segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ultra Seven - 50 anos!

Um dos mais icônicos super-heróis do Japão já tem meio século de existência. É hora de olhar para seu passado e História. 
Capa de um livro comemorativo
lançado no Japão. 
Ultra Seven é um dos mais icônicos super-heróis do Japão, sendo um dos principais personagens da franquia Ultra. Exibido no Brasil na TV Bandeirantes, depois na extinta TV Tupi e na Record, é uma série com uma longa história em seu país de origem. 

O mega-sucesso Ultraman fora encerrado em abril de 1967 devido às dificuldades de produção. Em seu lugar, a emissora TBS colocou a série de ficção científica Captain Ultra, que era um personagem viajante espacial, um tema em alta na época. 

Nesse meio tempo, o estúdio Tsuburaya Pro se reestruturou e resolveram partir para uma nova série, com um pique mais voltado à ficção científica. Sobre o nome, o prefixo Ultra foi mantido para estabelecer uma ligação com Ultraman. E Seven, segundo consta em algumas referências, seria o "sétimo integrante" do Esquadrão Ultra (ainda que um dos seis fosse o próprio alter ego do herói). O nome do herói quase foi Redman (que viraria outro personagem anos depois) e acabou ficando mesmo Ultraseven (pode ser grafado desta forma também). Mas antes da escolha final, Ultra Seven era um nome pensado para uma série sobre homens pré-históricos. Caminhos tortos, esses. 

Originalmente, não havia a intenção de que as séries fizessem parte de um mesmo universo, coisa que só foi estabelecida anos depois, durante a série O Regresso de Ultraman (1971).
O gênio Eiji Tsuburaya junto com o
elenco da histórica produção.
Eiji Tsuburaya, que teve um papel predominante em Ultraman, como editor de roteiros e coordenador geral, participou bem menos de Ultra Seven. O ator Koji Moritsugu conta que foi escolhido pessoalmente por Eiji, que na época estava mais ocupado com seu trabalho de diretor de efeitos especiais para a Toho. Em 67, por exemplo, ele estava envolvido na produção de A Fuga de King Kong. Tudo para reunir mais dinheiro, que ele investiu no estúdio.

O homem de confiança na criação foi Tetsuo Kinjô, que escreveu os principais episódios. Além dele, os talentosos Shozo Uehara, Mamoru Sasaki e Shinichi Ichikawa também contribuíram, assim como fizeram em Ultraman. O design foi de Tohl (ToruNarita, cujo trabalho insuperável definiu um visual que funciona até hoje. O filho de Eiji Tsuburaya, Hajime, diretor talentoso, continuou com seu trabalho atrás das câmeras, coisa que deixaria para trás quando do falecimento de seu pai, em 1970.


UM CLÁSSICO DA FICÇÃO CIENTÍFICA


- A abertura brasileira, com uma bela locução que não existe no original.


Em 1 de outubro de 1967, Ultra Seven estreava na emissora TBS, tendo à frente o jovem modelo Koji Moritsugu (Dan Moroboshi), a ex-Miss Tóquio Yuriko Hishimi (Anne Yuri) e o veterano Shoji Nakayama (Cap. Kiriyama). O grupo também incluía os atores Shinsuke Ashiba (Soga), Sandayu Dokumamushi (Furuhashi) e Toshi Furuya (Amagi). Dokumamushi (antes, Yoshi Ishii) foi o oficial Arashi em Ultraman e Furuya havia sido o dublê que vestia o traje de Ultraman. 

Koji Moritsugu: O eterno Dan Moroboshi.

Se a Patrulha Científica, com cinco (eventualmente seis) integrantes era uma turma de aventureiros, o Esquadrão Ultra era uma avançada divisão militar com 300 soldados, incluindo o Capitão e mais cinco oficiais. 

