sexta-feira, 17 de março de 2017

A Colegial de 35 Anos

Conheça uma série que mergulha no cruel mundo do ijime, o bullying japonês. Em uma escola de situação critica, quem irá se levantar contra a violência é uma colegial diferente e especial.
Ryoko Yonekura é Ayako Baba, uma
estudante colegial diferente.
O bullying, chamado no Japão de ijime, é um dos temas mais espinhosos quando se mostra a vida escolar do país. Contrastando com a formalidade das escolas, o bullying no Japão é extremamente comum e igualmente violento, causando traumas, evasão escolar, originando pessoas com fortes fobias sociais e provocando suicídios de crianças e jovens em índices alarmantes. 

São milhares de vítimas todo ano e o assunto, apesar de sempre abordado, nunca foi combatido de modo eficaz ou duradouro. Esse é o tema central de um drama para TV de 2013 intitulado Sanju Gô Sai no Koukousei (35歳の高校生), ou "A Colegial de 35 Anos".
 

O Colégio Kunikida, palco de maus tratos,
abusos e tentativas de suicídio.
Na trama, Ayako Baba (vivida por Ryoko Yonekura) é uma mulher madura, charmosa e independente que resolve se matricular no colégio Kunikida, da cidade de Kawahama, a fim de concluir seus estudos. Com um passado traumático, ela havia interrompido seu curso na última etapa do colegial, 18 anos atrás. A classe recebe Ayako com estranheza e ela logo é isolada. Mas sua atitude positiva e experiência de vida a levam a resolver situações difíceis às quais as vítimas de ijime no colégio Kunikida são submetidas. 

Aos poucos, ela vai fazendo amigos, mas também criando inimigos entre os alunos mais agressivos. O professor responsável pela classe é Koizumi (vivido por Junpei Mizobata), um sujeito até bem intencionado, mas fútil e de personalidade fraca. Junto com ele, a sala dos professores é um verdadeiro centro de pessoas frustradas, negligentes e atemorizadas. 

Cheia de surpresas, Ayako já foi um pouco de tudo na vida, de segurança a hostess (espécie de recepcionista de bar encarregada de usar charme e simpatia para fazer os clientes gastarem mais com bebidas). Os mais chegados a chamam carinhosamente de "Baba-chan", mas a maioria só se refere à ela como "obasan" ("tia"), um termo que crianças e jovens normalmente usam para chamar mulheres mais velhas. Aqui, foi traduzido como "tiazona" pra passar a conotação certa, pois não é dito com formalidade ou reverência, e sim com certo deboche. 


Ayako Baba: Tentando ajudar
os mais jovens enquanto lida
com os fantasmas de seu passado.
Calma e introspectiva, ela começa a cumprir uma espécie de plano naquela escola, que tem uma situação critica. Ela possui uma relação de aluna e mestre com o temido superintendente Asada, a maior autoridade em ensino da cidade. Eles se encontram e se comunicam constantemente e o passado em comum deles vai sendo revelado ao longo da série. 

Conforme os dias passam, vai sendo desvendado para Ayako o motivo de muitas atitudes estranhas dos alunos. Nessa escola, os alunos são divididos em castas, especialmente os veteranos de sua sala, a 3-A

Com tal divisão por popularidade, os da elite mandam e desmandam. Atrapalham aulas, saem a hora em que bem entendem e fazem os outros de empregados pessoais. Os do segundo nível têm certo grau de liberdade, mas não podem se manifestar muito, sendo considerados neutros e inofensivos. E os do terceiro e último nível têm suas vidas transformadas em um Inferno, sofrendo todo tipo de agressão psicológica e ameaças físicas. 

As classificações não são apenas convenções sociais que ficam subentendidas ou implícitas, mas aparecem catalogadas em um site secreto, conhecido e compartilhado entre os alunos. Cair para o terceiro nível é o pesadelo para qualquer um. 

O site também é acessado pelos professores, receosos em saber como estão sendo vistos. A neurose causada pelo sistema de castas e suas classificações contamina a quase todos. Alheia a tudo isso, a perplexa Ayako tenta fazer o que pode, mas até ela tem seus momentos de fragilidade e insegurança, quando fica sem ter a quem recorrer, pois ela é a referência e o porto seguro para seus colegas. 

