segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Pesquisas Acadêmicas Sobre Cultura Pop Japonesa

Confira uma lista exclusiva de trabalhos acadêmicos para leitura on-line ou download gratuito. São pesquisas sérias e abrangentes feitas por gente apaixonada por mangá, animê e heróis japoneses.

Timidamente, as universidades abrem espaço para que
os entusiastas de cultura pop japonesa realizem pesquisas
e trabalhos acadêmicos sobre seus assuntos favoritos.

Cultura pop é uma definição genérica para um conjunto de mídias de entretenimento produzidas em escala industrial. É extremamente abrangente, e o Japão tem no mangá e no animê seus dois maiores veículos de divulgação mundial. Com uma indústria milionária em seu país e cada vez mais presente no resto do mundo, a cultura pop japonesa é um assunto digno de pesquisa séria. Como no ambiente das universidades, especialmente a popularidade que os heróis japoneses possuem em nosso país. 

Desde o pioneiro trabalho de pesquisa que deu origem ao livro Mangá - O Poder dos Quadrinhos Japoneses (1991), da professora doutora Sonia Luyten até hoje, cada vez mais trabalhos têm sido escritos no Brasil. Em junho, foi anunciado neste blog um chamado para que estudantes e pesquisadores que tenham feito algum trabalho acadêmico sobre algum aspecto da cultura pop japonesa. A ideia era organizar uma lista de trabalhos produzidos nos últimos anos, incluindo artigos, pesquisas e monografias ou TCC - Trabalho de Conclusão de Curso.
Capa do trabalho
"Pós-Humanismo na Máquina
Anímica", de Angela Longo.
A iniciativa não é inédita na blogosfera. Há alguns anos, o extinto blog Temaki, ligado ao Jornal do Brasil, fez convocação idêntica, mas não há mais registros sobre isso. Assim, esta passou a ser uma iniciativa com ainda mais responsabilidade. 

Conforme explicado na convocação, somente foram listados trabalhos encaminhados por seus autores. A campanha foi feita nas redes sociais durante semanas. Apesar da boa divulgação, houve efetivamente pouca adesão à ideia. No entanto, chegaram trabalhos de grande qualidade, vindos de diversas localidades do país, tanto de autores quanto de autoras. 

Por isso, fiquei contente com o resultado, que compartilho com os leitores do Sushi POP, para leitura on-line ou download. Como guia de referência de pesquisas, tem um valor inestimável. 

A todos os participantes, apoiadores e leitores, meus sinceros agradecimentos. 


::: LISTA DE TRABALHOS ACADÊMICOS SOBRE
CULTURA POP JAPONESA :::

Análise das Mensagens de Sexualidade no Animê Naruto
- Autor: Felipe Lima
- TCC de graduação do Curso de Jornalismo do Centro de Ensino Superior do Ceará - Faculdade Cearense. Fortaleza, 2010.

Análise Gráfica Editorial do Mangá Death Note
- Autora: Loanny Costa Carneiro
- TCC de graduação do Curso de Design da FANOR - Faculdades Nordeste. Fortaleza, 2015.

- Autoras: Marina Teresinha Rosa de Melo e Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro
- Artigo publicado na revista científica Anagrama. São Paulo, 2016.

Estética e educação: o uso do mangá como apoio ao ensino de História
- Autor: Leonardo Feitoza
- TCC de pós-graduação do Curso de Especialização em Artes Visuais do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC/RN. Natal, 2011.

JAPOP - Cultura pop japonesa: O fenômeno cultural japonês conquista o mundo
- Autora: Carla Rangel de Souza
- TCC de graduação do Curso de Comunicação Social do UNISUAM Centro Universitário Augusto Motta. Rio de Janeiro, 2011.

Mangá: Artifícios de linguagem para atrair o público leitor
- Autor: Guilherme Schneider
- TCC de graduação do Curso de Letras da URFJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2006.

