sexta-feira, 1 de junho de 2018

Mangá digital e o futuro do mercado

Qual o futuro do mercado de mangás e publicações em geral? 
O meio digital irá extinguir os impressos?
Revista Young Animal ARASHI,
cancelada apesar de toda a apelação.
No Japão, foi anunciado recentemente que a revista Young Animal Arashi, voltada a jovens adultos, irá encerrar suas atividades. A revista da editora Hakusensha, que trazia vários mangás com erotismo leve e também ensaios fotográficos sensuais, foi cancelada devido ao fraco desempenho de vendas, com números não divulgados. A empresa irá ainda tentar um novo título chamado Young Animal Resistance, com ênfase em histórias de ação e combate. Para captar parte do público da Arashi, a editora irá lançar em setembro uma publicação on-line com o sugestivo título Harem

Mas além da Hakusensha, a poderosa editora Shueisha também anunciou um cancelamento de título. A revista feminina YOU terá sua edição derradeira lançada em outubro, referente ao mês de novembro. Criada em 1980 e mensal desde 82, a YOU é voltada a mulheres adultas e sentiu forte o baque da migração de sua base de leitoras para o formato digital. A editora anunciou que irá apostar mais nesse segmento on-line, com a publicação derivada office YOU e o título Cocohana
A tradicional revista feminina YOU (Ed. Shueisha),
mais uma baixa no mercado japonês.
Esses anúncios têm levantado a questão sobre o próprio futuro do mercado de mangás, pois cada vez mais leitores japoneses estão se rendendo ao formato digital. O mangá tem sido, durante décadas, uma leitura que acompanha muitos japoneses durante o deslocamento ao trabalho, seja de trem, metrô ou ônibus. E, nesse aspecto, a praticidade do formato digital dispensa carregar os grossos volumes que as revistas de antologia possuem. O mangá digital vem crescendo cada vez mais, conquistando pela praticidade. 

Ficou extremamente acessível e prático carregar um bom e-reader, tablet ou smartphone para a leitura de mangás, livros e revistas, ainda mais no Japão. Depois, os leitores podem colecionar suas séries favoritas nos encadernados impressos chamados de tanko-bon (ou tanko-hon), que no Brasil e na maior parte do mundo são a base do mercado de mangás. 

O grande empecilho para um maior investimento do Japão no mercado digital é a facilidade da pirataria, que é ferozmente combatida, como questão de sobrevivência. 
Nos EUA, a versão local da consagrada revista Shonen Jump foi publicada mensalmente no formato impresso entre 2002 e 2012. Mesmo vendendo bem, acima de 100 mil cópias por edição, foi cancelada pela Viz Comics e deu lugar a uma versão digital, publicada semanalmente. A iniciativa veio para combater o crescimento da pirataria digital praticada pelos chamados scanlators
Chamada da Shonen Jump americana,
publicada digitalmente no mesmo dia
que a versão impressa japonesa, mas com
um mix de histórias diferente.
No Brasil, a Editora JBC veio com o projeto JBC Go Digital!, que apresenta boa parte do seu acervo em formatos .mobi e .epub. Os valores dos títulos digitais são apenas um pouco mais baratos que os físicos, o que é desapontador. Não há justificativa técnica para isso, pois o digital não gasta papel, não depende de distribuição e nem dá porcentagem ao vendedor (jornaleiro ou livraria). Sendo dispensadas as porcentagens de transporte e intermediários, seria possível derrubar cerca de metade dos valores finais. A única explicação para os relativamente altos valores das edições digitais é estratégica, para não prejudicar muito a venda dos físicos. Mas, em termos de combater pirataria, seria melhor oferecer um produto mais barato e competitivo. 

Caso similar acontece com serviços de streaming musical, como o Spotify, uma alternativa para ouvir música digital de forma legalizada e que paga royalties aos artistas. Depende de grande massificação para dar certo, pois é sabido que cada música tocada reverte em cerca de R$ 0,02 (isso, dois centavos de real!) para ser dividido entre os intérpretes, compositores e gravadoras. 

Se praticasse preços altos para associados e se não tivesse modalidade gratuita com anúncios, o Spotify não teria alcance e não conseguiria tirar força da pirataria. É o mesmo caso do serviço de streaming de séries japonesas, o Crunchyroll

Um modelo realmente popular de oferta digital de mangás (ou revistas em geral) deveria considerar lucros menores para uma grande popularização, mas esta é uma questão complexa, pelo fato do mangá ser uma leitura tão segmentada, ainda mais se levarmos em conta o reduzido hábito de leitura da maior parte da população brasileira. 

