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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

100 Anos de Animê - Celebrando a História da Animação Japonesa

Entenda a comemoração dos 100 anos do animê, o desenho animado japonês.
Imagem promocional do AnimeJapan, um dos eventos
que irá celebrar a História do animê.
A História, dizem os pesquisadores, é uma disciplina cujo estudo é dinâmico. Isso significa que, mesmo que trate de acontecimentos passados, sua leitura fica sempre sujeita à descoberta de registros desconhecidos, detalhes revelados e novas interpretações dos fatos ocorridos.

Dito isso, vamos entender melhor sobre uma data que está sendo comemorada no Japão neste ano, que é o Centenário do Animê.


A data de produção do primeiro curta-metragem experimental de animação no Japão é, até o momento, desconhecida. Sabe-se que houve produção experimentais ao logo da primeira década do século XX, mas numeorosos registros se perderam. 


O Grande Terremoto de Kanto, ocorrido em 1923, destruiu incontáveis tesouros do início das mídias audiovisuais no Japão. Além disso, os ataques sofridos na Segunda Guerra Mundial, especialmente o grande bombardeio de março de 1945 em Tokyo, também destruíram um tanto de outros registros. Sobre o pouco que sobrou, historiadores têm debatido sobre qual poderia ser considerado o "marco zero" da animação no Japão. 

Em termos de animação no aspecto internacional, o primeiro curta amplamente reconhecido data de 1906. É o curta de 3 minutos Humorous Phases of Funny Facesdo americano J. Stuart Blackton. Isso também tem seus contestadores, pois há registros de testes de animação feitos na Alemanha, por volta de 1899. 

OS TRABALHOS RECONHECIDOS
O traço bem-humorado de Outen Shimokawa.
Tem sido extremamente difícil rastrear quais as primeiras animações produzidas no Japão. Relatos dão conta de títulos desconhecidos ou perdidos que teriam sido mostrados na década de 1910 (ou antes). E há também discussões sobre aceitar como animação alguns filmes live-action com trucagens de animação, não necessariamente desenhos animados, sendo mais próximas de efeitos especiais. 

Em meio às discussões, vários pesquisadores chegaram a um consenso sobre o mais antigo registro sobre um curta de animação japonesa em condições minimamente confiáveis. O título é Imokawa Mukuzō Genkanban no Maki (芋川椋三玄関番之巻, ou A História do Recepcionista Mukuzô Imokawa). 


Mukuzô Imokawa, o primeiro
personagem de mangá
a virar desenho animado.
A obra teria cerca de um a dois minutos de duração e era uma vinheta cômica do personagem de mangá Mukuzô Imokawa, do cartunista Outen (também conhecido como Hekoten) Shimokawa para o estúdio Tenkatsu. A técnica usada inicialmente era desenhar a cena em uma lousa, filmar, depois apagar e desenhar com uma pose ligeiramente diferente e assim por diante até conseguir o efeito de movimento desejado. Essa era, inclusive, uma das técnicas de Stuart Blackton. 

Outros desenhos do personagem Mukuzô Imokawa resistiram ao tempo, mas não o primeiro deles. Shimokawa nasceu em 02/05/1892 em Okinawa, no sul do Japão, e faleceu em 26/05/1973. Foi um respeitado chargista da revista Tokyo Puck, além de um dos maiores pioneiros da animação em seu país. Outros nomes importantes do período foram os dos cartunistas Junichi Kouchi e Seitarô Kitayama, que deram notáveis contribuições técnicas para os primórdios da animação no Japão. 

O celebrado curta de Outen Shimokawa teria sido exibido pela primeira vez em janeiro de 1917. No entanto, pesquisas posteriores indicaram que foi na verdade exibido em abril daquele ano, sendo que em fevereiro teria sido exibido outro título, o Dekobou Shin-gachou: Meian no Shippai (凸坊新画帖 名案の失敗, ou Novo Álbum de Imagens: Falha de boas ideias), outra obra de Outen Shimokawa. Mas enquanto se debate a real data ou qual obra seria a pioneira, Genkanban no Maki já havia sido alardeado como o primeiro animê de todos os tempos.

