quinta-feira, 7 de julho de 2016

Ultraman - 50 Anos de um Gigante da Cultura Pop Japonesa

A clássica cena de transformação!
Ultraman sempre fez parte da minha vida. Quando eu tinha quatro ou cinco anos, na década de 1970, já vibrava com as aventuras dos clássicos Ultraman e Ultraseven, lembrando que O Regresso de Ultraman aqui passava apenas como "Ultraman", sem distinção. Geralmente passava a série original e depois do último capítulo o Ultraman do Hideki Goh entrava no mesmo horário. 


Na escolinha pré-primária da colônia japonesa onde estudei primeiro, havia livros infantis importados repletos de fotos com os Ultras. Era um material que pouca gente podia ter acesso naquela época. Quando comecei a trabalhar com desenho, aos 17 anos, comecei também a procurar material dos Ultras, percorrendo livrarias e locadoras japonesas. Nunca fui colecionador compulsivo, mas queria ter algumas recordações e referências, além de descobrir material inédito no Brasil. 

Não era só nostalgia. Conforme eu ia crescendo, ia descobrindo detalhes sobre as coisas que eu assistia quando criança, passei a dar mais valor a histórias, personagens, direção, trilha sonora... E até hoje, consigo me encantar com uma boa aventura. Tem coisas bem pueris e inocentes, histórias violentas, engraçadas, dramáticas. Às vezes tudo isso num só episódio ou filme. Presente em várias mídias, Ultraman é um item obrigatório de qualquer estudo sério e abrangente sobre cultura pop japonesa. 
Um dos muitos CDs lançados no Japão
com coletâneas de músicas da franquia.

Em 1991, Ultraman completou 25 anos e isso motivou um evento para comemorar a data, o Jubileu de Prata do herói. Nessa época eu frequentava a Gibiteca Henfil, que ficava localizada no bairro da Vila Mariana, zona sul de S. Paulo, capital. E eu participava do grupo ORCADE (Organização Cultural de Animação e Desenho), sendo que tomei a frente da organização desse evento pioneiro no gênero. Ao lado de dois amigos, Otávio e Sakamoto, montamos uma programação de vídeos, preparamos uma palestra e organizamos uma exposição de ilustrações de quadrinhistas convidados. 

Eu já trabalhava com HQ profissionalmente e consegui alguns contatos que toparam participar, como o Marcelo Cassaro. O evento foi num sábado, feriado de Finados e fazia tempo chuvoso. E ainda assim, mais de uma centena de fãs lotaram o auditório da Gibiteca. Era a época em que eventos de HQ que reuniam 20 pessoas eram um sucesso. Isso porque o Jubileu foi divulgado no jornal Folha da Tarde, através da página semanal sobre quadrinhos do jornalista e autor de quadrinhos Franco de Rosa. Deu um baita orgulho ter participado. 

Em 1992, meu primeiro texto publicado profissionalmente foi uma apresentação sobre a produção nipo-australiana Ultraman Great, que fora exibido nos EUA como Ultraman Towards The Future. Isso na revista SET - Terror e Ficção (Ed. Azul), onde conheci o André Forastieri e o Rogério de Campos, que me levariam para fazer parte da revista Herói (Ed. ACME) no final de 1994. Voltando: em 93, dei uma consultoria informal para o programa Top TV, da Record, num especial sobre os Ultras. (Mais abaixo tem o link pra conferir.)


Entre 1995 e 98, na revista Herói, assinei várias matérias sobre os Ultras. Em 96, durante minha rápida passagem pela revista Heróis do Futuro (concorrente da Herói, de onde eu tinha sido desligado por um tempo), escrevi uma edição inteira da revista voltada aos heróis da Nebulosa M-78. Infelizmente, não pude acompanhar a diagramação e a distribuição de imagens foi desastrosa, com fotos de um herói ilustrando matéria de outro. Mas tudo bem, valeu. 

No mesmo ano, para comemorar os 30 anos do personagem, a gibiteria Comix Book Shop organizou o evento Ultracon, no Anhembi, auditório Elis Regina, localizado em São Paulo, capital. Eu e meu colega da Herói, o Marcelo Del Greco, demos uma palestra no auditório perante centenas de fãs e depois fomos entrevistados por repórter da TV Bandeirantes. Foi muito legal. 

