terça-feira, 7 de março de 2017

Bate-papo: Street Fighter

Os quadrinhos nacionais de Street Fighter
foram uma experiência bem-sucedida
de licenciamento de personagens japoneses
no Brasil, com diferentes versões e autores.
30 anos de Street Fighter! Como foi a responsabilidade de "dar vida" a personagens tão famosos e consagrados nas páginas das HQs? E qual a importância de Street Fighter na cultura pop japonesa?
Bruno Seidel

Olá, Bruno! 

Street Fighter marcou a vida de muita gente no mundo todo. E marcou a minha vida porque eu trabalhei com a franquia por um tempo. E lá se vão mais de 20 anos! Vamos ver o que eu lembro...

Meu trabalho com Street Fighter começou em 1993, quando eu tinha 22 anos. Era bem jovem e ainda estava aprendendo o ofício de fazer quadrinhos (bom, ainda não aprendi pra valer, mas enfim...). Mas não foi minha estreia, pois três anos antes eu havia iniciado um trabalho com quadrinhos oficiais de heróis do tokusatsu na Editora Abril, conforme contei num outro Bate-papo. Lá, eu e o roteirista Rodrigo de Goes (que me aprovou para o trabalho e deu muita força) éramos ligados ao Studio Velpa, que produzia para a Abril

Aos poucos, a Abril foi passando o material para seus artistas internos e o Marcelo Cassaro assumiu os roteiros. E foi ele, que havia sucedido meu trabalho e do Rodrigo com os heróis japoneses, acabou me indicando para o gibi de Street Fighter, que estava sendo publicado pela Editora Escala. Depois de algumas experiências não-oficiais, a Escala havia licenciado SF junto à Romstar, a empresa que representava a Capcom no Brasil. Primeiro, foram lançadas três edições traduzidas da HQ americana produzida pela editora Malibu Comics, que havia sido cancelada. A partir do número quatro, a produção já era toda nacional. 

Cassaro havia escrito duas edições, com desenhos do Arthur Garcia e João Carlos Pacheco (que infelizmente faleceria em 1995, vítima de câncer). Depois, entrou em contato comigo para ver se eu topava escrever SF em seu lugar. Ele precisava sair da Editora Escala, pois estava se transferindo pra Editora Trama, onde iria criar a mais famosa revista de RPG nacional, a Dragão Brasil. Sem me conhecer direito na época, ele confiou o trabalho a mim, pois havia achado meu trabalho interessante na Abril. Pra mim, era uma honra enorme e oportunidade de ouro. Agarrei com unhas e dentes. 
Tela do jogo Street Fighter II. Lançado em 1991, foi
quando a franquia realmente decolou.
Eu nunca fui muito de jogar video game depois da era do Atari (nos anos 1980), mas meus irmãos jogavam muito (jogam até hoje) e tinha o Street Fighter II pra alugar perto de casa. Conforme fui vendo como o jogo era legal e como havia muitos fãs, fui sentindo certo peso, mas depois de ter escrito para a Abril e a EBAL, achei que dava conta do recado. 

No total, foram 15 edições, a maioria em parceria com o desenhista Arthur Garcia, o arte-finalista Silvio Spotti, o colorista Noriatsu Yoshikawa e a letrista Miriam Tomi (pseudônimo de Lilian Mitsunaga, que trabalhava na Abril na época). Além deles, artistas como Álvaro Omine, Alex Silva, Ricardo Soares e Neide Harue também passaram por lá na minha época. Havia muita liberdade criativa e fiz algumas HQs que gosto de relembrar. Algumas outras, bem... Vivendo e aprendendo. 

No início, eram 28 páginas mensais, que depois foram expandidas para 48. O ritmo de produção era constante e era uma época em que eu estava trabalhando com caricaturas e ilustrações. Então, estava sempre correndo, mas fazer SF era sem dúvida a parte mais divertida da profissão. E o público em geral havia recebido bem o nosso trabalho. 
Cammy e Chun-Li se enfrentam,
ou será que não? A capa é do
arco em duas edições
"O Agente Fantasma". 