Em Ultraman, a maioria das ameaças eram monstros adormecidos na Terra, enquanto em Ultra Seven o tema sempre envolvia invasões alienígenas. Não havia o humor tão presente em Ultraman e vários questionamentos sobre justiça foram colocados. Era possível ver o seriado com diferentes níveis de entendimento e muitos fãs passaram a valorizar ainda mais a produção quando viram depois de adultos.
Yuriko Hishimi como Anne, a musa
de várias gerações de fãs.
Com histórias auto-contidas (o chamado formato omnibus), eventualmente com arcos de duas partes, a série teve contornos dramáticos, em que algumas vezes a humanidade era vista como o grande mal. Por elevar o entretenimento a outro nível, Ultra Seven é referido como uma série de ficção científica, enquanto Ultraman (e a maioria das séries Ultra) é referida como sendo do gênero fantasia.
O design de Tohl Narita não envelheceu e
é um dos mais elegantes até hoje. 
Ultra Seven aparentava ser mais poderoso que seu antecessor, com mais recursos para destruir seus inimigos e poucas vezes tendo seu marcador de energia na testa piscando em sinal de enfraquecimento. Também era um lutador impiedoso e implacável que às vezes aparecia pouco e liquidava seus oponentes de forma impactante. 

A série, que teve a excelente marca de 26,5% de média de audiência, não conseguiu repetir o sucesso de audiência de Ultraman, que teve média de 36,5%. No entanto, saiu-se melhor no teste do tempo, tendo envelhecido menos e se tornando um cult absoluto através das décadas. É de Seven a primeira aparição de monstros famosos, como Eleking, Metron, King Joe e Pandon
Seven vs Eleking, um dos mais clássicos monstros da franquia.
Seu final em duas partes, com Dan revelando sua identidade e lutando com suas últimas forças para depois retornar a seu mundo, sedimentou a mitologia do herói. 

E há pelo menos uma grande polêmica escândalo envolvendo a série.

O CASO HIBAKUSHA

O episódio 12 mostrava os aliens Spell, que se disfarçaram na sociedade e espalharam um relógio que virou febre. Esses relógios coletavam secretamente pequenas quantidades de sangue de seus usuários para alimentar os alienígenas e eles descobriram que o sangue de criança era mais puro que o de adulto, muito contaminado por poluição e radiações. 

Nesse episódio, participa a atriz Hiroko Sakurai (a Akiko Fuji de Ultraman), como a namorada do emissário dos aliens Spell. O episódio passou sem problemas na época e era reprisado normalmente. Porém, nos anos 1970, durante uma de suas reprises, aconteceu um fato marcante. Uma coleção de cards lançada na época se referiu ao alien Spell como "alien Hibaku", sendo que "hibakusha" ("vítima da bomba") é o termo que faz referência aos sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. E além disso, todos notaram que o design do monstro continha manchas que se pareciam com as horríveis queimaduras de pele vistas em vários hibakusha. Alguém na editora, não se sabe com que intenções, grafou esse nome, altamente pejorativo.

O terrível Alien Spell, do episódio banido.
Logo, as associações de sobreviventes se manifestaram e houve um grande escândalo na sociedade. Como resultado, o episódio foi banido e não foi sequer lançado em vídeo. Virou um tabu, um episódio "maldito", e a Tsuburaya é que levou o prejuízo tanto financeiro quanto moral. 

O episódio foi retirado da cronologia oficial, mas a série não teve renumeração de episódios. Por isso, do episódio 11 salta para o 13 em todos os guias oficiais. Nos EUA e no Brasil, passou sem problemas, ainda mais que a compra da série foi anterior ao escândalo. Mas, como sabemos, na época da série não houve esse tipo de polêmica. Fora esse incidente, Seven se tornou uma das pedras fundamentais do Universo Ultra.

UM ÍCONE DA CULTURA POP JAPONESA

Seven possui enorme influência na cultura pop japonesa. Em Pokémon, o conceito dos monstros carregados na forma de energia dentro de pequenos objetos veio de Seven. Dan carregava um estojo com as Cápsulas Monstro, que acionava eventualmente. Em Dragon Ball (primeira fase), a heroína Chi Chi usa um capacete que reproduz dois poderes icônicos de Seven: o raio Emerium, emitido pelo cristal na testa e o bumeranque cortante Eye Slugger. As citações, referências e homenagens são em enorme quantidade até hoje e, entre as inevitáveis paródias, pelo menos uma merece menção honrosa: o infame Uchimura Seven.  

