quinta-feira, 1 de junho de 2017

Kaiju Club - O Clube dos Monstros

Nova produção viaja até os anos 1970 para acompanhar um grupo de fãs de monstros que encara as agruras da vida adulta.
Ryouta e o Alien Metron, em uma recriação
de cena clássica de Ultra Seven.
Neste mês de junho, estreia no Japão um drama (ou "dorama") para TV diferente e que promete ser bem interessante. É o Kaiju Club ~ Kūsō Tokusatsu Seishunki~ (怪獣倶楽部~空想特撮青春記~) ou "Clube dos Monstros - Crônicas de uma Juventude de Efeitos Especiais". A obra vai acompanhar uma turma de aficionados por monstros e tokusatsu, que adoram se encontrar e conversar sobre seus hobbies

A história é ambientada na década de 1970 e é inspirada em um clube que existiu de verdade. Seria a primeira geração de otaku, os aficionados por algum hobby e de comportamento anti-social, cuja definição só viria nos anos 1980. Será mostrada a dificuldade dos fãs em uma época em que não existiam as facilidades da tecnologia, nem mesmo o videocassete. 

Pra quem não consegue imaginar como era a vida de consumidor de cultura pop antes da internet, pode ser uma viagem a um mundo desconhecido. E para quem pegou um pouco essa época, pode ser engraçado constatar como a memória e as lembranças tinham muito mais valor e cada item conseguido era uma vitória. 
Da esq. p/ dir.: Cap, Nishi, Alien Metron,Shingo, Ryouta,
Katsuo, Yuusuke, Joo e Yuriko. 
No total, serão apenas quatro episódios, cada um focando em um monstro clássico da Tsuburaya Pro, sendo eles: Metron, Guts, Ghost (inimigos do Ultra Seven) e Zetton (o algoz do primeiro Ultraman). Não foi divulgada a duração de cada episódio, mas em geral esse formato de dorama tem cerca de uma hora cada capítulo.

No elenco, Kanata Hongo (de Gantz Attack on Titan) será o protagonista Ryouta. Ao seu lado, alguns atores familiarizados com tokusatsu, como Fumika Baba (Medic em Kamen Rider Drive) no papel de YurikoShogo Yamaguchi (de Ryukendo) como Nishi e Ryusei Yokohama (o herói verde ToQ4 de ToQGer) como Katsuo

O planejamento e produção do Kaiju Club ficaram a cargo de Keiko Matsumoto, que trabalhou na versão em drama do mangá Limit. Colaborando no planejamento e roteiro, está Kensaku Sakai, com roteiro de  Kouta Fukihara. Já a trilha sonora será assinada pelo compositor, violinista e produtor musical NAOTO. A direção é de Takashi Sumida e Takahiro Aoyama, veteranos em dramas para TV. 

A canção-tema, "Recollections", é cantada por Rico Sasaki e será o segundo single da moça, com lançamento para o dia 21 de junho. O tema de encerramento será a canção "Geekdom", da banda Traffic Light, com lançamento previsto para 2 de agosto. 

A realização é da DREAMAX Television, em parceria com a Tsuburaya Pro, que é a produtora dos Ultras, o que vai garantir a fidelidade da obra. 
Os monstros que serão tema das conversas do Kaiju Club:
Da esq. p/ dir.: Alien Guts, Alien Metron, Zetton e Alien Ghost
A estreia será no dia 4 de junho, pela TBS, às 00h50. Depois, no dia 6 de junho, começará a ser transmitido também por outra emissora, a MBS, às 01h28, ou às 25h28, segundo o costume local de se indicar horários de programação da madrugada. 

Espera-se que algum dos serviços de streaming oficial atuantes no Brasil se interesse em exibir a série, que promete ser uma viagem no tempo e um deleite pra quem curte os Ultras clássicos e tokusatsu em geral. Deve ser bem interessante, para os fãs de hoje, ver como era a vida dessa primeira geração de otakus. Uma paixão sem acesso à tecnologia. 