Houve também uma Ultracon no ano 2000 e lá estava eu novamente com o Marcelo para papear com o público. Uma terceira Ultracon foi feita no ano seguinte, e a palestra foi comigo e o cantor e tradutor Ricardo Cruz. Que, aliás, esteve na primeira Ultracon na condição de público e me contou isso anos depois. Em meados dos anos 2000, quando Ultraman Tiga foi lançado no Brasil e vários projetos de licenciamento foram planejados, cheguei a escrever uma HQ do Tiga que foi ilustrada pelo excelente Álvaro Omine. Infelizmente, o projeto não foi pra frente e as páginas foram perdidas com o tempo. (Mas tenho esperança de que um dia sejam encontradas.)
Ultraman X: Exibição quase simultânea com
o Japão, através do portal Crunchyroll.
No portal Omelete, assinei resenhas e matérias de referência que depois foram compiladas no Almanaque da Cultura Pop Japonesa (2007), junto com outras da época da Herói. Também escrevi sobre o Ultraman X no portal UOL em 2015 e bati um papo com o jornalista e editor Marcelo Duarte para o programa de rádio Você é Curioso?, da Rádio Bandeirantes, em janeiro passado. Então, vira e mexe, acabo associado com a franquia. O que, obviamente, sempre me deixa contente. 

Ultraman está firme e forte, presente na vida dos japoneses em uma infinidade de produtos. Já é uma instituição nacional. No Brasil, DVDs oficiais e produções exibidas nos portais Crunchyroll e Netflix já mostraram que há público para eles. E a Editora JBC publica bimestralmente o mangá ULTRAMAN, espécie de continuação a partir da série clássica de 1966. 

Pode ser que hoje em dia, longe da TV aberta, Ultraman esteja restrito a nichos de público, mas ainda é um dos personagens de tokusatsu mais conhecidos no Brasil. E também é o que mais possui material oficial atualmente em nosso país. 

Com boa oferta de material variado - e oficial - em português, o cinquentão Ultraman é um cult indiscutível também perante o público brasileiro. E novas gerações continuam a descobrir sua extensa história, ainda mais com Ultraman Orb sendo exibido no Brasil pelo portal Crunchyroll. Assim, a Estrela de Ultra promete brilhar por muito tempo ainda. Shwaaaaatch!


Seleção Especial de Matérias

::: Matérias de referência publicadas no portal Omelete :::
- Um guia básico para iniciantes.


Lembra desse? Ultraman


Lembra desse? Ultraseven - Parte 1Parte 2


Lembra desse? O Regresso de Ultraman


Ultraman - Gigante Pop (2005)

::: Matérias selecionadas - Sushi POP :::
- Um monte de assuntos relacionados ao
Universo Ultra, abordando diversos aspectos e mídias.

- Ensaios, resenhas e artigos: (Listagem meio aleatória.)

Sobre mudanças na adaptação de uma série - O caso de Ultraman e Hayata

Ultraman no mundo real - A arte de Michitaka Kikuchi 

A trilha sonora de Ultraseven

Uma canção marcante em O Regresso de Ultraman

Ultraman Ace e a arte de educar os filhos (ou quase isso)

Bate-papo: Lembranças do Top TV - Especial Ultraman

Ultraman vs Kamen Rider

Ultraman Symphony 
The Ultraman: Curta animado homenageia fase
clássica dos mangás sobre os Ultras.
Ultraman Mebius - Ghost Reverse

Mega Batalha na Galáxia Ultra

The Ultraman - Um eletrizante curta em animê 

Bate-papo: Bolando um filme de Ultraman


Ultraman X - Começa a aventura!

ULTRAMAN - O mangá da Ed. JBC

Tiga, Exceed X e o Ultraman original.
Ultraman X nos cinemas


O Ultraman Day e a celebração dos 50 anos da franquia 

Ultraman Orb - Primeiras informações e expectativas para a estreia.
Universo Ultra: Na realidade,
são vários universos - ou um multiverso -
em constante expansão.  
- Artistas e criadores ligados ao Universo Ultra (em ordem alfabética):

doa - Banda de rock que assinou as aberturas de Ultraman Nexus.

Capa de um livro americano sobre
o lendário diretor de efeitos especiais.

Eiji Tsuburaya - Fundador da Tsuburaya Pro, lenda dos efeitos especiais japoneses, supervisor de criação em Ultraman e Ultraseven. O grande responsável pela criação dos primeiros Ultras.

Kagaku-Tokusoutai - Uma banda que faz rock dos bons, com eletrizantes covers de músicas dos Ultras. 

