quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Battle Angel ALITA - Gunnm Hyper Future Vision

A poderosa andróide de batalha,
no traço do criador Yukito Kishiro.
Em mundo futurista e decadente, o cientista Dr. Daisuke Ido encontra num depósito de lixo os restos do que outrora foi uma bela ciborgue. Restando apenas a cabeça e parte do tórax, ele identifica que seu cérebro humano estava intacto, o que a diferencia dos demais androides. Ele a leva para seu laboratório e a batiza de Alita, considerando-a como se fosse uma filha. 

Sem recordar-se de nada sobre seu passado humano, a garota aos poucos vai ganhando um novo corpo, com peças que Ido vai reunindo misteriosamente.

O benfeitor da garota é também um caçador de recompensas, que adora matar e que em seu trabalho executa mutantes e criminosos perigosos. E de todos os seres perigosos da Cidade da Sucata, um dos mais repugnantes é o Makaku, uma aberração que se alimenta de cérebros. E, bem acima de toda a degradação da populosa e suja cidade, flutua a resplandescente cidade de Zalem
Capa de uma edição americana, da Viz Comics.
Acidentalmente, Alita conhece o garoto Yugo, que parece um rapaz simples e honesto, mas que trabalha como um cruel caçador. Tudo para reunir dinheiro e poder conhecer Zalem, seu maior sonho. Apaixonada, Alita tentará ajudar o rapaz com todas as suas forças, aproximando-se assim de um grande perigo. Mas um motivo de profunda tristeza para Alita é que seu corpo robótico foi feito para batalhas, e não para o amor. 

Numa sociedade caótica e sem uma polícia estabelecida, cabe aos caçadores de recompensas eliminar as ameaças à sociedade. Acima de tudo, Ido sonha em dar uma vida digna à sua protegida, mas Alita quer conhecer seu passado e logo revela grande potencial de combate. Por vontade própria, ela também se torna uma caçadora de recompensas e resolve trilhar o mesmo caminho sangrento de Ido. Com um misto de doçura e agressividade impiedosa, Alita logo irá se tornar uma lenda em seu mundo.

Gunnm, mangá que está sendo relançado pela editora JBC, já está nas livrarias e lojas especializadas. De temática distópica e cyberpunk, é uma série pesada, com requintes de mórbida crueldade. Sua narrativa direta mostra corpos mutilados e sequências de violência extrema, não sendo indicado para estômagos sensíveis. 

A história foi declaradamente desenvolvida pelo autor Yukito Kishiro a partir de conceitos visuais, sem um planejamento de longo prazo. Mas, como ele é um bom contador de histórias, tem bom domínio narrativo e seu desenho é extremamente dinâmico, o resultado levou Gunnm a se tornar um sucesso longevo no Japão.
Uma das mais icônicas imagens da série, que
representa bem o estilo de imagens fortes do autor.
No Brasil, depois de um começo tumultuado com uma versão não-autorizada lançada em 2002 pela Opera Graphica e posteriormente recolhida das bancas, Gunnm chegou oficialmente aqui pela editora JBC em 2003, em 18 volumes. Na ocasião, optou-se por manter os nomes japoneses, com a série sendo chamada de Gunnm - Hyper Future Vision e Alita sendo chamada de Gally

Agora, a série é compilada em apenas 4 volumes, cada um com mais de 400 páginas, para aproveitar o marketing feito em cima do filme americano que está em produção. Pelo mesmo motivo, a JBC está usando o título internacional do mangá, mantendo como subtítulo o nome anteriormente usado e voltando a chamar a personagem principal de Alita. 

O autor Yukito Kishiro venceu o concurso para novos talentos da Editora Shogakukan em 1984, quando tinha apenas 17 anos. Mas ele ainda não se sentia preparado intelectual e tecnicamente para produzir uma série e adiou sua estreia profissional. Somente em 1988 viria a publicar sua primeira história, pela mesma Shogakukan. Em 1991, começou a publicação de Gunnm (銃夢, gan-mu, ou "Sonho da Arma"), na revista Business JUMP, da Ed. Shueisha. A obra totalizou 9 volumes, foi publicada em vários países como Battle Angel Alita e foi um grande sucesso, sendo logo adaptada em animação.

Em 1993, Gunnm virou animê direto para vídeo em duas partes de meia hora cada, com direção de Hiroshi Fukutomi e produção dos estúdios Animate e MadhouseKishiro não participou da produção, limitando-se a fazer observações e dar sugestões em reuniões que, segundo ele próprio, foram ignoradas. É no mangá que ele pode fazer o que bem entende. 
Alita, no traço do animê (1993).

Em 1997, começou a série spin-off de Alita, intitulada Gunnm Gaiden, para a revista Ultra Jump, da Shueisha. Outros derivados ainda seriam criados, fazendo de Gunnm o trabalho mais importante de sua vida. 