O Pioneirismo Editorial da Revista Herói - "A primeira revista mutante do Brasil"
- Autor: Matheus Machado Mossman
- TCC do Curso de Comunicação Social da Universidade Feevale. Novo Hamburgo, 2012.

O uso da tecnologia como processo de formação do indivíduo da infância até a adolescência
- Autor: Marcos Paulo Lemos Freire
- TCC de pós-graduação lato sensu em Educação Infantil e Desenvolvimento da UCAM - Universidade Cândido Mendes. Niterói, 2015.

- Autora: Angela Longo
- Dissertação de mestrado do programa de pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2017.


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Campanha Sushi POP no Apoia.se

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- Confira: apoia.se/sushipop

13 comentários:

Stefano Barbosa disse...

Li o texto de L.Feitosa: na verdade há personagens de comics que tem dilemas e problemas humanas... ex: Spiderman, X-Men

Bruno Seidel disse...

Que legal! Parabéns aos envolvidos!! :D

Acho muito bacana a iniciativa do blog em catalogar esse material e fornecer uma "micro biblioteca" que pode ser usada como acervo para futuros acadêmicos que queiram se aventurar nessa praia.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Mr. Stefano!

Bem observado, tanto o Homem-Aranha quanto os X-Men chamaram a atenção quando surgiram por trazerem problemas bem humanos em suas histórias. No entanto, eles são antes a exceção do que a regra quando se fala em quadrinhos de super-heróis, que formam a maior parte do mercado de comics.

Claro que, com décadas de produção e milhares de histórias sendo produzidas, muitas se destacaram por abordar com propriedade dramas cotidianos. Como o alcoolismo de Tony Stark, o uso de drogas por Ricardito (parceiro do Arqueiro Verde), ou o racismo retratado em histórias clássicas de Arqueiro e Lanterna Verde. Há muitos exemplos até, mas não há nem sombra de comparação com o que acontece no universo dos mangás e animês.

Valeu! Grande abraço!

Leo Feitoza disse...

Oi, Stefano, tudo bom?

Obrigado pela leitura do meu trabalho, todo feedback é bem-vindo!

A minha visão sobre o modo (a grosso) como as duas indústrias de HQs (comics e mangá) trabalham as emoções das personagens é semelhante ao que o Nagado comentou. Mesmo com o recorte reduzido a que tive acesso ao longo da vida, tanto de quadrinhos de super-heróis (o gênero majoritário nos comics) quanto dos tipos de mangá mais populares aqui no Brasil(shounen, shoujo, seinen...), pude perceber essa diferença na abordagem de questões emocionais.

Mas não considero isso imutável: como minha leitura de HQs diminuiu muito nos últimos anos, não posso afirmar, para além de notícias e resenhas a respeito, se esse panorama mudou ou não.

Um abraço!

E obrigado pela divulgação, Nagado! Quero ler os demais trabalhos postados aqui assim que me for possível.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

É, ficou "micro" mesmo, mas eu tenho certeza de que há muito mais espalhado neste nosso Brasil. Com o tempo, saberei se dá pra fazer outra iniciativa dessas um dia. Ou seria legal que algum blog ou site maior abraçasse essa ideia. Quanto mais gente com esse tipo de preocupação, melhor.

Abração!

Alexandre Nagado disse...

Grande Leo Feitoza!

Eu também não tenho acompanhado comics nos últimos anos. O excesso de eventos que mudam tudo me deixou enjoado. Me parece que hoje há mais questões ligadas a opção sexual nos comics, há um lobby grande nos meios de comunicação nesse sentido, mas me parece mais uma busca por mercado do que uma preocupação sincera, com raras exceções.

Esse diferencial na abordagem emocional foi e continua sendo um elemento a ser estudado no mangá, no animê e até no tokusatsu.