Mamoru Uchiyama - Autor de mangás que mais é associado ao Universo Ultra. Postagem que noticiou seu falecimento.

Masaki Kyomoto - Ator, empresário e cantor, fez a voz em japonês de Jack Shindo - o Ultraman Great, cantou a abertura dessa série e foi ator convidado em Ultraman Tiga e Dyna.


Mio Takaki - Atriz renomada e cantora, foi a Cap. Iruma, das séries Ultraman Tiga e Ultraman Dyna.


Shinichi Ichikawa - Roteirista das séries clássicas, teve participações notáveis em Ultraseven e Ultraman Ace. Postagem publicada na ocasião de seu falecimento.

Shozo Uehara - Roteirista das séries clássicas, foi o principal autor de O Regresso de Ultraman, deixando sua marca em todas as grandes franquias do tokusatsu.  


Shunji Igarashi - Ator que interpretou Mirai Hibino, o Ultraman Mebius. De carreira promissora, aposentou-se muito cedo. 

Takeshi Tsuruno - Ator e cantor, fez o oficial Shin Asuka, o Ultraman Dyna, e é uma das maiores celebridades japonesas a ter participado da franquia. E continua envolvido com os Ultras.


Tetsuo Kinjô - Roteirista das séries clássicas, foi decisivo em Ultraseven.


The Alfee - Banda veterana e respeitada, fez trilhas para algumas produções. Seu líder, o guitarrista Takamiy, é bastante envolvido com o Universo Ultra



::: EXTRAS - CASA DO BONECO MECÂNICO :::

O blog parceiro Casa do Boneco Mecânico possui uma enorme lista de reviews de bonecos da linha Ultra-Act, uma série de bonecos articulados de alta qualidade. Cada postagem tem um ensaio fotográfico exclusivo e repleto de informações sobre os personagens, cortesia do colecionador e pesquisador Usys222. Além dos personagens mostrados na foto abaixo, há muito mais, incluindo vilões, monstros e outros heróis ligados ao Universo Ultra. Mais do que recomendado!
Linha de bonecos Ultra-Act, da Bandai. Para fãs exigentes.

Linha Ultra-Act (Inclui heróis, aliados e monstros.)


::: CASA DO BONECO MECÂNICO - ANEXO :::

Uma seleção de resenhas imperdíveis e repletas de informação confiável, assinadas pelo incansável Usys222

Ultraman Dual (Livro de ficção científica- Uma nova e interessante abordagem sobre os Ultras pelas mãos do renomado escritor de ficção científica Koji Mishima.

Ultraman Ginga S - The Movie 

Ultraman Great - O mangá - A série nipo-australiana Ultraman Great rendeu um mangá com a arte incrível de Kazuhiko Shimamoto.

ULTRAMAN - Mangá vols. 1~5 

Ultraman Está Chorando - Resenha de um impactante livro autobiográfico do ex-produtor Hideaki Tsuburaya (neto de Eiji) contando os prejuízos e erros que culminaram com a venda da empresa, hoje não mais administrada pelos herdeiros de Eiji Tsuburaya. Importante para conhecer também o outro lado da história. 

::: TOKUDOC :::


O YouTuber especializado em tokusatsu Danilo Modolo sempre fala bastante sobre os Ultras em seu canal TokuDoc. Separei aqui dois vídeos. Confira um com curiosidades sobre a franquia Ultra e o mais recente, dedicado ao novíssimo Ultraman Orb.





Os Ultras e você

E você? Gosta de alguma produção Ultra? Gostaria de comentar sobre o assunto? Sinta-se à vontade para deixar seu depoimento na seção de comentários. (Lembrando que a seção é moderada e eventualmente demora um pouco para que eu leia e libere.)



23 comentários:

DIOberto disse...

Muito bom artigo!
Gostei da narração de sua linha histórica no Brasil; detalhe, eu também estava lá na Ultracon de 96 no Anhembi, lembro que vi, no dia anterior, um artigo sobre o evento num jornal de alta circulação de SP.
E achei excelente os diversos links para acessar outros artigos que vc fez abordando ao universo Ultra!!!
Só isso valerá a divulgação periódica deste artigo por muito e muito tempo...
Um abraço Nagado!
Td de bom a vc e familia...

César Filho disse...

Minha franquia favorita do tokusatsu sempre foi o Metal Hero. Mas nos últimos anos minha paixão por Ultraman tem crescido bastante e a sede por explorar esse universo (ou multiversos) me instiga a procurar mais e mais sobre a franquia.

