segunda-feira, 18 de abril de 2016

One-Punch Man

O herói que liquida qualquer inimigo com
apenas um soco. Uma sátira impiedosa
a todo tipo de super-herói.
Vivendo na instável cidade Z, constantemente ameaçada por monstros e supervilões, o jovem Saitama é um super-herói. Mas não um super-herói qualquer. Capaz de derrotar qualquer ameaça com apenas um soco, ele é incrivelmente poderoso, mas luta contra um inimigo interno: o tédio. 
Sem muitas motivações nobres, sabedoria ou inteligência, Saitama vive uma existência infeliz e tediosa. Seu sonho é encontrar uma ameaça à altura de seu poder, capaz de lhe proporcionar um desafio real. Ao seu redor - ou por causa dele - a destruição causada pelos monstros causa milhares de baixas civis, mas ele não se importa muito. Não que ele seja frio ou indiferente, mas isso acontece por ele ser pouco inteligente e, por isso mesmo, muito inconsequente. 
Saitama em um momento sério e introspectivo.
Não se deixe enganar. Pensar muito não é com ele.
Em uma de suas batalhas, salva o herói ciborgue Genos, que implora para ser seu discípulo quando constata o poder de Saitama. Genos parece um típico herói japonês dos anos 1970. Transformado em ciborgue contra sua vontade, mais máquina do que humano, trilha um caminho solitário de vingança em busca do assassino de sua família enquanto luta contra as forças do mal. Ele e Saitama são diferentes em tudo e por isso mesmo a combinação de suas personalidades cria situações divertidas e inusitadas.

E é assim, com violência gratuita e muito humor que se desenrolam as aventuras de One-Punch Man, uma impiedosa sátira aos super-heróis japoneses e americanos. 

O uniforme do "herói", com capa, luvas e botas, não lhe cai bem, pois seu físico é franzino e nada imponente. E ainda é careca, fato que será explicado posteriormente. Enquanto Saitama segue (ou tenta seguir) um visual de herói americano (mas sem a sunga por cima da calça), Genos representa o típico herói japonês clássico. Nessa salada de situações, nada é perdoado, com referências a Dragon Ball Z, Ataque dos Titãs e muitas outras produções. 

De Anpanman a One-Punch Man:
À esquerda, a "inspiração" Anpanman;
ao centro, Saitama no traço de ONE,
na webcomic original.
Finalmente, a interpretação
de Yusuke Murata.
O nome original da série é Wanpanman (ワンパンマン), que parece uma contração à japonesa de One-Punch Man, mas também é uma alusão ao herói-mirim Anpanman  (アンパンマン), bastante popular entre as crianças japonesas. One-Punch Man nasceu na internet, como uma webcomic, em 2009. A arte do criador ONE era muito canhestra e tosca, mas o personagem virou um fenômeno de popularidade e ganharia chance de aparecer na Young Jump Web Comics, da Editora Shueisha, em 2012. Mas desta vez, haveria um desenhista profissional ilustrando as ideias malucas de ONE, o talentoso Yusuke Murata. A série emplacou e já rendeu 10 volumes compilando suas aventuras. 
Saitama e Genos na versão animê.
Em 2015, ganhou uma curta versão em animê, com apenas 12 episódios. No final de 2015, ainda ganhou o primeiro de sete capítulos especiais feitos direto para DVD/Blu-ray. A produção das animações é do Studio Madhouse, o mesmo de Parasyte, Hunter x Hunter, Death Note, Chobits e muitos outros títulos. A Madhouse também produziu verões em animê de personagens americanos como o Homem de Ferro, Wolverine Batman

One-Punch Man é um mangá insano, cheio de referências à cultura pop tanto japonesa quanto americana, tem uma arte de encher os olhos e cenas de ação cheias de impacto. Satiriza ícones pop e sucessos de público e tem um senso de ritmo impecável. Justifica o sucesso e repercussão que tem obtido. Com tudo isso, acompanhar as aventuras de Saitama é um belo nocaute no tédio. 

Nota: Meu exemplar cortesia enviado pela Panini veio com um defeito de impressão. Cerca de 30 páginas se repetem, enquanto o capítulo 5 do volume 1 foi cortado. Avisei pelo Twitter e pela assessoria de comunicação, mas ninguém respondeu. Espero que seja um problema isolado. Em todo caso, é melhor comprar em banca ou livraria para folhear entre o capítulo 4 e o 6 para ver se está tudo ok. 

One-Punch Man

Roteiro: ONE 
Arte: Yusuke Murata
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 208 páginas
Total de volumes: 10 (ainda em produção no Japão)
Lançamento no Brasil: Março de 2016
Preço: R$ 16,90
Distribuição: Bimestral
- Classificação indicativa: Para maiores de 14 anos.

Extras:

- "The Hero !!", o tema de abertura do animê de One-Punch Man, com o
 JAM Project. Uma canção poderosa para um herói idem.