A revista vendia algo em torno de 30 mil exemplares (ouvi dizer nos primeiros meses que era ainda mais) por edição e recebíamos cartas do país todo. Algumas, pediam presentes, como games para gente humilde que não tinha dinheiro pra comprar. Cartas com pedidos de presentes na verdade me entristeciam, pois revelavam a ingenuidade de pessoas muito humildes, especialmente crianças e pré-adolescentes. 


Outras, vinham elogiando, criticando, fazendo perguntas ou dando sugestões. E teve um pai de leitor que me escreveu uma vez puxando a orelha porque numa cena de luta o Guile discutia com seu aliado Ryu e gritava "Isso eu sei, porra!". O homem achou que eu devia lembrar que crianças podiam ler o trabalho e usar uma linguagem mais educada. Bom, o Guile é um militar e um lutador casca-grossa. Achei que seria normal ele se expressar com pouca polidez, ainda mais no meio de uma luta selvagem. Mas de qualquer forma, dei razão ao pai do leitor. 

Havia mesmo muitas crianças lendo, mas eu tratei o título como se fosse um quadrinho "shonen", para garotos adolescentes. E coloquei piadas maliciosas em um dos arcos de história, "O Agente Fantasma", estrelado por Chun Li e Cammy, fazendo fan service antes que o termo fosse amplamente usado no fandom. E eu digo, sem medo de soar condescendente, que eu era um verdadeiro moleque escrevendo para moleques um pouco mais novos. Daí, havia muita espontaneidade e uma empolgação genuína. 

Um caso que sempre lembro é que um leitor escreveu querendo conhecer o estúdio onde as histórias eram criadas. Bom, cada um de nós trabalhava em casa. Como não tínhamos internet aqui em 1993, 94, eu e o Arthur nos encontrávamos na catraca de uma estação do Metrô de São Paulo. Eu passava a ele uma cópia do roteiro já esboçado e com os diálogos escritos à mão mesmo. "Só se a gente mandar esse leitor encontrar a gente na catraca do Metrô.", dizíamos rindo. Com o tempo, comprei um aparelho de fax para mandar as páginas de roteiro conforme ia produzindo. E insisti para o Arthur comprar um também, claro. 

Até que chegou o momento em que eu não estava dando conta do meu serviço com diferentes empresas e deixei o trabalho com o Rodrigo de Goes, a quem eu já estava dando espaço com HQs complementares de SF. E ele fez duas edições com histórias completas que arrancaram muitos elogios na época. Ao longo desse tempo, a revista teve formatos diferentes, diferentes números de páginas e até títulos. Primeiro era Street Fighter II, depois Super Street Fighter II e, finalmente, apenas Street Fighter, que era o que eu preferia desde o começo. E houve um almanaque especial também, com 68 páginas e três histórias fechadas. 

A capa dupla de SF - ed. 14, a primeira em formatinho.
A publicação teria 3 formatos ao
longo de nossa temporada à frente do título.

Nas edições finais, voltei escrevendo as histórias complementares, enquanto o Rodrigo desenvolvia o fantástico arco de 3 partes sobre o Akuma. Infelizmente, com vendas relativamente baixas na época (cerca de 10 mil exemplares - hoje seria um sucesso!), a Escala não renovou o contrato de licenciamento com a Romstar/Capcom e não houve tempo de sair a parte final da saga.

Na verdade, teria dado tempo não fosse por um detalhe: alguém na editora perdeu os originais (na época entregávamos as páginas em papel, não arquivos digitais). Isso obrigou a gente a produzir a edição 21 inteira novamente. Nós até recebemos pra fazer tudo de novo, mas mesmo com tudo entregue, a gráfica não ia conseguir entregar no prazo antes que contrato vencesse. Realmente, essa edição estava destinada a jamais ser publicada.

Todos fomos pagos corretamente (nisso a Escala sempre foi muito correta conosco), mas ficou uma sensação ruim por não termos visto o ciclo se fechar como gostaríamos. A minha HQ derradeira era de humor, envolvendo Cammy, Chun Li e Sakura, que na época era uma da novas lutadoras da franquia. E, passado tanto tempo, eu nem lembro sobre o que era o enredo. (A idade chega pra todo mundo...)

