terça-feira, 28 de novembro de 2017

Iron King - Um seriado clássico e inovador!

Conheça uma série diferente e emocionante que surgiu em meio à explosão de super-heróis que invadiram o Japão na década de 1970.
Capa da DVD-Box americana
da série, um clássico da década de 1970.
O Godzilla original, em 1954, foi sucedido por continuações e muitos outros monstros no cinema japonês. Foi a época do "Kaiju Boom" (ou "Explosão dos Monstros") que marcaria a cultura pop japonesa para sempre. Com a popularização da TV na década de 1960, os monstros continuariam seu reinado na tela pequena, com a geração de ouro da Tsuburaya Pro, que trouxe as séries Ultra Q (1966), Ultraman (66) e Ultra Seven (67). A Toei Company, com seu Robô Gigante, também marcava posição, mas outros estúdios foram também explorando o filão. 

Em 1971, as séries O Regresso de Ultraman e Spectreman deram origem ao segundo "Kaiju Boom", que foi atropelado pelo sucesso do primeiro Kamen Rider, um herói de tamanho humano. O fenômeno que gerou muitas séries de heróis de tamanho humano marcou o "Henshin Boom", a explosão dos heróis que tinham uma pose especial de transformação (ou "henshin" em japonês). Heróis de tamanho humano, como o Kamen Rider, passaram a ser a bola da vez na mídia, mas os gigantes ainda tinham público.

A década de 1970 viveu uma grande invasão de super-heróis que consagraram o gênero tokusatsu (efeitos especiais) na TV, com vários estúdios lançando seus heróis, gigantes ou não, todos buscando um espaço na atenção das crianças e adolescentes. 

Um desses heróis foi Iron King, um curioso projeto do estúdio Senkosha para a emissora TBS e que merece uma análise cuidadosa. Em um primeiro olhar, aparenta ser mais um dos muitos clones de Ultraman e Ultra Seven, mas o conceito e estrutura da série eram bem diferentes de tudo que havia sido feito anteriormente nessa área. 
O poderoso Iron King, contra o robô Gyro-Gesu,
do maligno Clã Shiranui.
Os agentes secretos Gentaro Shizuka e Goro Kirishima

A história começa com o Clã Shiranui se reunindo para planejar o início de sua vingança de 2 mil anos. No passado, foram vencidos pelo Clã Yamato, que eventualmente daria origem ao povo japonês. Para cumprir seus planos de tomar o país para si, eles possuem poderosos robôs gigantes, mas o lider Taro Shiranui alerta de que a Força de Segurança Nacional do Japão está ciente de seus planos e enviou seu melhor agente secreto para destruí-los. Seu nome é Gentaro Shizuka e ele é temido por sua habilidade e astúcia. 

Geralmente vestido de cowboy, Gentaro (leia "Guentarô") carrega consigo vários explosivos e, principalmente, seu artefato Iron Belt, que se transforma em corda de escalada, espada ou chicote. Com ele, o agente é capaz de enfrentar até monstros e robôs gigantes, conseguindo derrotar vários deles. Mas o primeiro episódio, que faz as apresentações, não é um primor.
Shoji Ishibashi é Gentaro Shizuka, o agente secreto.
Ao invés de começar mostrando uma ameaça digna de temor com algum ataque, a história começa com o líder do clã falando de seus planos e já anunciando o herói que devem temer e destruir. Logo, encontram Gentaro por acaso e, antes de se mostrarem uma ameaça, já levam a primeira surra. E Gentaro ainda destroi o primeiro gigante de metal, Vacumira, que estava dando muito trabalho ao Iron King. Durante essa primeira missão, a dupla conhece a andarilha Yukiko Takamura, que os acompanha no início da jornada contra o Clã Shiranui. 

O roteiro do primeiro episódio não convence e nem empolga, mas melhora muito ao longo da série, conforme as situações vão se desenvolvendo. 

Gentaro é um jovem alegre e sorridente, mas também um lutador implacável, às vezes bastante frio e calculista para conseguir seus objetivos. Ele é o personagem central. 

