terça-feira, 21 de novembro de 2017

Autor de Samurai X é preso por posse de pornografia infantil

A prisão do autor de Samurai X e algumas considerações sobre o ambiente no qual ele praticou seus crimes relacionados à pedofilia.

- Atualização no final do post em 27/02, com a divulgação da condenação e pena do autor.
Rurouni Kenshin - Samurai X - A mais famosa
criação de Nobuhiro Watsuki.
Segundo amplamente divulgado na imprensa internacional, hoje foi preso no Japão o autor de mangás Nobuhiro Watsuki, o autor do famoso mangá Rurouni Kenshin - Samurai X. Um grande sucesso de público e crítica, gerou uma franquia que inclui vários animês e aclamados filmes live-action.

O autor, que já esteve no Brasil em 2015, foi preso por posse de pornografia infantil, como DVDs com crianças e adolescentes. No Japão, esse tipo de crime é tipificado desde 2015, em grande parte pelas pressões internacionais. 

Preso, ele confessou assediar meninas e que tinha forte atração por meninas entre 6 e 15 anos, o que o caracteriza como pedófilo. Ao que parece, não chegou às vias de fato, mas o caso ainda está sendo investigado e ele está em prisão temporária. Mas a posse de material pornográfico já foi comprovada e é o suficiente para mantê-lo na cadeia até o julgamento. De acordo com a legislação japonesa, a condenação por posse de pornografia infantil leva à prisão por até um ano e multa de até 1 milhão de ienes (cerca de R$ 30.000).
O autor Nobuhiro Watsuki.
Vale lembrar que existe no Japão uma grande condescendência velada com relação à exploração sexual de menores. O mundo das idols, as cantoras e modelos promovidas com mão de ferro por empresas que controlam suas vidas, fatura muito com esse tipo de exploração. 

Sem recorrer à nudez explícita, é comum encontrar no Japão álbuns de fotos e vídeos com idols menores de idade (em geral, adolescentes) posando de lingerie ou trajes de banho em poses sensuais. A prática sempre aconteceu no showbizz japonês, o que é uma porta de entrada para situações ainda piores e ilegais de exploração sexual. É possível encontrar vestígios dessa cultura predatória espalhados por vários nichos de entretenimento criados lá. 

Existem mangás e animês pornográficos que usam personagens crianças e adolescentes em cenas pesadas de sexo. Mesmo em produções de mangá e animê mainstream, é comum encontrar nudez e situações maliciosas com personagens adolescentes. Vai ficando cada vez mais óbvio que está mais do que na hora do mercado japonês rever essas práticas. Que, vale lembrar, só encontram mercado porque esse tipo de produto sempre teve um público cativo. 

Nobuhiro Watsuki, de 47 anos, estava produzindo a saga Hokkaido, dando continuidade à Rurouni Kenshin, trabalhando junto com a esposa Kaoru Kurosaki. A editora Shueisha já se pronunciou dizendo que o trabalho entra em hiato por tempo indeterminado.

A julgar pela forma como a sociedade japonesa reage quando um artista é preso, pode ser o começo do fim da carreira de um autor que poderia ter um lugar de honra na tradição dos quadrinhos japoneses. Sendo considerado criminoso e dependendo ainda de agravantes que podem surgir, seu crime já maculou uma carreira até então exemplar. 

Atualização (27/02/2018):

- Nobuhiro Watsuki foi condenado a somente pagar uma multa em dinheiro e foi solto. Ainda não se sabe quais os rumos de sua carreira no momento. 

Veja mais informações no blog Biblioteca Brasileira de Mangás.

30 comentários:

Super Gisele - ジゼレ disse...

Acho que o exemplo sobre esse tipo de prática deve começar a acontecer por algum lugar, no Japão.
Acho que já está mais do que claro, mesmo que seja por pressão internacional, que o governo do Japão quer que isso acabe.

Mesmo que isso ainda faça parte da cultura, acredito que há um movimento de reflexão sobre o assunto, na atualidade.
Se eu tenho uma cultura e, de algum modo, essa cultura prejudica algum ramo da sociedade(no caso, crianças e adolescentes) ela deve ser revista. E dentro dessa revisão de valores, acho que a decisão de prender alguém conhecido foi um começo para o basta.

Entretanto, ficamos infelizes sobre quem foi o exemplo! Watsuki é muito bom no que faz e sabemos que a carreira dele pode não continuar...

