quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Yo-Kai Watch

Natham Adams e seu primeiro
amigo Yo-Kai: o tagarela Whisper.
Natham Adams é um estudante normal, com uma vida bem pacata. Tudo muda quando ele, por acaso, liberta um Yo-Kai, uma categoria de seres sobrenaturais do folclore japonês. A tal ser fantástico se chama Whisper e, como todo Yo-Kai, não pode ser visto por humanos comuns. Natham não só consegue vê-lo, como também passa a ser acompanhado pelo falante espectro, que diz ser seu mordomo.

De Whisper, Natham recebe um relógio especial chamado Yo-Kai Watch, capaz de permitir a seu usuário ver qualquer Yo-Kai. Logo o menino conhece o Yo-Kai Jibanyan, que é o fantasma de um gatinho com uma triste história. Ao fazer amizade com o afobado felino, Natham vê se materializar para ele uma Yo-Kai Medal. Conectando esse artefato com o Yo-Kai Watch, o garoto consegue invocar o Yo-Kai correspondente para ajudá-lo com seus poderes. 
Natham e seus amigos do mundo dos espíritos.

Segundo antigas superstições japonesas, fatos e comportamentos estranhos e inexplicáveis podem ser atribuídos às ações dos espíritos ou monstros chamados de Yo-Kai (também chamados de "yokai" ou "youkai"). São personagens recorrentes em muitas obras de mangá e animê, e em Yo-Kai Watch, ganham posição de destaque. 

A partir desse fatídico encontro, Natham e Whisper começam a desvendar estranhos acontecimentos do dia-a-dia, fazendo mais amigos Yo-Kai no processo. 

Yo-Kai Watch surgiu em 2013 como jogo de RPG eletrônico para  Nintendo, com forte - e óbvia - inspiração em Pokémon. Tudo na criação, que é coletiva e assinada pela empresa Level 5, parece ter sido pensado para fortalecer o lado comercial. O relógio, as Yo-Kai Medals e os Yo-Kais colecionáveis que podem lutar entre si. Uma diferença em relação a Pokémon é que o herói não captura os fantasmas, e sim os invoca, podendo tirá-los de onde estão para recorrer a seus poderes. Além disso, o herói busca solucionar crises provocadas por Yo-Kai e não age por glória ou para competir, mas para ajudar as pessoas. 

Adaptação de uma famosa linha de jogos voltados ao público infantil e pré-adolescente, o mangá tem um traço bastante dinâmico e expressivo. Não há sutilezas narrativas e a correria dá o tom das aventuras, que têm uma abordagem otimista e cheia de humor. O conjunto do trabalho resulta em muitas situações engraçadas e apresenta bem os personagens e suas características. 


Despretensioso e leve, é uma leitura pra garotada mais jovem que está começando a ler mangá, mas que pode ser também um passatempo divertido para leitores mais velhos.
Coro Coro Comic: Muita
ação, informação e brindes
para a garotada. 
O mangá é assinado por Noriyuki Konishi, que trabalhou em cima dos personagens e conceitos da Level-5 Inc.. Ainda em publicação, a série sai na revista infantil mensal Coro Coro Comic, da editora Shogakukan. A série foi iniciada em janeiro de 2013, tendo estreado cerca de seis meses antes do primeiro jogo, para a plataforma Nintendo 3DS, mas toda a criação e planejamento já foram feitos no ano anterior. 

Uma outra série de mangá, voltada ao público feminino, foi lançada na revista Ciao, também da Shogakukan. Além dessas, há também duas séries de tiras de humor publicadas simultaneamente por autores diferentes nas revistas Coro Coro Comic Special e Coro Coro Ichiban

A versão em animê começou a ser exibida no Japão em janeiro de 2014 e continua em produção, tendo rendido mais de 90 episódios, sempre com a assinatura do estúdio OLM - Oriental Light and Magic, que tem em seu currículo Pokémon, Inazuma Eleven, Gunsmith Cats, Queen Emeraldas, Guyver e muitos outros títulos

No Brasil, a animação estreou em junho deste ano no canal pago Disney XD. Além da série, a OLM também produziu dois longas para cinema, exibidos no Japão em dezembro de 2014 e dezembro de 2015, respectivamente. 