Com sua atitude solidária e corajosa, Ayako ajuda alguns alunos e professores, mas descobre que, apesar de alguns se tornarem seus amigos, outros logo voltam aos seus vícios de comportamento. E, para sua tristeza, constata que oprimidos também podem se transformar em opressores crueis. 

Logo nos primeiros capítulos, alguns mistérios vão sendo jogados na trama, pois assim como Ayako aparentemente está numa missão secreta, há também um elemento oculto e sinistro à espreita. E está dentro da escola, mais próximo do que ela pode imaginar. Ajudar os colegas também vai levar Ayako a enfrentar os fantasmas de seu passado conturbado e irá levá-la aos seus limites físicos e mentais.
As garotas da elite do colégio Kunikida:
Traições, crueldade, segredos e delinquência juvenil.
A trama tem momentos de grande intensidade dramática, mas alguns alívios cômicos forçados (que em geral não funcionam) e a presença do "vilão secreto" diluem um pouco a questão das origens sociais e formas de enfrentamento ao ijime/bullying. Ainda assim, é um bom drama, com personagens que fazem você entrar na história e torcer por eles. 

Os seus 11 episódios têm, em sua maioria, tramas auto-contidas, com um formato mais próximo de um seriado do que de uma novela. Cada episódio tinha 54 minutos (com comerciais) em sua exibição original na emissora NTV do Japão. O capítulo final, intenso e catártico, teve o dobro de duração dos demais. Disponível legendado na plataforma Crunchyroll, cada episódio tem, em média, 45 minutos de duração. Na exibição televisiva original em 2013, teve a excelente média de 13,3% de audiência, com pico de 15,1%.

Ryoko Yonekura:
Uma estrela em seu país.

Na equipe de produção, a trilha foi composta por Masaru Yokoyama, produtor do grupo idol Momoiro Clover Z e autor de músicas para os animês de Mobile Suit Gundam - Iron Blooded Orphans, Arakawa Under The Bridge e Negima. O narrador foi Rikiya Koyama, que interpretou o herói coadjuvante Joe Kazumi em Kamen Rider Black RX (1988). 

O elenco jovem foi muito bem escolhido, com boas interpretações. Não se pode dizer o mesmo do núcleo dos professores e direção, com atores muito caricatos. A presença do veterano ator e cantor Tetsuya Watari traz sobriedade como o superintendente Asada, mas o grande destaque do elenco é mesmo a atriz principal, a renomada Ryoko Yonekura.

Nascida em 1 de agosto de 1975, a belíssima Ryoko Yonekura começou a carreira como bailarina e modelo, mas logo revelou-se uma grande atriz, tendo trabalhado em diversos filmes e dramas. Com muitos fãs, mesmo sem experiência com dublagem, foi escolhida para fazer a voz oficial em japonês da Viúva Negra nos filmes dos Vingadores e do Capitão América

Como a corajosa e elegante Ayako Baba, Ryoko deu consistência a um papel que poderia render humor involuntário se não fosse feito por uma atriz competente. Em "A Colegial de 35 Anos", Ryoko teve o desafio de se integrar a um elenco bem mais jovem e conseguiu cumprir seu papel com naturalidade. 

Com boa direção e passagens excelentes, essa série joga uma luz sobre a questão do ijime, dando exemplos de enfrentamento com solidariedade, empatia e companheirismo. Mesmo que, na vida real, as soluções estejam longe do patamar otimista apresentado pela série. 

