quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Coin Laundry Lady

Capa da edição nacional de
Coin Laundry Lady, trabalho
autoral de Hiro Kiyohara.
Uma "coin laundry" é um tipo de estabelecimento de serviços bastante popular no Japão. Trata-se de uma lavanderia (laundry) que funciona à base de moedas (coins). O cliente chega, faz a máquina funcionar com moedas e espera terminar a lavagem para retirar suas roupas, podendo tudo ser feito sem contato com atendentes. O recente mangá lançado pela Editora JBC se passa em uma lavanderia bastante peculiar. 

Maoko é a excêntrica dona de uma lavanderia automática que dorme dentro de uma das máquinas e gosta de pregar sustos nos clientes. Uma assídua frequentadora é a garota Haru Tanaka, que aparenta ser normal. Coisa que, definitivamente, está muito longe de ser. E além dela, vários outros tipos estranhos frequentam o lugar, cada um mais bizarro ou doentio que o outro. Mas em geral, todos inofensivos, sendo mais perigosos para si próprios do que para outras pessoas. 
A estranha Maoko, com um senso de humor doentio e
atitudes tão inesperadas que deixam de surpreender a certa altura.
Com muito humor negro e um senso de bizarrice constante, Coin Laundry Lady (コインランドリーの女, ou "Coin Laundry no Onna") tem roteiro e arte do elogiado Hiro Kiyohara. Ele conquistou certa fama quando ilustrou uma adaptação em mangá do romance de terror Another, do escritor Yukito Ayatsuji. Dono de um traço elegante, também adaptou em quadrinhos o conto Só Você Pode Ouvir, do escritor Otsuichi, que roteirizou a série Ultraman Geed

Coin Laundry Lady é uma série de histórias curtas que ele produziu em horas livres entre 2005 e 2009 e que eventualmente foi publicada na revista Shojo Beans A (Ed. Kadokawa). Mas apesar da boa expectativa criada, o material (que pelo menos é despretensioso) causa estranheza do início ao fim. 

Há varias citações à cultura pop e algumas ideias legais, mas falta um senso narrativo melhor para que seja algo divertido. A personagem Maoko é praticamente um alter ego feminino de Hiro Kiyohara e isso acaba depondo contra ele, pois é extremamente vazia de conteúdo. 
O autor brinca com clichês da
cultura pop japonesa, incluindo os
filmes de terror.
A constante quebra de expectativa usando situações grotescas ou inusitadas, ao invés de causar riso, vira rotina e impede que se mergulhe no universo de personagens bizarros e desajustados. Uma história curta, intitulada Irmãs Suzuki, que se passa fora do universo de Coin Laundry Lady (mas com seus mesmos méritos e defeitos), acompanha a edição, sem nada acrescentar. E há também um rápido preview de Shissou Holiday, outro mangá de Hiro Kiyohara que adapta uma história de Otsuichi e que foi a estreia profissional do desenhista. Provavelmente, ainda será anunciada pela JBC. 

Fazendo uma análise técnica, Coin Laundry Lady atesta que o autor se sai muito melhor quando trabalha com ideias ou histórias de outras pessoas. Resta a arte, que realmente é de alto nível, sendo um mangá indicado para fãs - e talvez somente eles - do traço de Hiro Kiyohara. 

Ao menos, é uma edição única e isso torna mais fácil digerir essa estranha brincadeira de um autor que é muito mais um ilustrador habilidoso do que um bom contador de histórias. 
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Coin Laundry Lady

Roteiro e arte: Hiro Kiyohara

Formato: 13,5 x 20,5 cm, com 184 paginas
Total: Edição única
Lancamento no Brasil: Dezembro de 2017
Editora: JBC
Preco: R$ 15,90 
Classificação indicativa: 16 anos
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Nota: A Editora JBC anunciou recentemente o lançamento do box do mangá Another, com os quatro volumes da série e o inédito Another Zero, que funciona como prequel da trama original. 

4 comentários:

Usys 222 disse...

A premissa é bem interessante, mas pelo visto ela falhou. Então é mais uma daquelas obras do tipo "forma sem substância"? Uma pena que todo o potencial não foi aproveitado, tanto da proposta quanto da arte. Dava para imaginar um monte de histórias tendo essa lavanderia de auto-serviço como pano de fundo, como romances, dramas do cotidiano e até mesmo terror.

Ir a uma dessas à noite era bem assustador. Felizmente, o máximo de susto que levei em uma dessas foi o de encontrar uma lacraia gigante... e ver que a vendedora automática de sabão estava esgotada depois de colocar a roupa dentro da máquina.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Realmente, esse mangá do Hiro Kyohara é até bonito de ver, mas vazio e mal escrito. Mas felizmente, pelo que pude deduzir, uma parceria dele com o escritor Otsuichi ainda vai sair. Essa eu vou querer conferir. Deles, eu já li e resenhei o "Só você pode ouvir", que é bem interessante.

Me parece que o Hiro Kyohara é um nome bem considerado por aqui. Merece, pois é um ótimo desenhista.

Valeu! Grande abraço!

Gustavo Reis disse...

Uma prova de que desenho não é tudo em um quadrinho

Alexandre Nagado disse...

Tem toda a razão, Gustavo.

O desenho é muito bonito e a ideia básica - a louca em uma lavanderia frequentada por loucos - é promissora. Mas, infelizmente, o autor não tem um bom timing narrativo e nem sempre conclui bem uma situação. A impressão é que ele fica meio perdido às vezes. Com uma história de outra pessoa, a coisa muda de figura. É um caso de autor que é mais ilustrador, que precisa de um roteirista ou de uma história original criada por outra pessoa, para fazer o trabalho render bem.

Abraço!