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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

ASKA - O difícil retorno de um astro do J-pop

Um dos maiores astros do J-pop de todos os tempos tenta dar a volta por cima depois do pesadelo causado pelo uso de drogas e escândalo na mídia.


Escorraçado pela mídia e pela sociedade,
o outrora ídolo de milhões tenta recomeçar.

O cantor e compositor ASKA, da extinta dupla Chage and Aska e de sucessos como "Say Yes", "Yah Yah Yah" e "On Your Mark", está retomando aos poucos seu trabalho. Depois de ter sua carreira e reputação destruídos com o escândalo e prisão por uso de drogas em 2014, o astro tenta o duro caminho da recuperação perante a sociedade de seu país.

O público e a mídia japonesa são bastante rígidos - até de modo cruel - com artistas que se envolvem em escândalos relacionados a drogas ou sexo. E ASKA caiu nos dois, pois além de usuário de estimulantes ilegais, o público descobriu que o artista colecionava casos extra-conjugais. Acabou a imagem de bom moço, construída durante décadas. E não parou por aí. 


「FUKUOKA」, uma homenagem à sua terra natal, uma tentativa

de se reencontrar. 

Em 28 de novembro de 2016, ASKA foi investigado após ter feito uma ligação para a polícia em estado de confusão mental. Por isso, foi submetido a um exame de urina para detectar o uso de drogas e deu positivo. Mas a amostra não fora colhida com o devido rigor e supervisão, o que levantou suspeitas de manipulação. Em 20 de dezembro passado, ele foi inocentado da acusação que, se tivesse sido provada, teria acabado com sua carreira e vida de vez. Desde setembro de 2014, ele está com sua sentença de prisão suspensa por três anos, período em que ele deve se mostrar longe das drogas. Um exame de positivo para entorpecentes o mandaria direto para a cadeia, sem direito a fiança. 


Passado o susto, ele retomou o plano de voltar a fazer seu trabalho. Ainda em 2014, havia aparecido no YouTube um teste de áudio de uma canção chamada Be Free, mas nada mais aconteceu depois. Porém, na véspera do Natal passado, ele postou em seu canal no YouTube, o Burnish Stone, o vídeo de「FUKUOKA」, uma canção que homenageia sua terra natal e que já teve mais de 1 milhão e 400 mil visitas.


700 Ban - A versão do artista.
E em 20 de janeiro passado, surgiu outra canção, a X 1, que deve ser lida como "Cross One". Ambas, assim como Be Free, farão parte do novo álbum de ASKA, intitulado Too Many People, que será lançado em 22 de fevereiro de 2017, dois dias antes dele completar 59 anos. 

O álbum terá 13 canções e será lançado pelo selo independente DADA, visto que seu contrato milionário com a Universal Music Japan foi cancelado depois do escândalo envolvendo seu nome. Os CDs de ASKA (mesmo os antigos) não são mais vendidos em lojas, pois os comerciantes não querem seu negócio relacionado a um "mau elemento da sociedade". 

A reação da mídia e da sociedade japonesa quando um artista local renomado mostra um lado negro é algo absolutamente devastador. Sobre isso, o astro também está tentando fazer algo para melhorar sua imagem e resgatar sua dignidade. 

No próximo dia 17 de fevereiro, sairá 700-Ban Dai-nikan/ Dai-sankan (700番 第二巻/第三巻 ou "700 vezes - Vol. 2/ Vol. 3"), pela Fusosha Publishing Inc., livro autobiográfico no qual ele conta sua versão para os fatos que explodiram na mídia japonesa. De acordo com declarações do artista, o livro é um complemento do novo álbum e já é campeão de reservas. Seguindo uma estratégia inusitada, o volume 1 ainda terá seu lançamento anunciado. Tanto Too Many People quanto 700 Ban poderão ser comprados no Japão através de lojas virtuais, incluindo a Amazon


X 1, o carro-chefe do novo álbum.

Seu outrora parceiro, CHAGE, lançou em agosto de 2016 o álbum Another Love Song
 e um outro, ao vivo, em dezembro passado. Incansável, ele segue uma agitada e prestigiada carreira solo. Um retorno da dupla é altamente improvável, ao menos por enquanto, pois ASKA precisa antes recuperar sua autoestima e confiança perante o público. Mas talvez o grande público japonês já tenha lhe virado as costas, como normalmente acontece no Japão com artistas que "caem em desgraça". 

Se for visto assim, ainda lhe resta opção de tentar o mercado asiático, a exemplo da estrela Noriko Sakai, que retomou a alegria de cantar graças ao público de outros países da Ásia depois que seu país a condenou, também por uso de drogas. Mas em geral, a mídia e o público são mais condescendentes com artistas homens (sim, o machismo existente lá ainda é bastante forte). Isso até melhora sua situação, mas não muito, visto que ele caiu feio demais. 

Seja como for, é bom saber que um artista do nível e importância dele esteja tentando voltar a fazer o que sabe melhor, que é criar música de qualidade. 