A série gira em torno de Gentaro Shizuka, o agente secreto que consegue derrubar monstros gigantes, por quem as garotas se desmancham de paixão e que sempre está pronto para a ação. Algumas vezes aparenta ser insensível, chegando a colocar inocentes em perigo para conseguir atrair os inimigos. Mas não é que ele não se importe com a vida humana. É que, em vários momentos, ele é tão auto-confiante em suas habilidades que até extrapola os limites da cautela e do bom senso. E ainda assim, possui uma simpatia e carisma autênticos. 
Goro prepara o Iron Shock para se transformar.
Sempre a seu lado, há seu auxiliar, Goro Kirishima, que é um tanto desajeitado, está longe de ser um grande lutador e se veste de modo curioso, geralmente com roupa de alpinista e está sempre com um chapéu vermelho. Gentaro acha um mistério terem enviado para ele um ajudante tão desastrado, mas eles logo ficam muito amigos, como dois irmãos. E Goro tem um grande segredo por trás de sua convocação para auxiliar e proteger Gentaro. 

Goro era um alpinista que foi atingido por um raio e foi salvo da morte pelo cientista Dr. Tsushima, que o transformou em um ciborgue. Ele ganhou o poder de se se transformar no gigante Iron King. 

Ele ativa a transformação segurando as abas de seu chapéu e gritando "Iron Shock!". Como Iron King, ele tem 45 metros de altura e pesa 550 mil toneladas (!!). Seus golpes mais poderosos são o Iron Kick, o Iron Fire e o Iron Flash. O herói também era capaz de voar e tinha enorme resistência e força bruta, mas também tinha um ponto fraco bem marcante. 

A abertura original, bem curtinha e empolgante,
com a grande voz de Masato Shimon:



A fraqueza do gigante é a desidratação. Ele perde água rapidamente e, quando sua energia se esgota, ele volta à forma humana. Por conta da necessidade de hidratação constante, Goro está sempre com sede e bebe quantidades absurdas de água. Mesmo vendo isso e sabendo da fraqueza de Iron King, Gentaro ingenuamente não percebia que Goro e o gigante avermelhado eram a mesma pessoa. Afinal, ele não era tão brilhante assim, pois só vai ligar os pontos no final da série, sem nunca ter visto Goro se transformar. 

O Clã Shiranui é derrotado no episódio 10, pouco antes de se iniciarem os ataques do Partido de Oposição Independente, um grupo terrorista disposto a derrubar o governo japonês e tomar seu lugar. E no capítulo 18, a nova ameaça a ser enfrentada por Gentaro e Goro passa a ser um grupo de invasores espaciais, os Titanians. A série é composta por três sagas de 8 a 10 episódios cada, com os heróis enfrentando grupos de malfeitores. Esses arcos narrativos que iam direto ao ponto deram uma grande dinâmica às histórias e foram outro diferencial de Iron King. 

Nos bastidores, muitos talentos

A criação e roteiro foram de Mamoru Sasaki (1936~2006), um dos escritores das séries Ultra originais e que teve uma carreira prolífica, tendo colaborado com os renomados diretores Nagisa Oshima e Akio Jissouji. Seu projeto foi vagamente inspirado em uma série da Senkosha intitulada Onmitsu Kenshi The Samurai (1962), que mostrava uma dupla de agentes especiais enfrentando diversas ameaças para proteger a nação. 

Com a criatividade de Mamoru Sasaki e uma equipe de produção altamente competente, o público ficou conhecendo um seriado que apresentou inovações e tentou oferecer uma narrativa diferente do que estava sendo feito. Havia violência, um pouco de humor e muito drama, com várias mortes trágicas, mas no geral as situações eram suavizadas, pois era uma atração da hora da janta (19h00) de domingo. 
O roteirista Mamoru Sasaki.

Em um episódio, há um diálogo interessante entre Gentaro e a namorada de um homem que havia se unido ao Partido de Oposição Independente. Ela diz que Gentaro lutava apenas seguindo ordens, mas seu amado lutava em nome de suas crenças. O diálogo soa assustadoramente real para mundo de hoje, e foi escrito há 45 anos. 