Rico Sasaki, a cantora da música-tema
do Kaiju Club: Estrela em ascensão.
Canção-tema do Kaiju Club:
「Recollections」, de Rico Sasaki (versão curta - vídeo oficial). 
- Trata-se de mais uma parceria comercial entre produtora e gravadora (no caso, a Victor Entertainment). A música é um bom pop-rock, mas talvez fosse mais adequada uma canção em estilo retrô, que evocasse a época em que a série é ambientada. 



Site oficial (em japonês): www.mbs.jp/kaijuclub 
- Inclui trailer, que não pode ser incorporado em outros sites.

14 comentários:

Usys 222 disse...

Li sobre essa minissérie em um site de notícias japonês e fiquei bem interessado. Nos anos 1980 era difícil ser aficionado por tokusatsu, quando videocassete era artigo de luxo. O que dizer do pessoal dos anos 1970? Deve ser bem curioso ver como eles se arranjavam. Isso sem falar que os livros da época não eram muito precisos, mesmo no Japão. E ainda era forte na época o sentimento de que esse tipo de série ou filme era "coisa para criança". Muito mais até que nos anos 1980.

A escolha dos monstros foi bem curiosa. Guts, Metron e Zetton eu entendo, mas o Alien Ghost? Geralmente dão mais atenção ao Pandon. De qualquer jeito deve render umas conversas bem divertidas.

Outro ponto a se notar é o apoio da Tsuburaya, algo que ela dá a todos os que fazem projetos nesse sentido e até fornece material. Um exemplo é a Katokutai, em que os clipes têm total apoio do Kiyotaka Taguchi. Isso é uma coisa que eu admiro na empresa.

E como eu torço para que saia por aqui! Conheço o trabalho da Fumika Baba e do Ryusei Yokohama e queria vê-los de novo. Yokohama foi o melhor ator de ToQger, junto com o Kengo Ohkuchi. E Fumika Baba é exuberante!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Mr. Usys!

Também achei muito interessante a premissa da série. Nós somos de uma geração posterior à retratada em Kaiju Club, mas sabemos bem como era difícil a vida de fã antes da internet. Antes do videocassete, então, era jogo duro. Eu me lembro que tinha um gravador que podia ser plugado na TV. Assim eu conseguia gravar músicas de abertura e encerramento. Quando cortavam o encerramento pela metade eu ficava p... da vida, ah ah. E também gravava algumas músicas japonesas no Imagens do Japão. Era divertido, mas prefiro as facilidades de hoje.

E esse apoio da Tsuburaya é o que dá o ar oficial e garante que não é algo aleatório. Acho que os diálogos, se bem escritos, podem ser o ponto alto da série.

Na torcida para que chegue por aqui, e por vias oficiais!

Abraço!

Raphael Soma disse...

E eu que sou de geração ainda mais posterior já penava também. Eu só imagino de leve o trampo que era ser fã nessa época!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Mr. Soma! Bom ver (ler) você por aqui!

Eu já peguei a era do videocassete e me lembro como era descobrir uma novidade. Lá em 1992, o William, um colega que frequentava o grupo Orcade na Gibiteca Henfil, me mostrou um VHS que um amigo dele tinha gravado no Japão com os primeiros episódios da Sailor Moon. Ele falava disso toda hora até um dia em que ele estava lá em casa e ofereceu pra eu dar uma olhada. Assisti e fiquei maravilhado. Demorou até conseguir assistir tudo, só quando a Manchete trouxe, alguns anos depois.

Já nos anos 70, só dá pra imaginar. E não era só assistir que era complicado. Também não havia fontes de informação confiável, como lembrou o Usys. Estou bem curioso pra ver essa série (ou dorama).

Abração!

César Filho disse...

Referências não devem faltar em Kaiju Club, principalmente ao Ultra Seven, o aniversariante do ano. (rsrs). Então, nunca parei pra pensar como seria um clube relacionado ao tokusatsu nos anos 70. Apesar de nos anos 80 ser um tanto escasso e taxado como "coisa de criança", só conseguia imaginar isso nos anos 90 até os dias atuais.