Seven foi o herói que mais participou de outras produções. Em 1970, Seven foi aproveitado na série de programas curtos Ultra Fight, que se resumia a mostrar lutas bem mal produzidas entre Seven e monstros ou apenas entre as criaturas. 

No episódio 18 de O Regresso de Ultraman (1971), Seven entrega a arma Ultra Bracelete a Ultraman Jack. Já no episódio 38, Dan Moroboshi se une a Hayata/Ultraman para salvar Jack de ser executado pelos Poderosos do Espaço. Depois, foram várias participações em Ultraman Ace (1972) e Ultraman Taro (1973), geralmente com os demais Irmãos Ultra. Seven voltaria à linha de frente na série que sucedeu Taro, a dramática Ultraman Leo.

Seven usando seu
bumerangue Eye Slugger
como adaga.

Quando foi convidado pela Tsuburaya para interpretar o capitão do esquadrão MAC, em Ultraman Leo, o ator Koji Moritsugu deu uma sugestão ousada. Disse que faria se esse capitão fosse o Dan Moroboshi, e não outro personagem. Essa sugestão mudou tudo e deu uma direção à série. No primeiro episódio, Seven é derrotado pelos invasores Magma, que quebram uma perna do herói e o deixam muito ferido. Quando volta à forma humana, seu acessório de transformação, o Ultra Olho, está avariado, impossibilitando que voltasse à sua forma verdadeira. 

Como veterano do extinto Esquadrão Ultra, Dan se torna o capitão do esquadrão MAC e logo conhece Gen Ootori, identidade humana de Ultraman Leo, recém-chegado à Terra. Dan resolve treinar Gen e o faz de forma implacável, com requintes de crueldade. O público passaria a debater por anos o fato de que, em Leo, Dan não parece o mesmo personagem. Mas essa agressividade toda tem lá sua explicação. Um dos mais poderosos dentre os Ultras se via preso em uma frágil forma humana, mancando de uma perna e sem poder se transformar. Essa frustração toda gerou uma fúria que foi canalizada no treinamento de Leo, que respondeu à altura. 

Uma imitação de Seven apareceu na série Ultraman 80 e o herói escarlate também marcou presença no especial de cinema Ultraman Story (1984), que narrou a história de Ultraman Taro, fazendo uma tremenda bagunça na cronologia das séries. 

Em 1992, veio o drama para TV em duas partes Watashi Ga Aishita Ultra Seven ("O Ultra Seven que eu amava"), com uma versão romanceada dos bastidores da série. Àquela altura, a Tsuburaya vivia um momento financeiro ruim e parecia que nunca iria se recuperar. 

O RENASCIMENTO DA LENDA

Em 1994, uma época de baixa do estúdio, produziram dois especiais para TV com Ultra Seven. Apesar de não ficar muito claro no começo, o que vai sendo percebido é que se trata de uma realidade alternativa, onde somente Seven veio para a Terra. Um novo Esquadrão Ultra começou a ser organizado pelo veterano Furuhashi. Anne aparece casada com um cientista e com um filho pequeno, chamado de Dan. 
Ultra Seven em 1994: Dan reencontra Furuhashi.
Apesar da produção terrivelmente precária, de uma pobreza constrangedora, os especiais fizeram sucesso e tiveram continuidade em três minisséries para vídeo. Uma de três partes em 1998, outra de seis partes em 1999 e uma última de cinco partes em 2002. A produção melhorou e ficou no nível das séries de TV da época. Para a versão 1999, o maestro Toru Fuyuki foi convocado para criar novas músicas e o grande Isao Sasaki (do Yamato) veio trazer seu vozeirão para reinterpretar as canções clássicas. Indo além, Isao Sasaki escreveu a letra e cantou o tema Seven no Ballad, que teve melodia e arranjo de Toru Fuyuki, em um encontro de duas lendas. 