Tive meu primeiro contato com Ultraman na reprise da extinta Rede Manchete (com a redublagem da BKS) em 1996. Até aí a série não tinha caído no meu favoritismo, mas curti o clássico (apesar da emissora ter exibido apenas os 12 primeiros episódios). A série que me empolgou de vez mesmo foi Ultraman Tiga. Acompanhava todas as manhãs no sofrível programa da Eliana, na Record. O que mais me chamou atenção foram os episódios tensos e sombrios do guerreiro da luz.

O tempo passou e acabei deixando de lado a franquia. Até que em 2011 resolvi colecionar os filmes que a Focus lançou. Tenho todos os 9 filmes e aqui acolá sempre revejo. Desde os lançamentos de algumas séries Ultra na Crunchyroll, a partir de 2014, não parei mais de acompanhar e tenho pesquisado a franquia com mais afinco. Quando dei por mim, percebi o quanto a franquia é especial e importante para a história do tokusatsu. Além de ser obrigatória para a real compreensão da essência do tokusatsu.

Fruto dessa paixão e procura por Ultraman, irei realizar uma palestra sobre os 50 anos de Ultraman no evento Sana, pelo grupo Henshin Gattai (daqui de Fortaleza), no dia 17 de julho. Foram meses preparando materiais, imagens e até homenagens especiais para divulgar não só Ultraman como também o trabalho da Tsuburaya nestas últimas cinco décadas.

Ah, antes que eu me esqueça, suas matérias na revista Herói, no Almanaque e também pelo blog Sushi Pop tem sido minhas principais fontes sobre Ultraman. E quero dizer que sou eternamente grato pelo seu trabalho, pois até hoje o tenho como referência em pesquisas sobre a cultura pop japonesa. Abraços.

Schwaaaaatch!

Ale Nagado disse...

Olá, Mr. DIOberto!

Então, você também estava lá, que legal! Esse evento foi marcante e fico contente por ter participado desses momentos que eu narrei.

Obrigado pela força! Abraço e tudo de bom pra todos da sua família também.

Ale Nagado disse...

Olá, César!

Ultraman é referência obrigatória para estudos sobre cultura pop. Inclusive, algo que pouca gente nota é o número de nomes importantes da música japonesa que já cantaram para a franquia Ultra. E não falo só de nomes das anime songs, como Ichirou Mizuki, Isao Sasaki, Hironobu Kageyama e Tatsuya Maeda, mas também dá pra citar Masayuki Tanaka (ex-Crystal King), Kiyoshi Hikawa (astro da música enka), V6, Takeshi Tsuruno, TMG (grupo paralelo de Tak Matsumoto, da dupla B´s), Misia, Girl Next Door, DiVA (divisão do AKB48) e The Alfee.

Falando na segunda dublagem, eu e o Del Greco fizemos uma ponta (em áudio, claro). No episódio do monstro Goverdon (Gavadon), ficamos fazendo voz de criança no meio de uma multidão de garotos que chamava pelo monstro. Foi muito divertido!

Abraço!

Ricardo disse...

Conheci os Ultras no finalzinho da década de 1970. Para os mais novos, vale contextualizar que naquela época todas as emissoras tinham horas destinadas à exibição de material estrangeiro (evito o termo “enlatado”, pois me parece pejorativo).

As crianças tinham uma vastíssima programação à disposição, que incluía os desenhos desanimados da Marvel, o quase infinito acervo da Hanna-Barbera, dos clássicos desenhos da Warner, Pica-Pau e sua turma, entre dezenas de outros.

Tínhamos acesso também a outras produções japonesas, tanto animações como Speed Racer e Sawamu, como séries com atores, como Vingadores do Espaço e Robô Gigante (Spectreman estrearia um pouco depois).

Não sei se pelo visual dos heróis e dos veículos dos esquadrões ou por causa dos monstros, mas o fato é de que mesmo com toda essa concorrência os Ultras eram os meus favoritos.

Por anos eles ficaram no trono, mas com o tempo muitas dessas séries foram aos poucos desaparecendo das nossas telas. Era um outro momento, que marcou a grande febre dos desenhos de ação americanos: He-Man, Caverna do Dragão, Thundercats, Transformers, GI Joe, entre outros.

Mesmo acompanhando todos esses desenhos, ainda sentia falta de ver as séries japonesas.