Uma oferta de preços baixos talvez não tivesse muito mais leitores do que uma de valores mais elevados. Quem não abre mão da pirataria para ter gasto zero nem considera tais questões. Mas não existe "almoço grátis". Se eu não pago por algo que consumiu tempo, trabalho duro e gastou materiais para ser produzido, alguém em algum lugar está tendo prejuízo. 

Ampliando a discussão, vale lembrar que o mercado de e-books não cresce no Brasil, mesmo com a venda cada vez maior de e-readers e tablets cada vez melhores e mais acessíveis. Ao ter um desses, ou mesmo para ler no celular, as pessoas buscam o título disponibilizado gratuitamente de forma alternativa. Ano após ano, o mercado de e-books no Brasil não decola, apesar do sucesso de aparelhos para leitura. Se escrever livro antes já não dava muito dinheiro pra grande maioria, agora as chances são menores ainda. O que nos leva ao cerne da discussão. 

No futuro, será possível que todos os títulos de mangá possam migrar para o formato digital? Que tudo seja feito diretamente para consumo em dispositivos eletrônicos? Isso será suficiente para reverter em lucros necessários para sustentar a produção em escala industrial? E em mercados menores, como o brasileiro, qual o impacto? E para obras originais, como monetizar e conseguir faturamento de nível profissional?

O público brasileiro, acostumado ao digital e à pirataria, pode não ver o menor sentido em discutir esses assuntos relacionados ao lucro de quem produz. Afinal, o consumidor quer apenas consumir, não necessariamente ajudar seus artistas favoritos a sobreviver. O afunilamento do mercado é uma realidade, não há espaço para todo mundo ganhar dinheiro e o digital necessita de enorme massificação para gerar algum lucro substancial. 


A iniciativa nacional do coletivo Shonen Comics
está se preparando para entrar na briga do
mundo digital. (Arte: Valdo Alves).
Nesse cenário, o meio digital também surge como uma alternativa de baixo investimento para a veiculação de material nacional que não encontra respaldo em editoras estabelecidas. Iniciativas bancadas pelos próprios autores, como é o caso da série Miyako-chan no Karê ou do coletivo Shonen Comics, que está reunindo artistas e apoiadores para lançar sua empreitada em breve. 


Para gerações mais antigas, nada substitui o prazer de ter um livro ou quadrinho em papel. No entanto, essas pessoas irão passando naturalmente, até o ponto em que só exista a geração que nasceu consumindo entretenimento digital e predominantemente pirata. E mesmo no cenário mais imediato, com o poder econômico reduzido, muitos preferem um produto digital (seja pirata ou oficial) para ler coisas mais corriqueiras ou desimportantes, comprando a versão impressa somente de suas obras favoritas. 

O equilíbrio entre o formato físico e o digital poderá ser alcançado de modo equilibrado ou o digital irá substituir totalmente o físico? Será que o futuro do mercado para livros e publicações impressas será o de caríssimas impressões sob demanda? 

Nos próximos anos, poderemos ver essas questões sendo acomodadas pelo mercado mas, até que as conclusões fiquem óbvias, muitas empresas e artistas que não souberem inovar ou acompanhar as flutuações do momento atual, poderão ficar pelo caminho. 

Para saber mais: 

Sobre pirataria, direitos autorais e cultura pop japonesa

14 comentários:

Gustavo Reis disse...