Na parte técnica, os efeitos especiais seguiam os padrões de qualidade da época, com uma produção bem razoável. Alguns de seus responsáveis, inclusive, vieram da Tsuburaya Pro

Mas o que tornou a série especial foi a ousadia de mudança de foco, com um herói gigante que raramente salvava a situação e com o agente Gentaro, um humano sem um traje ou poder especial fazendo a maior parte do trabalho. 

Era comum ver Gentaro salvando a pessoa que deviam proteger e depois destruindo tanto os inimigos de tamanho humano quanto os monstros gigantes. E ainda assim, Goro é um personagem simpático, enquanto Iron King se mostrou um super-herói falível, sem perder a aura de lutador poderoso. A série foi um grande desafio para o roteirista Mamoru Sasaki, que assinou todos os episódios, inclusive tendo que reescrever alguns por problemas de percurso. 

Um acidente de filmagem fez mudar os planos. A atriz que interpretava a Yukiko Takamura, Chieko Moriyama, sofreu queimaduras durante uma gravação. O susto e a constatação de que não havia normas de segurança para proteger os atores em cenas perigosas a fez abandonar o trabalho. A personagem acabou eliminada da trama no episódio 6 e Mamoru Sasaki teve que reescrever alguns episódios às pressas. 

Originalmente, seria bastante explorado o dilema sentimental de Yukiko, que era descendente do clã Shiranui e amava Gentaro. Uma estrela em ascensão, a atriz Chieko Moriyama continuou sua carreira de sucesso, longe de monstros e super-heróis. E falando em garotas que caem de amores por Gentaro, quase todas que apareciam na série se apaixonavam pelo herói e algumas até ganharam um rápido beijo na boca (isso numa série dos anos 70), mas quase todas tinham um destino trágico. 
Iron King - O herói de 45 metros de altura, pesava
inacreditáveis 550 mil toneladas. Algo pesado assim destruiria
qualquer cidade só de andar entre os prédios.
O elenco teve alguns convidados ilustres para os fãs de tokusatsu, como Mitsuko Hoshi (ep. 8), que foi a heroína Yuko Minami de Ultraman Ace Kou Mitsue (eps. 12 e 13), que foi o oficial Ueno, em O Regresso de Ultraman. E emoldurando os esforços de uma produção cheia de boas ideias e artistas talentosos, havia a trilha sonora, um show à parte.

Na parte musical, brilhava o trabalho de Shunsuke Kikuchi, um dos maiores compositores de trilhas sonoras do Japão. Nascido em 1931, ele assinou as trilhas para as primeiras séries Kamen Rider, o filme Kamen Rider ZXJunborg Ace, Henshin Ninja Arashi e várias outras produções de tokusatsu. Também vale ressaltar que ele compôs trilhas sonoras para os animês Tiger Mask, Getter Robo, Gaiking, Grendizer, Dr. Slump, Dragon Ball, Dragon Ball Z, Doraemon e as cultuadas séries policiais G-Men´75 Key Hunter. Atualmente com 86 anos, Shunsuke Kikuchi está aposentado, mas seu trabalho em Iron King foi soberbo e o músico é reverenciado até hoje, entre tantos trabalhos memoráveis que ele produziu. 

Mas, independente dos talentos envolvidos, foi a proposta da série que fez de Iron King um clássico de seu tempo. Para entender um pouco sua estrutura diferenciada e o êxito criativo que alcançou, é preciso ter em mente que os heróis foram interpretados não por iniciantes (que é o mais comum), mas por dois astros - um deles um ídolo juvenil da época - e isso fez muita diferença. 

O carisma dos heróis

Shoji Ishibashi, o Gentaro, nasceu em 1948 e começou a trabalhar profissionalmente como músico e ator em 1969, aos 21 anos. Em 1970, atuou em uma adaptação do lendário mangá Ashita no Joe, no papel central do boxeador Joe Yabuki. Em 1971, participou de dois episódios de O Regresso de Ultraman, no arco do monstro Terochilus (eps. 16 e 17) e atuou em muitas produções para cinema e TV, com estilos variados. Grande astro dos anos 70, teve êxito profissional tanto como ator quanto como cantor. Em Iron King, vale frisar, demonstrou grande preparo físico, protagonizando ele mesmo boas cenas de ação e combate.