Stefano Barbosa disse...

Vou bancar o "advogado do 666". Defendo que se averigue mesmo a acusação, pois isso pode gerar uma "escola base".
Curioso que aqui no Brasil 1 certo ícone da MPB se deitou aos 40 anos com 1 garota de 13 em 1982. Estranho que isso não maculou muito a carreira dele. Que dizer também de certo ex-futebolista valentão... que agrediu a vários colegas... além de árbitros... e inclusive causou a morte de 1 família num acidente ?? Continuou ídolo!! Piada !
Independente da acusação contra Watsuki, sempre vou considerar Kenshin um dos grandes animes de sempre.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Gisele!

Sim, isso que você falou é importantíssimo. Culturas regionais podem e DEVEM ser revistas. Não se pode relativizar o valor de uma vida ou da inocência. Senão, estaríamos fazendo sacrifícios rituais até hoje.

Vemos uma tendência global, em nome do politicamente correto, de se relativizar valores. Anos atrás, esse caso do Watsuki passaria batido no Japão. Hoje, com as pressões internacionais, pode ser que a prisão dele seja exemplar.

Obrigado pela participação!
Abração!!

Stefano Barbosa disse...

Se Watsuki fosse da turma de Polanski, pouco seria incomodado pela justiça.

Stefano Barbosa disse...

Nagado, toda acusação sexual deve ser investigada seriamente... pra evitar 1 nova "Escola Base".
https://www.youtube.com/watch?v=ba7WOYfPbm0

Alexandre Nagado disse...

Oi, Stefano. Sim, a mídia sempre trata dois pesos e duas medidas, mas espero que o fato dele ser um artista famoso não seja atenuante, muito pelo contrário.

O que foi divulgado é que ele confessou a posse de material, bem como assédios cometidos. Se ele chegou a abusar de alguma, isso ainda não se sabe.

E sim, lembro do triste caso da Escola Base. Mas parece que essa prisão foi fruto de um processo de investigação envolvendo vendas feitas por uma loja clandestina de material pornográfico ilegal. Tendo mais alguma novidade, posto por aqui.

Obrigado pelas participações pertinentes.
Abraço!

César Filho disse...

Vi alguns comentários nas redes sociais comparando este caso do Watsuki com o do mangaká Mitsutoshi Shimabukuro, que foi preso em 2002 por pagar ¥80,000 para uma garota de 16 anos fazer sexo e que retomou suas atividades em 2008 com Toriko, pela Shonen Jump (a mesma que cancelou o mangá Seikimatsu Leader den Takeshi! quando Shimabukuro foi preso). Apesar dessa "mancha" em sua carreira, os japoneses, por sinal, aceitaram seu retorno. Hoje em dia, as leis do Japão são mais rígidas. É um crime previsto nesta legislação de julho de 2015. Acredito que a carreira de Nobuhiro Watsuki corre o risco gravíssimo em tempos onde o barulho das redes sociais (reação do público na internet) pode atrapalhar qualquer chance de recomeço para o mangaká no futuro.

Alexandre Nagado disse...

Fala, César!

Sim, bem lembrado esse caso do autor de Toriko. Com as leis mais rígidas de hoje em dia, Watsuki está realmente encrencado. O que é uma pena é que um trabalho tão icônico ficará para sempre manchado pelo que aconteceu.

Acredito que mais casos comecem a vir à tona, a exemplo do que tem acontecido nos EUA.

O duro não é constatar que artistas que admiramos são sujeitos às virtudes e defeitos de qualquer ser humano. O pior é perceber que alguns podem ser pessoas da pior espécie.

Esse caso ainda vai dar muito o que falar.

Valeu! Abraço!

Usys 222 disse...

"Nishiwaki" cometeu um crime e isso deve ser punido... mas não a obra de "Watsuki", que deve ser poupada de detratações e depreciações.

Esta é minha posição sobre o caso.

Alexandre Nagado disse...

Tem razão, Usys.

Você se referiu ao sobrenome verdadeiro do autor e é bem por aí. A pessoa dele está sendo investigada e poderá ser punida. Isso não altera em nada a qualidade dos trabalhos que ele fez até então.

Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Nagado... vou citar umas hipocrisias da mídia... pq a mídia pega mais no pé do goleiro Bruno que no pé de Guilherme de Pádua ??
Bruno voltou pro xadrez já Guilherme...
Sobre a noticia de abuso sexual...
o cineasta Roman Polanski foi meio que "anistiado" pela grande mídia.
a grande mídia chega a citar o filme "O pianista" como álibi ...