Curiosamente, essa lacuna não foi preenchida (ao menos de início) quando Jaspion e Changeman estrearam. Vi um episódio de cada, e logo sentenciei que aquilo era simples cópia de Ultraman.

Felizmente, com o tempo deixei essa aversão ao novo, e passei a acompanhar as aventuras desses heróis e daqueles que surgiram no rastro de seu sucesso.

Tomando como base o que havia acontecido com os Ultras, já naquele momento tive a certeza de que aquilo não duraria para sempre, e fiz o possível para gravar o maior número de episódios. つづく

Ricardo disse...

Voltaria a ter contato com os Ultras no início da década de 90, através do Top TV. Rever cenas de Ultraseven e Ultraman foi fantástico.

Em 95 conheci a loja Comix, e comprei uma fita que vinha justamente com o meu episódio duplo favorito, “Ultraman morre ao Entardecer/Quando brilha a Estrela de Ultra”, de O Regresso de Ultraman. Era uma cópia em P/B com imagem ruim. Mas para mim, era um tesouro, um item de colecionador. Era o meu Santo Graal.

O ano de 96 foi agridoce. Ultraman voltou à tevê brasileira, mas com uma exibição errática e incompleta.

Em 2000 parecia que tudo mudaria: Ultraman Tiga estreou na Record. Fui à Ultracon, e fiquei entusiasmado com os planos de exibirem tanto séries novas como inéditas. Tive que sair antes da exibição do episódios “A Estrela de Ultra”, que encerraria o evento. Não liguei, pois sabia que o episódio seria exibido na quinta-feira seguinte. Mal sabia que a série seria retirada do ar justamente nesse dia.

Uma enorme decepção, em parte compensada pelo fato de naquele ano ter entrado na internet e conhecido outros fãs de tokusatsu.

De lá para cá tive acesso a muita coisa, tanto para rever as séries da minha primeira infância quanto para conhecer novas produções.

Continuo tendo um carinho enorme pelas produções da Tsuburaya. Respeito tanto os pioneiros como aqueles que ao longo das décadas carregaram o legado do senhor Eiji para novas gerações.

Torço muito para que esse recente acordo com o Crunchyroll (e agora com a Amazon, embora não tenhamos maiores detalhes) façam a produtora perceber que, embora Ultraman seja um símbolo japonês, há anos ele transpôs a fronteira do seu país natal.

Em um momento em que a população japonesa está envelhecida, é no mínimo falta de visão considerar o mercado externo. Os lançamentos de Blu-Ray são um exemplo. Ao menos por enquanto essa será a mídia definitiva em que séries como Ultraman, Ultraseven e Ultraman Ace serão disponibilizadas ao público. Porque não incluir ao menos legendas em inglês nos lançamentos? Há um público colecionador por aí que pode ser pequeno, mas ainda assim lucrativo.

Peço desculpas pelo tamanho do texto, mas quando comecei a considerar o cinquentenário dos Ultras, percebi como seria difícil sintetizar minha relação com eles (e olha que muita coisa ficou de fora).

Que a Estrela de Ultra brilhe eternamente na mente e no coração dos jovens de todas as idades. E obrigado, Nagado, por ter sempre contribuído para mantar essa chama acesa em nosso país.

Ale Nagado disse...

César Filho:

Esqueci de lhe parabenizar e desejar boa sorte na palestra. É isso aí, informação tem que ser partilhada! E veja o material do Usys222, que é lotado de informação que não saiu em nenhum outro lugar em português. Inclusive, eu apareço de vez em quando lá pra trocar ideias na área de comentários.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Prezado Ricardo:

Que belo depoimento! Os fãs sofreram um bocado mesmo ao longo do tempo. Mas hoje a oferta de material, graças à internet, é boa e tem material de ponta disponível oficialmente por aqui, como o Ultraman X, o Mega Batalha na Galáxia Ultra, o mangá ULTRAMAN...

E concordo quanto às legendas. O DVD japonês do longa do Ultraman The Next (2004) tinha legendas em inglês, mas infelizmente foi caso isolado. Espero que revejam isso para o futuro.

Abraço!

César Filho disse...

Sério?! Isso é novidade pra mim. Realmente eu não sabia dessa curiosidade. Bastidores da redublagem da BKS. :D

Ah, falando em Ultraman, há algumas semanas atrás eu fiz essa chamada abaixo (com cenas das séries Ultra da era Showa) pra divulgar o tema da palestra. A inspiração foi no formato das chamadas para as séries nos anos 80 e 90 na TV brasileira. Além dessa amostra, eu gravei uma outra chamada com imagens dos filmes do Ultraman (era Heisei) e outra com a programação geral de palestras do espaço tokusatsu do Sana.

https://www.youtube.com/watch?v=tqz6H9WDxzc

César Filho disse...

