terça-feira, 19 de julho de 2016

Ninja Slayer - Máquina da Vingança

Ninjas! 
Batalhas sangrentas! 
E muita GRITARIA!
Mergulhe em um mundo violento e caótico em uma obra carregada de adrenalina!!!

Uma sangrenta aventura ninja, com
ação espetacular e ritmo alucinante. 
Em um futuro não muito distante, na superpopulosa cidade de Neo Saitama, as sombras escondem terríveis ameaças. Há uma guerra em curso no submundo do crime, envolvendo clãs da yakuzá (a máfia japonesa), ninjas, uma sinistra empresa chamada Fundação Nekogi e um terrível lutador chamado de Ninja Slayer. Dotado de habilidades sobre-humanas, sua identidade é Kenji Fujikido, que foi possuído pelo espírito de um ninja para cumprir uma missão de vingança.

Assassino brutal e impiedoso, o Ninja Slayer elimina outros guerreiros ninja como parte de uma vingança pessoal pela morte da família de Fujikido. Ele também é caçado a mando de Laomoto Khan, o amoral líder tanto da Fundação Nekogi quanto do clã mafioso Soukaya. Nesse mundo avançado e decadente, um produto da ciência se destaca: clones de yakuzá, totalmente obedientes e mortalmente sincronizados em suas ações.

Ninja Slayer: Uma história de vingança.
A arte e a narrativa são bastante dinâmicas e expressivas. A narrativa passa de uma batalha a outra, num ritmo vertiginoso, cheio de gritos, perseguições e explosões. Até o narrador "grita" no texto, contando os acontecimentos como se estivesse vivenciando as emoções da história, o que é uma bela sacada do roteiro. 

Não há calmaria, contemplação ou momentos de paz e tranquilidade. É só tensão, correria, violência e gritos nessa aventura de ritmo cinematográfico e arte detalhista. O resultado lembra o cinema de ação americano, em seus momentos mais impactantes. Pra quem gosta de histórias violentas com ritmo de tirar o fôlego, é um prato cheio. 
A arte de Yuki Yogo, perfeita
para histórias de ação.

Ninja Slayer tem uma curiosa história de bastidores. Começou a aparecer para o público japonês em 2012 através de postagens na rede social Twitter. Os autores originais seriam os americanos Bradley Bond e Phillip "Ninj@" Morzes, traduzidos por Yu Honda e Leika Sugi, que depois compilaram a grandiosa saga em 16 volumes até o momento. Os livros seguem o formato light novel, que é de livros com muitas ilustrações e geralmente não mais que 200 páginas. 

Sobre a identidade dos autores, é tudo uma grande brincadeira dos "tradutores", que na verdade são os criadores da série. Até hoje, muita gente acha que existe um livro original em inglês de Ninja Slayer, o que só faz aumentar a lenda por trás do enredo. Os "autores" já concederam entrevistas escritas, aumentando a aura de mistério sobre suas identidades. 

Com o sucesso, Ninja Slayer teve uma série de mangá em 7 volumes (que é a que está sendo publicada) e outras duas de 3 volumes cada. Cada série foi ilustrada por um artista diferente e outras ainda podem surgir. A que está sendo publicada no Brasil pela Panini estreou em 2013 na revista Comp Ace, da Kadokawa Shoten, voltada ao público seinen (jovens adultos do sexo masculino). As outras duas séries foram mais leves, sendo uma para garotos (a demografia shonen) e outra para garotas (shojo). 

Em 2015, Ninja Slayer teve uma série em animê com 26 episódios para exibição na internet. A produção foi do Studio Trigger, que já fez animações para Kill La Kill, Little Witch Academia e Kiznaiver, entre outros. 

Ninja Slayer é uma leitura intensa, com uma violência tão exagerada que é catártica. Sem pretensões de ser um tratado sobre a arte ninja ou o submundo do crime, a história brinca com clichês, joga o personagem em uma montanha-russa e o leitor, agarrado pelo pescoço, quase não tem outra opção a não ser embarcar junto. 