Seguindo os passos de Pokémon, Yo-Kai Watch
tem uma crescente lista de personagens, a
maioria muito simpáticos e de características marcantes.
Na frente, o sempre afobado Jibanyan.
No Brasil, o mangá lançado pela Panini está seguindo a orientação de nomes da versão americana, para facilitar a identificação com o animê exibido na TV por assinatura. O nome original de Natham é Keita Amano, enquanto os de seus amigos Katie, Bernardo e Gabriel são, respectivamente, Fumika, Kumashima e Kanchi. O Yo-Kai canino Sarnento é Jinmenken, enquanto Whisper e Jibanyan tiveram seus nomes mantidos no original. 

Por lidar com elementos do folclore e do imaginário japonês, Yo-Kai Watch poderia parecer um tanto hermético para ter boa aceitação no ocidente. Mas o sucesso e repercussão tem sido grandes, prova de que a Level 5 fez um trabalho de criação consistente, contando histórias universais sobre amizade e superação de um modo simples e capaz de envolver um grande número de pessoas. Esses "fantasmas de pulso" (numa alusão ao relógio que os invoca) têm potencial para se tornarem rivais de peso para os monstrinhos de bolso. Ainda é cedo para saber se a série vai vingar no Brasil, mas o lançamento do mangá pouco tempo depois do animê parece ser uma aposta promissora.

Yo-Kai Watch - 妖怪ウォッチ
Roteiro e arte: Noriyuki Konishi
Criação, projeto e supervisão: Level 5 Inc.
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20cm, com 104 páginas
Total de volumes: 11 (Ainda em publicação)
(O número 1 vem com um adesivo de brinde.)
Lançamento no Brasil: Agosto de 2016
Preço: R$ 8,90
Distribuição: Mensal
- Classificação indicativa: Livre


EXTRAS:

1) A nona abertura da série, ao som da música "Terukumi jinja no kumade" (ou "O ancinho do templo Terukumi") do grupo King Cream Soda



Yo-Kai Watch JP OP 6 por Logan589XP 

2) Vídeo promocional de JUST DANCE Special Version, jogo de Yo-kai Watch para Wii lançado no Japão no final de 2015:





4 comentários:

Usys 222 disse...

Yo-kai Watch... Esse já é um tremendo fenômeno social lá no Japão. Tanto que ele já tem várias referências, como em Ninninger, quando surge um monstro (Youkai) com a voz do Tomokazu Seki que é uma mistura de gato com relógio. E no Kouhaku Utagassen, o Whisper apareceu contracenando com personagens de Ge Ge Ge no Kitaro, prestando reverência ao Medama Oyaji, referindo-se a ele como "Daisenpai".

Estou surpreso ao ver que decidiram lançar neste lado do mundo, afinal se trata de um tipo de criatura tipicamente japonês. Mas acho que dá para ver como um tipo de monstrinho como os Pokémon. Só resta saber como vão adaptar o desenho, já que o episódio 23 tem uma piada com uma tremenda incorreção política. E no 25 é contada a origem do Jibanyan, com um tema que é bem difícil de se abordar por aqui.

E essa é a versão da Coro Coro Comic. Essa revista é bem engraçada. Li a de um amigo meu quando era garoto. Acho que esta versão terá mais aceitação por aqui.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys!

O animê, como está sendo distribuído pela Disney, deve estar passando por uma série de adaptações culturais. Já o mangá será mais fiel ao original, apenas mudando os nomes de acordo com a versão ocidental, o que eu acho bom para o marketing da série.

Agora fiquei curioso pra ver os episódios que citou. Yo-Kai Watch não está nas prioridades de leitura, mas esse começo é bem simpático. Vale uma conferida.

Abraço!!

Bruno Seidel disse...

Nossa! Achei o traço muito simpático e agradável!! ^^

E a influência de Pokemón é mesmo evidente, inclusive nesse lance de "invocar" os monstrinhos.

O apelo comercial também é explícito, mas vendo personagens tão bem ilustrados e um enredo aparentemente bem agradável, nada disso me incomoda. Sempre digo que não tenho problemas com produções escrachadamente comerciais, desde que isso não atrapalhe o desenvolvimento da trama.

Ah! E o preço também me pareceu bem amigável.

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno!

Hoje em dia, é praticamente impossível pensar em uma série infantil sem que esteja atrelada a produtos colecionáveis. Aí, o sucesso ou não vai depender dos roteiristas e diretores, que tem que lidar com uma série de imposições comerciais. Alguns lidam com isso magistralmente e é o que tem feito a diferença. À primeira vista, Yo-Kai Watch pode parecer outro clone de Pokémon, mas sua ligação com a mitologia japonesa faz dele um produto único.

E se uma série como essa impulsionar uma mania de consumo, é bom para o mercado. Achei bem simpático, tomara que tenha uma boa receptividade por aqui.

Abraço!