Alexandre Nagado disse...

Realmente, Stefano. A mídia é bastante seletiva. Também temos que tomar cuidado para não cair no clima de histeria de caça às bruxas como estamos vivendo, pois inocentes podem ter a vida destruída.

Não é o caso do Nobuhiro Watsuki, pois já é réu confesso. Mas temos que noticiar com cuidado mesmo, mas sem cair em relativizações. Certas coisas são realmente graves e devem ser tratadas com propriedade. Infelizmente, muitos relativizam e amenizam coisas graves com argumentos nada convincentes, porém convenientes.

Valeu. Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Quantos fãs de Michael Jackson (além da mídia) rechaçaram e até relativizaram as acusações de abuso contra ele?? Quando MJ morreu... as acusações morreram junto....

Alexandre Nagado disse...

Hum, no caso do Michael Jackson, parece que não havia provas e ele mesmo negava. Surgiram histórias contraditórias e oportunistas. Realmente, não tenho certeza de que ele fez as coisas que atribuíram a ele. E não sou fã do trabalho dele, apenas reconheço sua importância no cenário pop.

Stefano, gostaria de ficar no caso do Watsuki e da situação no Japão para esse tipo de caso. Percebo que você está querendo debater sobre todos os casos que já apareceram na mídia, e não é o caso aqui, por isso andei recusando comentário. Temos que manter o foco. Claro que contextualizar outros casos vistos na mídia aqui e ali é interessante, mas não debater cada um deles.

Valeu! Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Adoro o anime Rurouni Kenshin, mas jamais idolatrei Watsuki... (nem outro mangaká) no máximo reconheço o trabalho deles !! Todos as pessoas inclusive os ídolos não são imunes ao erro !

"O hábito não faz o monge"

anderson disse...

O pior é no forum do anime news network ver gente dizendo que agora
se deve desprezar Kenshin porque consumir o mangá e anime supostamente
tornaria o público cúmplice em crimes.Não é surpresa que esse mesmo
fórum já tenha havido gente dizendo que Little Witch Academia deve
ser proibido de apresentar romances hetero ou que crianças(não adoslecentes )poderem fazer tratamento hormonal para mudança de
sexo é um grande avanço.

blastred disse...

Nossa! Quando vi essa notícia fiquei pasmo! Demorou pra cair a ficha.

Que a obra e o autor merecem ser julgadas e avaliadas de forma separada, isso eu acredito que seja um consenso entre pessoas minimamente esclarecidas. Mas não tem como não relacionar o sucesso e a altíssima qualidade de Rurouni Kenshin ao nome do Watsuki. Por mais que a gente se esforce para tal, alguma mancha sempre fica e isso é tão incontrolável quanto triste.

Me lembrou também o caso do Aska, que teve sua carreira musical manchada pelos seus escândalos na vida pessoal. A obra pode até ser atemporal e eterna, mas sua relação com o autor também é inquebrável.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Anderson.

Estamos vivendo tempos perigosos de relativização da vida e inversão de valores. A massa dos idiotas úteis está jogando o bom senso no lixo.

Kenshin continua sendo um trabalho de altas qualidades, não virou uma porcaria porque crimes do autor foram descobertos.

Infelizmente, tudo vira histeria hoje em dia.

Valeu, apareça mais vezes por aqui.

Abraço!
PS: Sobre esse assunto que comentou no final, escrevi sobre isso no meu outro blog, o Reflexo Cultural:

https://reflexocultural.blogspot.com.br/2017/10/a-ideologia-de-genero-e-o-silencio-dos.html

Alexandre Nagado disse...

Fala Bruno!

O mais triste nisso tudo é exatamente a inevitável associação. Dá uma impressão ruim mesmo pensar no cara assediando garotinhas... E eu sou um cara que diz ser preciso separar a obra da pessoa do autor, mas cada um tem seu limite para conseguir fazer essa separação.

E pode esperar, mais casos irão aparecer, assim como tem acontecido em Hollywood.

Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Tem fãs que são coniventes com maus ídolos. Ex: fãs de funkeiro, fãs de Edmundo Animal.

Anônimo disse...

Olá! Nagado, tudo bem?
Marcos nos comentários...

