segunda-feira, 25 de julho de 2016

Bate-papo: Bastidores da histórica edição 10 da revista HERÓI

A revista Herói marcou época e algumas edições ficaram na memória dos leitores. Uma, especificamente, marcou toda uma geração de fãs de tokusatsu, os filmes e seriados de heróis e monstros japoneses baseados em efeitos especiais. Mergulhe nos bastidores da lendária - e polêmica - Herói #10.


Uma edição da revista Herói que
marcou época e dividiu o fandom.
Olá, Nagado.

Agora que o livro sobre os bastidores da Herói saiu, lembrei-me da primeira edição da revista que comprei... foi justamente o histórico número 10. Você não imagina o quanto aquela revista me deixou abismado, com matérias sobre Shadow Moon, Robô Gigante, Vingadores do Espaço... e principalmente o dossiê a respeito de Super Sentai, onde descobri tantas séries cuja existência nem imaginava. Sem exagero, devo ter lido a revista dezenas de vezes. Depois eu comprei todos os números atrasados da Herói, e percebi que a revista sempre vinha com um mix bem variado de assuntos.

Como surgiu a ideia de fazer um número dedicado quase que inteiramente ao tokusatsu, com quase todas as matérias escritas apenas por um redator (no caso, você)?

Houve alguma resistência? Qual foi o feedback que você recebeu após o lançamento?

Ricardo Cerdeira

Fulmine!!! O índice já deixava qualquer jovem fã empolgado. 
Fala, Ricardo!

Essa edição não foi muito diferente das outras, ao menos em seu planejamento. Primeiro, foi decidido pelos editores que a capa seria Power Rangers e que eu deveria falar sobre os originais japoneses que deram origem ao programa. Era preciso apostar em outra série com muita história pra contar além de Cavaleiros do Zodíaco para puxar as vendas da Herói e os Rangers estavam em evidência da TV Globo. Além disso, o André Forastieri (sócio da editora ACME com o Rogério de Campos) sempre dava a maior força para falar de heróis japoneses, seja de qual mídia fosse.

Daí, falei sobre a série original Juranger e emendei uma matéria sobre a franquia Super Sentai, com uma lista de produções, de Goranger até Kakuranger (que estava terminando no Japão). E por culpa minha, saiu um erro na listagem de séries. No caso, Goggle V (de 1982) veio antes de Dynaman (83), e não o contrário. Bom, aconteceu e eu só me toquei do erro meses depois, quando já era tarde pra publicar uma errata (que estou fazendo agora, mais de 20 anos depois...). Sem internet, a pesquisa era feita em livros e revistas de referência importadas. E era difícil pesquisar, mas com uma ajudinha aqui e ali, ia conseguindo informações preciosas sobre várias produções.

Eu havia retomado contato com tokusatsu com a invasão de séries na TV Manchete e estava descobrindo Super Sentai aos poucos. A princípio, não gostava mesmo da repetição exagerada de situações, temas e enrolações, mas gostava muito de alguns isoladamente, como Changeman, Maskman, Jetman e Dairanger. Não me lembro de ter visto alguma matéria explicando Super Sentai em alguma revista de tiragem nacional antes da Herói. Aliás, posso afirmar que, na imprensa profissional, fui o primeiro a escrever sobre um monte de personagens e assuntos. 
E digo "imprensa profissional" sem estrelismo, leviandade ou exagero. 

A tabela de séries Super Sentai
até o início de 1995. 
Teve enorme impacto nos leitores.
Pena que saiu com
um errinho...
Eu podia ser um moleque sem diploma, mas estava sendo pago para escrever matérias informativas para uma editora estabelecida profissionalmente, cumprindo prazos e levando assuntos inéditos no Brasil a um público ávido por novidades. Certamente eu vejo que muito do que eu escrevia era ingênuo demais, com técnica de redação bem mediana e eventuais erros de informação (alguns de grande tolice), mas eu conseguia uma conexão com o leitor, pois era um garoto um pouco mais velho escrevendo para garotos mais novos. Um momento como aquele nunca mais se repetirá, não com aquela intensidade. 

Com as boas vendas e a chance de experimentação, essa edição sem CDZ teve espaço para algumas viagens. O título original da série que deu origem à primeira temporada dos Power Rangers era Kyoryu Sentai Juranger, sendo que "Kyoryu" é "dinossauro" e o "Ju" era de Jurassic, o período histórico dos dinossauros. Mas havia no grupo um tigre dentes-de-sabre e um mamute, mamíferos pré-históricos que não viveram no jurássico (fora o dragão, que é um animal mitológico). Em uma página, expliquei esses detalhes, o que foi um momento divertido para mim, pois quando criança eu lia tudo que podia sobre dinossauros. O título da matéria também foi ideia minha: "Herói também é cultura!!!".