Certamente houve produções mais antigas, que foram destruídas na guerra ou em catástrofes naturais ou simplesmente não resistiram aos tempos atuais com registros documentados.
Katsudô Shashin - É o que está escrito
no fundo do mais antigo teste de animação
já encontrado no Japão, de 1907.
Não é considerado o marco zero do animê.
Katsudô Shashin
- Não um curta,
mas uma vinheta,
foi uma
das primeiras
animações feitas
no Japão.
Além disso, pesquisadores já descobriram animações produzidas no Japão ao longo da primeira década do século XX, ou seja, antes dos trabalhos de Shimokawa. Uma dessas animações experimentais chama-se Katsudô Shashin (活動写真, algo como Foto em Movimento), um teste de apenas alguns segundos. O filme foi descoberto em 2005 e pesquisas indicaram que ele teria sido feito em 1907. O termo katsudô shashin, inclusive, era usado para designar cinema, entre o final do século XIX e início do séc. XX. Ele pode ter sido criado como uma vinheta de abertura de filme, mas não foram encontrados registros de autoria e nem documentos sobre sua exibição pública, se é que aconteceu mesmo. (Veja aqui.)

Sem ao menos um registro oficial, tudo fica no campo das especulações para reconhecer Katsudô Shashin como obra pioneira, apesar de se saber que foi anterior ao trabalho de Shimokawa. O poder econômico, sem dúvida, influencia até o reconhecimento de registros históricos, pois sempre há interesses envolvidos. 

Discussão semelhante envolve o pioneirismo no campo da aviação. No Brasil e na França, é Santos Dumont o pioneiro, enquanto nos EUA e resto do mundo, cabe aos Irmãos Wright. A discussão é técnica sobre o que seria considerado um avião (se precisa ter ou não propulsão própria), mas também conta a falta de registros históricos confiáveis. Sem um consenso, cada lado escolheu sua versão (e sua data), sendo que a versão americana se tornou mais conhecida pelo mundo. 

No entanto, apesar de todo o exposto aqui, fixar uma data para ser comemorada é extremamente interessante do ponto de vista do marketing. Afinal, isso é um gancho que justifica a realização de muitas ações institucionais e atrai as atenções da mídia, não apenas daquela especializada no segmento animê. 

Essa data ainda pode ser revista um dia, mas no momento, a comemoração está rolando no Japão com força total. 

De certa forma, há um sentido prático em eleger 1917 como um ano-chave para a indústria do animê. Ao longo daquele ano, o mesmo Outen Shimokawa realizou no total cinco vinhetas de animação que foram mostradas ao público, criando os primeiros fãs de desenhos animados, que já acompanhavam o trabalho dele como chargista e autor de mangás. E é basicamente seu trabalho que é considerado o marco inicial de uma indústria hoje milionária e que conquistou vários países.

UM ANO DE COMEMORAÇÕES


Com 2017 escolhido como o ano do Centenário do Animê, veremos várias listas sendo elaboradas, com os melhores animês, personagens, artistas e coisas do tipo. Tudo isso vai surgir pegando carona na comemoração que, apesar de baseada em uma data contestada, já está oficializada perante a mídia. Como jogada de marketing eficiente para promover o segmento dentro e fora do Japão, não há o que se discutir. 

Indo no embalo, a TV Asahi divulgou uma lista dos 100 maiores dubladores de todos os tempos, baseado em consulta popular. A lista pode ser conferida aqui

E há também diversos eventos sendo divulgados, sendo um dos maiores - senão o maior - o badalado AnimeJapan 2017
O AnimeJapan 2017 será um dos maiores eventos
ligados ao Centenário do Animê.
Entre 24 e 26 de março, o espaço Tokyo Big Sight, em Tokyo, irá sediar o AnimeJapan, um mega evento para o público e os profissionais de animação. Irão acontecer no evento palestras, encontros com o público, shows e uma grande feira de produtos licenciados. Será um dos maiores eventos do gênero já realizados, impulsionado pela comemoração do Centenário do Animê. Outros eventos também estão programados para acontecer, entre grandes convenções e atividades para públicos de nicho. A indústria do animê abraçou a data e este ano será realmente o ano da animação japonesa. 