Acho que falar em futuro é um atraso. Hoje já esta muito mudado, já é o presente!
Aconteceu com a musica, aconteceu (e acontece ainda) com a tv. Na verdade, pra mim, é uma mudança de paradigma no consumo de conteudo cultural. As pessoas não querem pagar muito e querem muito conteúdo. Novamente, estamos atras. Sites como Tapas e Webtoons de um modo geral permitem a autopublicação e as series que eles pegam como oficiais do site, quando são pagas, nao sao valores absurods e sempre tem formas de consumir mesmo sem pagar, como moedas e coisas que o proprio site fornece aos usuarios. O pagamento muitas vezes é feito direto ao autor, atraves de financiamento coletivo.
NO brasil nao vemos muitas inciativas do tipo, e busca-se a venda direta, que pra mim é um erro, já que o senso comum do brasileiro é que se ta na internet é otario quem pagar. No japao, possivelmente vao conseguir.
Acredito que a saida é fornecer tudo de graça e coisas extras (financiamento coletivo ou microtransações, como ocorre em jogos de celular e MMORPG, que lucram horrores com conteudo extras, as vezes só com personalização dos avatares) devem ser pagas. O segredo vai ser se manter sem cobrar diretamente ao leitor. Da mesmo forma que o brasileiro nao gosta de pagar, ele gosta de ter beneficios, fazer parte do grupo, e isso pode faze-lo pagar. Os sites de scan sobrevivem assim, e o brasileiro adora scan (apesar de dizer que odeia ler no digital). Mas os mangas mais populares em vendas fisicas sao os mais populares em sites de scans. Então pra mim é o único futuro que vejo para os quadrinhos.
Por isso acho que o fisico nunca vai acabar (temos o vinil até hoje e ja se fala da volta do k7) seja no japao ou aqui. o digital vai ser descartavel (assim como sao as antologias japonesas tradicionais) mas o colecionismo das series favoritas vai continuar fazendo o físico vender, um vai depender do outro. Vao se retroalimentar
Acredito que a tendencia vai ser acabar com antologias fisicas custosas (impressao, distribuição, etc.) que se tornarao digitais. Só espero que o Brasil nao fique para tras nesses avanços. Nós da shonen comics estamos apostando em algo assim, a principio 100% digital.
O digital não é o futuro

Alexandre Nagado disse...

Prezado Gustavo:

Não acho bobagem ter usado o termo "futuro", pois é bastante claro para mim que o momento atual é de transição. A migração para o digital está em andamento no Japão, e deverá impactar mais algumas publicações do que outras. E no Brasil, o digital ainda não se mostra uma alternativa profissionalmente viável. E quando falo "profissionalmente" estou querendo dizer que o trabalho precisa gerar renda suficiente para que a pessoa viva disso, não como um "bico" ou apenas por satisfação artística. Talvez nunca se consiga isso em termos de mercado brasileiro, tão mal acostumado com o gratuito para tudo na web.

Estamos em um momento de mudança de paradigmas e a acomodação em uma situação mais ou menos estável vai depender de como o mercado irá reagir ao que está em curso. Você é historiador e sabe que ainda não se pode ter a perspectiva histórica para um veredito acerca das mudanças em curso. O objetivo deste post é levantar o debate acerca da mídia, mas também da viabilidade profissional. O digital pode ser - e acho que será - parte do futuro em termos de rentabilidade profissional.

Abraço!

Priscila - Gustavo disse...

Ah! Sim, pode ter parecido com texto que escrevi (e hoje é um dia que estou extremamente esgotado) mas concordo em 100% com tua matéria. Na verdade meu texto é de concordancia. Acho tb que é tudo muito nebuloso nessa época. Hoje já temos o lampejo de um possível futuro se moldando. E tem razão como historiador, estou acostumado a analisar olhando pra trás e nao pra frente, analisando o que já ocorreu. E só o tempo vai mostrar o que no fim aconteceu. Trocando em miúdos, ótima matéria (como sempre) é que gera um ótimo debate. A minha opinião é a mesma da sua, só acho que minha esposa ao não foi tão satisfatória (cheia de erros tb, o cansaço bateu forte)!

Alexandre Nagado disse...

Entendi, ah ah!

Essa questão de viabilidade comercial (lucro real, pra largar emprego chato e viver de criação) é uma coisa que sempre me preocupou. Quando havia mercado de banca pra muitos títulos nacionais, vira e mexe eu estava envolvido em alguma conversa sobre isso. A gente reclamava muito de valores, de tabela da editora Abri, da Escala... Aí tudo acabou e só agora que, com o digital, há alguma esperança no fim do túnel. Isso em termos de retorno financeiro pode ser um sonho, mas pode dar certo. Só não sei se vai ser nesta geração... Vamos ver.

Abraço!

Gustavo Reis disse...