E obrigado pela força, Nagado. Vou me esforçar ao máximo pra estrela Ultra brilhar no evento. Eu descobri o blog do Usys há algum tempo e curto demais os crossovers que ele faz com action figures. Abraços.

Aniki disse...

Cinquenta anos de Ultraman... e há pelo menos trinta e poucos anos conheço o personagem.

Não vou lembrar com certeza em que ano conheci a série através das exibições da TVS, mas Ultraseven e Spectreman eu lembro de ter visto na Record. No princípio causava estranheza para um garotinho acostumado com desenhos animados, Clube do Mickey e o máximo que tinha visto de herói de carne e osso era o Batman de Adam West, o Superman de Christopher Reeve e o Homem-Aranha de Nicholas Hammond.

No entanto a estranheza foi passando com o tempo e virando diversão. Mas um episódio que me pegou de surpresa foi do Regresso de Ultraman, quando Ultraseven apareceu para dar uma mãozinha. Primeira encucada: por que o Ultraseven tá na TVS se ele passa na Record? Segunda encucada: por que o Ultraseven não ajudou o Hayata contra o Zetton? Como é divertida a ingenuidade quando somos crianças.

Posso estar enganado mas acho que uma das últimas exibições das séries(já que Ultraman e o Regresso eram anunciados apenas como Ultraman, sem diferenciação) foi no horário vespertino por volta de 1986/1987. Ultraseven devo ter visto pela última vez em 1985, antes da transmissão do Canta Viola e do Desafio ao Galo(que meu falecido pai acompanhava fielmente).

Depois disso fiquei um tempo afastado dos heróis e desenhos(estava mais interessado em futebol, devido à Copa de 1986 e à Copa União. Tive os álbuns de figurinhas dessa época, que se perderam com o tempo). No entanto, foi só ver os heróis japoneses na Manchete que o sentimento nipônico foi redespertado. E desde então não parou mais.

Assim como muitos me empolguei com a reestréia de Ultraman pelas fitas da Intermovies e a reprise na Manchete. Mas sempre considerei a redublagem razoável. No entanto não tinha como comparar pois mal me lembrava da dublagem antiga. Cheguei a ter também essa Heróis do Futuro mencionada por você e fiquei com vontade de ir na Ultracon. Infelizmente, devido ao meu primeiro emprego na época não pude comparecer.

Também consegui algumas edições do fanzine Ultramaniacs, do Ricardo Matsukawa(parece que ele é fotógrafo hoje em dia) e adorei a estréia do Tiga na Record, além de comparecer na segunda Ultracon e conhecer diversos fãs, os quais já perdi o contato da maioria. No entanto veio aquele banho de água fria que todos já sabem...

Felizmente, com os avanços tecnológicos e a velocidade da internet, pude encontrar todas as séries Ultra via download e apreciar cada uma delas separadamente, mesmo assistindo em japonês e não entender quase nada. Para o fã, às vezes a diferença de idioma é um ínfimo detalhe.

Creio que esse foi o mais longo comentário da minha parte até agora hehehehe.


Para completar, uma apresentação recente do V6 na TV japonesa.

https://www.youtube.com/watch?v=LEPBE2g5AgY

Abraços!

Eduardo disse...

Eu ainda não vi nenhuma série Ultra completa, mas pretendo ver. Tenho inclusive o DVD da primeira série lançado pela desconhecida distribuidora World Classic e pretendo comprar todos os filmes lançados pela Focus.

Ao contrário do tipo de fã de tokusatsu que o César Filho citou, eu não tenho nenhum preconceito com a idade do tipo de produção. Curto tanto coisas antigas quanto novas, e isso não só com relação ao tokusatsu, mas também com qualquer tipo de entretenimento. Por exemplo, eu comprei o dvd do National Kid, que marcou a infância do meu pai e gostei da série.

Com a estreia de Ultraman Orb, temos seis séries Ultraman de forma legal no nosso país. Torço para que venha todas as séries da franquia, se possível. É realmente uma franquia emblemática para o mundo do tokusatsu.

Anônimo disse...