E além de Juranger, Super Sentai e Kamen Rider, ainda pude falar do meu animê favorito, a Patrulha Estelar (Yamato). E na seção "Vilão especialmente convidado" (um termo tirado do seriado do Batman de 1966), o destaque foi Shadow Moon, o rival de Black Kamen Rider. Realmente, foi um momento único. Mas, como tudo naquela época, foi feito na maior correria e eu não percebia que aquela seria considerada uma "edição histórica".
Pela primeira vez numa revista de banca brasileira,
uma reportagem mostrava a linhagem Super Sentai.
Eu me lembro de estar no escritório da ACME conversando com o Junior (o editor) e o Marcelo Del Greco. Rapidamente, alguém falou que aquela edição ia virar um "Especial Japão". Mas esse era um nome informal entre a gente, não havia nenhuma referência sobre aquela ser uma edição especial ou temática. 

A Herói #10 chegou às bancas em março de 1995 e foi uma das edições que ganhou reimpressão, de tanto que vendeu. Não tenho os números de venda da edição 10, mas a número 1 tinha vendido mais de 100 mil exemplares. Chegaria a 600 mil na fase Herói Gold


Foi com o passar dos anos que eu percebi que aquela revista marcou muita gente. Quer dizer, sempre chegavam muitas cartas na redação e com essa não foi diferente. Poder falar de tantos assuntos que gostava (e ser pago pra isso) foi muito legal e houve muito feedback positivo, com muitas cartas pedindo mais reportagens sobre super-heróis de tokusatsu. E eu nem usava o termo tokusatsu na época, pois evitava muitos estrangeirismos, o que era uma bobagem. Depois dessa edição, tanto Super Sentai quanto os Kamen Riders seriam tema de muitas matérias futuras da Herói.

Vilão Especialmente Convidado:
Shadow Moon!
Entre apresentações e
spoilers, destaque para
o grande inimigo do
Black Kamen Rider.
A molecada pirou, mas
hoje eu sou contra spoilers.
O Marcelo Del Greco estava envolvido com muita pesquisa sobre os Cavaleiros, mas participou dessa edição com matérias sobre Robô Gigante (Giant Robo) e Vingadores do Espaço (Magma Taishi). Ele é um grande entusiasta não só de Ultras, mas também da fase de ouro do tokusatsu nos anos 1960. Nós viríamos a escrever em parceria outros trabalhos, mas lembro dele falando com orgulho que tínhamos escrito, pela primeira vez, uma edição inteira sozinhos. Até mesmo a seção de notícias, que eram notinhas rápidas que ninguém assinava, foram feitas por nós. E aquilo rendeu assunto por muito tempo. 

O que eu não esperava é que fosse criar uma divisão no fandom, com muitos criando asco pelos Power Rangers, achando eles uma "aberração" contra os originais japoneses. Confesso que não gostava mesmo de PR e achava a produção da série original uma picaretagem sem tamanho, mas também reconheço que suas produções evoluíram muito e hoje Power Rangers não deve em nada aos Super Sentai originais. Até hoje, há quem odeie Power Rangers por minha influência, mas nunca foi minha intenção criar esse tipo de sentimento. Até porque sempre foi claro para mim que Power Rangers só existia porque era muito interessante para a Toei Company, que produzia os originais. 

De toda aquela correria, aquele verdadeiro furacão que foi a Herói, ficaram boas lembranças e uma sensação gostosa de ter feito parte de algo bacana, que é lembrado até hoje por muita gente. Foi muito gratificante ter feito parte da vida de gente que me escreve até hoje comentando essa revista. 


Não vou dizer que foi apenas mais um trabalho entre tantos outros. Escrever aquela edição foi, realmente, um dos trabalho mais divertidos que fiz em uma época muito especial da minha vida.

(Agradecimentos a Matheus Mossman, que me ajuda a lembrar de
coisas que ficaram esquecidas em algum canto da memória.)

Extra!! Um fã postou scans em PDF da Herói 10 para leitura on-line ou downloadConfira:


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24 comentários:

Reinaldo Cardoso de Almeida disse...

Olá, Nagado!
Essa edição é memorável e tenho até hoje..lembro que foi a 1ª revista Herói que comprei na banca..gostei tanto que fui à caça dos números anteriores rsrs
Edição histórica essa Herói 10...outra edição que tenho como relíquia é a edição nº24 com matérias de Cybercop/Kamen Rider ZO ..

Ale Nagado disse...

Olá, Reinaldo!