Ninja Slayer - Máquina da Vingança
Roteiro: Yoshiaki Tabata

Arte: Yuki Yogo
Criação: Bradley Bond e Philip Ninj@ Morzes
Design de personagens: Warainaku e Yuki Yogo
Supervisão da adaptação: Yu Honda e Leika Sugi

Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 176 páginas 
Total de volumes: 7 (ainda em produção) 
Lançamento no Brasil: Maio de 2016
Preço: R$ 12,90
Distribuição: Bimestral
- Classificação indicativa: 18 anos


Extra: Trailer do animê do Studio Trigger


6 comentários:

LeCuS Léo Mattos disse...

Comprei e gostei muito. Me divertiu bastante. Abração!

Ale Nagado disse...

Fala, Sr. Léo. Anda sumido por aqui.

Sabe, esse não seria um título que eu procuraria ler, mas o volume 1 chegou em minhas mãos e dei uma chance. Me senti um moleque no melhor sentido do termo durante a leitura. É porrada o tempo todo. Não leio coisas assim sempre, senão não teria graça. E a história de bastidores é divertidíssima.

Abração!

Bruno Seidel disse...

Nossa mas a perfeição do traço é impressionante mesmo! Combina perfeitamente com um mangá de pura ação como esse.

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno! O desenho é graficamente muito bom, mas o que fisga qualquer um pelo pescoço é a narrativa, que te joga pra dentro. E o narrador empolgado torna tudo mais divertido. Quando o narrador berra "Que medo!" você percebe que não é pra levar muito a sério. Me surpreendeu positivamente.

Abraço!!

Usys 222 disse...

Doumo, Nagado-san. Usys 222 desu. Essa resenha, Wazamae!

Esse eu também comprei para ler antes de comentar. Já tinha visto toda a série completa em desenho (não-)animado e por isso já estava familiarizado com o universo de Ninja Slayer.

Posso dizer que essa obra é uma piada, uma farsa, uma paródia com aquela visão deturpada do Japão presente em várias outras obras ocidentais do século XX, como o Demolidor na fase de Frank Miller, as Tartarugas Ninja, G.I. Joe e Mortal Kombat. Por muito tempo também acreditei que o original era americano, mas só agora vejo que não era, o que comprova que isso era uma enorme comédia. E pelo visto, levada a sério, considerando o capricho da arte.

A referência ao "nanori" também é interessante, sendo que atacar durante a reverência é considerado um ato de baixeza. É o tipo de coisa que os americanos colocariam em uma obra com essa temática e até mesmo esse aspecto é emulado, assim como as palavras em japonês usadas de forma equivocada ou exagerada.

Não comentei nas outras vezes, mas uma coisa que me incomodou na tradução de One Punch Man e Ore Monogatari!! era que deixavam os sufixos "-san", "-chan", "-kun" ou palavras como "sensei" sem serem adaptadas. Em Ninja Slayer faz sentido manter essas palavras, mas me soa estranho ver isso em diálogos comuns. Se fosse para mostrar um japonês em uma terra estrangeira tentando falar o idioma local até funcionaria, como em algumas histórias da Marvel.

Ale Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Realmente, é uma brincadeira com clichês. A cena em que o mafioso diz que vai mudar de vida, virar religioso, etc, chega a ser hilária. A violência visual exagerada, o narrador histérico, tudo contribui para o clima de farsa.

Concordo com relação aos honoríficos. Em algum lugar, li sobre a dificuldade em adaptar os honoríficos. Por exemplo: É melhor "Hiroshi-kun" ou "Hiroshinho"? Nenhum, na minha opinião. Eu preferia assumir que tantos honoríficos não desnecessários em nossa língua e não traduziria, eliminando muitos "chan", "kun" e por aí vai. Mas em Ninja Slayer, até pra parecer mais que são americanos tentando mostrar conhecimento (raso) na cultura, faz mais sentido deixar os honoríficos.

Obrigado pela participação. Você sempre acrescenta mais informação ao assunto.

Abraço!