Seu maior êxito musical veio com "Yoake no teishaba" (ou "Estação Tristeza"), lançado em janeiro de 1972 e que vendeu mais de 490 mil cópias. O trabalho foi um dos grandes sucessos daquele ano, o mesmo em que estrelou Iron King. A canção foi tão popular que lhe valeu uma apresentação no disputado festival Koohaku Utagassen, realizado sempre na véspera de ano-novo com os cantores de maior sucesso de cada ano. Ele teve uma carreira de prestígio, tanto como ator como cantor. Atualmente com 69 anos, está meio afastado da mídia, mas eventualmente vai a programas de TV interpretar seu maior sucesso musical. 

O astro Shoji Ishibashi. De Ashita no Joe a Iron King,
muito carisma nas telas.
Em entrevista ao pesquisador americano August Ragone em 2001, ele contou que o traje de caubói foi ideia sua, e que ainda guarda o figurino da época. E também contou que sua frustração foi não ter sido o herói que se transformava, apesar de ser o personagem principal da trama. 

A honra e desafio de ser o herói cômico Goro e alter ego de Iron King foi do ator Mitsuo Hamada. Nascido em 1948 e já com grande experiência em cinema e TV, foi a aposta certeira do estúdio para atuar ao lado de Shoji Ishibashi e não ser ofuscado. Seu personagem Goro é brincalhão, meio desajeitado e muito sentimental, sendo algumas vezes a consciência do impetuoso Gentaro. 

Muitas vezes, Gentaro e Goro pareciam dois garotos se divertindo, enquanto outras, uma dupla de profissionais sérios e de sintonia imbatível. A química entre os atores foi uma das fórmulas de sucesso da produção. Outro acerto foi mostrar diferentes grupos inimigos ameaçando o Japão, um após o outro, o que na verdade deu três batalhas finais ao longo da série, todas intensas. 

A marca do Rei de Ferro

Iron King era exibido no canal TBS aos domingos, às 19 horas, e estreou em oito de outubro de 1972, com 12,7% de audiência, o que foi considerado ótimo para um personagem estreante. No mesmo mês, seus maiores concorrentes, Ultraman Ace e Kamen Rider (que haviam estreado bem antes), tinham suas audiências em patamares acima de 20%. Com muito esforço, Iron King chegaria a 16,1%, mas depois caiu bastante. Recuperou-se um pouco no final, com 7.6% em seu episódio derradeiro, exibido em 8 de abril de 1973. 

A série, que tinha seu público fiel, terminou com 26 capítulos, pois a produtora queria um outro tipo de série para concorrer com o grande sucesso daquela época, o animê Mazinger Z, criado por Go Nagai. O sucessor de Iron King produzido pela Senkosha acabou sendo o robô gigante Red Baron, de 1973. O escritor Mamoru Sasaki ainda tinha planos para mais um arco de histórias, mas conseguiu concluir bem a saga dos Titanians e entregou um desfecho bom para a série. 

Lembrado apenas pelos fãs mais hardcore (em parte por não fazer parte de uma franquia), Iron King teve o lançamento da saga completa em DVD legendado nos EUA em 2007, pela BCI Eclipse. No Japão, está disponível tanto em DVD quanto em Blu-ray pelo selo Huming, da distribuidora Victor Entertainment. Em 2011, Iron King foi remasterizado e faz parte do catálogo da Digital Ultra Series, uma divisão da Tsuburaya Pro. Poderá ele ganhar uma nova versão no futuro? Seria muito interessante, mas exigiria bastante arrojo e coragem.
Em uma inusitada inversão, o gigante Iron King era
o apoio para o verdadeiro herói da série, o agente Gentaro.
Hoje em dia, seria praticamente impensável criar uma produção infanto-juvenil em que o herói-título e grande chamariz para o merchandising de brinquedos fosse o coadjuvante de sua própria série. E um eventual remake só faria sentido se preservasse suas características únicas. 