Essa edição 24 talvez seja a segunda que mais marcou minha passagem pela Herói, mas tenho ótimas lembranças de várias. No geral, me orgulho do trabalho feito, fazendo a ressalva do contexto da época e de minhas próprias limitações.

Obrigado pelo depoimento.

Abraço!

Matheus Mossmann disse...

Nagado, deixo aqui o comentário que sairia no livro junto com a edição. Infelizmente, por questões de espaço, praticamente todos os reviews das revistas tiveram que ser limados. Abaixo, o da Herói 10. Abraços

" Uma das edições mais antológicas da Herói, a edição 10 foi totalmente voltada aos seriados japoneses. Matéria de capa para os Power Rangers, onde o grande público ficou conhecendo as mutretas entre Saban e Toei para a divulgação dos tokusatsu no ocidente, com um mix de heróis japas trajando suas cintilantes roupas enquanto os heróis civis seriam interpretados por uma galera dos States. Na mesma reportagem, a história de Zyu Ranger, a série que originou Mighty Morphin Power Rangers. Ainda nesta matéria, a história dos primeiros Super-Sentai (isso mesmo, Changeman e derivados tinham uma denominação específica e você, provavelmente, ficou sabendo por esta edição) – ou super esquadrões -, mostrando a cronologia que, à época, ia de Go Ranger (1975) até Kaku Ranger (1994). Black Kamen Rider sempre foi um dos heróis mais queridos pelos fãs no Brasil, que nunca puderam acompanhar o seu episódio final. Nesta matéria, a continuação da série (Kamen Rider Black RX, que, meses depois, em julho, chegaria na Manchete), além de revelar que Kamen Rider é a alcunha de vários motoqueiros com anteninhas que já passaram pela Terra antes da série de Issamu Minami. Um breve resumo sobre as séries anteriores foi mostrado – e que mais tarde apareceriam mais detalhadas na Herói Gold 59 e 60, depois da estréia de RX. Como Kamen Rider foi tema da revista, Shadow Moon foi o Vilão Especialmente Convidado. No campo dos clássicos, Patrulha Estelar de volta à roda. Este foi um dos animes mais queridos por quem acompanhou a fase de implantação da Rede Manchete. Dois tokusatsu clássicos, que também ganharam versão anime: Robô Gigante, de 1967, e Vingadores do Espaço, de 1966, foram os destaques em matérias especiais. Bateu a nostalgia e escorreu a lágrima da galera mais “idosa”: uma edição que só teve Japão e nenhuma matéria de Cavaleiros do Zodíaco. "

César Filho disse...

Essa foi uma das edições que mais gostei da Herói. Ou senão a que mais li e reli na época. Lembro de ter achado estranho o fato do Ranger Verde original ter sido o mesmo ator do Change Pegasus (Shirô Izumi) e da ranger Amarela ser um homem na versão japonesa, o ator do Manabu de Jiraiya (Takumi Hashimoto). Ainda assim fiquei curioso pra saber mais sobre Super Sentai.

Uma pena que ainda exista essa aversão contra os Power Rangers. Mesmo nos tempos de hoje com tanta informação e mito sendo quebrados. Também tive essa raivinha anos depois. Não por causa da Herói, mas por influência e escassez de materiais de tokusatsu na TV há cerca de 10 anos atrás e também por estar enjoado da franquia americana (me recuperei disso). Ainda bem que foi algo passageiro e sempre procurei pesquisar ao invés de alimentar achismos. Hoje em dia curto Power Rangers e Super Sentai com a mesma intensidade e no fundo sempre gostei de ambas as franquias. A nostalgia de ambas falaram mais alto.

Quanto aos spoilers, era algo necessário para a época. Ninguém tinha ideia da ascensão da internet como presenciamos hoje em dia e cada spoiler sobre tokusatsu era um gostinho de "quero assistir essa série inédita de tokusatsu no Brasil". (rsrs)

Ale Nagado disse...

Matheus, que sensacional!!

Essa edição realmente fisgou tanto o pessoal nostálgico quanto a garotada que estava vendo seus primeiros heróis japoneses. E esse seu depoimento complementa a postagem. Eu me lembro de ouvir o dublador Élcio Sodré (a voz do Issamu Minami-Black Kamen Rider e também do Shiriu de CDZ) dizer que ficou sabendo do RX pela Herói. E com isso ficou na expectativa de voltar a dublar o personagem, coisa que felizmente aconteceu.

Faz mais de 20 anos isso... Eu era um moleque feliz, ah ah.

Abração e obrigado pela força de sempre!

Ale Nagado disse...

Olá, César!

