborar estratégias e formas de ataque. Os inimigos usam de vários planos para causar destruição e tentar dominar a Terra, e Esper consegue frustrar seus objetivos usando de coragem e astúcia. 

Logo, o neto do Dr. Asakawa, o pequeno Koichi, entra em ação como Esper 2, usando um traje similar e pilotando um carro voador, o Super Ni-Gou (ou "Super Número 2"). O parceiro-mirim do herói possui poderes similares, mas ainda pouco desenvolvidos. 
O pássaro-robô Chika, conselheiro do herói.
O ator principal, Kiyotaka Mitsugi, tinha apenas 14 anos na época e chamava a atenção por sua altura, de 1,76m. Ele sofreu nas filmagens por conta do traje de borracha, que atingia altas temperaturas devido ao calor da iluminação no estúdio, chegando a desmaiar ao menos em duas ocasiões durante os trabalhos. 

Em 1973, Mitsugi viveu Jiro Nishida, um dos integrantes do esquadrão ZAT, na icônica série Ultraman Taro. Acabou participando de poucos episódios da série, pois foi escalado para viver o papel principal na série de época Shirojishi Kamen, que teve 13 episódios. Kyotaka se tornou uma celebridade em seu país, atuando em muitas produções e até fez algumas gravações como cantor. 
Esper e o pequeno Esper 2
O mangá original, assinado por Riji Asano, foi publicado na revista Shonen, da editora Koubunsha, entre 1966 e 68. Ainda durante a produção do mangá, a série de TV foi exibida entre agosto de 1967 e janeiro de 68, com sucesso mediano. Lembrando que em outubro de 1967 houve a estreia de Ultra Seven, que arrebatou o público e atraiu muito mais atenção. Mas o jovem aventureiro seguiu firme, com seu projeto infinitamente mais modesto. 

A série era uma verdadeira pérola em uma época bastante ingênua. Imagine uma família desenvolvendo armas de combate para serem usadas pelas crianças para combater uma ameaça alienígena. Mas Esper tinha histórias criativas e se conectava diretamente com seu público-alvo. 

Pela Nihon TV, Esper era exibido aos sábados, às 19h00, um horário considerado nobre. Pelas retransmissoras pelo país, os horários variavam, mas sempre entre o fim de tarde e começo da noite, um horário em que a família se reunia para jantar e ver TV. 

O traço original de Niji Asano (à esquerda)
e a versão de Leiji Matsumoto.
Assim que a série terminou, no começo de 1968, começaram as reprises em emissoras menores pelo país e o personagem seguiu agradando muita gente que não havia acompanhado a exibição original.

Com a boa audiência das reprises, uma nova série em mangá foi planejada, desta vez sob encomenda do jovem autor Akira Matsumoto, que posteriormente mudaria seu nome artístico para Leiji Matsumoto. Ainda em atividade, é uma lenda viva do mangá e do animê, famoso como autor das séries Capitão Harlock e Galaxy Express 999 e co-criador do mangá e animê Encouraçado Espacial Yamato, conhecido no Brasil como Patrulha Estelar

Desde sempre um autor com ideias próprias, ele impôs várias mudanças que fizeram de seu Esper uma versão diferente da original. O Esper de Leiji Matsumoto foi publicado na revista Shonen Book, título extinto da editora Shueisha, entre 1968 e 69 e gerou dois volumes compilando suas aventuras.  

O obscuro mangá
STAND BY EXPHER
Muitos anos depois, uma homenagem a Esper surgiu em 1984 na revista Comic Margarita (da Ed. Kasakura), com o mangá STAND BY EXPHER. 

A nova história apresentava uma heroína que tinha o mesmo nome de Hikaru Higashi e seu uniforme era inspirado no visual clássico. Porém, a revista foi cancelada e a série ficou incompleta, existindo poucas referências a ela atualmente.

Esper foi uma série bem-sucedida em uma época altamente experimental da TV japonesa. Com criatividade, o estúdio conseguiu se aproximar muito de seu público, com um herói adolescente e outro ainda criança, vivendo aventuras incríveis. 

Com a saga de Esper e seu parceiro Esper 2, as crianças da época tiveram heróis com quem podiam se identificar facilmente. Afinal, qual garoto não gostaria de um ter capacete, um jato nas costas e uma arma de raios? Com tudo isso e muito mais, Esper era pura diversão! 

