segunda-feira, 18 de junho de 2018

O Jardim das Palavras - O mangá

A versão em quadrinhos de um belo trabalho do diretor Makoto Shinkai, o mesmo de Your Name.
Dois destinos reunidos pela chuva.
Takao Akizuki é um adolescente cursando o ensino médio. Diferente de outros de sua idade, ele tem um objetivo profissional um tanto incomum. Seu sonho é ser sapateiro, do tipo que desenha e produz artesanalmente modelos de calçados exclusivos. Ele chega a cabular aula em dias chuvosos para ficar desenhando no sossego da cobertura de um verdejante e silencioso parque. 

Um dia, Takao vê uma bela mulher de olhar triste bebendo sozinha em um banco do parque, em plena manhã. Nos dias em que cabula aula por causa da chuva, ela está sempre lá e, aos poucos, eles desenvolvem uma amizade. 

Takao, bastante maduro para sua idade, começa a se preocupar com a mulher, que parece estar passando por um grande sofrimento, mas que não quer compartilhar nada sobre si. 

O encontro de duas almas, de realidades
completamente diferentes.
Ele não sabe como e nem o porquê, mas sente que precisa muito ajudá-la e sente muito sua falta. E a mulher misteriosa, chamada Yukari Yukino, possui um triste segredo a ser descoberto. Esse encontro de duas pessoas tão diferentes e com uma grande diferença de idade levará ambos a uma jornada emocional que irá afetá-los profundamente. 

Esse é o enredo de O Jardim das Palavras, mangá em edição única que adapta uma animação do aclamado diretor Makoto Shinkai, de Your Name. Lançado em 2013, o animê tem apenas 46 minutos de duração e foi exibido em cinemas japoneses junto com o curta-metragem "Dare ka no manazashi" ("O Olhar de Alguém")

A versão em mangá foi lançada no mesmo ano do filme, publicada em capítulos na revista mensal Afternoon (Ed.Kodansha), sendo depois compilada em volume único. 

A capa nacional creditou a desenhista como sendo Midori Motobashi, mas a maioria das referências, incluindo o site oficial da editora Kodansha, grafa seu sobrenome como sendo Motohashi. O erro foi devido a conflitos que realmente existem nas formas de leitura de muitos nomes japonesas. Ainda, o crédito mais correto da obra é atribuir a adaptação toda à desenhista. 
Uma suave chuva sobre um parque vira uma pintura
em movimento em uma obra de Makoto Shinkai.
Makoto Shinkai escreveu a história original para o animê, enquanto Midori Motohashi adaptou com sua narrativa visual e texto, e não apenas fez os desenhos. Isso fica claro na edição japonesa, que credita Shinkai como responsável pelo "gensaku" (原作), que seria "criação" ou até "história original". E Motohashi é creditada pelo "mangá" (漫画), indicando que ela fez toda a história em quadrinhos, incluindo a versão do roteiro, que apesar de fiel à obra original, tem seu próprio script. Essa imprecisão foi cometida em outros países que publicaram o mangá. 

As animações de Makoto Shinkai possuem um senso de encantamento causado pelo uso de cores e sublimes efeitos de iluminação. O ritmo perfeito, a sensível escolha da trilha sonora e a singeleza do olhar que proporcionam fazem dos filmes dele pequenas obras de arte. 

Com isso, é claro que uma adaptação em quadrinhos em preto-e-branco perde muito, mesmo que o desenho seja elegante e delicado. Mas a autora não se intimidou com a tarefa e conseguiu imprimir um bom ritmo à leitura, respeitando a obra original e fazendo um trabalho bonito e com méritos próprios, não apenas uma simples sombra de um clássico moderno.

O Jardim das Palavras ~ Kotonoha no Niwa言の葉の庭 ]
História original: Makoto Shinkai
Roteiro (adaptação) e arte: Midori Motohashi


Formato: 12,8 x 18,2 cm, com 200 páginas (edição única)
Lançamento no Brasil: Julho de 2016
Preço: R$ 16,00
Editora: NewPOP
Classificação indicativa: 16 anos 

Nota: O título está esgotado no site da editora, mas ainda está disponível na Amazon.com.

4 comentários:

Usys 222 disse...

O Adelmo Veloso falou um pouco do desenho no Super AHAM! (http://superaham.blogspot.com/2017/02/espaco-anime-garden-of-words.html). Pior que eu fiquei de ver para poder comentar depois e acabei me esquecendo...

E é meio difícil traduzir a palavra 原作. Acho que é "obra/história original" mesmo. Mas se ela tivesse feito só a arte, seria 作画 ("sakugá", desenho) ao invés de 漫画, que seria a versão em quadrinhos. Sendo assim creio ser justo dizer que essa quadrinização foi feita quase inteiramente por Motohashi. "Quase", por ser baseada na obra de Shinkai.

Mas eis uma boa indicação. Tenho que pegar um tempo para ver o desenho e depois ler o mangá.

Adelmo Veloso disse...

Não cheguei a encontrar essa obra nas bancas, até porque estava um pouco desligado na época, mas assisti a esse espetáculo pela Netflix.
Incrível como não é aquela coisa clichê e previsível, mas que nos surpreende com seu final, bem maduro!
As obras do Makoto Shinkai são surpreendentes e, como citado na matéria, verdadeiras pinturas em movimento!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Essa questão sobre "gensaku" é antiga pra mim. Um professor sugeriu "criação" e já vi referências em inglês usarem até "original concept".

Eu entendo o termo "criação" como sendo mais abrangente do que história original, pois envolve elementos visuais também. Foi com as matérias que fiz sobre Kamen Rider que comecei a usar direto "criação" como tradução para "gensaku".

Mas dessa vez optei por "história original", por ser algo bem mais complexo e bem acabado do que seria se fosse apenas o plot do Shinkai.

De qualquer forma, precisava valorizar o fato da desenhista também ter escrito o roteiro adaptado.

E assim como o anime tem cena pos-creditos, o mangá tem uma HQ extra curtinha que é bem simpática.

Valeu! Abraços!!

Alexandre Nagado disse...

Oi, Adelmo.

Makoto Shinkai é um gênio, espero que tenha uma carreira longa e produtiva.

Eu nem lembrava mais desse mangá. Vi na Amazon e comprei sem hesitar. E achei uma boa adaptação. Pena que, como o original de cinema, acabe muito rápido.

Falou! Abraço!!