Em 2006, ano de comemoração dos 40 anos das séries Ultra, Koji Moritsugu voltou a viver Dan/ Seven, em dois episódios de Ultraman Mebius (2006~07) e no longa Ultraman Mebius e Ultraman Brothers (2006). 

Em 2007, a série de 12 episódios Ultra Seven X mostrou uma nova interpretação do herói, em uma dimensão alternativa. Surgiu uma outra identidade humana para esse novo Seven, até que, no capítulo final, é revelado que o protagonista era mesmo o velho Seven, com direito a uma aparição de Dan, reencontrando-se com a também idosa (e ainda charmosa) Anne. 

Ultra Seven X
Com destaque, Moritsugu e Yuriko atuaram juntos em Super Herói Ultraman - 8 Irmãos (2008), interpretando Dan e Anne de uma dimensão paralela, onde são casados. Em Mega Batalha na Galáxia Ultra (2009), o verdadeiro Dan entra em ação novamente, em uma das maiores e mais arrojadas produções já realizadas pela Tsuburaya, que teve distribuição pela poderosa Warner Bros. O filme marcou a estreia de Ultraman Zero, filho de Ultra Seven e um dos mais carismáticos heróis da franquia. 

Em 2011, a dupla Eiichi Shimizu (roteiro) e Tomokazu Sekiguchi (arte) começou a publicar o mangá ULTRAMAN, com uma reinterpretação do universo Ultra. Nessa versão, estrelada pelo filho de Hayata usando uma armadura hi-tech, um dos destaques é o agente Dan Moroboshi, que veste o traje ULTRAMAN Ver. 7.2. A versão é bem diferente, mas tem em comum o fato de Moroboshi ser um combatente feroz e um veterano extremamente rígido. 

Já o personagem original apareceu muitas vezes em mangá, com destaque para a série The Ultraman (não confundir com o animê homônimo), assinada pelo mangaká Mamoru Uchiyama, onde grandes sagas cósmicas foram desenvolvidas com os Irmãos Ultra. 
O implacável Seven do mangá ULTRAMAN (Ed. JBC).
Koji Moritsugu e seu personagem icônico tornariam a aparecer em Ultraman Saga (2012) ao lado de outros veteranos. Parecia ter sido essa a última aparição dos atores clássicos, mas na entrevista coletiva onde Susumu Kurobe disse que, pela idade, não voltaria a interpretar mais o Hayata, Moritsugu manifestou-se, dizendo que poderia interpretar Dan até os 80 anos. E ele não estava brincando! O velho Dan Moroboshi de carne e osso ainda não está preparado para a aposentadoria. 

Em 2017, ele voltou a entrar em cena se transformando, desta vez no filme do Ultraman Orb. Em seguida, Moritsugu fez a voz de Seven na minissérie Ultra Fight Orb. Finalmente, registrou uma fala para Ultra Seven na introdução do primeiro episódio da série atual, Ultraman Geed. É quase impossível imaginar Seven sem Dan Moroboshi.
Ultra Seven vs King Joe, em pintura
do quadrinista americano Alex Ross.
Nascido em 15 de março de 1943, o lendário Koji Moritsugu é dono do pequeno restaurante Joli Chapeau e não se incomoda nem um pouco de ser conhecido como um "ator de um só papel", como muitos o imaginam. Até porque isso não é verdade, pois ele tem uma carreira extensa em filmes de época, dramas, peças de teatro e até algumas dublagens. E grande parte da popularidade de Seven se deve a seu trabalho e carisma, sendo difícil imaginar um sem o outro. 

Com uma história extensa, o guerreiro vermelho vindo da Terra da Luz, no Planeta Ultra da Nebulosa M-78, é um dos super-heróis japoneses mais cultuados de todos os tempos. De forma diferenciada, tem uma base de fãs que não necessariamente são fãs de Ultras em geral ou mesmo de tokusatsu. O personagem favorito de gerações inteiras, Ultraseven completa 50 anos sendo ainda muito relevante e sem nunca ter precisado de atualizações. 

Com certeza, ainda o veremos em ação muitas vezes no futuro. 


- Trailer do lançamento da série em DVD nos EUA.

