segunda-feira, 28 de março de 2016

Clássicos do pop japonês: Dançando com Mio Takaki

Um grande clássico do pop japonês eternizado na voz de uma atriz que marcou presença na franquia Ultraman.
Mio Takaki como a Capitão Iruma, de Ultraman Tiga.
Muito antes da série, cantou um grande sucesso do pop japonês.
Quando a série Ultraman Tiga (de 1996) chegou ao Brasil em 2000 pela TV Record, o público fã de seriados tokusatsu teve contato com a atriz Mio Takaki, que interpretou a Capitã Megumi Iruma, a primeira mulher em posição de comando em uma produção da franquia Ultra. 

Aos 36 anos, sua bela personagem chamava mais a atenção do que Rena, o interesse romântico do herói, interpretada pela então jovem atriz Takami Yoshimoto. A personagem Iruma era maternal, firme e uma líder bastante diferente dos tradicionais militares que normalmente aparecem nessas produções. Um dos nomes mais badalados do elenco, no Japão, Mio Takaki já era uma estrela da mídia muitos anos antes de Tiga. 


Dance wa umaku odorenai (ダンスはうまく踊れない)
A gravação original, de 1982 (somente áudio). Mio Takaki tinha 22 anos na época. 

Nascida em 31 de dezembro de 1959 na província de Fukuoka, Mio Takaki trabalhou em TV, teatro e cinema, tendo estrelado diversos comerciais de TV e lançado livros com ensaios fotográficos, alguns bastante sensuais. 

Atriz, modelo e cantora, causou furor ao estrelar uma produção italiana cheia de erotismo, intitulada The Berlin Affair, filme ítalo-alemão de 1985 que chegou a ser exibido no Brasil. Em seu país ela trabalhou também em Ultra Q - The Movie, filme da Tsuburaya Pro de 1990 sobre o antigo seriado de monstros que antecedeu Ultraman em 1966. 

Em 1991, atuou ao lado de Tom Saeba (o Saturno de Cybercop) em um filme trash inacreditável chamado Onna Rambo ("Mulher Rambo"). [Nota: Confira trecho aqui. Veja por sua conta e risco.] Em 1995, foi vilã em um filme da franquia de terror Echo Echo Azarak intitulado WIZARD OF DARKNESS. Quando Tiga foi anunciado, seu nome foi um dos mais badalados do elenco, perdendo só para o ator principal Hiroshi Nagano, da boys band V6.


Mio Takaki durante uma apresentação em programa de TV em 2015.
Mesmo tendo passado dos 50 anos, ainda conserva beleza e carisma.

Mio Takaki:
Beleza na maturidade.
Vivendo um novo auge de carreira com a personagem Iruma, ela reprisou o papel no filme Ultraman Tiga e Ultraman Dyna e na série de Dyna, entre 1997 e 98. Voltaria ao papel em Ultraman Tiga - A Odisséia Final, de 2000. Ainda assim, a imagem de heroína não chegou a ofuscar seu passado como cantora, lembrado até hoje. 

Em 1982, sua carreira musical até então modesta rendeu um grande e arrebatador sucesso: "Dance wa umaku odorenai" (
ダンスはうまく踊れない), que pode ser traduzido por "Eu não consigo dançar bem". É uma canção sentimental, onde a intérprete diz que não consegue dançar sem a pessoa amada. 

Originalmente gravada por Seri Ishikawa em 1977, a canção não teve muita repercussão na época. Regravada por Mio Takaki, foi tema de um drama de mistério para TV chamado "Kako no Nai Onna Tachi"  ("Mulheres sem passado") e virou um hit, com mais de 800 mil cópias vendidas. 

Foi a consagração da jovem estrela como cantora e foi o maior sucesso de sua carreira musical. Sua voz suave e interpretação delicada conquistaram o público e a música ganhou numerosas versões depois disso, sendo regravada por nomes como Akina Nakamori, Hideaki Tokunaga e Naoko Ken, entre outros. 


Yosui Inoue, um dos grandes
nomes da história da
música japonesa. 
A composição foi de Yosui Inoue, um dos mais importantes autores da música pop japonesa. Ele assinou vários sucessos ao longo de uma excepcional carreira iniciada em 1969. 

Nascido como Akimi Inoue em 31 de agosto de 1948, começou a cantar profissionalmente aos 21 anos, época em que usava o pseudônimo Andre Candre. Mudou para Yosui Inoue em 1971 e teve muito êxito como cantor folk, tornando-se também um compositor dos mais bem-sucedidos do país. Em 1978, casou-se com a estrela Seri Ishikawa, com quem vive até hoje. 