Essa questão dos spoilers realmente mudou com o tempo. Tem série que teve matéria na Herói que nunca veio oficialmente pra cá, como Blue Swat, Jetman e outras. Mas muita gente foi ver Jetman sabendo quem morria no último episódio, o que não deixa de ser chato. Mas os spoilers, pelo menos no caso dos tokusatsu, atiçaram a curiosidade de muita gente que ficou querendo ver mais. Aquelas matérias onde eu apresentava a série contando uma geral do enredo e revelando como terminava eram bastante comentadas e o pessoal queria mais.

Vendo por esse lado, o trabalho de divulgação que fizemos teve bastante efeito, formando toda uma geração de fãs.

Valeu! Abração!

Bruno Seidel disse...

Eu já manifestei várias e várias vezes aqui no blog sobre a devoção que eu tenho por essa edição da revista e sobre a importância que ela teve na minha vida. Considero, sem exageros, uma das coisas mais importantes desses meus 31 anos vividos. No post sobre os bastidores da revista Herói, eu até fiz uma brincadeira traçando um paralelo de como teria sido a minha vida se eu nunca tivesse tido a Herói 10 em mãos. Lógico que é tudo um exercício de imaginação, um “efeito borboleta” (não tem como saber o que teria acontecido em duas décadas) mas, ainda assim, de uma coisa eu tenho certeza: a minha vida seria BEM diferente.
A manhã ensolarada de sábado do dia 4 de março de 1995 mudou totalmente a minha trajetória (e a de outras pessoas também). Depois de ter comprado aquela revista ao preço de R$ 1,95, passei o fim-de-semana inteiro lendo e relendo cada matéria. Ficava desenhando os capacetes das dezenas de heróis que apareciam naquela linha do tempo da página 27 e decorando os nomes de todas aquelas séries. Até que, num brainstorm individual, acabei resolvendo criar minha própria série Super Sentai (termo que eu só descobri graças à revista).
Afinal, era super simples um pirralho de 9 anos com seus amigos no interior do RS fazer uma produção repleta de efeitos especiais, pirotecnia e figurinos mirabolantes, né? Hehehehe
Mas na minha ingênua cabeça era. Juntei alguns amigos da escola e criamos os Blast Rangers. Era claramente inspirado nos Sentais japoneses, principalmente Kakuranger (a série mais “recente” na época, segundo a Herói) e Dairanger (que era o visual que eu mais curtia). Mas, ainda assim, o character design, os enredos e os personagens eram todos originais.
Era tudo absurdamente ingênuo e precário, feito com o que a gente tinha à disposição na época (cartolinas, roupas velhas usadas e uma câmera de VHS que eu pegava escondido do meu pai). Mas a ideia seguiu de pé durante toda a minha adolescência. E isso foi um fator fundamental para me afastar da rotina padrão de um adolescente: eu passava mais tempo bolando enredos pros Blast Rangers do que jogando bola ou frequentando baladas. Estava formado um sujeito que hoje seria chamado de “nerd”.
A maioria dos meus amigos eram os demais Blast Rangers, pois a gente passava muito tempo “brincando de Super Sentai”, bolando enredos de episódios épicos (que nunca saíram do papel) e mergulhando fundo nessa ideia. Cheguei a trocar de escola várias vezes, mas nunca perdi o contato com esses amigos, justamente por termos um “projeto de pé”. Os Blast Rangers eram a desculpa pra mantermos nossa amizade viva mesmo em escolas diferentes.
Eis que em 1999, quatro anos depois, a Herói 10 voltou a ter outro papel importante: foi quando tive meus primeiros contatos com a tal da internet. Eu usava o Cadê (muito antes do Google) pra digitar termos como “Super Sentai” e acabei caindo em sites como o Tokusatsu Tyosenshu, Tokusen e Tokyo Space... Acho que eu fui o único adolescente à época que passou mais tempo na internet pesquisando sobre Super Sentais do que na putaria.
Foi o início da minha jornada na “Tokunet” (termo usado na época para designar os sites e fóruns de discussão sobre Tokusatsu). A paixão por produções do gênero só aumentou desde então.
つづく

Bruno Seidel disse...