Já a poderosa emissora de TV estatal NHK também encampou este como sendo o ano do centenário do animê e preparou três programas especiais, só para começar. 

No primeiro, exibido no último dia 8 de janeiro, foram mostrados depoimentos de 100 celebridades japonesas sobre seus desenhos favoritos. Esse dia acabou sendo o ponto de partida para as comemorações do Centenário do Animê. 

O segundo programa da série será exibido em 28 de janeiro, com entrevistas de diversos diretores, como Gisaburo Sugii (Street Fighter II Movie), Yoshiyuki Tomino (Gundam) e Mamoru Oshii (Ghost in The Shell). O especial irá se chamar "O DNA dos Criadores: 100 Anos da História da Animação Japonesa" e será apresentado pela cantora e modelo Sayuri Matsumura, da banda Nogizaka46

Fechando a série, haverá um grande show com as 100 melhores anisongs de todos os tempos, o "Countdown LIVE Anisong Best 100!" Esse programa final será exibido em 28 de fevereiro e a votação para escolher as melhores músicas vai até 10 de fevereiro. 
A emissora estatal japonesa NHK também está
celebrando a História do Animê
A NHK também criou um site oficial para o centenário e está consultando o público para saber quais os 100 melhores animês de todos os tempos, entre mais de 10 mil títulos já produzidos. Essa votação vai até 31 de março e o resultado será divulgado em 3 de maio. Para ambas as enquetes, é até possível votar de fora do Japão, mas é preciso conhecimento de japonês, pois não há tradução para estrangeiros. 

Com tanta coisa acontecendo, e levando em conta as dificuldades pelas quais o mercado japonês tem passado nos últimos anos, é muito interessante ver essa movimentação. Atrai público, movimenta fãs e curiosos, valoriza produções, estúdios e artistas e promove um amplo debate sobre o mercado. 


Mesmo que já se saiba que a data é mais marketing do que respeito ao rigor histórico, é interessante ver que o animê está tendo um destaque em seu país muito além dos nichos de mercado. Celebridades da mídia estão declarando seu amor ao animê e os eventos estão buscando o grande público, não apenas os fãs mais radicais. 

É na retomada de sua vocação popular que o animê pode se preparar para os próximos 100 anos.

Links oficiais:

Site da NHK para o Centenário do Animê: www.nhk.or.jp/anime/anime100

Site do AnimeJapan 2017: www.anime-japan.jp/en/


::: E X T R A S :::

MOMENTOS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO ANIMÊ

Eis aqui algumas produções-chave para conhecer os primórdios da indústria da animação japonesa. Entende-se por indústria uma estrutura organizacional movimentando vários profissionais tendo em vista um empreendimento comercial, ou seja, que visa lucro. 

Momotarô Umi no Shinpei: Um triste exemplo da arte da animação
usada como propaganda militar, lançado numa época em que
o Japão sofria seus piores massacres, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Primeiro longa-metragem para cinema:
Momotarô Umi no Shinpei - Com cerca de 74 minutos de duração, o animê Momotarô Umi no Shinpei (桃太郎 海の神兵, ou Momotarô - Guerreiros Divinos do Mar) foi escrito e dirigido por Mitsuyo Seo, foi encomendado pela Marinha Imperial como parte da propaganda de guerra. Mostra a expectativa, preparativos e a rotina da guerra, com muitas canções infantis e um clima de heroísmo e determinação para incentivar os jovens a lutar pelo Imperador. Esse filme é a continuação de um média-metragem (37 min.) lançado em 1943, intitulado Momotarô no Umiwashi (桃太郎の海鷲, ou Momotarô - Águias do Mar), que mostrava o herói Momotarô e seus amigos atacando a base americana de Pearl Harbor

Porém, Umi no Shinpei foi lançado em 12/04/1945, quando a guerra já estava perdida e o Japão agonizava. Muitos guias apontam erroneamente Umi no Shinpei como o primeiro animê produzido profissionalmente no Japão. Não foi, mas ainda detém a marca de ter sido o primeiro longa-metragem, ainda que não fosse algo comercial, pois era propaganda de guerra encomendada pelo governo. 

