terça-feira, 24 de abril de 2018

Autor de Samurai X está livre e de volta ao trabalho

As novidades e reflexões sobre o caso da prisão do desenhista Nobuhiro Watsuki.
Em breve, Rurouni Kenshin volta
a ser publicado no Japão.
Em novembro de 2017, o renomado autor de mangá Nobuhiro Watsuki (de Rurouni Kenshin ~ Samurai X) foi preso por posse de pornografia infantil. Interrogado, confessou que até chegou a assediar menores, apesar de não ter violentado nenhuma. O caso repercutiu no mundo inteiro e levou à suspensão de seus trabalhos. (Relembre o caso aqui.)

Segundo o portal Crunchyroll, o autor foi condenado a uma pequena multa de 200 mil ienes (cerca de 6 mil reais), e ficou livre. A taxa fora estabelecida em fevereiro e agora é oficial - ele não apenas está livre, mas foi aceito de volta ao trabalho junto à editora Shueisha. O valor que ele pagou ainda foi muito inferior à multa máxima prevista para seu caso, que é de um milhão de ienes (cerca de 30 mil reais). Ainda mais para um artista de grande sucesso e que já acumula uma boa fortuna pessoal. 

Com isso, ele pôde retomar a produção da saga Ruronuni Kenshin: Hokkaido-Hen (a "Fase Hokkaido"), que volta às páginas da revista JUMP SQ à partir de junho próximo. As opiniões estão divididas e o público japonês é tradicionalmente impiedoso com artistas que caem em desgraça e têm problemas com a lei. No entanto, o caso dele, no Japão, é considerado bem menos grave do que usar drogas. Por isso, será difícil que um eventual boicote prejudique seriamente as vendas da revista ou futuros trabalhos do autor. Mas, vale refletir um pouco sobre o caso. 
Como será a vida de Watsuki e como o público
irá tratá-lo daqui pra frente?
Ainda é cedo para saber.
Não estou em condição de avaliar a pena em seu contexto social, mas vamos a algumas considerações. O Japão, até poucos anos atrás (2015, pra ser exato), permitia livremente a venda de livros e revistas com ensaios de nudez adolescente e pré-adolescente. Até hoje, jovens idols de 12, 13 anos, posam de lingerie ou tiram fotos bem nítidas e próximas estando em trajes de banho, com poses sensuais - mas sempre com carinha de inocente, afinal, "a malícia está nos olhos de quem vê", podem dizer os hipócritas que faturam com isso.

Também já li argumentos de que mangás hentai (de "pervertido") com pornografia pesada (e isso inclui mangás de sexo com crianças e menores) serviriam como uma mecanismo de controle social pela catarse das emoções dos potenciais pedófilos. Isso é uma grande falácia, e o caso de Nobuhiro Watsuki atesta isso. Ele não apenas tinha fotos e vídeos de meninas nuas e mangás lolicom (de "lolita complex"), mas também já havia assediado crianças e adolescentes. Mas, apesar de tudo isso, seu caso, pela repercussão que teve, acabou sendo considerado mais um "ensaio" do que pode acontecer daqui pra frente com situações similares. Ficou o aviso aos que ainda estão se acostumando às novas leis vigentes no país. 

É o Japão preocupado com sua imagem internacional tendo em vista a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2020. 

6 comentários:

Anônimo disse...


Como se levassem a sério pedofilia no Japão ou sudeste asiático. Lá estão mais preocupados com a imagem internacional do que com a defesa do abuso infantil.

Colegiais que se prostituem com business mans, comercio de calcinhas usadas por menores de idade, assédios em trem e lugares públicos, uma verdadeira industria da pedofilia prospera desde os tempos de Cream Lemon. No Japão isso é tão cultural qto nas tribos indígenas brasileiras onde uma menina de 11 q menstrua e já se torna mulher pra ser estuprada pelos homens da tribo.

Na Africa, Oriente médio, Índia, a maior parte da Asia a pedofilia abunda e prospera. E o Europeus e Americanos (inclusive nós) só nos importamos se for pra ficarmos indignados, pq pra resolver realmente o problema ninguém tem culhões. Então organize o boicote como quiser, o grande publico japonês no fundo esta cagando e andando pra isso e após as olimpíadas de 2020 tudo voltará a ser como era. Tão certo como criminosos Yakuzas prosperam legalmente com empresas de fachada e o governo e a população japonesa são cúmplices e coniventes fingindo q não vêem nada.