Minhas HQs tinham uma pegada mais ingênua do que o material escrito pelo Cassaro ou pelo Rodrigo, mas algumas até que funcionaram. Reconheço que faria tudo diferente hoje e algumas ficaram bem fraquinhas mesmo, mas era o que eu podia fazer na época. Quando se é profissional, é fundamental saber cumprir prazos e manter uma qualidade narrativa, com começo, meio e fim e diálogos com fluidez de leitura. 

Já me deparei com muitas críticas bem negativas, debochadas ou raivosas ao trabalho que fiz em SF, mas também já encontrei muita gente que disse que lia e gostava. Se ia de encontro ao gosto médio do leitor adolescente que jogava SF e a revista vendeu bem na maior parte do tempo, pra mim está mais do que válido. Não dá pra voltar no tempo e fazer tudo de novo mesmo. 

Além dos quadrinhos, eu coordenei a produção de duas revistas especiais e uma revista-pôster de SF, que foram muito bem recebidas pelo público. Também escrevi bastante sobre as produções e personagens para a revista Herói, a publicação mais conhecida onde trabalhei. 

Pela Herói, em 1995, conversei com um diretor de criação da Capcom que estava no Brasil para um evento. Lá, ele comentou comigo que iria sair um jogo chamado Marvel vs Street Fighter, mas que não podia revelar nem quais personagens participariam nem dar qualquer detalhe. Foi praticamente um "vazamento" de informação que a Herói deu em primeira mão no Brasil e que eu tive sorte de ter ficado sabendo antes de todo mundo por aqui. 
A franquia está comemorando 30 anos. O primeiro
jogo foi lançado em agosto de 1987. 
Olhando globalmente, Street Fighter é um título icônico na cultura pop japonesa. A Capcom deu um salto técnico quando os gráficos e jogabilidade de SF II foram mostrados ao público em 1991. E com a melhoria na definição da imagem, que a até pouco tempo atrás era de quadradinhos grosseiros, veio a primeira musa virtual dos games, a sensual Chun Li

Vieram com o tempo adaptações para diversas mídias, mostrando a força da marca e seus personagens. SF gerou filmes em Hollywood, teve animês para TV, cinema e vídeo e uma infinidade de versões em quadrinhos, em diferentes países. Também teve força no mercado da música, com as trilhas sonoras das produções e canções criadas em homenagem aos lutadores. (Nota: Futuramente, SF deverá ganhar matéria especial por aqui.)

No contexto japonês, é uma das marcas mais importantes da cultura pop, por ter tido produções de destaque em diferentes mídias, fora o enorme sucesso em sua mídia original, o video game. Por isso, foi uma honra ter participado de seu licenciamento no Brasil. 

Até hoje, tem gente que lembra positivamente do trabalho feito e isso me deixa bem orgulhoso mesmo. Isso me faz lembrar que todos os meus trabalhos de maior repercussão (revista Herói, HQs de tokusatsu e Street Fighter) foram feitos antes dos meus 25 anos. Tecnicamente, evoluí muito em todos os aspectos e fiz trabalhos em diferentes mídias, mas aqueles trabalhos ingênuos e cheios de limitações nos anos 1990 dialogaram com um grande número de leitores e rendem conversas até hoje. 

Cá entre nós, eu tive é muita sorte por ter vivido tudo isso e ter muita história pra contar. 

::: EXTRAS :::

1) "Yume e no position", tema de Chun Li lançado em 1992 pela cantora Maki Miyamae, ex-integrante da banda CoCo. Era o auge do sucesso do jogo SF II.





2) Matéria no UOL assinada pelo jornalista Claudio Prandoni, com depoimentos meus contando sobre os quadrinhos nacionais de Street Figher:

Conheça as HQs oficiais de "Street Fighter" criadas no Brasil nos anos 90

3) Para quem quiser ver como era ou matar as saudades, tem uma HQ pra leitura on-line no link abaixo. É uma história centrada em Dan Hibiki e Sagat, que me deixou muito satisfeito na época. 