Sobre essa possibilidade, ela pode se concretizar em breve. No último dia 4 de novembro, estreou no Japão o filme Brave Storm, que junta novas versões de Silver Kamen e Red Baron, heróis clássicos da Senkosha. Segundo sites de fãs têm reportado, há uma cena pós-créditos em que aparece uma sombra que parece ser de Iron King. Porém, ainda não há nada confirmado sobre uma continuação de Brave Storm ou mesmo sobre um retorno de Iron King. 

Com um formato inusitado e ousado, o velho Iron King deixou sua marca no universo dos heróis japoneses. Revisto hoje, a ingenuidade das histórias e situações, bem como a produção, parecem bem datadas. Mas, uma vez que se entre no clima da série, suas histórias, personagens e atmosfera geral soam, ainda hoje, formidáveis. 


- Agradecimentos especiais ao
leitor Ricardo Cerdeira.
IRON KING ~ アイアンキング
Estreia no Japão: 08/10/1972
Total: 26 episódios
Emissora: TBS


Criação e roteiro: Mamoru Sasaki
Trilha sonora: Shunsuke Kikuchi
Desenho de produção: Noriyoshi Ikeya e Yoshiko Sakurai
Efeitos especiais: Koichi Takano, Kiyoshi Suzuki, Masataka Yamamoto e Toru Sotoyama
Coreografia (direção de ação): Eiji Takakura (Wakakoma Productions)
Direção: Shozo Tamura, Noriyaki Yuasa, Hiromu Edagawa e Toru Sotoyama
Produção: Norio Kobayashi (Senkosha) e Yoji Hashimoto (TBS)
Realização: Senkosha / TBS

Elenco:
Gentaro Shizuka: Shoji Ishibashi
Goro Kirishima: Mitsuo Hamada
Yukiko Takamura: Chieko Moriyama
Noriko Fujimori: Chiaki Ukiyo
Dr. Tsushima: Hajime Izu
Taro Shiranui: Shinzo Hotta
Dublês: Wakakoma Adventure Group

::: E X T R A S :::

1) "Yoake no teishaba" (夜明けの停車場 ou "Estação da tristeza")
Letra: Haruki Tanko / Melodia: Gendai Kanô
Vocal: Shoji Ishibashi
- O maior sucesso da carreira de Shoji Ishibashi, lançado em 1972. A canção é considerada um dos grandes clássicos daquela época.



2) As 10 melhores lutas do Iron King:
- Repare que, na luta 3, aparece o chicote do Gentaro e é ele quem liquida os inimigos. Nas lutas em que não aparece o Iron King destruindo o robô adversário, é porque o golpe final foi do Gentaro. De fato, ele era um coadjuvante de sua própria série. 



3) "Iron King" - Versão completa do tema de abertura.
Letra: Mamoru Sasaki / Melodia: Shunsuke Kikuchi
Vocal: Masato Shimon



Onde assistir: 

O canal de YouTube Cine Rede Tokusatsu disponibilizou a série completa, com legendas. Note que é material não-oficial, traduzido por fãs, sem intenção de lucro. 

Não costumo divulgar material não-oficial, mas tendo em vista a remota chance de Iron King passar no Brasil, estou divulgando esse link temporariamente (logo irei apagar para evitar problemas com direitos autorais). Clique aqui.

Onde comprar:

- No site japonês da Amazon, tem DVD e Blu-ray originais, com entrega para o Brasil (em japonês, sem legendas).
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14 comentários:

Usys 222 disse...

Vi o primeiro episódio seguindo sua indicação. E tive sentimentos contraditórios ao terminar de assistir.

A interação dos dois personagens é muito boa, logo desde o começo. É como se o Robô Gigante pudesse falar e se transformar em um ser humano sem que Daisaku soubesse. Os heróis seguem o padrão da época, como dois andarilhos que enfrentam seus inimigos e ajudam as pessoas.