Alexandre Nagado disse...

Prezado "Anônimo":

Primeiro, aviso que, apesar do anonimato ser permitido, eu peço que a pessoa se identifique com um pseudônimo ou usando seu primeiro nome, pelo menos. Assim facilita o diálogo.

Bom, você elencou uma série de barbáries que existem em pleno século XXI. Quanto a isso, é lamentável que as autoridades de cada país não consigam agir. Daqui, nada podemos fazer a não ser divulgar informação e trocar ideias. Em todo caso, existem as petições on-line de grupos como o Avaaz, Citizen GO e Change.org. Talvez seja algo a se pensar...

Há um ponto do seu texto indignado que me fez pensar que você entendeu que eu sugeria um boicote. Claro que eu não quis dizer isso, pois não sou tolo. Mas concordamos num ponto: Isso tudo está acontecendo por causa das olimpíadas.

É a preocupação com a imagem institucional do país, não com a prevenção ou coibição da apologia a condutas humanamente inaceitáveis, como a objetificação sexual de uma criança ou pré-adolescente.

E este blog Sushi POP já fez mais do que 99% da blogosfera e da imprensa especializada brasileira no que diz respeito a divulgar com todas as letras coisas que acontecem no Japão relacionadas à forma sexista como a mulher é tratada na mídia.

Enquanto a maioria apenas relativiza coisas como pedofilia e ressalta "diferenças culturais fora de uma moral judaico-cristã", eu sempre falo sobre como as idols são exploradas sexualmente e como há situações em mangá e animê bastante complicadas de se aceitar sob qualquer ótica. São colocações não muito "politicamente corretas" neste mundo de relativização em que vivemos. Apesar de eu possuir um blog altamente politizado, que é o Reflexo Cultural, é claro que minhas posturas irão aparecer aqui, dependendo do assunto exposto.

Caso volte a comentar neste post, somente será aceito se assinar a mensagem. É possível rastrear as origens de cada comentário, mas respeito o desejo de anonimato. Por isso, use um pseudônimo, caso não queira usar seu nome.

É isso. Abraço!

Detonation Uchiha disse...

Embora eu seja um grande fã de Samurai X e mesmo sabendo que se deve saber separar obra-autor, ainda assim me causa um forte estranhamento para com o mangá agora e creio que vai levar um bom tempo até que essa sensação passe, não apenas para mim mas para todos os fãs da obra... eu acho...

Alexandre Nagado disse...

Fala, Uchiha.

Dá uma sensação estranha mesmo. Senti o mesmo quando meu cantor favorito, o ASKA, foi preso por usar drogas. Na verdade, fiquei mais incomodado de saber que ele tinha muitas amantes e tinha uma vida desregrada, muito diferente do que ele contava em entrevistas. Mas eu acredito em recuperação e redenção. O Watsuki, que fez muito pior, pode ter a chance de se redimir e mudar, mas saiu muito suave pra ele. Um ano de cadeia poderia ter sido bom pra ele repensar a vida.

É esse estranhamento que mencionou é um bom sinal. Significa ter valores.

Falou! Abraço!!

Mauricio disse...

E a Kaoru Kurosaki? Ficou quietinha no meio desse vendaval todo?
O caso do Aska parece que teve mais repercussão negativa para ele do que esse teve pro Watsuki. Eu acho que a pena foi muito branda, e o cara já volta a trabalhar e publicar como se nada tivesse acontecido.
Parece um sinal de que, para o Japão, drogas são um problema maior do que pedofilia.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Mauricio.

Bom, o que rolou entre o Watsuki e a esposa não temos como saber, mas não deve ter sido nada agradável. Ela aparentemente optou por ficar ao lado do marido.

E você está certo. Um pedófilo, um molestador ou algo do tipo é mais facilmente perdoável no Japão, do que um cara ser usuário de drogas. Drogas são um câncer social, financiam o crime e tal, mas a forma como a sociedade japonesa reage a esses casos é realmente chocante. A cantora Noriko Sakai sofreu ainda mais que o ASKA.

O Japão ainda vai levar gerações para que essas questões de pedofilia sejam melhor pensadas pela sociedade. Basta ver como mangás e animês mainstream erotizam a figura de personagens menores de idade. A questão cultural é muito forte e não será esta nossa geração que vai ver alguma mudança, se é que vai acontecer algum dia.

Valeu! Abraços!