- Uma versão do tema, gravada por Ricardo Cruz, o brasileiro que é membro honorário do JAM Project. A gravação foi feita sobre a base instrumental original para seu canal no YouTube e foi publicada no último dia 31 de março. 

7 comentários:

Bruno Seidel disse...

Conheci One Punch Man no ano passado, quando assisti aos 12 episódios da primeira temporada. Já é, seguramente, um dos meus animes preferidos! Ainda não tive a oportunidade de ler o mangá, mas pretendo comprar assim que o ver na banca (e conferir esse "problema" de impressão).

Considero OPM uma excelente "sátira" sob medida aos super-heróis, sem perder o respeito aos fãs e à essência dos mesmos (muito pelo contrário). Costumo até comparar One Punch Man com o que Akibaranger foi para os Super Sentais.

A julgar pela sinopse, pode parecer uma produção sem grandes emoções e "desafios": Saitama é tão forte que derrota seus adversários sem qualquer tipo de esforço. Mas, superando todas as expectativas, temos uma história repleta de momentos emocionantes e cenas hilárias. Sem falar nos muitos personagens interessantíssimos com character designs de primeira!
Todo e qualquer tipo de clichê vira alvo de ONE nessa série: o vilão canastrão, o herói que busca se auto-superar com desafios sempre mais fortes, o orgulhoso samurai, inimigos prepotentes, extraterrestres, monstros abomináveis, sindicatos secretos...

Outra coisa interessante que me chamou atenção em One Punch Man são algumas críticas veladas e sutis. Além dos deboches aos clichês, temos também uma interessante crítica sobre o Sistema de Ensino! Repare: Saitama é indiscutivelmente o personagem mais forte da estória (talvez o mais forte de todo entretenimento), mas é classificado como um herói "nível C" (e posteriormente nível B). Mas devido ao seu mau rendimento numa PROVA (??) ele acaba sendo categorizado como um herói mediano. É o que o nosso sistema de ensino faz com as pessoas: categoriza crianças em idade escolar através de testes padronizados, subentendendo que todas as pessoas da mesma sala de aula possuem talentos e aptidões equivalentes.

Enfim... achei muito legal ver One Punch Man (finalmente) ganhando seu merecido espaço aqui no blog porque sou um grande fã dessa série e estou ansioso pra ver a segunda temporada do anime. Taí uma produção que faz jus a todo o sucesso e aos elogios fervorosos que vem recebendo.

Natália Maria disse...

Quero muito comprar One-Punch Man. Creio, meu caro Ale que o seu exemplar foi um caso isolado. Ando lendo poucos mangás ultimamente (só acompanhando Aoharaido e 20th Century Boys, que poderia ser justificado pelo pouco dinheiro e também o crescente interesse em publicações americanas), e One-Punch Man conseguiu chamar a minha atenção, talvez por sair um pouco dos clichês dos mangás shonen (que convenhamos, cansa um pouco depois de anos e anos lendo a mesma receita).
Talvez eu faça um post sobre. Faz tempo que não faço
Seu post ajudou a reforçar que eu preciso comprar esse mangá para poder conferir em mãos a engenhosidade.
Até

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno!

Pelo visto, você curtiu mesmo o "Wanpanman"!

A série é divertida mesmo, com um pé no humor negro, mas sem virar algo sádico demais. A verborragia do Genos me fez rir, pois ele parece um refugo dos anos 70, com toda sua dramaticidade. Esse lance que mencionou sobre sistema de avaliação escolar é pertinente, sem dúvida. Outra coisa interessante parecer ser uma brincadeira com os modernos filmes de super-heróis (especialmente da DC), com sua escalada de batalhas apocalípticas em que o herói acaba causando tanta morte e destruição quanto o vilão.

Certamente, vou conferir o volume dois quando sair.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Oi, Natália, há quanto tempo!

Olha, quanto mais a pessoa conhecer heróis americanos e japoneses, mais vai curtir o One-Punch Man. Há uma cena tragicômica envolvendo um genérico do Titã Colossal de Ataque dos Titãs que vale ler e reler. Não vou contar pra não estragar a leitura, mas devo dizer que foi nesse episódio que a série ganhou minha simpatia em definitivo. A brincadeira com os clichês faz da leitura uma experiência muito divertida.

Recomendo. Depois vou querer saber o que achou.

Abraço!

MARCELOVITCH disse...

0 melhor anime que ja assisti...
pena ñ ter nd a altura, mas vou assistindo outros...
*o manga tb é otimo!

Ale Nagado disse...

Olá, Marcelovitch!

Hum, estou bem tentado a tentar ver a série em animê. Então, existe um "efeito One-Punch Man", de achar tudo chato depois de conhecer o Saitama, ah ah. :-D

Bom, espero que além dessa resenha você descubra outros posts interessantes por aqui. :-P

Valeu! Abraço!

Unknown disse...

Análise mais interessante que a original do blog. Muito bem escrita. Parabéns.