Por outro lado, a produção é pobre, como é de se esperar. O Iron King nem usa algum tipo de golpe especial ou arma, sendo que Gentaro tem de fazer a maior parte do serviço, até se dependurando no inimigo gigante. Assim deu a impressão de que o Iron King tinha só tamanho e não servia para nada.

Mas posso ver na matéria que as coisas vão melhorando e ganhando tons dramáticos e políticos. Esse questionamento de lutar seguindo ordens ou por ideais é bem frequente e até já vi em She-Ra. A diferença é que, pelo visto em Iron King, o herói é quem recebe ordens e o vilão é o idealista. E ao ver a descrição dos membros do tal Partido, dá para ver que é algo que não poderia ser exibido nos dias de hoje.

Entre os nomes tem um que me chamou a atenção: Noriyoshi Ikeya, que pintou o Alien Metron daquele jeito e fez designs de vários monstros em Ultra Seven e O Regresso de Ultraman. Também tem o Koichi Takano, diretor de efeitos especiais para várias séries, mestre de Hiroshi Butsuda. Realmente uma equipe de primeira.

Silver Kamen e Red Baron, ambos da Senkousha, tiveram um remake reunindo os dois, o Brave Storm, com a Chihiro Yamamoto. Se esse filme fizer sucesso, pode haver uma chance para o Iron King.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Realmente, a interação dos atores é boa desde o princípio, mas a condução da história é ruim. O Iron King parece um inútil no primeiro episódio, os vilões tomam uma surra antes de se mostrarem uma ameaça real e o líder deles, o Taro Shiranui, parece que está constipado o tempo todo. E foi graças a uma conversa no Twitter com o Ricardo Cerdeira que eu resolvi dar uma nova chance ao seriado. E não me arrependi, pois é muito legal!!

E olha só, eu fiquei sabendo que há uma cena pós-crédito nesse filme Brave Storm e nela aparece a silhueta que parece ser a do Iron King. Isso que é sincronicidade! Até reescrevi um trecho do post para incluir essa informação. Vou dar uma olhada no Silver Kamen e Red Baron antes de tentar ver o Brave Storm. Nunca tinha visto nada da Senkosha e fiquei com uma boa impressão. Me lembrou a P-Production.

Valeu! Abraço!

Ricardo Cerdeira disse...

Texto fantástico como sempre, Nagado.

Iron King foi a primeira produção da Senkosha que vi. Depois de assistir ao primeiro capítulo de Iron King também estranhei bastante. Os valores de produção pareciam mais precários em relação aos da Tsuburaya e da Toei, não tive uma boa primeira impressão dos vilões e estava incerto como essa questão do alívio cômico ser a identidade secreta do herói seria desenvolvida.

Mas lá pelo quarto ou quinto episódio a maioria dos temores já havia se dissipado, e passei a gostar muito da série. Realmente a química entre Gentaro e Goro é o ponto alto, aliado a bons roteiros.

Eu particularmente acho que a série cai um pouco em seu último arco, contra os Titanians, mas o episódio final é muito bom.

Com relação a outras obras da Senkosha, recomendo bastante o Red Baron. A série embarcou no sucesso de Mazinger Z, mas conseguiu sua própria identidade. O elenco é bom (com destaque para a maravilhosa Rei Maki, uma das atrizes mais bonitas da década de 70 e para a entrada, a partir do episódio 27, do Tetsuya Ushio). Tudo isso aliado a roteiros do Shozo Ueharam que é o escritor principal da série.

Mach-Baron veio na sequência, e traz várias familiaridades com Red Baron. Tem Shozo Uehara nos roteiros e Jiro Dan no elenco. Mas tem um problema sério: não tem final. O último episódio termina com um acontecimento impactante, mas com a história claramente inconclusa. De todas as séries de tokusatsu que vi, apenas Mach Baron e Zone Fighter ficaram sem um fim propriamente dito.

Agora Silver Kamen é uma pequena preciosidade, principalmente em seus 10 episódios iniciais. Os dois primeiros episódios foram dirigidos pelo Akio Jissoji, e você pode encontrar várias características de seu trabalho. Ângulos pouco explorados, um tom meio claustrofóbico e sinistro. Os demais diretores seguiram essa diretriz. Talvez por causa dos índices de audiência, a partir do episódio 11 o Silver Kamen passou a ficar gigante, e perdeu um pouco do seu charme. Mas ainda foi uma produção muito boa.