FICHA TÉCNICA

Título original: 35 (Sanju Gô) sai no Koukousei - 35歳 の 高校生
Título ocidental: No Dropping Out: Back to School at 35
Estreia: 13/04/2013
Total: 11 episódios

Roteiro: Masahiro Yamaura e Yuuya Takahashi
Trilha sonora: Masaru Yokoyama
Direção: Noriyoshi Sakuma, Maki Nishino e Seiichi Nagumo
Supervisão geral: Futoshi Ohira
Realização: NTV

ELENCO

Ayako Baba: Ryoko Yonekura
Yukinobu Asada: Tetsuya Watari
Junichi Koizumi: Junpei Mizobata
Akari Nagamine: Nana Katase
Ai Yamashita: Erina Mizuno
Rina Hasegawa: Alice Hirose
Yuna Izumi: Shiori Kitayama
Hitomi Eto: Aoi Morikawa
Mizuki Kudo: Yua Shinkawa
Masamitsu Tsuchiya: Masaki Suda
Ryo Akutsu: Kento Yamazaki
Yoshio Noda: Takaaki Enoki
Ayako Baba (jovem): Mayu Matsuoka
Narrador: Rikiya Koyama

Assista com legendas em português no Crunchyroll.


::: E X T R A S :::

1) "Flower Song" - EXILE 
- A canção-tema da série chegou ao segundo lugar na parada de sucessos semanal e vendeu mais de 126 mil cópias, segundo levantamento da Oricon

O EXILE é uma boys band de 19 cantores com influência da soul music americana. Surgiu em 1999 como J Soul Brothers, mudou para EXILE em 2001 e de lá pra cá já teve várias formações. Uma força dentro do J-pop, o EXILE já vendeu mais de 20 milhões de gravações em seu país. 




2) Vitamin - Um mangá sobre bullying

3) Artigo sobre ijime no blog Japão em Foco

10 comentários:

Anônimo disse...

Olá!
Nagado, Marcos comentando!

Eu havia assistido esse dorama no Viki, depois fiquei sabendo que estava disponível no Crunchyroll.
Gostei da história, mas o elenco de professores e diretores realmente incomodou. Os produtores optaram por "inverter" os papéis dos indivíduos no ambiente escolar. Enquanto os adultos agiam de forma infantil, com comportamento muito imaturo e caricato, os adolescentes comandavam a escola a seu modo: intimidando, humilhando, controlando o comportamento dos alunos mais fracos...
O interessante é que nem os professores escapavam do bullying, ou seja, de fato a escola era comandada pelos adolescentes.
A Baba entrando como o único adulto responsável, no meio desse turbilhão, reforçou a minha ideia de que o dorama é uma grande crítica ao sistema escolar e à sociedade japonesa. Porém, o exagero cômico dos "adultos", de fato, apresentou falhas quanto à real mensagem que os produtores pretendiam passar.
Para concluir, mencionarei alguns atores que chamaram a minha atenção:

Ryoko Yonekura - admito que não a conhecia até assistir ao dorama discutido aqui. Procurei por algumas séries ou filmes com ela e descobri "Doctor-X". Estou acompanhando a terceira temporada pelo Viki.

Alice Hirose - essa moça me surpreendeu, e muito. Só havia conhecido seu trabalho como a nova Electro-Wave Human Tackle, personagem do universo do Kamen Rider Decade, e a achava linda, mas pouco talentosa. Em "A Colegial de 35 Anos" ela esbanjou talento, infelizmente sua personagem foi pouco aproveitada.

Junpei Mizobata - ele chamou a minha atenção porque eu o achei muito fraco. Mas ele será o herói Hurricane Polymar no novo live-action de mesmo nome, que estreará em maio no Japão. Não sei se você tem interesse em falar sobre esse filme aqui em seu blog, mas a Tatsunoko tem muita intimidade com os tokusatus em suas produções (sejam elas animes ou live-actions).

Grato!

Alexandre Nagado disse...

Olá, Marcos! Obrigado pela participação.

Realmente, a infantilidade caricata dos professores atrapalhou um pouco, mas o resto do elenco deu um show. Ryoko Yonekura é sensacional, tenho que ver mais produções com ela.

E eu não sabia que o Junpei Mizobata seria o Polymer, um herói clássico de grande importância para a Tatsunoko Pro. Pensando bem, ele tem cara de herói, apesar de ter sido convincente como um cara de personalidade fraca, que aos poucos vai evoluindo e se superando.

Valeu! Abraço!

Anônimo disse...

Marcos de novo.
De nada, Nagado.