"Um monstro feio atacava,os soldados enfrentavam mas nunca conseguiam
nada,então aparecia um homem mascarado voando e arrebentava o bicho",
era assim que minha avó descrevia a série original que me deixou
ansioso para conhecer, até que anos depois vi o primeiro episódio
de Tiga .

Ale Nagado disse...

Aniki, que belo depoimento. Obrigado pela sua participação!
E obrigado também pelo link. É interessante ver como o V6 se mantém na ativa como uma "boys band" de quarentões.

Ale Nagado disse...

Eduardo, é legal mesmo saber apreciar cada produção em seu contexto. Épocas diferentes, recursos diferentes, propostas diferentes. E disso tudo, extrair a parte criativa, as histórias, interação entre os personagens, direção, atuações, trilha sonora...

Valeu pela participação!
Abraço!

Ale Nagado disse...

Anônimo, essa descrição que você ouvia chega a ser engraçada. E se ainda assim você se interessou, tá valendo. :-P

E se você começou pelo Tiga, teve sorte. É uma das melhores séries da franquia, rivalizando com os clássicos originais.

Abraço!

Bruno Seidel disse...

Que legal esse post! Bem diferente do estilo da maioria dos textos que costumo acompanhar aqui no blog. Percebi que, dessa vez, optou-se por um relato mais pessoal, narrando a relação entre sua trajetória e esse icônico personagem chamado Ultraman. E o mais bacana é que o pessoal entrou na onda e resolveu apresentar seus próprios relatos também, o que comprova que o Ultraman está presente de várias formas na vida de tantos fãs, com várias histórias repletas de fatos curiosos.
Particularmente, meu primeiro contato com os heróis da M78 foi nas páginas da revista Herói mesmo (nasci em 1985 e não tive a oportunidade de ver a série na TV). Devo admitir que minhas primeiras impressões não foram das melhores. Eu via aquele personagem "estranho" como algo tosco e esteticamente feio. Mas claro que essa era a visão de um moleque que estava acostumado a ver coisas mais sofisticadas como os heróis da época (a TV estava transmitindo coisas como Winspector e Solbrain naquele ano). Ainda não tinha noção e nem discernimento pra entender a importância histórica daquela série que já era um clássico antes mesmo de eu nascer.
Lembro que um dia, só por curiosidade, resolvi perguntar ao meu pai (nascido em 1950) se ele lembrava do tal do Ultraman. "Ele era preto-e-branco": foi a única coisa que ele disse. HUEhEUHUEhEUhEUhUEhUE!!!
Anos depois, com o "advento da internet", meu interesse por séries Super Sentais, Kamen Riders e Metal Heroes (impulsionado pelas inúmeras matérias que li na revista Herói) fez eu mergulhar em sites como Tokusatsu Tyosenshu e em fóruns de discussão como o Tokusen. Nessa onda, descobri que o Ultraman não era somente uma série clássica dos anos 1960 e sim uma franquia com dezenas de outras produções derivadas. Era considerado uma das quatro principais franquias do Tokusatsu. Mas era também a que eu menos conhecia.
Quando soube que a Record estava exibindo Tiga, fiz um grande esforço pra acompanhar mas, infelizmente, a transmissão era uma bagunça enorme. A emissora divulgava uma coisa na grade de programação e a ignorava completamente. Lembro até que cheguei a acordar cedo numa manhã de domingo pra... nada!!! Alguém lembra desse alarme falso??
Os anos passaram e a internet evoluiu rapidamente a ponto de facilitar o acesso a filmes e séries Ultras por meio de downloads e os benditos fansubers. Cheguei a comprar fitas VHS de coisas consideradas raras na época, como Ultraman Cosmos e o cultuado "Ultraman versus Kamen Rider", de 1993. Também dei um jeito de conseguir em VHS as três séries clássicas que passaram no Brasil.
Mas apesar de sempre me manter atualizado e ligado nas produções Ultras, ainda não tinha sentido aquele gostinho de acompanhar com entusiasmo uma série do começo ao fim. Tudo mudou quando assisti a todos episódios de Ultraman Nexus (2004), série que até hoje considero uma das minhas favoritas!
O problema é que Nexus era tão, mas tão legal que as séries seguintes, Max e Mebius, perdiam feio na comparação. E isso fez a franquia dos Ultras cair novamente no meu conceito por mais uns cinco anos.
Na última virada de década, porém, tivemos a trilogia de filmes do Ultraman Zero que elevou demais o conceito do gênero. Os Ultras estavam de volta ao patamar que sempre lhes foi digno!