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6 comentários:

Raphael disse...

Nagado, eu não lembro há quantos anos isso aconteceu, mas provavelmente foi lá por 2002 ou 2003 que achei algum contato seu na internet e mandei um e-mail perguntando se a parte final da história do Akuma havia saído ou se realmente ficou na vontade. Você me respondeu basicamente o que está reproduzido aí, sobre as dificuldades que infelizmente culminaram na não-publicação do que seria a conclusão de uma minissérie que vinha eletrizante!

Sou fã ardoroso de Street Fighter desde o início da década de 90 e sempre achei o material que vocês produziram MUITO superior ao americano que durou poucas edições. Tenho algumas edições guardadas até hoje, e peguei-as para reler há poucos anos. Sigo achando que o material é bom e que por mais que você sinta que poderia fazer melhor com mais experiência (sempre uma possibilidade), os gibis respeitavam a mitologia da série e tinham bastante elementos que agradavam aos fãs da série: aventura constante e desenvolvimento de personagens/histórias que eram incipientes ou até ausentes dos jogos, como o romance entre Guile e Chun Li. Muito legal!

Até mesmo histórias que tendiam para a digamos, galhofa, como aquela com James Bond (não lembro se é sua ou do Rodrigo) tinham seu valor, hehe. Isso num tempo em que personagens de HQs ainda não tinham entrado numa onda densa ou dark demais para serem considerados sérios. Bom, esse é meu parecer. Saiba que não é por falta de reconhecimento que materiais do tipo deixaram de ser publicados. Parabéns pela iniciativa de compartilhar tantos detalhes da época conosco, prova de um artista que tem carinho com o próprio histórico. E pode ter certeza que os fãs da época lembram também.

Bruno Seidel disse...

Valeu, Nagado! Tinha certeza de que esse post iria ficar sensacional!! Quando me dei conta de que 2017 celebra os 30 anos de Street Fighter, lembrei das revistas que eu lia na época em que era completamente viciado na franquia e, claro, achei pertinente sugerir um post dedicado exclusivamente a esse universo, que vai muito além dos jogos eletrônicos.
Assim como você, não me considero um "gamer" e, apesar de ter jogado bastante os games da série SF2, não eram os jogos eletrônicos o que mais me fascinava. Aos poucos percebi que o que eu curtia mesmo eram os personagens e suas peculiaridades (apesar de que, confesso, o fato de conhecê-los previamente através dos games colaborou com uma aceitação inicial dos mesmos).
Ryu e Ken eram meus personagens preferidos no começo, mas com a chegada das produções americanas (o filme Street Fighter - A Última Batalha, com Van Damme e Raul Julia, e o desenho Street Fighter Game que passava no SBT) o Guile acabou ganhando uma importância maior do que os demais personagens. Havia uma "americanizada" escrachada ali, porque o Guile era, até então, um coadjuvante. Eis que acabaram tornando ele numa espécie de "Capitão América dos Vingadores", incubido da missão de recrutar os heróis e liderar uma força tarefa contra o maléfico Bison. Influências estadunidenses à parte, eu gostava demais do Guile e, talvez por essas características (e por lembrar um líder de Super Sentai), ele tenha se tornado o meu personagem preferido.
Ainda curto demais outros personagens de SFII e da série Zero (ou Alpha, como ficou conhecido no ocidente). Mas minha relação com a franquia só durou até aí. Confesso que tem vários personagens de SF II, IV e V que eu sequer sei quem são.
Fui um grande devorador das HQs daquela época e até cheguei a produzir alguns faznines de SF que eu mesmo desenhava e roterizava. Acho que isso só comprova o quanto eu admirava o seu trabalho e o da sua equipe, que produziu uma das fontes de entretenimento mais legais que eu já acompanhei, chegando a rivalizar com as séries de Tokusatsu e animes da Manchete.
Mais uma vez, obrigado pela dedicação em fazer esse post incrível e por resgatar tanta informação bacana no seu "HD mental".