No YouTube já está disponível um novo trailer estendido do Polymar. A partir dele já é possível ter uma ideia de como será o filme. Estranhamente, a Tatsunoko optou por um filme bem "tokusatsu", pois o clima lembra muito as produções da Toei e o elenco é basicamente de tokusatsu (Mikie Hara está na produção como a heroína Polymar Artemis, exclusiva do live).
Assisti outros filmes baseados nos animes da produtora, como Gatchaman (uma mistura de super sentai com Vingadores), Casshern e Yatterman (do aclamado rei do gore japonês, Takashi Miike, que é uma produção que mais parece um desenho animado com atores), e nenhum deles foi feito exclusivamente para fãs de tokusatsu. Talvez essa nova estratégia não agrade muito.
Bom, só sei que o Mizobata caiu ainda mais no meu conceito (rs), pois ele está bem caricato no trailer.
Ah! Para quem reclama que não há produções japonesas na TV brasileira, o canal fechado Arte 1 está exibindo o dorama "Midnight Diner" desde dezembro. Ele vai ao ar todas as quintas (às 13h e 21h30min) e sextas (às 2h da manhã).
Esse é o primeiro dorama que vejo na nossa TV.

Até!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Marcos. Ainda vou conferir o Polymar, vamos ver como o Mizobata se sai fazendo um herói de verdade.

Sobre esse drama que indicou ser o primeiro, tem coisa mais antiga. Na década de 1970, a TV Record, através do programa Imagens do Japão, exibiu os episódios de OSHIN, famoso drama sobre uma menina vendida pelos pais em troca de arroz numa época difícil para o Japão. Eu era criança e não conseguia acompanhar a história. Depois, soube que OSHIN virou até animê, mas nunca assisti. De qualquer forma, acho que foi o primeiro drama em formato novela exibido no Brasil. Dramas de longa-metragem para TV já foram exibidos na TV Cultura.

Valeu por sempre trazer mais informação em seus comentários, Marcos.

Abração!

Usys 222 disse...

Fui dar uma olhadela. Até agora só pude ver o primeiro capítulo e já deu para ver muita coisa do que vem por aí.

O "ijime" é realmente cruel. Já vi várias obras sobre o assunto, inclusive o excelente Vitamin, já comentado aqui, e é bem daquele jeito mesmo. O jeito de zombar de quem é ou tem hábitos diferentes é revoltante e enojante.

Notei a presença de gente das séries Kamen Rider no elenco. Um deles é Masahiro Takasugi, que foi o Mitsuzane (Micchi)/Kamen Rider Ryugen. Gostei bastante de seu trabalho em Kamen Rider Gaim, no qual ele interpretou um personagem dissimulado e traidor, mas que era essencial para fazer a história se mover. De fato, para mim ele foi o MVP do seriado. E agora vejo que Takasugi é muito bom para interpretar vilões, que é o que ele mais gosta de fazer. Já Masaki Suda, que foi uma das metades do Kamen Rider W está irreconhecível. E pelo visto tem a participação de Taikou Katoono, o Kamen Rider Chaser. É bom ver que eles estão conseguindo tocar a carreira.

Notei também que um dos roteiristas é Yuuya Takahashi, que está escrevendo Kamen Rider Ex-Aid e fazendo um excelente trabalho. Agora entendo por que a trama está tão densa e tensa apesar da temática e dos visuais dos personagens.

Voltando à série, gostei muito do que vi. Apesar do formato de histórias auto-contidas existem mistérios a serem resolvidos envolvendo o passado da Ayako Baba, se é que esse é seu nome, que parece mais inventado. É que lendo no sentido sobrenome->nome parte se torna "Babaa", que seria o equivalente ao nosso "véia"(velha). E os indícios de sua ligação com o "Kaiser", interpretado pelo veterano Tetsuya Watari são bem intrigantes. Dá mesmo vontade de saber o que aconteceu no passado da protagonista.

Foi uma boa indicação que provavelmente nunca pensaria em ver e perderia algo muito bom. E pretendo ver o segundo capítulo, com a participação do grande Takashi Ukaji, cujo trabalho em Kamen Rider OOO foi excelente.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Vi pouca coisa do Kamen Rider W, mas o Masaki Suda está realmente irreconhecível, inclusive porque ele é um bom ator. A atuação dele como o odiável Masamitsu é formidável (sem contar que ele ainda convence como adolescente). E o personagem cresce ainda mais na reta final da trama.