Em uma entrevista para a revista Animerica em 1993, Yukito Kishiro declarou que começou nos quadrinhos porque sonhava em fazer filmes um dia. Na ocasião, o entrevistador Seiji Horibuchi perguntou o que ele acharia se um dia Hollywood se interessasse em fazer um filme com Alita, ao que ele disse que seria um sonho de infância virando realidade. 

E agora, esse sonho vai mesmo se concretizar, ainda que ele seja agora apenas um expectador, pois vendeu os direitos de produção cinematográfica para o cineasta James Cameron, de O Exterminador do FuturoTitanic e Avatar
A atriz Rosa Salazar, em sua beleza natural...
... e digitalmente transformada para dar vida ao Anjo de Batalha.
Em 21 de dezembro, estreia nos EUA o filme live-action Alita: Battle Angel, com direção de Robert Rodriguez e produção de James Cameron e John Landau. No papel principal, a bela atriz canadense Rosa Salazar, que no entanto ficou irreconhecível. Com uma tentativa de se fazer um personagem de mangá "real", o rosto da atriz foi trabalhado para ficar mais afunilado e teve os olhos bem ampliados. O resultado causou bastante estranhamento e pode ainda ser alterado até a estreia do filme. 

Alita é uma personagem já consagrada no Japão e já bem conhecida pelos fãs de mangá ao redor do mundo. Mas agora, com o novo filme se aproximando, ela poderá se tornar um ícone da cultura pop mundial. 

Mesmo que a produção não seja o sucesso esperado, já serviu para reacender o interesse no mangá, um intenso e visceral trabalho que merece ser sempre revisitado. 


Battle Angel Alita - Gunnm Hyper Future Vision ~ 銃夢
Roteiro e desenhos: Yukito Kishiro

Formato: 13,7 x 20 cm, com 448 páginas (versão impressa)
Total: 4 volumes (versão impressa) / 9 volumes (versão digital)
Periodicidade: Bimestral
Lançamento no Brasil (versão atual): Novembro de 2017
Editora: JBC
Preço: R$ 39,90
Classificação indicativa: 18 anos

::: E X T R A S :::

1) Trailer de ALITA: Battle Angel (2018)



2) Trailer da versão em animê (1993)

6 comentários:

anderson disse...

Acho que o filme finalmente saiu do papel porque todos querem sua própria "Mulher-Maravilha".Infelizmente essa onda pode levar a filmes ruins de Sailor Moon,Rayearth ou Little Witch Academia.È melhor Hollywood se concentrar em adaptar animes mais sci-fi e mundos menos fantasiosos.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson!

Acho que também se animaram com a adaptação do Ghost In The Shell. A onda atual é celebrar mulheres em filmes de ação, então o momento está bom para obras com essa característica. Um título que talvez ainda vejamos ser cogitado é Legend of Mother Sara. Depois de explorar muito os super-heróis locais dos comics, Hollywood tem se voltado para as adaptações de mangá. Acho que o movimento está só no começo e vamos ver de tudo nesse campo, entre obras interessantes e verdadeiras bombas.

Falou! Abraço!

César Filho disse...

Alô, mestre Nagado!

Infelizmente não pude acompanhar na época da primeira edição e só agora estou lendo através desta republicação do mangá de Alita/Gunnm. Estou ansioso pra ver a versão cinematográfica e lamentei pela data adiada. Anteriormente estava marcado para o dia 20 de julho (dia 19 no Brasil) e dias atrás foi remarcado para 21 de dezembro.

Conferi o calendário de lançamentos de 2018 e vi que Alita terá uma concorrência acirrada na mesma semana com as estreias de Homem-Aranha: no Aranhaverso, Aquaman, Holmes e Watson, Bumblebee: o Filme, além das estreias de A Volta de Mary Poppins e do documentário Boheminan Rhapsody (sobre a banda Queen) no dia 25 de dezembro. Dia de Natal. Isso se as respectivas datas forem mantidas até lá.

É legal essa onda de adaptarem obras de mangá para o cinema. Desde que façam um trabalho condizente. Por sinal, Alita tem um forte potencial para se destacar entre o grande público. Basta a Fox e a Lightstorm investirem num marketing pesado assim como foi com Ghost in the Shell, independente do sucesso ou não de bilheteria.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. César!

Eu fiquei em cima do muro com relação ao visual. A atriz é lindíssima e ficou totalmente descaracterizada, mas o visual irreal da Alita ficou interessante também. Ela parece uma pessoa artificial só de ver o rosto e o desafio de dar-lhe profundidade é enorme. Muita gente saiu xingando logo de cara. Eu prefiro esperar. Achei estranho, mas depois de um tempo me acostumei. Mas ainda acredito na hipótese de darem um ajuste nos olhos, pois houve realmente muita reclamação quanto ao tamanho deles.

O Ghost In The Shell deu um gás nesses projetos de adaptar personagens japoneses. Vamos ver até onde vai.

Valeu! Grande abraço!

Scant Tales disse...

excelente post!

Alexandre Nagado disse...

Obrigado! Logo vem mais por aí.