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Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Pokémon Red Green Blue

Chega ao Brasil o primeiro mangá da franquia.
O selo Planet Manga, da Panini Comics, lançou no final de 2016 uma nova série em quadrinhos da gigantesca franquia Pokémon. Intitulada Pokémon Red Green Blue, trata-se na verdade de um mangá antigo, de 1997, que foi criado a partir de elementos dos games Pokémon Red Blue, lançados oficialmente em 1996.

O mangá acompanha o garoto Ash... perdão, o garoto Red, em sua jornada para se tornar o maior dos treinadores Pokémon. Como a história mais conhecida, o mundo da história é povoado por misteriosos seres chamados Pokémon, que podem ser capturados, miniaturizados e carregados dentro de artefatos chamados Pokébolas
Pokémon RGB: A primeira versão
em quadrinhos da franquia.
Através de batalhas entre seus monstrinhos, os treinadores vão ganhando reconhecimento através de insígnias conquistadas em duelos e torneios. Inicialmente munido apenas de um Poliwhirl, Red inicia sua jornada após conhecer o Professor Carvalho, que o presenteia com uma agenda eletrônica Pokédex, que irá catalogar os Pokémon que ele encontrar. 

Seu grande rival é o garoto Blue (que no original é Green Okido), o sobrinho do Prof. Carvalho que depois seria conhecido como Gary. Pra completar o trio que dá nome à série, há também a garota Green (Blue, no original), que aparece a partir do volume 2.

Um ponto interessante a se destacar é a violência, um nível acima do que o público do animê está acostumado. 


Em RGB, os Pokémon podem morrer de verdade e os torneios se parecem, mais do que nunca, com rinhas de galo. Indo além, um Pokémon é desmembrado (e com um ataque do Pikachu), outro é cortado ao meio e por aí vai. Há inclusive um capítulo do vol. 1 em que cadáveres de Pokémon em decomposição são transformados em zumbis, com destaque para um pobre Psyduck. É meio incômodo ver um personagem que no animê é tão engraçado sendo usado de maneira tétrica, mas esse potencial cômico dele, bem como o dos demais personagens, só seria explorado mesmo na versão animada. Brock, por exemplo, ao invés de companheiro inicial de jornada, é apenas mais um treinador que enfrenta Red, sendo inclusive retratado como alguém arrogante. 
Em Pokémon Red Green Blue,
os personagens aparecem em
uma concepção anterior à
do primeiro animê.
Mas nem por isso essa versão é mais "adulta" ou "madura" de Pokémon, muito longe disso. RGB é um mangá infantil, simples (mas não bobo), ágil e expressivo. 

A questão da violência é apenas uma diferença cultural, pois no Japão produções infantis permitem uma carga de agressividade e piadas maliciosas impensáveis em um gibi da Turma da Mônica, por exemplo. 


Vol. 50 de Pokémon Special,  com
o traço de Satoshi Yamamoto.
RGB foi publicado originalmente na antologia Pocket Monster Special (Ed. Shogakukan) e corresponde às primeiras três encadernações da saga que já ultrapassou a marca de 50 volumes. Nos EUA, a série foi lançada como Pokémon AdventuresNa edição brasileira, os nomes seguem a orientação ocidental (como a edição americana), mas todo o conteúdo foi mantido fiel à concepção original. 

O traço da ilustradora que assina como Mato é simpático, mas sua narrativa é meio apressada demais. Em parte, para condensar o roteiro de Hidenori Kusaka em segmentos de apenas 14 páginas. A artista Mato, infelizmente, deixou a série no volume 9, devido a um problema de saúde que a impediu de continuar desenhando. Seu sucessor foi Satoshi Yamamoto, que continuou o trabalho com Hidenori Kusaka. 

Esse já é o terceiro título de mangá Pokémon lançado no Brasil, seguindo o rastro de Pokémon Quadrinhos (Ed. Conrad) e Pokémon Black and White (Panini). Para breve, a Panini também deverá publicar Pokémon Yellow, que corresponde aos volumes 4 a 7. 


No mundo dos games e dos animês, Pokémon é mais do que consagrado, mas sua presença no mundo dos mangás tem sua relevância e esse lançamento merece uma conferida. Segundo o próprio idealizador do primeiro jogo, Satoshi Tajiri, o trabalho de Hidenori Kusaka e Mato foi o que mais se aproximou de como ele imaginava que deveria ser o mundo dos Pokémon. 
Ilustração de Mato para a 4a capa do vol. 1
Pokémon Red Green Blue
Roteiro: Hidenori Kusaka
Arte: Mato
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 208 páginas
Total de volumes: 3
Lançamento no Brasil: Novembro de 2016
Preço: R$ 13,90
Distribuição: Bimestral

- Classificação indicativa: Livre

6 comentários:

Bruno Seidel disse...

Curioso como Pokemon seguiu o caminho inverso do que estamos acostumados a ver: mangás de sucesso virando animes ou games. Nesse caso, o universo de Pikachu & Cia começou nos games lá nos anos 1990 e só depois, em decorrência do sucesso avassalador, acabou se emancipando para outras mídias.

Outro detalhe referente ao nome RGB (Red, Blue Green): são as três cores "primárias" que dão origem a todas as outras quando o assunto é "emissão de luz" (telas de computadores, TV, smartphones, fluosforecentes, canhões de luz e iluminação em geral). É diferente da escala de cores CMYK (ciano, magenta, amarelo e preto), usada para definir cores impressas (tinta de impressora, material gráfico). Em RGB, a soma de todas as cores é "branco" (a cor mais "luminosa"), enquanto em CMYK a soma total resulta em preto (que é a cor mais "escura").