Ficha técnica - Série Clássica
Estreia no Japão: 01/10/1967
Número de episódios: 49 (48 oficiais)

Roteiro: Tetsuo Kinjô, Shozo Uehara, Mamoru Sasaki, Shinichi Ichikawa e outros
Trilha sonora: Tohru Fuyuki
Direção: Hajime Tsuburaya, Shohei Tojo, Kazuho Mitsuta e outros
Supervisão geral: Eiji Tsuburaya
Produção: Tsuburaya Productions & TBS
Emissoras no Brasil: Tupi, Record
Elenco: Koji Moritsugu (Dan Moroboshi), Yuriko Hishimi (Anne Yuri), Shoji Nakayama (Cap. Kiriyama), Sandayu Dokumamushi (Furuhashi), Toshi Furuya (Amagi), Shinsuke Ashiba (Soga), Akihiko Hirata (Cel. Yanagawa), Nankoh (Cap. Kurata), Koji Uenishi (Ultra Seven - dublê principal)

Versão brasileira:
CineCastro
Emissoras no Brasil: TV Bandeirantes, TV Tupi, TV Record e Rede Brasil

::: E X T R A S :::












15 comentários:

Ricardo disse...

Texto fantástico, Nagado.

Como eu havia escrito no blog Daileon, Ultraseven sempre me pareceu uma série diferenciada em relação às outras que eu via no começo dos anos 80 na tevê brasileira. Acho que é uma conjunção de fatores (visual, BGM´s, efeitos, o tema de abertura) que fez da série uma produção única e marcante.

Particularmente o que me agradou mais ao revê-la já adulto foi a temática. As contantes tramas alienígenas para invadir nosso planeta foram uma alegoria perfeita do clima que o mundo passava em plena Guerra Fria (assim como a infelizmente pouco lembrada "Os Invasores" foi na tevê americana). Acho esse ponto mais fantástico quando se lê a respeito da vida do Tetsuo Kinjo, e como ele se sentia em sua juventude em Okinawa.

O fato do Esquadrão Ultra sempre se deparar com raças alienígenas permitiu a Kinjo e aos demais escritores imprimir uma densidade maior aos episódios - abandonando até o maniqueísmo presente na época, mostrando em alguns casos a própria humanidade como vilã, como ocorreu no perturbador episódio 26.

Parabenizo e agradeço todos os profissionais que fizeram parte desse clássico eterno.

Usys 222 disse...

Maravilhoso! Se eu fosse recomendar uma única matéria sobre Ultra Seven para alguém, seria esta. Falou basicamente tudo sobre o Herói e os bastidores, com uma enorme abrangência.

Ah, o episódio 12. Quando era menor, achava estranho pularem esse em vários livros que tinha e não ter o Alien Spell em nenhum deles, pois não sabia dessa história na época. Esse é assunto até hoje. A própria Yuriko Hishimi está fazendo campanha para que tragam esse episódio de volta e jurou que vai continuar lutando por isso enquanto "seus olhos estiverem pretos".

E bem colocado. Ultra Seven não envelhece. Mesmo aparecendo ao lado de Orb, Ginga, Victory e X, ainda assim o visual dele não parece datado. E os assuntos tratados nos episódios também se mantém atuais, algumas vezes infelizmente, como o do Alien Metron, que pegou bem no ponto fraco do ser humano. O dilema da cidade Pegassa, o questionamento moral dos Nonmalts, a questão da corrida armamentista com o Gieron, a Alien Magelan Maya sabendo que foi só uma peça descartável e abandonada por sua pátria... Todas essas histórias funcionam até hoje.

Essa matéria faz justiça à grandeza desse Herói. Que Koji Moritsugu viva por muitos anos mais! E um dia tenho que descobrir como ele faz aquele Hayashi Rice do restaurante dele... Mas esse segredo ele não conta nem se for colocado naquela máquina dos Alien Salome.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Ricardo!