つづく

Bruno Seidel disse...

Quando fui ao Japão, em 2010, tive a oportunidade de encontrar um garotinho que usava uma sandália do Ultraman. Ele estava acompanhado do pai e aproveitei pra puxar conversa com os dois. Acho que ficaram impressionados com o fato de um brasileiro com menos de 30 anos conhecer o Ultraman original e saber até cantar a música de abertura da série (sim, eu cantei um pedacinho do tema de abertura durante a conversa pra provar que eu conhecia mesmo).
De Zero pra cá, acompanhei exatamente TUDO que foi feito de Ultras: Ultra Zero Fight, Ultraman Ginga, Ginga S, Ultra Fight Victory e, claro, Ultraman X!
Hoje eu considero o gênero Ultra bastante superior aos demais em vários quesitos: há um nexo entre as diferentes séries e universos (ou multiverso) relacionando personagens de estórias diferentes mas sem desmerecer a inteligência dos fãs; mais respeito aos atores originais e seus respectivos personagens e; finais sempre memoráveis (nesse quesito acho que os Ultras ganham de lavada das séries da Toei).
Acho interessantíssimo esse conceito de Multiverso que ganhou até uma explicação técnica no filme Ultraman Zero (2010), o que chega a explicar muito ponto sem nó das séries clássicas, como o fato do Ultra Seven aparecer numa Terra em que as pessoas não tinham nenhum tipo de recordação de um herói semelhante, sendo que os dois personagens eram supostamente (supostamente) de um mesmo universo.
Acho sensacional o carisma que alguns personagens adquirem e mantem mesmo com o término da série: Dan Moroboshi, Hideki Go, Daigo, Asuka, Daichi...
Enfim... falar da minha relação com o universo Ultra daria muito mais o que falar. E olha que eu tentei ser breve! É uma mitologia fascinante! Riquíssima em termos de personagens, lições de vida e pautas pra discussões animadoras.
E que bom que existem espaços como esse aqui, onde os fãs podem trocar ideias e relatos sobre um assunto que não se discute em qualquer boteco.

Usys 222 disse...

Eis aqui uma história bem parecida com a minha. O mais interessante é que eu ia mesmo publicar hoje, no Dia do Ultraman um texto com o título "Ultraman e eu" e acabou combinando direitinho com a proposta no final da matéria.

O meu depoimento é bem longo, então deixo aqui o link:
http://usys222anexo.blogspot.com/2016/07/ultraman-e-eu.html

Tem umas fotos de memorabilia e até uns eventos que pude ver ao vivo.

E digo e repito: as séries Ultra só me trouxeram alegrias. Obrigado, Ultraman!

Ale Nagado disse...

Bruno, que belo depoimento você trouxe também!

Você faz parte de uma geração posterior à minha e ainda assim descobriu como é legal. Quando alguém fala "É sempre a mesma coisa, aparece um monstro, o herói chega, luta, vence e vai embora." eu imagino que a pessoa não tem capacidade para enxergar além da superfície. Aliás, não enxerga nem o óbvio direito. Já quem se permitiu entrar nas histórias, encontrou um universo gigantesco de entretenimento, mas que também tem seu lado sério e reflexivo.

Eis um assunto que rende muito, tanto quanto nos nichos de Star Wars, Star Trek, Marvel ou DC.

E que bom que você e outros encontram aqui um espaço pra compartilhas experiências e ideias.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Vou comentar lá no seu post mesmo. Mas obrigado pelo apoio de sempre!

Abraço!!

Aniki disse...

Uma pergunta que esqueci de fazer, Nagado.

Quando você e o Marcelo Del Greco fizeram a ponta no episódio do Gavadon receberam alguma dica dos dubladores ou já foram fazendo falsete na lata?

Ale Nagado disse...

Fala, Aniki!

Hum, lembro que eles perguntaram se a gente conseguia fazer "vozinha de criança". Fizemos, acharam que estava ok e juntaram os dubladores pra gravar, com a gente no meio. Daí, fizemos a gritaria que se ouviu. Foi bem rápido, mas valeu. Posso parecer sério ao escrever ou palestrar, mas a verdade é que meus amigos sabem que falo muita besteira e tenho senso de humor afiado. Então, fazer voz de criança foi divertido.

Lembro que na volta, eu estava de carona com o Marcelo e ele pulava de empolgação ao volante. "Participamos da dublagem do Ultraman! Iupiii!" Foi bem legal! :-D

Abraço!