Mitsuyo Seo nasceu em 26/11/1911 e foi um dos mais importantes nomes do início da animação japonesa. Depois da Segunda Guerra Mundial, ainda trabalhou por algum tempo com animação, mas posteriormente se tornou ilustrador de livros infantis e morreu em 24/10/2010, aos 98 anos. 

- Assista aqui (legendas em inglês). 
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Hakujaden - Um marco para a indústria
da animação, com a primeira produção colorida.
Primeiro longa metragem comercial - e colorido - para cinema no pós-Guerra:
Hakujaden - Primeiro longa de animação colorido, Hakujaden (白蛇伝 ou "A Lenda da Serpente Branca) marcou a entrada da Toei Animation no mercado. Como produtora e distribuidora de cinema, a Toei Company já existia desde 1950 e não poupou esforços para produzir uma obra capaz de encantar o público. Saiu em vídeo VHS no Brasil como O Panda e a Serpente Mágica na década de 1980 e estreou no Japão em 22/10/1958. 

Um guia, publicado em 2000 pela revista especializada Animedia (Ed. Gakken) lista Hakujaden como o primeiro animê comercial para cinema. A mesma lista inclui depois curta-metragens, o que faz pensar se não deveria ter incluído curtas de 11 a 15 minutos do personagem Norakuro, o primeiro deles datando de 1933.
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Instant History/ Manga Calendar, obra
pioneira na TV japonesa.
Primeira produção regular para TV:
Manga Calendar - Consistia em curtas animados sobre datas comemorativas ou momentos relevantes da História da humanidade. Inicialmente era chamado Instant History (インスタントヒストリー) e estreou em 01/05/1961 na Fuji TV, totalizando 312 vinhetas de 3 minutos cada. Depois, foi reformulada como Manga Calendar, sendo tambem conhecida como Otogi Manga Calendar (おとぎマンガカレンダー). No novo formato, estreou em 25/06/1962 no canal TBS, sempre com produção da Otogi Pro, e durou mais 54 episódios. 

A já citada revista Animedia, em um guia de referência publicado em 2000, considera apenas a fase Manga Calendar como o início da indústria do animê para TV. Este redator, inclusive, sempre levou em consideração a data divulgada na Animedia, mostrando que até referências japoneses respeitadas cometem erros ou escolhem um lado na hora de interpretar fatos históricos, ignorando o outro. No caso, levaram em consideração o formato mais próximo ao de um programa regular ou seriado. 
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Tetsuwan Atom (Astro Boy), criação
imortal de Osamu Tezuka.
Primeira série de TV com personagens fixos:
Tetsuwan Atom - Criação de Osamu Tezuka, é conhecido no ocidente como Astro Boy. A série, produzida pela Mushi Pro, estreou na Fuji TV em 01/01/1963. Já o mangá que serviu de base para a animação comemora 65 anos de sua primeira publicação em 2017. 

A história, dramática e cheia de altruísmo, contém o pacifismo e humanismo que marcaram a trajetória de Tezuka. Um entusiasta da arte da animação, Tezuka também produziu várias animações experimentais

Assim como deu origem ao moderno mangá, Tezuka também criou a indústria do animê que conquistou o mundo, com traços derivados do mangá e adaptando personagens populares. Nasceu em 03/11/1928 e faleceu em 09/02/1989, deixando uma obra vasta e com uma diversidade temática sem paralelos até hoje. Foi aclamado o Deus do Mangá e sua influência é sentida até hoje. 

::: PARA SABER MAIS :::

Anime Boom - O impacto na sociedade japonesa e na indústria da animação
- Para entender a mudança na forma de enxergar o animê, graças ao sucesso sem precedentes de Yamato, conhecido no Brasil como Patrulha Estelar.

Celebrating Anime’s 100th Birthday
- A matéria (em inglês) que inspirou esta postagem e serviu de ponto de partida para um intenso trabalho de pesquisa. 

Japanese Animated Film Classics - Como parte das comemorações do centenário do animê, o Museu de Arte Moderna de Tokyo colocou à disposição obras dos primórdios da animação no país. (Dica do blog Casa do Boneco Mecânico)
Nota: Agradecimentos a Diego Miyabi e Usys222.

11 comentários:

Usys 222 disse...