Embora tenha sido a primeira dessas séries da Senkosha da década de 70, Silver Kamen seria a terceira lançada pela BCI, após Iron King e Red Baron, mas infelizmente ficou engavetada (provavelmente por baixas vendas). Uma pena.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Ricardo!

Olha como aquele papo no Twitter rendeu, hein! O Iron King (e a Senkosha) estavam no nível do que era visto em Spectreman e Kamen Rider. A Tsuburaya é que estava um degrau acima. Então, a produção não me incomodou pois eu sempre levo isso em consideração. O figurino "Incas Venusianos" do Clã Shiranui me incomodou mais. O Partido de Oposição achei o mais interessante de todos.

Não sabia que essas séries que mencionou ficaram sem um final conclusivo, isso é bem raro de acontecer no Japão.

Quando eu era criança, ficava fascinando com esses heróis e robôs gigantes que eu via em livros infantis japoneses. Depois, meu foco mudou um tempo para Metal Hero, Sentai e Rider. De uns anos pra cá, meu gosto se centrou nos Ultras modernos. Depois de ver Iron King, comecei a querer ver mais desses heróis antigos. A grande coincidência foi fazer a matéria do Iron King e depois ficar sabendo que corre um boato de seu retorno por conta da cena pós-créditos de Brave Storm. Agora vou ficar de olho nesse material, que me parece muito interessante. Assim como gosto muito da P-Production, a Senkosha está me conquistando. Talvez tenhamos mais material dela por aqui em algum momento no futuro.

Valeu, Ricardo! Abração!

Bruno Seidel disse...

De fato, o character design do herói lembra muito os Ultras da Tsuburaya. Do pescoço pra baixo se parece demais com o Ultra Seven.

Eu confesso que Iron Kinkg nunca me despertou tanto interesse, assim como Silver Kamen e outros kyodai heroes que surgiram naquela época. Sempre tive a sensação de que esse tipo de produção era uma "marca registrada" da Tsuburaya e que qualquer coisa feita fora dali seria uma "cópia piorada" de Ultraman.

Mas parece que, pelo post aqui no blog, Iron King tinha elementos que realmente são dignos de um olhar atento. Esse destaque para o protagonista Gentaro Shizuka parece ser mesmo o ponto forte da série.

Parabéns pelo post repleto de informações e requinte nas observações. Me lembrou da época da Herói em que o único jeito de se inteirar sobre uma série desconhecida era lendo as matérias e fazendo a imaginação rolar solta. hehehehehe

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Bruno!

Valeu, acho que ficou parecendo mesmo uma daquelas matérias que eu fazia na Herói, eh eh. Mas espero que eu escreva melhor hoje em dia. E o bom é que hoje, com a internet, dá pra ver muita coisa que antes nunca chegaria até nós.

O Iron King derrubou meus preconceitos e agora adoro a série. Vou separar um tempo pra ver um pouco de outras coisas da Senkosha.

Mas neste momento, estou pesquisando para um novo post sobre o Ultraman Geed. Sai em breve, aguarde.

Abraço!

Aniki disse...

Fala, Nagado.

As legendas de Iron King ficaram por conta de um conhecido meu, ex-membro do extinto fã-clube Neo Animation, que também se prontificou em legendar Red Baron e está conduzindo Jumborg Ace a passos lentos.

Se vi uns dois episódios de Iron King(sem legendas) foi muito, mas dava para perceber que sua atmosfera era bem diferente dos já costumeiros Ultras ou mesmo seus contemporâneos, como Spectreman e Mirrorman.

É curioso ver que ainda tem gente interessada em fazer legendas não oficiais para séries dos anos 70, ao ponto de já terem traduzido Kaiketsu Zubat e recentemente Strada 5. Seria legal também ver traduzido Wild 7, embora a meu ver ela tenha mais semelhanças com um seriado policial do que um tokusatsu propriamente dito.