Abertura da série:
Kousoku Esper no Utá (ou "A canção de Esper - Velocidade da Luz")
Letra: Osamu Yoshioka / Melodia: Ryoichi Hattori (*)
Intérprete: Hiroshi Mochizuki
(*) Algumas vezes creditado como Hajime Hoshi




Ficha técnica: 
Título original: Esper ~ 光速エスパー (Kousoku Esper)
Estreia no Japão: 01/ 08/ 1967 (TV Nihon)
Número de episódios: 26

Emissoras no Brasil: TV Tupi TV Gazeta

Criação e design dos personagens: Riji Asano

Planejamento: Miki Matsumoto
Roteiro: 
Kazuo Ikeda, Masaru Ino, Tadakuaki Yamazaki, Ryuzo Nakanishi, Satoshi Tanimura e Tatsuo Tamura
Trilha sonora: Katsuhisa Hattori
Direção de efeitos especiais: Masaru Takahashi
Direção: 
Yoshihiro Ishikawa, Hiroshi Fukuhara, Ken Yamada, Toru Toyama, Masami Tamura e Sumio Iwaki
Produtor: Toshio Kobayashi
Realização: Senkosha

Garoto-propaganda oficial da Toshiba.
Elenco


Hikaru Higashi/ Esper: Kiyotaka Mitsugi
Masato Higashi (pai): Toshio Hosokawa
Shizuka Higashi (mãe): Chiaki Tsukioka
Dr. Asakawa: Jun Usami
Koichi Asakawa/ Esper 2: Atsushi Degawa
Koutarou Asakawa (pai de Koichi): Shigou Ayakawa
Chika (voz): Reiko Katsura (eps. 1 a 16) e Yoshiko Ota (17 a 26)

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Kosoku Esper Complete DVD Set

- A série completa em DVD (região 2), com som original, sem legendas.

10 comentários:

Usys 222 disse...

Esse eu não cheguei a ver e só soube dele muitos anos mais tarde em revistas japonesas. E acho que me lembro de ter visto o personagem em propagandas da Toshiba, mas desenhado. Esta matéria me ajudou a saber mais detalhes e foi bem instrutiva.

Interessante que os "Espers" mesmo, no sentido original da palavra, então seriam os alienígenas que tomaram os corpos dos pais do menino, já que eles usam telepatia. E acabou se tornando o nome do herói. Outra palavra que causava confusão por lá era "cyborg", que era confundido com "android".

Outro ponto é que eles colocavam limitações para os poderes do Esper, nesse caso de energia e tempo, o que ajudava a dar emoção. Imagino o desespero dele se ficasse entalado em um buraco de rato aos 29 minutos da miniaturização.

De fato era uma época bem mais ingênua, em que se procurava aproximar o herói de seu público alvo. Outro exemplo seria o Shonen Jet, de 1959. A crueza de se usar crianças na guerra seria abordada muitos anos depois, como por exemplo em Zambot 3, de Yoshiyuki Tomino.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Sou um pouco mais velho que você, então tenho algumas lembranças da série, só que são mais lembranças visuais. Revi o primeiro episódio inteiro e vi trechos aleatórios. O resto foi pesquisa mesmo. Não lembro se Esper chegou até a década de 80, só lembro que a última exibição foi na TV Gazeta.

Em casa, a Gazeta tinha imagem ruim e eu tinha que ver na TV do quarto, que era em preto-e-branco. Não ligava, gostava assim mesmo. Passava de noite, assim como O Judoca. Eu jantava sozinho no quarto, só pra ver Judoca e Esper na TV Gazeta, pois era hora de minha mãe ver novela.

As histórias envolviam salvamentos, resgates, ações para evitar que alguma catástrofe acontecesse, como desviar um míssil desgovernado ou encontrar uma cura para um veneno mortal. Não eram histórias de batalha propriamente dita, mas tinha luta corporal também. Esper é outra daquelas séries que eu gostaria muito de ver um remake com a tecnologia atual. Seria bem interessante.

Falou! Grande abraço!

Unknown disse...

Anos 60 foi uma época em que os trajes de mergulho serviam muito como base para os trajes de heróis. O rapaz que fez o Ésper foi literalmente um 'herói' pois suportar o calor que uma destas faz sem cair na água... Que doidera!

Alexandre Nagado disse...

Opa, tudo bem?