Mais uma vez, excelente!

Ao receber a "versão beta" da matéria já percebi que foi feito um enorme trabalho de pesquisa com um monte de fatos que eu não conhecia. Tamanha era a quantidade de informações que, sem saber que se tratava de um protótipo, acabei falando coisas que não eram necessárias...

Interessante ver que o traço antigamente era bem cartunesco, diferente da grande maioria dos animês de agora. Vi umas charges da época, feitas por Rakuten Kitazawa e elas me pareciam um híbrido do estilo ocidental com as antigas pinturas japonesas, também diferentes do mangá pós-Tezuka.

É realmente difícil precisar quando os desenhos animados começaram a ser feitos no Japão. E creio que devem surgir fatos novos que irão contestar as versões atuais. De fato, até hoje não se chegou a um acordo sobre como se lê o nome de Outen/Hekoten Shimokawa, mesmo no Japão.

Mais uma vez, um grande trabalho à altura do centenário do animê, mesmo a data sendo controversa. Ainda assim deu para ver que os desenhos animados japoneses existem há pelo menos cem anos atrás.

Rogério disse...

Fascinante matéria, Alexandre.
Grande pesquisa. Parabéns.
Para acrescentar uma curiosidade: https://www.youtube.com/watch?v=ShzmzcJM7QI
Infelizmente quem postou o vídeo não cita a autoria.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys! Obrigado por ter dado um apoio nos nomes e termos. Essa é uma parte sempre complicada e eventualmente preciso mesmo de uma ajuda de alguém que tenha japonês avançado. E eu sempre faço questão de reconhecer quando tenho ajuda.

Fiquei surpreso com muita coisa que vi. Tem estilizações que funcionariam bem até hoje, como o traço do Shimokawa.

No começo, tive receio em encampar a ideia do centenário neste ano, mas vendo a movimentação que está acontecendo no Japão, fui convencido a escrever um artigo deixando bem claro o contexto da comemoração. Acho que funcionou.

Valeu! Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Obrigado, Rogério!

Que belezinha essa animação que indicou! Fiquei muito tentado a, durante a elaboração da matéria, abordar mais títulos, pois muita coisa interessante foi feita nos anos 1920 e 30. Acabei optando por manter o foco da matéria na discussão sobre pioneirismo e datas e depois mostrar a repercussão do centenário atualmente. Nos extras, acabei indicando somente os "elementos-chave" da indústria, o que deixou muita coisa de fora.

Quem sabe um dia eu não dou uma revisitada no tema, comentando ou indicando mais preciosidades como essa que mostrou.

Ah, falando nisso, o vídeo, que chama "KOBU TORI" tem créditos sim. Kobutori tem sido traduzido como "Caroço roubado" e é baseado em história do folclore japonês, a lenda do "Kobutori Jiisan". O traço é do desenhista Yasuji Murata, mas o nome do diretor eu teria que pesquisar em dicionário de kanji para ver a leitura mais provável. Se o Usys souber, ele posta aqui.

Valeu pela participação!
Abraço!

Bruno Seidel disse...

Nossa!!! Quanta informação precisa e que belo trabalho de pesquisa! Parabéns, Nagado! O resultado ficou incrível! Taí um post pra ser relembrado em eventuais retrospectivas (agora já estou com a cabeça no final de 2017! huehuehuehuheue)

Um curiosidade me chamou a atenção nesse histórico do surgimento dos animes em comparação com do Tokusatsu (algo que eu acompanho mais de perto e estudo pra valer): há um forte paralelo com o histórico de guerras, principalmente a 2ªGM. Já reparou?
Tanto a consolidação do Tokusatsu (com os filmes de Godzilla e a consagração de Eiji Tsuburaya) como os animes clássicos (ao exemplo do citado Momotarô Umi no Shinpei) estão totalmente inseridos no contexto de guerra. É uma constatação triste e ao mesmo tempo comprova o quanto a guerra influenciou a cultura pop japonesa como a conhecemos.

O exemplo mais famoso citado nesse post é, certamente, o lendário Astro Boy. Esta obra prima de Osamu Tezuka pode não ter sido o pioneiro na arte da animação japonesa, mas certamente tem uma importância muito grande no império que se tornou essa indústria. Se não fosse Tezuka, possivelmente os animes não seriam vistos com tanto respeito e admiração fora do Japão.