Sim viver da obra acho que estamos um pouco distantes, ao menos no Brasil, talvez viver de desenho seja mais favorável, embora, como eu disse, já há casos de quadrinistas independentes de webcomics ja conseguirem viver de suas obras. Eu não tenho a pretensão de viver de quadrinho, tenho meu trabalho é estou satisfeito assim. Mas sei que tem gente que busca isso é a internet está proporcionando, talvez, uma possibilidade disso ocorrer. Mas ainda tem muito chão! E isso, pelo tempo que você já vive no meio,você pode avaliar melhor que eu.

Usys 222 disse...

Com o formato digital vários custos poderiam ser cortados. Não seria preciso lidar com estoques ou esgotamento de edições e o encalhe não causaria tanto prejuízo. Mas pelo visto, ainda assim não existe diferença de preço entre o digital e o impresso. É assim também no Japão, porém lá há a opção de "locação" de leitura por um prazo determinado e preço reduzido.

E existem editoras no Japão que primeiro disponibilizam alguns títulos de graça (para o leitor) de forma digital, para depois publicar em impresso, tirando do ar os capítulos compilados. A Akita Shoten faz isso com a Champion Cross (http://chancro.jp/).

Outra ideia foi de Ken Akamatsu, com a Manga Library Z (https://www.mangaz.com/), no qual são publicadas digitalmente obras que saíram de circulação. São colocados anúncios publicitários, permitindo que os autores continuem monetizando seus trabalhos.

O mercado digital tem todas essas possibilidades, mas antes é preciso mudar a mentalidade do brasileiro. Um problema é que existem muitos jovens que até se interessam por quadrinhos, mas ainda não têm poder aquisitivo próprio e por isso apelam para material pirateado. E assim eles acabam tendo a mentalidade de que não é preciso pagar nada para se obter as coisas, o que é altamente prejudicial. Sites com anúncios poderiam ser uma alternativa para se arrecadar com esse público. É só que nesse caso a parcela que é paga aos autores é bem reduzida.

Existem muitas questões a serem resolvidas. Natural, considerando que se trata de uma etapa transicional. O Japão tem conseguido resolver e até dar ideias. E quanto a nós?

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

As opções de monetização ainda são muito precárias, ainda mais em termos de mercado brasileiro. Vai demorar muito até a mentalidade da maioria mudar, mas vejo esperança. Os modelos atuais dão muito pouco dinheiro, mas acredito que a conscientização é trabalho de formiguinha. Mesmo no Spotify, já considerado uma plataforma de sucesso mundial, fiquei pasmo ao saber o valor pago por execução de música. Dois centavos de real, pra dividir entre intérpretes, compositores e gravadoras! Muitos artistas japoneses que gosto têm canções que tocaram no máximo poucos milhares de vezes. Isso não dá dinheiro, só trocados ridículos! Tem que popularizar muito mais pra dar retorno, mas como eu sempre digo, não vai ter pra todo mundo.

O que eu espero é que surjam iniciativas bem planejadas e focadas no lucro, sem esquecer que tudo começa com um bom trabalho. Se o mangá não for divertido, não conseguirá engajar as pessoas.

E falando nisso, o Shonen Comics, que eu citei na matéria, vai estrear nesta segunda, dia 04 de junho. Achei uma grande coincidência ter mencionado eles às vésperas da estreia. E eu não estava sabendo de nada. Vou dar uma conferida e, certamente, farei um post para ajudar a divulgação.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Gustavo.

Viver de HQ para mercado local, praticamente só o pessoal do Mauricio de Sousa e uns poucos gatos pingados. Se também trabalhar com design, ilustração, dá mais chance. Eu já vivi nessa por vários anos da minha vida, mas sempre foi irregular.

E para quem consegue algum rendimento, tem que separar pra plano de saúde, um extra pra cobrir férias, pagar alguma previdência... Saúde e juventude não duram pra sempre e artistas raramente se preocupam com isso, mas é fundamental.

Valeu! Ah, e sucesso com a Shonen Comics, estarei acompanhando!

Abraço!

César Filho disse...

O formato digital tem suas vantagens, mas ainda assim tenho uma certa preferência por mangás físicos. Ainda não aderi o formato digital e pretendo buscar algum título de interesse como alternativa. Se uma determinada série for lançada exclusivamente nesse formato ou em ultimo caso -- como pretendo fazer caso o InuYasha seja realmente relançado e no formato digital da JBC, pois são muitos volumes pra garimpar e isso exigiria mais ocupação de espaço.