Estou meio sumido, ocupado com estudos...

Esse caso do Watsuki, realmente, me causou muita tristeza. Admirava o cara por ser um "nerd" que influenciava positivamente outras pessoas com seu trabalho. Agora... Tal admiração foi pelo ralo.

Estou preocupado com o futuro do live-action de Kenshin. O quarto filme já estava enfrentando problemas por causa da gravidez não anunciada de Emi Takei, e agora essa bomba...
Espero que isso não seja motivo para cancelamento do filme.

É necessário que as pessoas tenham em mente que o trabalho de Watsuki precisa seguir. Kenshin não é algo "sujo", é um trabalho que merece ser valorizado, apesar das ações de seu criador.

Aniki disse...

Realmente esse caso pegou todo mundo no contrapé. Mas prefiro separar o joio do trigo. O trabalho do autor é uma coisa, sua conduta e caráter outra.

Quanto a essas acusações ridículas(como a dos usuários do Anime News Network) e boicotes internet afora só posso repetir a frase de Carlos Nascimento: nós já fomos mais inteligentes.

Abraços.

Adelmo Veloso disse...

Mestre Nagado!

Eis uma notícia bem triste. Nobuhiro é um autor que admiro bastante, pois desde garoto já tentava copiar um pouco dos traços dele em meus rabiscos. Triste que havia chances de crescimento profissional com a continuação de sua aclamada série...

Esse fato vai de encontro àquela matéria publicada aqui há algum tempo, onde jogos maldosos são feitos para pessoas que gostam desse tipo de coisa com menores de idade. Como os colegas já comentaram, é triste o país não tomar certas medidas para impedir tais produtos por conta dos consumidores, mesmo sendo algo claramente antiético (contra todos os bons costumes) para nós aqui no ocidente.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Marcos.

Eu não sabia que haveria mais um live-action do Kenshin. Muita gente falou bem desses filmes, ainda preciso tirar um tempo pra ver.

E o futuro da franquia está mesmo indefinido. Tudo vai depender do julgamento e suas repercussões. Mesmo condenado, um ano passa rápido. O problema é a credibilidade e o estado emocional dele. Essa condenação pública já deve ter feito ele repensar a vida. Ao menos, é o que espero.

E não vou me desfazer dos mangás que tenho, nem dos cards ou nada ligado à série. O que ele fez é condenável, mas ele continua sendo um criador que muito nos alegrou. Eu espero que ele dê a volta por cima, arrependa-se, pague exatamente o que a justiça de seu país estipular, repense a vida e volte a ocupar as notícias da área pop com trabalhos de qualidade. É isso.

Valeu! Abraços!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Adelmo!

O contato cada vez maior com o ocidente tem feito muitas empresas reverem suas práticas. Não que eu ache que o Japão deva seguir os moldes judaico-cristãos, mas eu acho que há coisas que transcendem diferenças culturais. A erotização da infância e adolescência é uma dessas coisas. Temos que evoluir como espécie, não ficar relativizando tudo por "diferenças culturais". Há quem diga que esse é um pensamento colonialista, mas há casos e casos. Há culturas em que a poligamia é permitida, outras que mutilam meninas para que nunca sintam prazer no sexo. Há coisas que falam diretamente à humanidade, ao que nos faz seres pensantes que vivem em sociedade. É nesse sentido que digo que as práticas devem ser revistas.

Voltarei a esse assunto oportunamente.

Obrigado pela participação! Abraço!!

Lukan Peixe disse...

Primeiro, dois fatos:
1 - O cara tem que se fud*r mesmo e com rigor
2 - A trabalho ficcional do cara é independente da conduta dele

Mas quero chamar a atenção pra algo mais complicado.

Eu sou da opinião de que deveria haver um grande muro entre ficção e realidade, onde o fato atual não deveria nem ser ligado diretamente com o ramo do entretenimento "não real".

Sejamos objetivos, a arte totalmente ficcional (aquela que é feita de pixel ou nanquim (idols não é o caso aqui e é discutível)) é um mero reflexo da ilimitada mente humana. Nós, de forma variada, precisamos de válvulas de escape para domesticar sentimentos negativos. Fúria, egoísmo, brutalidade, perversão, etc.

Artes desenhadas/modeladas são excelentes para isso, pois não fere ou mata ninguém de verdade para a sua confecção. No mundo ideal, isso nem deveria existir, mas como conservador, acredito que é esse tal de mundo ideal que não existe.