Seven foi uma série à frente de seu tempo mesmo. E continua encantando novos públicos que a descobrem. O pique é realmente diferenciado. Eu gostava muito da série, mas foi depois de adulto que passei a valorizar ainda mais. As três primeiras séries Ultra são obras fantásticas e Seven é a que menos envelheceu. E conforme eu escrevi, ainda teremos muitas aparições dele. É inevitável que outro ator interprete a identidade humana do herói no futuro, mas Koji Moritsugu tem a marca longeva de ter levado o personagem por meio século já. Talve seja um recorde mundial, ainda preciso pesquisar isso.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Obrigado, quase que esse post não saiu. Faltava inspiração e ainda não fiquei satisfeito com o resultado. E saiu um dia depois do aniversário, mas acho que vale como registro.

E... você foi no Jolie Chapeau quando esteve no Japão? Ou ficou curioso sobre o prato lendo alguma reportagem?

Sempre digo que o Jack é meu Ultra favorito, mas o Seven está quase empatado. E pensando bem, tenho mais material do Seven do que do Jack, incluindo uma miniatura do Gavião Ultra 1 e uma réplica em tamanho real do Ultra Olho. E um livro de fotos da época que é uma obra de arte. Como foi a série.

Até mais! Grande abraço!

Aniki disse...

1 2 3 4, 1 2 3 4 5 6 7...

Attack the Hawk Missile. Fighter Seven. Ultra Seven!
Strike in Eyeslugger. Hero Seven. Ultra Seven!

Ah, os finais de tarde e manhãs dominicais com Ultra Seven na TV Record(neste caso meu falecido pai já ficava comigo pra ver o Desafio ao Galo na sequência)... nem dá pra acreditar que a série já tenha completado seu cinquentenário, assim como outro contemporâneo dela, o Robô Gigante.

É difícil encontrar as palavras certas para definir o que a série representa. Mas apesar da produção nitidamente envelhecida, seus conceitos e histórias passam a sensação de atemporalidade. E creio que podem vir mais 50 anos que essa impressão não deve desaparecer.

Abraços.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Aniki!

Você lembrou do "Desafio ao Galo" e agora não paro de assobiar a vinheta do programa, ah ah!

Seven passa mesmo essa sensação de atemporalidade. Das séries antigas, é a que menos envelheceu. O Robô Gigante, por outro lado, é uma das que mais envelheceu, mas ainda gosto demais da série.

1967 foi um ano muito inspirado, se lembrarmos que Speed Racer e A Princesa e o Cavaleiro também estrearam na época. Muito bom termos visto esse material por aqui.

Abraço!

César Filho disse...

Sendo bastante sincero, esse foi o texto mais completo sobre Ultraseven que você escreveu, Nagado. Digno do cinquentenário de um grande herói.

Confesso que por ser mais novo, passei a acompanhar o Ultra Seven depois de "velho" e não tenho vergonha de dizer que é uma das minhas séries favoritas e que valorizo sua importância para o tokusatsu, além do nosso querido Ultraman. Além de servir de pilar para tantas outras franquias do tokusatsu, é um clássico inigualável que todo fã de tokusatsu que se preze deve assistir. É uma verdadeira obra de arte e um marco da ficção-científica.

Sei que é um sonho distante - pra não dizer utópico, mas queria muito ver o Kohji Moritsugu pessoalmente em algum evento. Tomara que ele ainda tenha muito fôlego ainda para viver na pele de Dan Moroboshi na TV ou no cinema.

Alexandre Nagado disse...

Valeu, César!

Koji Moritsugu é o "William Shatner japonês", fazendo uma ilusão ao eterno Capitão Kirk de Star Trek. Ele é muito ligado ao personagem e se diverte com isso, diferente de muitos atores que consideram um peso ser associado a um personagem muito famoso.

Quando ele sugeriu (ou melhor, pediu) para o Dan voltar em Ultraman Leo, ele abriu um universo de possibilidades na franquia, enriquecendo muito mais a mitologia do Ultraseven. Por isso, ele é o mais importante ator para a franquia, pois foi o único (que eu saiba) que interferiu positivamente para a sua evolução. Ele teve uma participação bem pequena no filme do Orb, pelo que soube, mas quando chega e se transforma, rouba o filme para si. Guardando as devidas proporções, é como Robert Downey Jr. e seu Homem de Ferro no Universo Marvel.