A Toei fez algo parecido entre 2012 e 2013 com Akibaranger, mas ali era uma paródia de Super Sentai que retratou o cotidiano otaku de hoje em dia. Em Kaiju Club deve haver também um misto entre realidade e fantasia. Acho que o ponto forte mesmo será o esforço pra manter o hobby naqueles tempos dourados. Bem, se hoje é difícil divulgar e ser levado a sério, como era então nos anos 70? Mal posso esperar pra assistir.

Alexandre Nagado disse...

Olá, César "Daileon" Filho!

Eu posso falar por mim sobre as dificuldades de uns 25 anos atrás. A informação e o acesso à imagens aqui no Brasil era tão difícil que no final dos anos 80, começo dos 90, tinha um colega que vendia páginas xerox em preto-e-branco de revistas japonesas. Era como se fossem apostilas. Uma "apostila" de cinco páginas de matéria ilustrada (em japonês) do Yamato, outra de Macross e por aí vai. Isso, mais fitas cassete com as trilhas sonoras, eram vendidas em exibições de vídeo sem legendas, onde 20 a 30 pessoas se concentravam em frente a uma TV de tamanho médio. Era a "idade média" para os fãs. O que o Kaiju Club vai mostrar seria o equivalente à "pré-história", ah ah.

Valeu! Abraço!!

Ricardo disse...

A premissa da série parece muito interessante, definitivamente fiquei curioso. Espero que chegue por aqui de alguma forma.

Só uma pequena ressalva quanto ao trecho da matéria que trata sobre o elenco, Nagado: o ator que interpretará o Nishi é Shogo Yamaguchi. Kenji Narukami é o nome do personagem que ele interpretava em Ryukendo.

Alexandre Nagado disse...

Ricardo, muito bem observado. Já está corrigido, obrigado. :-)

O burburinho de gente querendo ver essa série está aumentando. Vamos procurar o povo da Crunchyroll pra ver se eles trazem essa pra gente conferir.

Abraço!

Aniki disse...

Olha, eu fiquei curioso agora. Não vou negar que o tema me faz lembrar de Densha Otoko, mas neste caso parece que será mais centrado no fã-clube em questão.

Eu acredito que nesta época(entre os anos 1960 e 1970) era mais comum estigmatizar as produções como coisa de criança. Talvez até mesmo a mentalidade padrão era que o que se via quando criança era apenas uma fase, e as produções acabariam caindo no esquecimento.

Quando esse pensamento mudou? Não tenho como responder.

Mas espero que ao menos no Crunchyroll o título esteja disponível.

Bruno Seidel disse...

Que coisa mais interessante isso, ein?? Eu fiquei sabendo dessa novidade através do vídeo postado pelo Danilo do TokuDoc. Confesso que, na hora, até imaginei que isso renderia um bom post aqui no blog e, pra minha grata surpresa, aqui está! Hehehehehe!

Assim como todo mundo que comentou acima, estou bem curioso e animado pra ver essa mini-série! Primeiramente, por ser um presentão e tanto para fãs de Tokusatsu. Certeza de que o "fan service do bem" vai rolar solto, com várias sacadas que só os fãs mesmo vão entender. Segundo, por esse resgate ao passado, de mostrar como era ser um fã naquela época.

Eu acho muito divertido quando, numa conversa eventual, vêm à lembrança aquelas divertidas memórias. O cheiro de fita VHS, o barulho (e pó) do vídeo cassete, a ansiedade de ir até a locadora, os boatos (verdadeiros e falsos), os bonecos da Glasslite, as fitas da Everest, a Rede Manchete... Tinha até aquelas séries que eu passei a infância inteira "imaginando" como seria o final (Jiban, Cybercops, Black Kamen Rider...)
Concordo com o Nagado: era muito divertido, saudoso e único. Mas, sendo bem racional, não troco pelas facilidades, variedade e benefícios que vieram graças à modernidade e aos avanços tecnológicos.