Valeu pela participação! Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Salve, Léo !! Legal sua colocação !!!No geral , a turma mangá é mais humana que a turma comics... de fato... e realmente isso ajudou muito o manga e anime e ganharam 1 legião de adeptos.....Curiosamente o mangá é quase 1/3 do mercado de HQ nos EUA... pra você ver... o mangá conquistar público na Meca dos comics.
Voltando aos comics... um comic que acho interessante e não é de herói: Sin City.... Todos personagens são humanos !
Li algumas páginas...
e vi o filme baseado na HQ.

Algo sobre a Marvel:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Marvel_Comics
As histórias da Marvel distinguiam-se das demais pelo universo em que se desenvolviam ter características mais próximas da realidade, sendo muito mais humanizado. A Editora explorava a caracterização dos personagens, principalmente em problemas pessoais. Como no grupo X-Men que surgiu originalmente para tratar-se sobre o preconceito na época, ilustrados nos mutantes. No caso do Homem-Aranha, ele era um jovem herói com alguma falta de autoestima e muitos problemas mundanos, semelhantes ao de muitos adolescentes. O Demolidor era cego e enfrentava alguns problemas relacionados à sua deficiência física. Este novo olhar acabou por incentivar uma revolução nas histórias em quadrinhos (banda desenhada) estadunidenses com o passar do tempo.

Alexandre Nagado disse...

Muito bom, Stefano!

Sim, o mangá está avançando a passos firmes sobre o mercado de HQ americano, que tenta a todo tempo se reinventar, com revelações bombásticas e guinadas de 180 graus o tempo todo, há anos. No fim, não estão conseguindo se renovar na carona do cinema, espantando ainda leitores antigos, que não aceitam tantas mudanças o tempo todo. A "reviravolta bombástica que vai mudar tudo o que se sabe sobre o Universo", aplicada toda hora e com frequentes voltas ao status quo fez muita gente abandonar de vez. Eu sou um desses casos, que anda mais interessado em conseguir edições de clássicos do que em acompanhar o que anda saindo.

O mangá deixa muitas lições sobre como envolver o leitor, mas aplicar isso não é fácil.

Valeu! Abraço!

Stefano Barbosa disse...

Gostei do artigo de Carla. Achei interessante o Japão pegar da própria cultura pra fazer a cultura pop. Sobre a reportagem do jornal da globo. Achei interessante... porém um pouco "pasteurizado". A reportagem poderia ser melhor e + abrangente. Lembro do comentário de Greco que as hqs de heróis tao ficando pra trás. Pudera: universo de heróis tem ficado meio estagnado.


As HQs USA que eu lia antigamente eram da Disney, Luluzinha, Recruta 0 e Garfield.

Stefano Barbosa disse...

Achei legal ela ter destacado a cultura pop japonesa como alternativa ao "Made in USA". De fato, monopólio cultura é complicado.
De fato, "Made in Japan" vem quebrando em parte a hegemonia do "made in USA". Quando se fala de HQ e animação... boa parte do público associa ao Japão.

Stefano Barbosa disse...

1 pena que não citaram a influência chinesa na cultura pop japonesa (incluindo filmes de kung fu)

Edmar Filho disse...

Olá Alexandre! Tudo bem? Eu também apresentei um Trabalho de Conclusão de Curso na linha dos que você expôs, mas só fiquei sabendo da sua "convocação" agora porque em Junho meu trabalho estava ainda em produção e apenas em Julho foi apresentado e aprovado. Vi que tem aproximadamente uma semana e meia dessa postagem e gostaria de saber se ainda dá tempo eu compartilhá-lo aqui para sua divulgação, cheguei inclusive a citá-lo com uma das referências e listar seu Almanaque da Cultura Japonesa para compras futuras.

Obrigado. :)

Alexandre Nagado disse...

Olá Edmar. Obrigado pelo interesse. Pode mandar sim, que esta postagem está sendo bem vista e de modo constante. Fico no aguardo.

Abraço!