Valeu! Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Pena que Eiji não viveu mais alguns anos pra ver a consolidação de ultra. A popularidade de ultra era tão imensa nos anos 60, que os filhos de Tezuka queriam ver no lugar de Kimba.

Bruno Seidel disse...

Finalmente cheguei para comentar esse incrível post com todo tempo e dedicação que ele merece. E não poderia ser diferente, afinal, o Seven é um herói pelo qual eu tenho um carinho todo especial. Foi a primeira série "pré-Manchete" que eu fiz questão de acompanhar. Lembro que comprei uns VHS na época de alguns episódios aleatórios e curti demais. Todos eles me marcaram de alguma forma. É, sem dúvida, uma série diferenciada!

E curioso como a história de sucesso da série com o passar dos tempos se confunde com a própria jornada da carreira desse incrível ator chamado Koji Moritsugu. Para mim, ele divide com Susumu Kurobe e Hiroshi Fujioka, o título de ator mais "lendário" do Tokusatsu. São personalidades que atravessaram décadas carregando os nomes de personagens muito marcantes para a cultura pop japonesa.

O que ainda não foi mencionado aqui (difícil acrecentar algo nesse post tão completo e impecável) foi que o Koji Moritsugu chegou a fazer uma participação de destaque em Kamen Rider Blade (2004), interpretando o Undead Kerberos II, um dos grandes vilões da série.

Recentemente assisti ao filme do Ultraman Orb e confesso que me decepcionei um pouco com a aparição do Dan Moroboshi. Essa era, possivelmente, a cena mais aguardada do filme e encheu os fãs de enorme expectativa. De fato, o Seven acaba dando uma ajuda decisiva e entra na luta final pra valer (nada de transformação, golpe coletivo e tchau). Deu pra ver que eles fizeram o que foi possível, com uma rápida aparição do Dan original (74 anos não é brincadeira não), uma frase de efeito e a tão aguardada transformação. Só.

E é curioso ver como o Seven consegue, mesmo não sendo o precursor de uma franquia, um herói tão ou até mais cultuado que o primogênito. Um personagem atemporal e que enche os olhos dos fãs toda vez que entra em cena! Vida longa ao nosso cinquentão!!! :D

Alexandre Nagado disse...

Realmente, Stefano, o Eiji Tsuburaya não viveu para colher os frutos de sua franquia. Felizmente ele teve uma carreira longa e de sucesso como diretor de efeitos especiais.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

O Seven teve uma combinação única de talentos. Tetsuo Kinjô no auge de sua criatividade. Tohl Narita com um design eterno, atemporal. Um bom e carismático ator. E uma trilha sonora de Toru Fuyuki em um de seus momentos mais inspirados.

E, de quebra, tinha a Yuriko Hishimi, a primeira paixão platônica de várias gerações.

Coisas assim são eventos raros.

Valeu! Abraço!

Cláudio Roberto disse...

Curioso notar é que Ultraseven pode ser vista como:

-Série Tokusatsu,
-Série de Ficção Científica,
-Uma série para a TV que tinha paralelos com coisas que não ficavam nada a dever a outras produçoes da TV Mundial da época ("Os Invasores")...

Interessante a abordagem que a Tsuburaya fez! Como vc bem escreveu lá na Heroie em 1995, "não é todo dia que se produz um clássico"! ^^

Alexandre Nagado disse...

Oi, Cláudio!

Puxa, você lembrou dessa matéria da Herói! E eis-me aqui, escrevendo novamente sobre o Ultraseven. E não apenas revisitando o tema. Veja quanta coisa aconteceu com o herói de lá pra cá, não é mesmo? E acho que quando fizer 60 anos, quem escrever continuará com muito assunto.

Obrigado e apareça mais vezes por aqui!
Abraço!

Anônimo disse...

Eterno fan do ultra seven e sempre serei. Hoje me visto de Ultra Seven em sp e participo de eventos.
UltraSeven.Brasil (facebook)
Viva Ultra Seven