A decisão de juntar os dois últimos episódios em um episódio longo foi uma decisão ousada, mas que deu certo. O fim tem que assistir de um fôlego só.

E pelo visto, várias caras conhecidas para quem acompanha os Kamen Riders mais recentes. Como eu disse na resenha, os atores que interpretam os alunos são muito bons em sua maioria.

Li críticas bem negativas em sites americanos falando sobre esse drama/série. Alguns apontam a falta de foco, outros a incoerência de algumas situações. Bobagem. Assista sem receio, que é muito bom.

Eu não sou muito ligado em dramas, exatamente pelo excesso de dramalhão. Mas esse é realmente diferenciado, pois me fisgou do começo ao fim.

Abraço!

Bruno Seidel disse...

Eu confesso que não sou muito chegado em doramas. Nem mesmo o badaladíssimo densha otoko, que tinha tudo pra me agradar, chegou a me fisgar em cheio (acabei assistindo só aos primeiros episódios). Também não sou assinante do Cruchyroll, logo não sei quando poderei assistir a essa série.

Mas o comentário do Usys me deu uma outra perspectiva sobre essa produção aí! Não sabia que tinha tantos atores (e dos bons!) das séries Kamen Riders recentes! Principalmente pelo Takashi Ukaji, que interpretou o inigualável Kousei Kougami (um dos meus personagens preferidos) em Kamen Rider OOO. Também curti demais

Só de obter essa informação já aumentou incrivelmente a vontade de ver isso aí! Também me agradou muito saber da participação do Masaki Suda, do Masahiro Takasugi e do Taikou Katoono. E concordo plenamente sobre o trabalho do roteirista Yuuya Takahashi em Kamen Rider Ex-Aid, que está dando um clima incrível à série e aquela expectativa enorme pra saber o que vai acontecer no próximo episódio (só não concordo que a temática e os visuais dos personagens sejam abaixo da média, pois essas são duas coisas que mais me agradaram no Ex-Aid... mas sinto que sou uma exceção ao achar isso... huehueheuheue).

Abraços! o/

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Realmente, esse drama tem muita ligação de bastidores com o Universo Kamen Rider, quem diria. E além dos nomes citados pelo Usys, tem a Alice Hirose, a nova Tackle, conforme o Marcos indicou no comentário dele. E lembrando que a sóbria locução que abre os episódios foi feita pelo Rikiya Koyama, o Joe Kazumi de RX. Olha, a Alice Hirose e o Masaki Suda dão um show em seus papéis, mas vários outros estão muito bem.

E a personagem da Ryoko Yonekura é fascinante, não tem como não torcer por ela. Não sendo assinante do Crunchyroll, o único problema é ter que aguentar os comerciais, mas aí é como se fosse na TV.

Abraço!

Bruno Seidel disse...