Lógico que eu passei por todas as etapas que um “adulto normal” precisa passar até chegar no emblemático momento da “escolha da profissão” (ou escolha do curso na faculdade). Naquela época, o que eu queria mesmo era ser “produtor de série de Tokusatsu”. Mas vai explicar isso pros pais, né? O que havia de mais próximo disso era o recém inaugurado curso de “Produção em Mídia Audiovisual” da Unisc. Esse era, porém, um curso muito novo, concorrido e “incerto”. Seria mais inteligente prestar o Vestibular pra Publicidade e Propaganda, que era da mesma área (Comunicação Social) e menos concorrido. Além disso, havia gente me aconselhando: “Bruno, você é criativo, gosta de desenhar, de escrever, de contar histórias... Publicidade é o curso perfeito pra você.”
Difícil dizer se eu teria cursado Publicidade e Propaganda sem todo esse histórico proporcionado pela Herói 10. A verdade é que foi graças à faculdade que eu passei a trabalhar na própria Unisc (antes mesmo de concluir o curso, inclusive). E foi graças ao meu trabalho na Assessoria de Comunicação da Universidade que eu conheci a minha esposa, novos amigos, novos colegas...
E foi graças aos Blast Rangers que muitas outras amizades surgiram. Muitas pessoas acabaram se conhecendo e até casais se formaram. Alguns desses casais resultaram em filhos (sim, existem pessoas que só existem hoje por causa disso). E sabe-se lá quais outras histórias interessantes eu não faça ideia de que existem por aí.
Tudo por causa da Herói 10.
Então, pra mim, nunca é exagero relembrar o impacto que essa revista teve na minha vida. Essa edição específica! Foi muito mais do que um exemplar marcante, polêmico e esclarecedor. Foi um divisor de águas. E quem convive comigo sabe que o sentimento de amor que eu tenho por essa publicação é algo muito difícil de mensurar. Toda vez que eu visito uma banca de revistas usadas e encontro um exemplar da H10 eu compro (já cheguei a comprar dois exemplares duma vez só: da tiragem original e da reimpressão); mandei fazer um quadro com o pôster da H10 que veio junto ao livro da Herói; enfim... Freud deve explicar isso, né? Hehehehehehe
Possivelmente, essa não será a última vez que irei repetir essa história. Ela tende a me acompanhar pelo resto da vida, assim como as muitas transformações que só ocorreram por causa dela. E se a Herói 10 representa um dos capítulos mais importantes da minha história, o nome de ALEXANDRE NAGADO não pode deixar de ser mencionado.
Digo isso porque se não fosse pela sua participação, Nagado, os editores da Herói dificilmente achariam um substituto à altura. Talvez até encontrassem algum expert em produções japonesas para traçar esse paralelo entre Sentais e Power Rangers, mas eu duvido que teríamos uma edição tão lendária e marcante como foi essa.
Aliás, Nagado, o que teria acontecido se você não tivesse colaborado? Teriam achado outra pessoa pra escrever a mesma coisa ou simplesmente trocariam de pauta?

Ale Nagado disse...

E aí, Mr. Bruno!

Caramba, que depoimento fantástico! A gente realmente não faz ideia do que um trabalho pode significar para outra pessoa. Por isso temos que fazer tudo sempre com dedicação. Fico muito contente e lisonjeado por suas palavras, obrigado.

Eu realmente não sei como teria sido sem minha participação. Desde meus primeiros contatos com o fandom, conheci gente que manjava muito mais do que eu em todos os assuntos pelos quais me interessava. Porém, um mérito que carrego até hoje é a diversidade de interesses e capacidade de criar conexões entre os assuntos, fazendo uma coisa puxar a outra. Eu já trabalhava com desenho e HQ e era pontual no cumprimento de prazos, o que foi importante (e é assim até hoje). Eu não tinha conhecimento muito aprofundado, mas tinha uma boa base na maioria dos assuntos e era capaz de explicar de um modo simples. Esse foi o diferencial, ser didático.

Power Rangers tinha popularidade e seria pauta de qualquer jeito, mas talvez Super Sentai não tivesse muito destaque na edição. De qualquer forma, é impossível saber. Só sei que eu estava no lugar certo, na hora certa e estava preparado. A redação era feita de jovens. Os donos da editora tinham menos de 30 anos. Eu e o Greco tínhamos 24 anos, mais ou menos a mesma idade do Odair Braz Junior (o editor). Era trabalho, mas também era uma grande diversão pra gente.

Não me canso de dizer o quanto me orgulho de ter feito parte da vida de muitas pessoas com um trabalho que foi, para mim também, muito importante.

Valeu! Abração!
Foi uma conjunção de fatores e abriu muitas possibilidades em minha vida.

Anderson disse...

Devia ser mais fácil odiar Power Rangers no início quanda a adaptação era muito
amadora e os sentais muito melhores(apesar de Dairanger ter iniciado a tendência
de monstros muito absurdos).Lembrando que a primeira temporada de Power Rangers
causou polêmica por ser muito "violenta" e quando Lord Zedd apareceu as reclamações
dos pais aumentaram e influenciado a série a ficar um bom tempo com histórias muito
bobas e vilões excessivamente idiotas, e outras adaptações como Masked Rider e
Beetleborgs seguiram uma linha ultra-cômica para agradar aos pais,mas o pouco sucesso
incentivou a Saban a mudar o jogo em Power Rangers in Space.Hoje a Toei parece passar
uma certa crise de criatividade com o visual do próximo Kamen Rider parecer ser feitp
para Ishinomori se revirar no túmulo.Mas voltando aos Rangers, a grande vantagem é
poder se conectar com seu público-alvo no Brasil(Ultraman no Crunchyroll ainda é para
um nicho).Acho que nessa época de humor negro e bizarro dominando os canais infantis,é importante uma série infantil onde os personagens ainda tem ideais nobres
em vez de simplesmente seguir modinhas.