Apesar das políticas financeiras de nosso pais, o mercado de mangá tem ganhado notoriedade entre o público e ainda mais com lançamento de clássicos como Akira e Ghost in the Shell, por exemplo. Mas a pirataria ainda é um problema na cultura brasileira e isso prejudica desde o público jovem/adolescente que costuma achar que não precisa pagar nada pra acompanhar sua série favorita.

Em tempo, a iniciativa da JBC em aderir a opção de formato digital é válida e tem mesmo que seguir como referência para outras editoras a fazerem o mesmo. Por ser um processo gradativo, não dá pra prever/definir como será esse mercado daqui a 5, 10 anos. Se vai mesmo vingar ou não. Não acredito que o formato físico deve acabar por aqui. A própria JBC vem relançando alguns títulos em boxes, talvez pra manter o mercado de físicos. Desses tenho interesse em comprar Sailor Moon, Another e Knights of Sidonia.

Alexandre Nagado disse...

Fala, César.

Essas edições luxuosas estilo "kanzenban" têm um público cativo. Por um lado, viabilizar um mercado de alto nível, mas também tornam os quadrinhos mais elitizados. Parece que a extrema segmentação e um afastamento do conceito de mídia popular são coisas inevitáveis, o que é uma pena. Por que está difícil conquistar novos leitores. Isso, mais o problema cultural que aqui existe com relação ao consumo de produtos digitais, pode ter um efeito muito ruim a longo prazo.

A JBC deve estar com muita cautela nessa empreitada digital, mas torço para que encontrem o tom exato e consigam viabilizar esse mercado.

Valeu, César! Abração!

Detonation Uchiha disse...

Nagado, li seu artigo sobre a pirataria e pelo que entendi pode até ser que o mercado digital tenha futuro no Japão, mas é difícil imaginar isso no Brasil onde a pirataria é uma barreira tremenda, você citou como exemplo os e-books mas também podemos citar como exemplo os blu-rays que até hoje tem dificuldade de se estabelecer no mercado isso sem contar que apesar do mercado de vídeo-games até ter conseguido se manter estável, até hoje é fácil encontrar jogos piratas de PlayStation 2 à venda na rua, mesmo o console já saindo de linha faz anos. Infelizmente as pessoas se acostumaram demais com o "jeitinho brasileiro" e a péssima situação econômica do país faz com que sempre procurem a forma mais barata, e se for de graça melhor ainda!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Uchiha.

Sim, a mentalidade do nosso povo tem que mudar muito, mas quando vejo vários projetos culturais sendo viabilizados pelo Catarse, Apoia.se e Kickante, imagino uma luz no fim do tunel. Mas vai demorar mesmo até mudar a ideia do "se está na web, é gratis".

Valeu, abraço!

Gabriel disse...

Pelas experiências que já existem, como Spotify, Netflix, Steam, podemos dizer que, se o serviço for melhor que o pirata, o público compra.
Agora, se lançar um serviço caro, ruim, não funcional, as pessoas continuarão no pirata.

Aliás, e o Henshin Drive? Fizeram o anúncio e depois não falaram mais nada. Se fosse um serviço com preço bom, funcional, com várias opções de leitura, com capítulos/volumes saindo próximo ao lançamento no japão, tinha muitas chances de dar certo.
Acho legal que a desculpa é sempre "é difícil negociar com os japoneses", afinal, é mais fácil jogar a culpa no outro. É uma vergonha utilizar esse tipo de desculpa porque evidencia a incompetência da empresa que não tem um mínimo poder de negociação.

O maior motivo do e-book não decolar no Brasil é o preço. Eles custam quase o mesmo preço do livro físico. Enquanto isso acontecer, o e-book vai continuar não vendendo.

As empresas precisam aprender que, no ambiente virtual, a margem de lucro é pequena e o retorno vem pela quantidade. Enquanto quiserem colocar margens altas, igual no caso do e-book, vão continuar amargando fracassos.

Valeu o/

Alexandre Nagado disse...

E aí, Gabriel!

Sim, o preço é o que inviabiliza o sucesso de publicações digitais no Brasil. A Shonen Comics não padece desse problema e aposta na popularização para gerar lucro. Acho que estão no caminho certo, mas há um longo percurso a ser percorrido que envolve mudanças de paradigma.

Obrigado pela participação! Abraço!