Eu li depoimentos de Haruo Nakajima, o dublê original do Godzilla, onde ele contava que perdia alguns quilos por dia de filmagem, de tão quente e pesado que era o traje de borracha. Mas ele era um dublê profissional, formado em kendô. No caso do Kiyotaka Mitsugi, o menino foi mesmo um herói. Como o rosto ficava à mostra e foi feito sob medida para ele, teve que fazer as cenas com o traje, aguentando longas filmagens sob a luz de refletores. Considerando que ele não era um dublê e tinha apenas 14 anos, dá pra entender como deve ter sido difícil.

Não o achava um ator carismático, mas certamente muito esforçado. E foi recompensado com uma carreira longa e cheia de reconhecimento.

Falou! Abraço!

Bruno Seidel disse...

A primeira vez que eu tomei conhecimento de Esper foi vendo uma lista no site Tokusatsu Tyosenshu com séries que foram exibidas no Brasil e me chamou atenção o fato de algumas destas eu nunca ter ouvido falar. Esper era um desses nomes. Até cheguei a pesquisar na época (99, 2000), mas a internet era outra. Hoje, percebe-se que temos muito mais acesso a raridades como esse vídeo de abertura aí.
Confesso que tenho muita dificuldade de imagiar como seria um remake de Esper nos dias de hoje, até porque considero a série muito caracterizada pela época. Está mais para "Chapolin Colorado do Japão" do que o que vemos atualmente em termos de Tokusatsu (com super efeitos especiais e apelo comercial escrachado).
Ainda assim, sou obrigado a reconhecer que, apesar de muito antiga e "quase da época do PB", Esper tinha uma mistura de cores muito interessante. Essa combinação de amarelo, vermelho e azul me agradou bastante!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Eu assistia Esper em P/B mesmo, na TV que tinha no meu quarto, pois passava na hora da novela que a minha mãe assistia. Então, só fui descobrir as cores bem depois, em uma propaganda em revista japonesa das fitas VHS.

A produção envelheceu bastante, mas ainda acho que um remake poderia ser bem sucedido, se fosse feito por um diretor tipo Kyotaka Taguchi ou mesmo o Koichi Sakamoto. Tenho curiosidade em ver a versão mangá do Leiji Matsumoto, que parece que foi por um caminho bem diferente do original.

Valeu! Abraço!

Aniki disse...

Esse é mais um daqueles que não tive como ver nada na época(até porque a imagem da Gazeta era quase inassistível na minha região e só pude ver algo da emissora no final dos anos 80, época do Clip Trip, Gazetinha e Sábado Quente, programa de esportes amadores do De Paula)e só fiquei sabendo por citações, sendo uma delas na Herói Gold. Mas só fui ver o visual no começo dos anos 2000.

A primeira impressão foi a de ver um 'brasinha do espaço japonês', mas vendo apenas a abertura e algumas fotos não tinha como saber a respeito. Há alguns anos consegui a série inteira e vi poucos episódios. É interessante mas a produção é paupérrima como Robô Gigante. Um remake, seja em anime ou live-action seria mais que bem-vindo, mas por se tratar de um garoto-propaganda, como National Kid, creio que na cabeça dos donos dos direitos autorais é mais fácil deixá-lo apenas no canto da nostalgia.

Abraços.

Flamenguista disse...

Assisti sua estréia por volta de 1975 no programa do Capitão Aza na Rede Tupi. Junto com ele foi lançado o "Regresso de Ultraman". Muito comentado desde a estréia, Esper fez muito sucesso pois, era exibida na sequência do Ultraman. Por esta época não havia brinquedos, revistas, nada sobre os heróis japoneses. Nos contentava-mos com anotações dos espisódios e personagens além de comentar com os colegas na escola sobre o episódio exibido no dia anterior. Simplesmente maravilhoso!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Flamenguista!

Eu tinha poucas lembranças de Esper, mas lembro de desenhar o personagem em cadernos. A ideia do super traje era fascinante para qualquer garoto da época.

Se gostou da matéria do Esper, dá uma procurada, pois no Sushi POP tem matérias sobre algumas outas séries da época, como Vingadores do Espaço e, é claro, Ultraman e Ultra Seven.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Aniki (desculpe a demora em comentar)!

Boa essa comparação com os Brasinhas do Espaço, realmente parece, ah ah ah!

A imagem da Gazeta em casa também era terrível e eu tinha que ver na TV preto-e-branco do quarto, pois era na hora das novelas. Eu assistia, mas mesmas condições, o Sawamu e o Judoca, que também passavam na Gazeta.

Falou! Abração!