Ale Nagado disse...

Olá, Anderson!

Realmente, sinto falta de ver heróis que lutam por ideais sem ironias e sarcasmo.

Mas queria fazer um reparo: monstros bizarros são uma tradição em Super Sentai. Basta ver a galeria de inimigos do primeiro grupo, o Goranger. Havia monstros tipo "homem-piano", "homem-TV", "homem-bola-de-beisebol" e por aí vai. Esse estilo de inimigo começou a voltar em Jetman e grande parte do público japonês adora esse tipo de coisa.

Em TV aberta, acho difícil ver algo além de Power Rangers, mas acho que o streaming vai é conseguir cada vez mais público. Ao menos, é o que espero.

Abraço!

Usys 222 disse...

Saudações!

Reli a revista e mais uma vez percebo o quanto era difícil escrever sobre esse assunto nessa época, com material tão escasso e com pouquíssimos recursos, mas mesmo assim conseguindo fazer um bom trabalho, explicando tudo e como funciona.

Mais do que isso, foi algo que valeu a pena pois inspirou muita gente a pesquisar mais sobre as séries e desenhos japoneses. Havia erros, é claro, mas mesmo nos dias de hoje, me deparo com novos fatos sobre vários assuntos que achava que já tinham sido totalmente explorados e até mesmo desmentindo coisas em que acreditava.

E bom ver que você teve apoio de gente que acreditou no seu trabalho e em suas propostas, visto que nessa época se tratava de um tema jogado para escanteio pela "imprensa profissional". Me lembro até hoje de uma matéria em um jornal de grande circulação que falava de Ultraman, mas com certo escárnio, mencionando por exemplo que "os aviões voavam desafiando todas as leis da física".

Mesmo o tokusatsu era tratado como algo "inferior" por entusiastas de cultura pop japonesa desses tempos, como notava em alguns grupos de fãs. Desde essa época já havia esse tipo de polarização, algo que desaprovo com todas as minhas forças. Tanto por um lado quanto pelo outro. Ou melhor dizer, não deveria haver "lados".

De qualquer jeito, o Ricardo trouxe uma ótima pauta. E pode se orgulhar do trabalho feito na Herói, pois esse foi um enorme marco e a prova é todo esse pessoal que veio comentar aqui!

Guyferd disse...

Sempre me sinto uma onda bacana de saudosismo ao ler qualquer coisa sobre a Herói. Mais ainda ao ler o relato do redator de várias daquelas matérias que saciaram minha curiosidade.

Beleza de post, Nagado!

Um tanto irônico eu diria, mas tanto Power Rangers foi avacalhado por ser infatilóide, e hoje a Toei está indo num caminho bastante estranho, a se analisar pelo próximo Kamen Rider, Ex-Aid (ainda que sejam séries para crianças).

E séries de outras produtoras, como a Moonwatcher/Synergy Media (Legend Hero) e Alpha Animation (Armor Hero Lava e Captor) conseguindo fazer séries para o público infantil, infanto-juvenil e até adulto, englobando bons efeitos, personagens, visual e roteiro.

Adoraria que estas séries tivessem sido feitas naquele tempo para você escrever sobre elas, Nagado \o/

Ale Nagado disse...

Obrigado, Mr. Usys!

É gratificante mesmo ter esse reconhecimento. E você tocou num ponto importante. O fandom sempre teve seus preconceitos e tokusatsu era um assunto ridicularizado perante certos "entendidos". Ainda hoje, muita gente desdenha tokusatsu. Vi na web gente revoltada com Hideaki Anno por ele ter resolvido dirigir um filme do Godzilla ao invés de continuar com Evangelion. A impressão que tenho é que os fãs daqui são mais xiitas, mais radicais que os japoneses. Nós sempre fomos contra esse tipo de divisão e fico feliz porque nossos blogs mostram essa visão plural da cultura pop japonesa. E temos encontrando gente que partilha dessa opinião.

Abraço!!

Ale Nagado disse...

Fala, Mr. Guyferd!!

Obrigado pelo apoio de sempre! Essas séries que mencionou eu ainda não tirei um tempo pra ver. De repente, alguma ainda vira pauta por aqui.