Terminei de assistir à série e posso dizer que agora já estou em condições de comentar e de dar uma opinião. Principalmente sobre a mensagem final que foi o tema do último episódio. Há toda uma inclinação, durante o dorama, para repensar o sistema de classes e uma sugestão que, pelo menos para mim, parecia mais sensata: a de tornar o Ensino Médio mais parecido com o sistema universitário, onde os estudantes teriam a liberdade de escolher as matérias e aulas de acordo com seus interesses e aptidões, o que consequentemente dissolveria as turmas e, no centro do alvo, o bullyng. Essa pauta, inclusive, está muito presente no Brasil hoje, graças à discutida reforma no Ensino Médio.
Surpreendentemente, a trama vira o jogo contra sua própria solução. O sistema proposto pelo "kaiser" Yukinobu Asada tinha tudo para ser concebido da melhor forma possível, já que o personagem passa longe de ser um vilão e ainda é o mais culto e sábio da série.
E aqui cabe uma análise um pouco mais fria e realista da situação: o final é catártico e emocionante, com todos os estudantes (inclusive a dupla "Philip e Micchy") unidos pela mesma causa e derrubando o sistema proposto pela direção da escola. Tudo para que a unidade da turma se mantivesse unida até a formatura. Muito bonito e tal mas, há uma série de elementos fantasiosos aí que, como sabemos, não correspondem à realidade. A começar pela presença da Ayako Baba. Ela "solucionou" basicamente todos os problemas derivados do bullyng que contaminavam a turma. A cada eposódio, ela ia "convertendo" cada vez mais estudantes que antes pertenciam ao "lado negro da força" e intensificando sua liderança. Tudo graças a uma maturidade e um senso de justiça admiráveis mesmo para uma pessoa de 35 anos. E o que se tem no episódio conclusivo é uma turma que tinha sérios problemas se tornando uma irmandade exemplar.
Não reclamo disso porque adoro finais felizes. O que me incomodou um pouco nisso aí foi a defesa pela permanência do sistema de classes em oposição a uma solução de melhoria que eu ainda considero vantajosa. Em discurso, a "tiazona" argumenta que separar as pessoas por interesses em comum só as prenderia ainda mais em suas bolhas, restringindo suas visões de mundo e dificultando um intercâmbio cultural com outras áreas, interesses, visões de mundo e aptidões. Isso consequentemente prejudicaria ainda mais, segundo Baba, esse envolvimento das exatas com as humanas, ou da teoria com a prática.
A turma inteira entende esse ponto de vista e faz coro em prol da resistência, rebela-se contra os professores e vence a queda-de-braço. Mas nem toda turma tem uma "Baba-chan" pra colocar a casa em ordem. Infelizmente. Nem toda turma chega a esse nirvana da união fraternal capaz de culminar numa "formatura dos sonhos". E mesmo que chegue, a vida se encarregará de colocá-los em diferentes universidades, áreas de atuação e realidades distintas, o que geralmente torna essa "união" findável.
Mas é claro que isso não significa que alguns pequenos grupos de amigos se mantenham conectados. E essa conexão não precisa depender necessariamente de uma classe estruturada por pessoas da mesma idade. Aliás, se a união da turma como um todo é mais forte do que qualquer outra coisa (como aparenta ao término da série), é só todo mundo combinar de fazer sempre as mesmas disciplinas e frequentar as mesmas aulas. Sem necessidade de revolução e ocupação de prédio escolar. Isso não resolveria o problema?
Bom... a discussão é complexa mesmo e renderia um debate acalorado sobre sistema de ensino e sociedade. Acho que, nesse ponto, a série foi bem feliz (adoro produções que provocam discussões inteligentes). Apesar disso, devo dizer que achei a série razoável. Em vários momentos me pareceu uma versão japonesa da novela "Rebelde". De fato, não é o tipo de coisa que mexe comigo.
Ainda assim, obrigado pela indicação e pela oportunidade de conferir todos os 11 episódios. Se não fosse esse post aqui no blog, eu jamais teria assistido.

Alexandre Nagado disse...

Oi, Bruno. Cara, que baita participação!

Propositalmente, deixei de lado a discussão sobre a reforma escolar proposta e abandonada no último capítulo. Achei que tiraria muito o foco do bullying e do que eu queria destacar, mas vamos lá.

Eu estou entre os que acham que, no colegial, a grade curricular deve ser abrangente, sem o direito de escolha ser oferecido (exceto para cursos técnicos). Veja, eu penso seriamente que 17 ou 18 anos é muito cedo para a pessoa escolher a carreira de sua vida. Imagine então decidir com 14 ou 15 anos a área que vai seguir (exatas, humanas, biológicas), selecionando matérias. O risco enorme que se corre não é a valorização do foco, mas a concentração em uma zona de conforto perigosa em idade muito jovem. A preguiça vai guiar muitas escolhas.

Do jeito que está, já temos profissionais com sérios problemas de lacunas de aprendizado em coisas básicas de colégio mesmo. Jogar uma escolha de áreas no meio da adolescência eu acho perigoso. Pode ser contra uma tendência esse meu pensamento, mas é assim que eu acho.

Bruno, valeu mesmo pela participação.
Abraço!