Aliás, essa discussão toda me faz lembrar de um outro excelente post aqui desse blog, que eu acabo lendo periodicamente: http://nagado.blogspot.com.br/2014/08/sobre-carisma-e-as-armadilhas-do.html

Mas falando especificamente do Kaiju Club, temos duas importantes diferenças: a época (anterior às nossas gerações) e, claro, ao país. A série se refere ao estilo japonês (e não brasileiro) de ser fã numa época bem distante. Ou seja, é um outro estilo de saudosismo.

O quarteto de monstros, confesso, não é o a minha "escolha dos sonhos". Acho kaijus mais memoráveis como King Joe, Eleking, Icarus, Baltan e Gomora (já que estamos falando apenas de Ultraman e Ultra Seven) mereciam mais essa honra. Mas talvez exista uma boa explicação para esses nomes, que possivelmente tem a ver com o Kaiju Club original (ou "da vida real").

Quanto ao elenco, só elogios! Todos eles tiveram papéis de destaque em séries de Tokusatsu recentes e certamente elevarão o nível de qualidade dessa série.

Tomara que faça bastante sucesso e que renda futuras temporadas (como aconteceu com Akibaranger). Mas, até lá, tem muito chão ainda. Sem afobação! Vamos primeiro vamos assistir e nos divertir com esses quatro episódios. ^^

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Aniki!

Isso que comentou é verdade. O estigma naquele tempo era muito, mas muito maior. O engraçado é que hoje vemos nuances mais adultos em muitas produções da época, especialmente Ultra Seven, cujas histórias tinham várias camadas de entendimento, sem perder a diversão de vista.

Aliás, tem um post do blog do Raphael Soma que fala exatamente sobre um desses episódios que ganham mais relevo quando se vê depois de adulto.

http://www.somacueio.com.br/2016/10/review-ultraseven-super-arma-r-1.html

Abração!

Alexandre Nagado disse...

Fala aí, Bruno!!

Tenho lembrado de muita coisa sobre a vida de fã e colecionador de tempos "antigos". Na verdade, nunca fui colecionador. Mas eu queria ter alguma coisa de cada, uma lembrança, um livro, um episódio gravado... E como era difícil. Eu morava perto de uma Livraria Sol (que hoje só tem no bairro paulistano da Liberdade) e lá comprava eventualmente (porque era caro!) algum livro infantil de Ultras. Tinham poucas páginas (bem grossas) e nomes de golpes, monstros, etc... Esses livrinhos eram tesouros e difíceis de achar. Na escola onde fiz o pré-primário havia alguns mangás e livros infantis. Foi lá que eu vi pela primeira vez o Ultraman Taro, o Ace, o Leo... E ficava sonhando se um dia eu ia assistir.

É divertido lembrar dessas coisas. Imagine como teremos assunto para comentar depois de ver a série...

Abraços!

Tiago Cardoso disse...

Não sou fã de doramas/dramas ("novelas") de um modo geral, mas, este em particular me chamou muito a atenção em razão da temática.
Muito interessante uma obra sobre os primórdios do "movimento" otaku, hikikomori e NEET, quando o termo sequer havia sido cunhado e a percepção era distinta da tendência atual (ou seja, assim como nerd era algo distinto de apenas ser consumidor de cultura pop).

Alexandre Nagado disse...

Olá, Tiago! Tudo ok?

Eu nunca liguei muito para os doramas, pois os primeiros que assisti eram muito depressivos. Mas tem coisas legais. Inclusive, recomendo muito o "A Colegial de 35 Anos", que eu resenhei aqui no Sushi POP e tem alguns atores que trabalharam com tokusatsu.

Eu estou realmente curioso pra ver essa produção e torço para que venha para o Crunchyroll, que já tem vários doramas em seu catálogo. Vai ser interessante acompanhar Kaiju Club ao mesmo tempo que o Ultraman Geed. Dois momentos distintos.

Valeu, apareça mais vezes!
Abraço!