E certamente teriam sido pauta na Herói, pois sempre estávamos em busca de pautas inéditas, de produções desconhecidas para apresentar ao público.

Abraços!

Ricardo disse...

Nagado, antes de mais nada agradeço por ter recepcionado e respondido minha dúvida.

Como já disseram acima, a Herói 10 foi um verdadeiro divisor de águas. Eu já sabia que existiam séries inéditas no Brasil graças às contracapas das fitas VHS da Everest que traziam fotos de heróis desconhecidos (que graças à revista descobri ser Bioman), mas nunca imaginei que houvesse um universo tão amplo.

Eu ficava olhando para aquelas fotos, imaginando como seriam as aventuras daqueles heróis. Com o passar dos meses apareceram outras matérias, em que você abordava algumas dessas séries, bem como trazia informações sobre as produções que havíamos conhecido (a edição 22, com a matéria sobre o Jaspion foi folheada por mim quase tanto quanto a Herói 10).

Acho que a sua maior qualidade enquanto escritor e analista de cultura pop é que você conseguia incluir informações mais técnicas de maneira fluída no texto (como informar que o roteirista de Jaspion, Shozo Uehara havia trabalhado em "O Regresso de Ultraman" - o que me levou a sempre prestar atenção em qualquer episódio de série, desenho ou filme aos créditos dos escritores), sem que ele ficasse chato.
E você mantém essa característica no blog, claramente com um refinamento maior proporcionado por toda a bagagem e experiências de vida que acumulou.

Novamente, obrigado pela resposta e por todo o trabalho.

Ale Nagado disse...

Ricardo, eu que agradeço, pela gentileza, apoio e participação!

Uma das coisas mais legais que eu achava era poder soltar nomes de envolvidos nas produções, especialmente roteiro, direção e trilha sonora, fora os atores. Nomes como Shozo Uehara, Keita Amemiya, Eiji Kawamura, Hironobu Kageyama e outros eu devo ter sido o primeiro a divulgar no Brasil. Infelizmente, eu não dava a devida importância ao trabalho do produtor, que eu achava que se restringia mais à parte burocrática e de orçamento. O que eu fui descobrindo é que muitos produtores eram de fato os criadores de tantas séries e, antes tarde que nunca, prestei homenagens ao grande Toru Hirayama aqui mesmo no blog. Muita coisa fui compreendendo melhor ao longo do tempo e o resultado disso está no Sushi POP. Mas certas motivações continuam, como apresentar artistas e criadores ao público interessado.

Valeu! Abraço!!

Anderson disse...

Ralmente os monstros esquisitos são uma tradição , mas vendo
Changeman e Flashman no Wow Play! é difícil não achar os inimigos
mais bestiais daquela época melhor .Eu até li outro dia que o atual
Power Rangers Dino Charge é adorado pelos fãs antigos por seu enredo
mais original,mas as crianças americanas (principal público )preferem
os menos criativos PR Samurai e PR SuperMegaforce porque os antagonistas de Shinkenger e Gokaiger parecem mais malignos em
comparação com os vilões mais coloridos de Kyoryuger.

Aniki disse...

Fala, Nagado.

Esse realmente foi um trabalho de garimpo realizado para a Herói. E não nego que fui um dos que embarcou na aura de repúdio em relação aos seriados adaptados pela Saban(nem tanto por causa de Power Rangers, mas mais por causa de VR Troopers, já que reciclaram(e mal) seriados que já tinham sido exibidos no Brasil).

Não acompanhei a Herói no começo, passei a ler a partir da edição 30 e só depois fui atrás dos números anteriores até chegar na edição 10. Mas por outro lado eu ainda mantinha a curiosidade de ver os seriados originais. Aliás, eu não era tão intolerante assim, tanto que vi o filme dos Power Rangers no cinema.

Talvez o que realmente tenha deixado os fãs bronqueados seria uma suposta cláusula do contrato da Saban com a Toei que impediria que outros países comprassem os direitos dos seriados originais e somente a versão Power Rangers é que seria vendida para o resto do mundo.

Um ponto que acredito que os fãs acabam se esquecendo é que Power Rangers sempre teve apoio de grandes empresas para produção e comercialização de seus episódios: Fox, Disney e atualmente a Nickelodeon. Enquanto os seriados originais sempre dependeram de distribuidores menores e independentes. A Toei não é tão influente no ocidente e até onde sei sequer existe uma 'Toei Company do Brasil' para cuidar dos interesses da empresa.

Com o passar dos anos e a possibilidade de ter acesso aos seriados originais mais as informações de diversos blogs sobre ter ou não proibição da comercialização das versões originais japonesas e com a consciência de que no fim tudo é um negoócio esse sentimento foi diluíndo e honestamente sou indiferente quanto à versão apresentada. Eu diria que esse repúdio que alguns fãs ainda sentem está mais para egoísmo mesmo.

