segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Dr. Slump - O humor alucinado de Akira Toriyama

A capa da edição que marca a nova
tentativa de emplacar no Brasil
um grande clássico do mangá.
Na simpática e pacata Vila Pinguim, vive o solitário e atrapalhado cientista Senbe Norimaki. Na verdade, "atrapalhado" chega a ser um elogio, pois ele é um verdadeiro pateta. Mas, entre um desastre e outro, consegue criar máquinas incríveis, como a andróide Arale, que ele considera uma filha. Apesar disso, ele geralmente a apresenta como irmã para não "queimar seu filme" perante a mulherada. Não que isso fizesse alguma diferença, pois é difícil imaginar uma criatura tão sem jeito com o sexo oposto quanto ele. 

Míope por conta de um erro na construção, Arale possui uma força descomunal e a maturidade de uma criança. Enviada à escola, faz algumas amizades, como os encrenqueiros Taro, Akane e P-Suke. Ela tem aulas com a bela professora Yamabuki, por quem Senbe é apaixonado. Na verdade, ele se encanta por qualquer mulher bonita que entre em seu campo visual. 
A divertida galeria de personagens da Via Pinguim.
As aventuras geralmente giram em torno das invenções  estapafúrdias do "Dr. Slump" e como Arale reage a elas. Com uma grande confusão causada pela forma de Arale se expressar (e bem traduzida para o português), Senbe cria um óculos para ver através das roupas. Em outro momento, cria uma máquina fotográfica que mostra o futuro de quem é fotografado, em outro, uma máquina do tempo que o joga na pré-história. 

Arale, por sua vez, acaba sendo sequestrada por um fã de tokusatsu interessado em conseguir dinheiro. De tão inocente, a menina nem percebeu o que estava acontecendo e deu um rumo inesperado aos acontecimentos. Tudo com um senso de humor bem alucinado, com uma sucessão de gags e piadas em cascata. Entretanto, em uma das histórias, há uma cena bastante triste (de verdade), que é tratada de forma a não ficar deslocada no universo da série e nem soar piegas. Com um senso de ritmo apurado, personagens adoráveis e lindas ilustrações, é um trabalho de gênio. 


Edição canadense da série.
Primeiro grande sucesso de Akira Toriyama, o autor de Dragon Ball, Dr. Slump estreou nas páginas da revista semanal Shonen Jump (Ed. Shueisha) em 1980 e rendeu 18 volumes. Entre 2002 e 2003, a Editora Conrad publicou a série de forma incompleta, cancelando-a no número 14, devido à baixa vendagem. Mas se no Brasil a primeira tentativa de publicação não deu muito certo, no Japão a turma de Arale conquistou uma legião de fãs. 
Um certo coadjuvante,
velho conhecido nosso.

Certa vez, Toriyama, que tinha 25 anos quando a série começou, confessou que não planejava muito os roteiros, começando com uma piada e vendo pra onde a história o levava enquanto ia desenhando. 

A falta de um planejamento de longo prazo se reflete na concepção visual de Arale. Apresentada como tendo 13 anos, no começo ela é desenhada com proporção mais alongada, mas logo isso é alterado sem explicação, com Arale ficando com visual mais infantil. Já Senbe muda de proporção toda hora, conforme ele quer parecer sério e charmoso, em contraposição a seu jeito naturalmente atarracado e desleixado. 

Com episódios auto-contidos, a série é um show de humor bem moleque, com belas ilustrações estilizadas e um monte de referências a ícones do tokusatsu, como Ultraman e Godzilla, entre outros. 

A boa repercussão rendeu uma série de TV pela Toei Animation em 1981, chamada Dr. Slump: Arale-chan, com 243 episódios, além de vários especiais para cinema. Uma nova versão da história foi lançada em 1997 e chegou a 74 episódios. O humor alucinado da série também gerou games e até um programa especial para rádio.
Em Dragon Ball Super, o orgulhoso Vegeta encontra
Arale. É bom não subestimar essa baixinha...
Além disso, Arale e o pessoal da Vila Pinguim apareceram na série original de Dragon Ball, entre os episódios 55 e 58 (1987). E o herói Goku, ainda criança, apareceu em alguns episódios da segunda série do Dr. Slump. E mais recentemente, Arale participou do episódio 69 de Dragon Ball Super, série atualmente em exibição que se iniciou em 2015

Tendo agora uma nova chance no mercado brasileiro, espera-se que Dr. Slump seja um sucesso. Talvez na primeira publicação por aqui, não fosse o melhor momento para o público. Agora pela Panini, pode-se esperar a publicação integral da série

Dr. Slump

Roteiro e arte: Akira Toriyama
Editora: Planet Mangá/ Panini Comics
Formato: 13,7 x 20 cm, com 192 páginas
Total: 18 volumes
Lançamento no Brasil: Julho de 2017
Preço: R$ 13,90
Classificação indicativa: Não há (Sugestão: 14 anos)

::: E X T R A S :::

[1] Resenha da primeira publicação de Dr. Slump no Brasil, que escrevi para o portal Omelete:


[2] Artigo para entender um pouco o estilo do humor japonês:

Sobre flatulências, humor gráfico japonês e as origens do mangá

[3] Abertura original da série de TV (1981):

Canção-tema: Wai Wai World
Letra: Asuna Kawagishi/ Melodia: Shunsuke Kikuchi
Artistas: Ado Mizumori e Kourogi ´73



[4] Veja o episódio de Arale em Dragon Ball Super clicando aqui. (Crunchyroll)

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8 comentários:

Stefano Barbosa disse...