De qualquer forma é uma pena que esse tipo de material dificilmente aportará de forma oficial por aqui, já que o público fã é restritamente restrito. Então temos que aproveitar essas oportunidades para matarmos nossa curiosidade.

Abraços.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Sr. Aniki!

Existem séries antigas, feitas sem recursos, que são verdadeiras pérolas de criatividade. Assim como Iron King, há muita coisa bacana a ser descoberta.

Algum tempo atrás, descobri um canal que estava legendando e inglês o Kamen Rider original. Vi o primeiro episódio e achei muito legal. Infelizmente, a Toei conseguiu tirar o canal do ar antes que eu conseguisse ver mais coisas. E não estava sabendo do Zubat. Vou dar uma conferida qualquer hora dessas.

Valeu, Aniki! Grande abraço!

Livre do Sistema fanático disse...

Bela matéria Nagado,conheci Iron King em uma foto em um livro no começo dos anos 90 e só fui assistir os primeiros episódios no começo de 1999 em VHS,como fã da família Ultra minha curiosidade sempre foi assistir essas séries de outros heróis gigantes que gosto muito ..eu tenho uma revista chamada " Kodansha File Special " lançada em fascículos entre 2005/06 onde cada edição abordava uma série clássica e também trazia matérias extras onde uma delas é uma entrevista com o Shoji Ishibashi relembrando os tempos do seriado Iron King e até tem fotos do ator com o traje e o chapéu que usou na época. Parabéns pela matéria gostei muito.

Alexandre Nagado disse...

Olá, obrigado pelo apoio!

O Iron King é um daqueles tesouros de uma época realmente interessante, com muita experimentação. O Shoji Ishibashi nunca mais fez nada ligado a tokusatsu depois do Iron King, mas tem uma relação muito carinhosa com o trabalho feito.

Espero que encontre aqui outras matérias. Apareça mais vezes pra comentar.

Abraço!!

job Marques disse...

Bela matéria. Escrevia e escreve bem. Conhece e gosta do assunto,são predicados irrepreensíveis pra este ofício. Aliás meu gosto está parecido com o seu ultimamente. Estou a cata de heróis e produções daquela época, garimpando o ouro dos Tokusatsus, cada descoberta uma alegria ,claro jamais traço comparações com os ultras , especialmente com El regresso... Os episódios dirigidos por Ino inoshiro Honda são absolutamente impactantes , mesmo numa produção pra TV Num seriado de 25 minutos consegue criar uma atmosfera única e atemporal tão interessante que não se repetiria nas séries seguintes ( Referência Eterna!). Parabéns pelo trabalho !

Alexandre Nagado disse...

Valeu a força, Job!

Realmente, tem muitos tesouros atemporais entre os clássicos. Vale a pena dar uma pesquisada. E falando no Ishiro Honda, futuramente penso em fazer um artigo sobre ele, que foi um dos pilares do tokusatsu. Mas vai ficar para depois das férias, creio eu.

Já vou dar uma desacelerada nas postagens, mas acho que publico ainda umas duas ou três coisas ainda.

Abraço!!

Guigo Teles disse...

Saudação....,hoje, na pesquisa por saber a estreia da serie, veio o link -titulo sobre este Kyodai Hero. Bem, abrangente são as informações,curiosidades desta matéria. Estou no episodio 7, e amando , a variação de componentes...gosto intensamente desta categoria: K.H.,estou alternando series antigas e recentes,nos 2 últimos anos..,meus olhos brilham mais,com as clássicas!,amo Henshin Hero!,você traz temas interessantes,como a da canção que toca no Ultraman Jack.,episodio:Um novo tipo de Vida(senão,me engano).., Só Elogios!..,UM EXCELENTE 2018!..,

Alexandre Nagado disse...

Olá, Guigo Teles!

Fico contente que tenha gostado do blog e sua variedade. Se navegar bastante, verá que procuro cruzar diferentes áreas da cultura pop japonesa, permitindo uma visão abrangente dos assuntos.

Apareça mais vezes.
Abraço!