Se realmente deveria haver uma preocupação neste sentido, não deveria ser com as artes ocidentais, e sim com o perigo que vem crescendo aqui mesmo no nosso quintal. Vejo um desesperadora tendência de mulecada jovem em grupos pela internet, cada vez mais, fazendo piadas com termos CP e Gore REAL!

Vocês vão ficar ai debatendo a cultura/arte japonesa,enquanto essa TALVEZ fosse a chave para não deixar esta novo movimento virar moda. Digo talvez, porque não há muita comprovação disso, e pior, ainda nos dias de hoje, tem gente que cisma em falar que se você faz um fatalite no MK você ira se tornar um serial killer, e daí por diante.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Lukan! Obrigado por acrescentar mais camadas ao debate.

Veja, eu li (e sempre recomendo) um livro chamado "Brincando de Matar Monstros", do Gerard Jones. Ele fala do poder e da utilidade do efeito catártico da violência nas mentes, não apenas dos jovens. O mesmo vale para elementos fantasiosos ligados a fantasias de poder, seja de força bruta ou ligados à sexualidade. Isso é um ponto amplamente reconhecido.

Eu concordo com esse efeito catártico da violência gráfica. Não acho que games violentos (dentro de certos limites, claro) estimule violência, assim como gibis, filmes, etc... Muito pelo contrário, eles dão uma válvula de escape para que a violência não se concretize no real. No entanto, no caso da pedofilia e sua suposta apologia, já estamos pisando em um terreno bem mais delicado.

A pedofilia é um crime, mas também é tratada como um distúrbio mental com intensidades variáveis. Há uma diferença gritante entre um cara que sente atração por uma garota de 17 que já tem corpo de mulher e um cara que sente por uma menina de 7 ou 8 anos. Isso está num campo próximo da psicopatia, e talvez seja mesmo um tipo de psicopatia. E aí eu não tenho como avaliar se desenhos, games ou quadrinhos com exploração da imagem sexual de crianças ou pré-adolescentes vai incentivar um pedófilo ou um curioso. Só sei que, pra mim, há certas coisas que soam doentias, mas vêm embutidas em material mainstream. Talvez eu fale sobre isso no futuro.

Acho que de agora em diante essas questões vão aparecer cada vez mais, separando o que é mainstream do que é marginal. São questões que realmente correm em paralelo ao que aconteceu ao Nobuhiro Watsuki e acho que as discussões são válidas, mas temo por uma histeria generalizada e uma "caça às bruxas" que jogue numa vala comum coisas que não têm nada a ver com o objeto analisado. Fiquemos atentos.

Valeu pela participação! Apareça mais vezes!
Abraço!

Anônimo disse...

Quero lembrar outro artista envolvido em polêmica.
Hergé. https://pt.wikipedia.org/wiki/Herg%C3%A9
Ele foi acusado de cooperar com os nazistas, pois ele trabalhou num jornal colaboracionista. "Le Soir".

Lukan Peixe disse...

Opa, obrigado pela resposta e indicação de livro Alexandre. E realmente, não afirmo e nem defendo o uso catártico das peculiaridades japonesas, mas é um ponto que merece o debate, a pesquisa, a reflexão, e não o VAMO PROIBI TUDU! Até porque, qual vai ser o limiar para os banimentos? Se deixar vão jogar 80% do entretenimento Japonês (anime/mangá/jogos) no lixo. E em tempos de justiceiros sociais histéricos, todo o cuidado e cautela com leis e proibições é pouco; Eles estão afundando os HQ's Marvel/DC e adorariam fazer o mesmo no Japão.

Abraço o/

Eu Mesmo disse...

Se me permite discordar, não estou certo quanto à sua última afirmação, Sr. Nagado. Pelo que tenho visto, o politicamente correto tem na verdade mudado costumes: por exemplo, hoje quase ninguém faz piada sobre a raça de alguém --a menos que seja da raça em questão ou tenha mesmo muita cara-de-pau pra sair dessa ileso e aplaudido.

(O pessoal do P.C. também exagera muitas vezes, mas é inegável que houve várias mudanças para melhor.)

Relativizar costumes era mais fácil, pra mim, há até algumas décadas atrás, quando se podia bater na mulher ou dizer "isso é coisa de preto" (ou guardar fotos de menores) sem maiores condenações.