4 comentários:

Usys 222 disse...

De fato, todo mundo comete erros. Mas também pode começar tudo de novo. É o que o ASKA está fazendo. O interessante é que na descrição do CD consta que o cantor teve que escolher 13 entre 50 canções que ele fez durante esse tempo. Ou seja, ASKA não ficou parado e estava a todo vapor. Só precisava de uma oportunidade para mostrar seu trabalho. Felizmente deram isso para ele.

FUKUOKA é muito bonita, com uma melodia e uma letra bem nostálgicas. Me lembrou um pouco o Masashi Sada. E X1 eu senti como uma mensagem para o CHAGE com frases como "Você é o meu amigo, importante para mim", ou "Sempre tem alguém olhando para você" e "Você está se esforçando". ASKA conta que fez essa para os "Batsuichi", gíria usada para designar os desquitados (que é uma outra leitura possível para "X1"), mas sinto que não é só isso. Pode ser uma canção sobre os sentimentos de alguém que perdeu o parceiro.

Os comentários para os dois vídeos são de apoio em sua grande maioria. Tem um ou dois que o acusam, mas logo dá para ver que é "carência virtual". Um dos comentários sobre FUKUOKA foi bem interessante: "A melhor resposta aos detratores é continuar seu trabalho em silêncio. Esta canção é a resposta de ASKA". Esse eu digo que acertou na mosca.

Bruno Seidel disse...

Nossa, cara! Fukuoka é uma música muito bonita, mas também muito triste pelo contexto. Confesso que assisti ao clipe com um "caroço na garganta". É desconfortável e melancólico ver um artista do gabarito de ASKA chegar a esse ponto e o semblante dele nas imagens do clipe me transmitem uma profunda sensação de "desgaste".
Não adianta: depois de tudo que ele passou nos últimos anos, ainda falta muito pra ele recuperar seu prestígio e sua essência. Os anos (ou as drogas?) parecem ter sido cruéis com ele.
X1 já parece uma música mais "alto astral", mas ainda assim não consegue ofuscar essa tempestade que arruinou a imagem do astro.
Não sabia dessa dos lojistas se negarem a comercializar os CDs do ASKA para não serem associados ao mesmo. Forte isso, né?
Seja como for, ele está tentando dar a volta por cima e superar todo esse iceberg que desmoronou sobre seus ombros. Talvez seja por orgulho e consciência (tomara!), mas talvez seja pra recuperar a estabilidade financeira mesmo.
O apse dessa volta por cima seria, de fato, uma reconciliação com Chage (eles chegaram a ter desavenças ou coisa do tipo?). Mas também acho isso praticamente impossível. Talvez, no máximo, tenhamos um encontro dos dois ao vivo num palco em algum eventual show ou programa de TV.
Mas até lá, ASKA tem um longo caminho pela frente. Estamos na torcida!

Alexandre Nagado disse...

Oi Usys! Obrigado pela participação, sempre acrescentando alguma informação bacana. Esse lance das 50 canções passou batido e é muito bom saber que ele produziu tanto nesse período.

Nesse momento, ele se voltou muito para dentro, buscando se recuperar e encontrar o que deu errado em sua vida. Esses versos que apontou parecem mesmo um apelo ao Chage. E, tenho certeza, deve haver muitas mensagens ocultas que só serão conhecidas por quem conviveu com ele. Estou curioso pra ver como será a recepção do grande público ao trabalho. E, é claro, estou na torcida. Aska é um dos meus cantores/compositores favoritos, e não só em termos de música japonesa, mas mundial.

Valeu! Grande abraço!

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

A reação à prisão de ASKA foi bastante forte mesmo. A Universal Music encerrou o contrato da dupla e CHAGE permaneceu como artista solo.

Na época do escândalo, ia sair um box do Studio Ghibli com os trabalhos de Hayao Miyazaki e Isao Takahata, e ON YOUR MARK estava listado. Imediatamente, o material teve que ser reeditado e o fantástico clipe em anime que reuniu Miyazaki com Chage and Aska foi simplesmente retirado da coletânea.

Sobre a retirada dos CDs, é consequência direta do cancelamento do contrato com a Universal, que arrecadava os direitos musicais das vendas. Mas as lojas já vão recolhendo material quando algum artista é envolvido em escândalo. Mas vale lembrar que essa cobrança e agressividade toda são para astros locais.

Chage ainda canta as músicas da dupla em shows e comentou em uma entrevista que Aska devia resgatar o Shigeaki Miyazaki (seu nome verdadeiro), voltar a ser o cara que era antes do estrelato. Os dois fazem aniversário em datas próximas (o de Chage é em 6 de janeiro) e tenho um palpite de que eles irão festejar os 60 anos juntos. Talvez seja mais um desejo do que um palpite, mas acho que as coisas vão se encaminhar para um retorno. Se "Too many people" e o livro repercutirem bem, as engrenagens vão começar a se mover.

Abração!