Nós vamos ao encontro do mais forte!!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Raphael!

Ainda bem que, neste caso, minhas memórias não me enganaram, ah ah. E sabe, muita gente já me perguntou, pessoalmente ou pela web, sobre essa parte final do Akuma. Um dia eu queria poder recuperar esse material e postar em algum lugar, completo.

Esses detalhes que você gostava, outros já não curtiam. Mas nunca dá pra agradar todo mundo. Se muda muito, tem que dizem que os personagens foram deturpados. Se não muda nada, iam dizer que ninguém lá tinha coragem de arriscar. Na minha cabeça, o universo SF que nós trabalhávamos era um universo próprio, que mesclava características dos animês de TV e cinema (que têm cronologias incompatíveis) e do filme do Van Damme. Pra gente, funcionou.

Valeu a força!
Abraço!!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Antes de mais nada, obrigado pela participação com o tema do post. Essa ideia de fazer do Guile um tipo de "Capitão América" foi anterior ao filme do Van Damme, visto que começamos em 1993 para 94 e o filme saiu aqui em 1995. Foi uma sacada que ajudou a organizar as histórias sem ficar dependendo de torneios. E eu gostava de jogar com o Guile, então acho que isso também influenciou. E é bacana saber que você gostava tanto do nosso trabalho. Foi feito com dedicação e fizemos o melhor possível na época.

Abração!

Usys 222 disse...

Me lembro dessa época, quando a gente conversava sobre suas ideias sobre as histórias. Eu tinha comentado que aquela cena do Dee-Jay detendo o Spinning Bird Kick da Chun Li com um soco agachado, mas ainda assim levando o golpe era bem fiel ao jogo, pois seria isso o que aconteceria nessa situação.
Outra coisa interessante era a ideia de retratar a relação de Chun Li e Cammy como a de Yuri e Kei em Dirty Pair. Essa eu achei muito boa e pelo visto ela foi implementada de fato, com bons resultados.

Trabalhar com Street Fighter é um trabalho um tanto ingrato, pois cada fã tem uma imagem própria de seu personagem favorito e assim tende a rejeitar obras em que eles não agem como eram imaginados. Por isso, obras nesse sentido são muito criticadas e sofrem bastante resistência. Mas no caso de Street Fighter pelo visto a aceitação foi muito maior que a rejeição, o que é um grande feito!

Li a história do Dan com o Sagat. A imagem que tenho do Dan é a do lutador fracassado e cômico e por isso no começo me causou um pouco de estranheza vê-lo como um personagem dramático, mas o desenvolvimento da história me fez esquecer disso. As influências de O Judoka são bem evidentes e me faz pensar se a equipe da Capcom também não se inspirou nesse desenho ao criar a história do Dan (para depois partir para a comédia). E gostei do Sagat ter se mantido como um oponente honrado. Ele era um personagem que eu gostava muito e que teve um participação decepcionante na animação para cinema. Aqui ele foi redimido.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Essa cena do golpe da Chun Li no Dee Jay eu não lembro, ah ah. É tanta coisa, que muitas lembranças eu tenho que reavivar lendo mesmo o material. E tenho pouca coisa guardada...

A dinâmica de Chun Li e Cammy eu gostava de trabalhar e a história em que a "pirralha" da Sakura entra eu guardo lembranças de gags e cenas de humor no meio da pancadaria.

Sobre o Dan Hibiki: quando resolvemos usar os personagens de SF Zero, tínhamos apenas cards enviados pela Capcom e breves descrições. Não tínhamos o jogo oficial nem nada mais para nos basearmos. Achamos que seria um bom gancho estrear logo os personagens. E como mudou a abordagem da Capcom sobre o Dan Hibiki! Já não tinha muito a ver com a referência inicial que eles mesmos nos enviaram, o que é engraçado. Por isso, dei um toque dramático com referências a "O Judoca". A cena do duelo marcou minha infância e gostei da forma como o Arthur desenhou. Essa é uma das poucas das quais sinto que fiz um trabalho decente de conceito, narrativa e diálogo.

Valeu! Abraço!!