Ele escreveu várias letras para o grupo Anzen Chitai, cujos integrantes tocaram para ele como banda de apoio em início de carreira. Com o Anzen Chitai, Inoue gravou um célebre dueto em "Natsu no owari no harmony" (ou "Harmonia de fim de verão"), grande hit de 1986. Fez parcerias famosas com vários astros e assinou composições para artistas de ponta como Akina Nakamori, Puffy AmiYumi, Koji Sawada e muitos outros. 

A versão de Mio Takaki para "Dance wa umareku odorenai" ajudou a construir a fama de hitmaker de Yosui Inoue para uma nova geração, nos anos 1980. Sem desmerecer o original gravado por Seri Ishikawa, Mio Takaki foi a intérprete ideal para uma canção que merecia uma segunda chance para estourar nas paradas. 

[Nota: Agradecimentos ao Usys222, do blog parceiro Casa do Boneco Mecânico, por informações adicionais.]

Extras:



Seri Ishikawa, que está envelhecendo com muito charme, revisita a canção feita para ela, depois de ter virado cult. Ela se casou com o compositor Yosui Inoue um ano após a gravação original.



Uma versão com a poderosa voz de Akina Nakamori, em dueto com a pianista Akiko Yano em um programa de TV nos anos 1990.



Para encerrar, uma versão com Aki Yashiro, musa da canção tradicional enka. Essa canção tem o poder de agradar vários públicos, de várias gerações. 

4 comentários:

Usys 222 disse...

Essa foi surpreendente! Conhecia a música, mas não sabia que ela tinha sido cantada pela Mio Takaki. Mais do que isso, não sabia que ela cantava!
Eu também achava a Capitã Iruma mais interessante que a Rena. Se bobear, até mais bonita. E pelo visto ela já fez de tudo. Até filme de ação de quinta categoria... Vi e está mais para Comando para Matar, mas... Devido ao elenco, fui ver se o diretor era o Muraishi, mas não era. Ainda bem...

Yosui Inoue é um dos grandes nomes da música japonesa. Uma de suas canções, Shonen Jidai também é muito bonita. E Dance wa umaku odorenai tem uma melodia muito boa, com um tom melancólico, assim como a letra, de fossa. Mas isso é que é bom.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! A música realmente ficou muito famosa e acho que cada época tem sua versão mais famosa. A carreira musical da Mio Takaki foi do tipo "One Hit Wonder", mas teve um impacto razoável. Ela mesma investiu pouco nesse lado, sendo mais atriz mesmo. Legal que eu pude oferecer informação nova pra você, e ainda assim você conseguiu me dar uma força tirando umas dúvidas na pesquisa.

Aquele trecho do Onna Rambo que eu postei é inacreditável de tão ruim. Mas o legal é que ela sempre interpreta a sério, seja o papel que for. Isso é que é ser profissional. Soube que ela andou alguns anos afastada, com problemas de saúde, mas já retomou atividades. Isso talvez explique sua ausência em produções comemorativas da Tsuburaya na década passada.

E finalizando, eu sempre achei ela mais bonita que a Rena (que é belíssima). O último livro de ensaios dela foi feito ainda depois do Tiga, provando que sua popularidade era alta.

Abraço!

Bruno Seidel disse...

OMG!!! Bota trash nesse filme da Mulher Rambo (e concordo com o Usys: tá BEM MAIS para o "Comando para matar", do Schwarzenegger).
Eu sinceramente prefiro a Mio Takaki como atriz do que como cantora, pois nenhuma das suas músicas me empolga muito. No crossover entre Tiga e Dyna, percebe-se que ela é uma atriz bastante respeitada no meio, pois seu papel é de destaque na trama (em compensação, o Hiroshi Nagano sequer aparece no filme).
Não cheguei a procurar tão a fundo os trabalhos mais "adultos" dela (juro), mas ficou a dúvida: ela só se aventurou no erotismo ou também fez filmes pornôs de sexo explícito (como algumas atrizes de Super Sentai)??

Seja como for, sua popularidade ao longo de tantos anos fala por si só e justifica o talento dessa bela artista. Em todos os sentidos.

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno. A Mio Takaki era o grande nome do elenco de Tiga quando a série estreou. Hiroshi Nagano já era conhecido da mídia como membro do V6 (criado um ano antes) e já havia integrado outra boys band, a J-Eleven, quando era bem garoto. Mas nada comparável ao currículo de Mio Takaki.

Eu gosto da voz dela, e seu estilo é mais para bossa-nova (um estilo muito popular no Japão) e folk. Por aí você vê como ela conseguiu marcar em diferentes frentes. Sobre o trabalho adulto dela, parece que o Berlin Affair foi o máximo de ousadia em sua carreira, com nudez e lesbianismo. Nunca fez pornô, mas acredito que tenha feito alguma coisa de Pink Movies, aqueles filmes trash com uma pitada de erotismo, nada muito escandaloso pra quem já viu novelas brasileiras.

Abraço!