Dr. Slump vacilou em matricular Arale na escola....
A encrenca que ela arrumou.

Alexandre Nagado disse...

Pior que é verdade, ah ah! Eu adoro esse mangá! Que faça muito sucesso desta vez.

Falou!

Bruno Seidel disse...

Eu lembro que cheguei a comprar vários volumes da versão lançada pela Conrad lá em 2002/2003. Como eu adorava esse mangá!!! Me fez rir como talvez nenhum outro!

E olha que eu comecei com um certo receio. Primeiro porque esperava algo próximo de Dragon Ball Z, com muita ação e humor dosado. E se tem algo que não tem freio nesse mangá é o humor, né? hehehehehehe

Também me incomodava um pouco ver tantos personagens fumando o tempo todo (o cigarrinho acompanhando o Sempre em praticamente todas as cenas me causava um repúdio inicial, tive que me acostumar).

Confesso que não me recordo de muita coisa, mas lembro que eu dava muita risada e que lamentei demais a série não ter emplacado no Brasil, pois esse era um mangá que eu certamente iria colecionar com gosto.
Também lembro que uma das edições tinha uma "matéria" escrita pelo Ricardo Cruz destacando as constantes referências a Tokusatsu nas páginas do mangá (faz completo sentido, afinal, o Toriyama sempre foi um fã confesso de super-heróis live action).

Eu nunca cheguei a ver nada da versão em anime, apesar de achar essa música de abertura bem divertida.

Tomara que, dessa vez, emplaque mesmo. Acredito que hoje, diferente do que fora há 15 anos atrás, o nome do Akira Toriyama está bem mais consagrado entre os fãs brasileiros (graças à internet e ao sucesso recente de Dragon Ball Super) e isso certamente ajuda muito a aumentar o interesse por Dr. Slump.

Grande abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno-san!

Eu conheci o Dr. Slump quando eu estudava desenho, lá pela segunda metade dos anos 80, em um livro importado sobre ilustração. Havia algumas artes de capa do Toriyama e achei muito legal. Só depois que descobri que eram de um mangá. Aí, em 94, comprei uma fita "alternativa" do Kamen Rider J e no mesmo VHS estava um especial de cinema do Dr. Slump. Adorei e fiquei interessado no mangá, que eu só fui ver mesmo quando a Conrad lançou no Brasil e me mandou um exemplar para resenha no Omelete.

Gostei e acabei comprando mais edições. Agora não sei se compro só as que me faltam ou se compro tudo, pra padronizar. Já disse que não sou muito colecionador, mas Dr. Slump é mesmo especial.

Valeu! Abração!

Edmar Filho disse...

Eu conheci Dr. Slump também apenas no início dos anos 2000 por comentários de um amigo fã de Dragon Ball a respeito, ele dizia que o tal mangá, mesmo sendo do Akira Toriyama era bem bestinha e distante do estilo que consagrou DRAGON BALL Z (e não DRAGON BALL) com mais batalhas que cenas de humor.

Entretanto, pela compra "acidental" de uma prima minha de Fortaleza, recebi de presente os três primeiros volumes da Conrad na época e morri de dar risada com esse mangá, algo que um quadrinho não me fazia desde quando lia Turma da Mônica e entendia todas as referências e piadas expostas pela equipe do Maurício de Sousa. Achei uma pena quando soube que o mangá havia sido cancelado pela Conrad, porque pretendia na época colecioná-lo até o final, e apesar de torcer pelo sucesso, estou muito receoso e até sem poder comprar os novos volumes da Panini, pois já estou com muitas coleções incompletas e percebo que essa editora não sabe trabalhar bem com títulos que não são mega hits do momento, com direito a cancelamentos, paralisações por tempo indeterminado, papel de baixa qualidade e etc. Mas se eu ver que será publicado até o final, um dia eu compro, pois esse mangá vale muito à pena para um entretenimento leve e descompromissado. ^^

Alexandre Nagado disse...

Fala, Edmar!

Apesar dos problemas listados, a Panini eu ainda acredito que seja confiável quanto a publicar até o fim. A menos que seja um fracasso retumbante, aí não tem contrato que prevaleça. Muitas vezes, uma multa por quebra de contrato sai mais barato que bancar outra impressão quando o encalhe das edições é enorme.

O momento do mercado não é bom, pelo contrário: O país está em crise e sem previsão para estabilizar. Por isso temos tido poucos lançamentos e há muitos hiatos de publicação. Só espero que Dr. Slump consiga ir mesmo até o fim desta vez. O título merecia essa nova chance.

Obrigado pela participação! Apareça mais vezes!
Abraço!!

Stefano Barbosa disse...

é verdade que Toriyama se inspirou um pouco em Astro Boy pra criar Dr. Slump ?

Alexandre Nagado disse...

Fala, Stefano!

Olha, não me lembro de ter lido algo específico sobre o Astro Boy ter inspirado a criação da Arale em Dr. Slump. Não é impossível, pois Akira Toriyama sempre se disse fã de Astro Boy (e da obra de Tezuka), além de Ultraman, Godzilla, Star Wars e do Jackie Chan.

Falou! Abraço!