Não sei se a escolha das cores Red, Green e Blue têm algo a ver com isso (uma vez que os personagens são oriundos dos jogos eltrônicos). Caso não exista correlação, o parágrafo acima fica como mera curiosidade. ;)

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Ainda não li os outros volumes, mas arrisco dizer que o título é sim uma alusão ao sistema cromático RGB usado em monitores de vídeo. Bem precisa sua explanação, inclusive.

Valeu pela participação. Abraço!

Anônimo disse...

De: LucianoMT

Incrível que pra mim Pokémon é algo que gosto de maneira cíclica: tem momento que acompanho muito, tem outros que acompanho nada e depois acompanho muito... e assim vai.

Tudo tinha começado com a febre do anime em 99. Depois descobri que poderia usa-los em batalha no Nintendo 64, no Pokémon Stadium. Até que descobri que os monstros no jogo são fracos que os importados do Gameboy e decidi comprar o cartucho da Versão Yellow para ser mais competitivo. E o que sobrou de quase 20 foi que me tornei mais fã dos games e quase nada do anime. E agora vendo estes texto em sobre pokémon mortos, dilacerados me deu uma curiosidade sobre isto.

Em relação ao texto, percebo que você, Nagado, se incomoda muito que as cenas de mais violência e sexualidade das produções nipônicas sejam encaradas como "adultas", sempre frisando as diferenças culturais deles em relação a nós.

OBS1: Como título de curiosidade sobre malícias em produções nipônicas infantis: Em Bioman (1984), há uma cena em que o monstro do capítulo segura as mamas da Yellow Four. E eu achando que era coisa da época apenas, quando em Gokaiger (2011), um dos monstros fazendo a mesma coisa com a Gokai Yellow. Não sei se foi mera coincidência de Yellows, mas aí fica o registro.

OBS2: Como assim um Poliwrhil???

Alexandre Nagado disse...

Fala, LucianoMT!

Minha relação com Pokémon sempre foi por causa do animê e eu ainda acho os primeiros dois anos um primor de trabalho.

Realmente, eu gosto de enfatizar essas diferenças culturais, porque cansei de ver fãs dizendo que tal mangá, tal animê ou tokusatsu seria mais adulto porque mostraria gente morrendo, ou sangue, ou teria alguma cena picante. O conceito de obra adulta passa longe das simplificações que existem numa série infantil.

E eu também achei estranho começar com um Poliwhirl, mas o bichinho é muito simpático. Aliás, mais simpático no mangá do que no animê.

Abraço!

Usys 222 disse...

Esse eu quis ler antes de comentar - Parte... Ah, já me esqueci, de tanto ser convencido a comprar pelas resenhas de até agora.

Vou ser sincero, comprei mais por ser trabalho da Mato, que já comentei que é uma desenhista que gostava muito na época da Shonen Sunday, nos anos 1990. Ainda tenho os volumes com as três histórias que ela escreveu para a revista. Tinha me apaixonado pelo seu estilo de desenho singelo, delicado e lamentei por não ter saído mais de sua série "Bokutachi no Kisetsu". "Sotsugyou" ("Formatura") é minha favorita.

E ela não decepciona desta vez. Mato desenha os Pokémons de forma bem graciosa, fofinha mesmo. Acho que o Pikachu ficou até mais bonitinho que no desenho, embora ele seja bem revoltado. Também percebo que ela tentou se aproximar do estilo de Ken Sugimori, o desenhista de personagens do jogo, mas o desenho dos olhos dos personagens é característico dela.

O mangá é como descrito na resenha: infantil, mas não bobo. Tem umas partes que são bem pensadas, com reviravoltas na trama. E senti também que o ritmo foi corrido algumas vezes quando poderia haver mais desenvolvimento. Falta de espaço é um dos grandes desafios para quem faz mangá para crianças: como fazer uma história com começo, meio e fim com tão poucas páginas?

Gostei em especial da Blue (Green, por aqui). Ela é um dos tipos de personagem que mais me fascinam: a ladra espertalhona, mas que no fundo tem bom coração.

Os elementos do jogo foram bem colocados e pude reconhecer algumas engenhocas. O clima ficou bem parecido com o do jogo mesmo, que foi um tremendo choque para mim na época. Só conhecia o desenho e ao jogar fiquei perplexo quando mencionavam mortes de Pokémons, exatamente na parte que serviu de base para o episódio da torre assombrada no mangá. E a Equipe Rocket era uma organização do mal mesmo ao invés dos três patetas do desenho animado que roubavam a cena.

Mais uma boa indicação. E vou comprar o volume 3!


A propósito, adorei o novo logo do Blog. Bem apropriado para comemorar os 50 anos do personagem e por ser um ano com o "7" no final.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys! O trabalho da Mato é bem interessante e agora vou ver se descubro algum material dela feito pra Shonen Sunday, que eu desconhecia.

Espero que ela tenha retomado bem a carreira depois do afastamento pra cuidar da saúde.

Sobre o cabeçalho, ainda não sei se vou manter ele. Ficou legal, mas acho que não representa a diversidade de assuntos do Sushi POP. Vou pensar melhor ainda.

Valeu! Abração!!