segunda-feira, 14 de agosto de 2017

HAL - Sobre máquinas e relações humanas

"Para mim, você é a pessoa mais preciosa de todas. Por isso, rezo para que esteja sempre sorrindo."
Capa de HAL, com a delicada
arte de Umi Ayase.
Em um futuro próximo, onde robôs conscientes vivem entre os seres humanos, uma dessas máquinas recebe uma difícil e especial missão. Deverá dar um ponto final a uma história marcada pela tragédia. 

Hal (Haru) e Kurumi formavam um casal jovem e apaixonado, cheios de planos e com um relacionamento delicado, com seus altos e baixos. Mas em um fatídico dia, um acidente de avião os separa de forma traumática para sempre. 

O robô Q-01 fica sabendo através de seu mestre que Hal morrera no acidente e que Kurumi se tornou reclusa, perdendo rapidamente a vontade de viver. A tarefa de Q-01 será assumir a identidade de Hal e tentar resgatar Kurumi do abismo depressivo em que se encontra. Seu objetivo é difícil e o robô terá que descobrir muito sobre a complexa natureza humana, em uma história com desenvolvimento emocionante.
Aprendendo juntos sobre a complexidade
dos sentimentos e relacionamentos.

Kurumi se mostra difícil, tendo óbvia dificuldade em aceitar o "substituto" de Hal, enquanto ele se mostra perplexo em relação ao mundo. Ele tenta agradá-la de todas as maneiras, tentando resgatar as boas lembranças que deveriam nortear a vida da garota. Mas, acabará descobrindo muito além do que imagina. 

Essa é a história do mangá Hal, que surgiu em um animê homônimo de média-metragem (60 min.), lançado em junho de 2013. O roteiro original foi de Izumi Kizara, com direção de Ryotarô Makihara, produção de Shigeru Wada e realização conjunta do Wit Studio, Production I.G., Pony Canyon e Shôchiku

Simultaneamente, Hal ganhou adaptação em romance literário por Izumi Kido e versão em mangá assinada por Umi Ayase, para a revista feminina Margaret (Ed. Shueisha).

A adaptação em mangá, lançada aqui pela Planet Mangá/Panini, carrega a delicadeza típica do mangá shojo (para garotas). Na versão animê, o traço dos personagens foi de Io Sakisaka, famosa por seu trabalho em Aoharaido. Na adaptação em mangá, Umi Ayase procurou manter os penteados e dar uma interpretação visual próxima ao original, com sua arte competente. 


Criada originalmente como animê, a
história de Hal e Kurumi é uma sensível
narrativa sobre as dores do amadurecimento.
No tocante à narrativa visual, porém, há algumas ressalvas. Na parte final da história (calma, não tem spoiler), há tensão e reviravoltas, com a trama seguindo um rumo inesperado. Nesse momento, dá pra perceber que a narrativa se perde um pouco. 

A limitação técnica não chega a tirar o impacto emocional dos acontecimentos, mas as conclusões teriam rendido mais, talvez, na mão de autoras como Keiko Suenobu (de Vitamin) ou Izumi Mitsu (de anohana). Mas vale ressaltar que este é um problema menor, pois não prejudicou o entendimento do enredo, apenas não foi tão bom como poderia ter sido. Já o aperto no coração, esse é impossível de se conter. 

Acima de tudo, Hal é uma tocante história sobre amor e amadurecimento, unindo seres conectados por laços inquebráveis. 

HAL
Criação: Izumi Kizara
Roteiro e arte: Umi Ayase
Editora: Planet Manga/Panini Comics
Formato: 15 x 21 cm, com 184 páginas
Total: Volume único
Lançamento no Brasil: Maio de 2017
Preço: R$ 16,90
Classificação indicativa: 16 anos


Compre Hal na loja da Panini.


::: E X T R A S :::

1) Trailer do animê:



2) "Yowaranai Utá" (終わらない詩, ou "Poema sem Fim"), de Youko Hikasa, canção-tema de Hal (versão curta): 



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2 comentários:

Mauricio disse...

É bacaninha, mas realmente faltou profundidade. E exige uma suspensão de descrença um pouco maior do que eu gostaria.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Maurício.

Faltou mesmo um pouco de profundidade, mas eu gostei bastante da história, da idéia. A arte também é bonita, dentro da proposta.

O que faltou mesmo foi uma narrativa com mais controle do tempo, expectativa e conclusão. É o que faz a ponte de ligação entre o enredo e a arte. Não fosse esse detalhe, seria uma grande obra.

Valeu! Apareça mais vezes!
Abraço!