Hoje, sabemos que os desenhos japoneses rivalizam com os estadunidenses e que são também um dos três sinônimos do entretenimento nipônico (junto aos mangás e aos games). Talvez o Japão seja a segunda principal potência cultural do planeta. Uma marca impressionante para um país "pequeno" que, economicamente, está atrás da China.

E só pra "marcar território" por aqui, fica uma listagem dos meus animes preferidos: Cyborg 009; Street Fighter II V; Captain Tsubasa; Yu Yu Hakusho, Saint Seiya; Dragon Ball; Rurouni Kenshin; Death Note; One Punch Man...

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Fiquei satisfeito com esse post, espero não ter dado nenhum fora. Mas mesmo no Japão, há muita controvérsia sobre esses fatos. A referência da Animedia eu usei várias vezes, imagine como fiquei chateado quando notei que era cheia de imprecisões e interpretações duvidosas. Realmente, eu não esperava isso de uma publicação japonesa especializada e de nicho. Mas acho que estou me redimindo com essa postagem.

E minha lista de animês favoritos é toda "clássica". Patrulha Estelar, Speed Racer, Sawamu, Fantomas, Sailor Moon (1a fase da série clássica), Pokémon (primeiros 3 anos), Zillion... É a idade.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Bruno, faltou comentar algo:

A Segunda Guerra teve profundas influências nos rumos da cultura pop. Mesmo a forma mais visceral e violenta com que a guerra é mostrada em séries infanto-juvenis tem a ver com a experiência do povo japonês. Na 2a Guerra, os EUA foram atacados somente em Pearl Harbor e foram mais vítimas militares. O Japão foi dizimado e viu chacinas de civis de todo tipo. Isso se reflete em cenas fortes de guerra vistas em muitos animês pra garotada, com crianças morrendo indiscriminadamente.

O assunto pode até render um post algum dia, vamos ver.

Abraço!

Usys 222 disse...

Opa! Me chamaram e nem tinha visto!

A animação Kobu Tori foi dirigida pelo próprio Yasuji Murata e roteiro de Chuuzou Aochi. Murata é bem conhecido por seus trabalhos com animação, fazendo time com Aochi e com Kousei (? Não consegui pegar a leitura do nome dele) Ueno na filmagem.

Uma coisa que acho incrível é que nessa época as animações eram bem fluidas. Só que ao mesmo tempo imagino quanto tempo deveria tomar fazer algo assim. A Grande Aventura de Horus, de 78 min. por exemplo, demorou três anos para ser feito.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys! Obrigado pelo esclarecimento!

Isso que comentou é interessante. No início, a animação japonesa se espelhava muito na americana, especialmente Max Fleischer, produções do Walt Disney e alguns outros.

A fluidez no movimento era importante para soar real. Depois, com grande influência de Tezuka na TV, começaram a explorar mais ângulos e enquadramentos arrojados, mas com uma animação mais limitada.

Técnicas, como a fusão de imagens para usar menos cenas de intervalo nos movimentos, apareceram como alternativa de baratear custos mas, bem usados, acabaram criando uma escola japonesa de produção.

Valeu! Abraço!!

Unknown disse...

Fantástico. Confesso que sempre fui fascinado pela história dos animes e mangás, mas nunca vi um conteúdo tão completo assim. Sempre pensei que o primeiro anime se datava dos anos 50 com uma obra do Tezuka (que não lembro o nome no momento, mas não era Astro Boy). Realmente esse artigo vai entrar para os meus favoritos e será minha fonte para quando irei conversar sobre o assunto. Parabéns pelo ótimo trabalho

Alexandre Nagado disse...

Olá, tudo bem?

Obrigado pelos elogios. Eu fico contente com a repercussão da matéria, que ainda rende boas visitas ao blog.

Espero que encontre outras postagens que sejam do seu interesse e apareça mais vezes. (E coloque um pseudônimo ao assinar, assim fica mais fácil identificar ao invés de "Anônimo" ou "Unknown")

Valeu! Abraço!