Abraços.

Anderson disse...

Sobre VR Troopers eu li sobre o assunto, e Saban sempre quis lançar
Metalder nos Eua em sua versão original mesmo, mas recebeu a tradicional rejeição das emissoras, então depois de lançar Power
Rangers tentou adaptar Metalder como Cybertron, mas o piloto não
teria agradado muito então a solução foi enfiar Spielvan no
liquidificador para tentar criar um supergrupo aproveitando o
sucesso dos Rangers,mas a Saban não conseguiu nemhuma fantasia
original das 2 sèries e o resultado foi aquilo que está disponível
no Netflix.Parece que chegaram a cogitar adaptar B-Fighter como a
terceira temporada de VR Troopers faciltando que os heróis lutassem
mais juntos e com fantasias originais,mas naquela época pais estavam
furiosos com a "violência" dos Tokusatsu americanizados, então
cancelaram Troopers e realizaram a loucura chamada Beetleborgs.

Ale Nagado disse...

Fala, Aniki!

Sobre esse problema dos Power Rangers impedirem a compra das séries japonesas originais, vou contar o que eu sei. Na época em que tinha contato com a Tikara Filmes, fiquei sabendo que, quando estreasse o Masked Rider (a versão "sabanizada" do Kamen Rider Black RX), deveria cessar a comercialização de produtos com a marca RX. Existia sim um contrato de prioridade de licenciamento para as versões da Saban. Da mesma forma, tudo ligado a Spielvan e Metalder deveria cessar a comercialização quando estreasse VR Troopers.

Em momento algum eu ouvi que as séries não poderiam ser exibidas, mas que o merchandising deveria cessar. E o único interesse das distribuidoras independentes era que pudesse negociar produtos ligados às séries. Sem isso, não havia mais interesse em negociar espaços em grade de programação e nem em renovar contratos de exibição. Isso foi o que pesou.

Então, pode-se dizer que sim, as séries da Saban inviabilizaram a vinda de séries originais japonesas, pois havia uma prioridade de merchandising. Mas uma emissora poderia, se quisesse, tentar negociar direto com os japoneses. Que não tinham nenhum interesse em concorrer com seus próprios personagens. No fim, foi tudo interesse comercial.

Espero ter esclarecido, mas como o alcance deste blog é bem limitado, sei que ainda se falará muito sobre isso. Eternamente.

Abração!!

Ale Nagado disse...

Anderson:

Obrigado pela contribuição, agregou boas informações ao contexto. Eu tinha certa vergonha alheia quando apareciam monstros muito estapafúrdios. E até hoje, tendo a gostar mais de inimigos mais ameaçadores, mas é questão de gosto. Mas isso está perfeitamente inserido na tradição Super Sentai.

Valeu! Abraços!

Synbios disse...

Lembro que comprei a Herói 10 em um domingo de manhã, no Carnaval de 1995 eu sofri um acidente e fraturei o braço esquerdo, e lembro que essa edição foi a primeira que comprei depois dele, e ela me ajudou um pouco a me distrair, já que eu naquela época era rato de fliperama e por causa do acidente fiquei 6 meses sem jogar fliper, e como naquela época também os Cavaleiros do Zodíaco estavam em reprise, meu grande passatempo na época foi a revista HERÓI. Sobre os PR, apesar da sensação negativa que a revista acabou deixando, nunca tive muita raiva deles não, eu ficava chateado mesmo era com os VR Troopers meses mais tarde(mais que no fim das contas acabei assistindo).

Sobre os spoilers, uma coisa que acho curioso na internet, dois fandoms diferentes se comportam de maneira totalmente oposta em relação oposta à eles. Enquanto o fandom geek/nerd(anime/mangá/cinema/séries, etc), tem ódio mortal de spoilers, a ponto de amizades no Facebook terem sido desfeitas na época do episódio 7 de Star Wars/Guerra nas Estrelas, o público de novelas AMA spoilers, a ponto de até hoje algumas revistas sustentarem suas vendas nas bancas com a sua publicação, e a Globo com seu site Gshow publicar eu seu espaço spoilers de suas próprias novelas com grande sucesso.

Ale Nagado disse...

Olá, Synbios!

Muito bem lembrado esse lance dos spoilers de novela. Realmente, são reações diferentes.

Que belo depoimento o seu, pois a revista ficou em sua memória também pelas circunstâncias que aconteceram com você. A gente nunca sabe de que forma um trabalho vai marcar a vida de alguém.

Obrigado pela participação e espero que encontre matérias do seu interesse aqui no Sushi POP.

Abraço!