RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

To Love-Ru

Lala e Rito Yuuki: O início de uma
comédia romântica cheia de ação. 
Rito Yuuki é um estudante que pensa ter um grande problema pela frente. Ele morre de amores pela antiga colega Haruna Sairenji, mas morre de medo de se declarar. Ele tem na verdade uma timidez e falta de jeito com garotas que beiram o ridículo, e é isso o que vai colocá-lo perante uma série de desventuras inacreditáveis. 

Um belo dia, uma garota linda e nua surge em sua banheira e o que poderia ser um sonho vira um pesadelo. A garota é Lala, a rebelde e meio desmiolada herdeira do planeta Deviluke, que governa boa parte do Universo. Revoltada com a ideia de um casamento arranjado e com muitos pretendentes, ela foge para a Terra com seu robozinho ajudante Peke, que além de conselheiro, se transforma em qualquer tipo de roupa para Lala. Não que ela ligue muito para andar sem nada pela casa do pobre Rito. Sim, pois é para lá que a garota se refugia, para desespero do rapaz, que vai vendo suas chances com Haruna irem pelo ralo. Até então, Rito morava só com sua irmã mais velha, a simpática Mikan


Capa do volume 2, com
a sempre ótima arte de
Kentaro Yabuki. 
Como alienígena de Deviluke, Lala é extremamente forte, pode voar e, além de contar com Peke para se vestir, também tem acessórios especiais, que ela batiza com nomes como "Teleportinho Poin-Poin" (um bracelete para teletransporte) ou o destrutivo "Bastãozinho Pam-Pam". E sim, apesar dela ser uma adolescente com rompantes de mulher atraente, ela também se expressa com aquela fofura infantilizada que os japoneses chamam de "kawaii"

Seguindo cartilha dos mangás do estilo "harém", onde sempre um garoto desajeitado com mulheres se vê cercado de garotas lindas que derretem por ele, logo se forma um triângulo amoroso envolvendo Rito, Lala e Haruna, com muitos sentimentos que nunca são bem revelados ou explicados, gerando mais confusão e problemas. Como se não bastasse, o rei de Deviluke não irá permitir que sua herdeira se refugie na Terra ao lado de um humano patético (e bota patético nisso) e Rito irá descobrir que seus problemas só irão aumentar. As confusões, mal-entendidos, batalhas e perseguições vão deixar Rito com saudades de sua antiga vida pacata. 


O roteiro de Saki Hasemi é um amontoado de clichês e situações previsíveis, mas tudo costurado com muita técnica para que a história nunca fique cansativa. É raso, mas também muito divertido, desde que você goste do estilo amalucado do autor, que não se leva a sério. Situações maliciosas pipocam o tempo todo, deixando To Love-Ru no limite entre os mangás shonen (para garotos) e aqueles feitos para o público adulto. 


To Love-Ru, eleita em 2014
uma das melhores séries da
Shonen Jump em todos os tempos. 

A história casa perfeitamente com o traço de Kentaro Yabuki, um autor conhecido anteriormente pela série Black Cat. Fã de Godzilla, o autor fez uma ponta correndo no meio de uma multidão no filme Godzilla x Mothra x Mecha Godzilla - Tokyo S.O.S., de 2003. Yabuki e Hasemi já haviam trabalhado juntos anteriormente, com o segundo sendo assistente do primeiro em Black Cat. 

To Love-Ru é um trocadilho à moda japonesa com a palavra "trouble" (ou "problema"), que lá é lida como "toraburu" (とらぶる), sendo que "love" é normalmente pronunciado no Japão como "rabu" (com o "ra" de "arara"). Neste caso, foi tudo grafado com o alfabeto hiraganá ao invés do katakaná, normalmente usado para transcrever termos e nomes estrangeiros. No Japão, o título completo é To Love-Ru - Trouble (ou To LOVEる - とらぶる -).


A série foi publicada entre 2006 e 2009 na revista semanal Shonen Jump, gerando 18 volumes encadernados. A Shonen Jump é voltada ao público adolescente, com muitos leitores na faixa dos 12, 13 anos, mas aqui no Brasil a classificação indicativa é de 16 anos. Com suas doses de ação, humor e erotismo leve, virou um grande sucesso editorial e gerou uma série animada de 26 episódios em 2008, além de uma minissérie com 6 episódios em 2009. 

Uma nova série viria em 2010, intitulada Motto To Love-Ru (ou "Mais" To Love-Ru). Com sucesso e repercussão no meio otaku, uma nova série de mangá começou em 2010. É a To Love-Ru Darkness, que ainda está em publicação na revista Jump Square e já rendeu 15 volumes compilados. A fase Darkness já rendeu um OVA (Original Video Animation) de 6 episódios entre 2012 e 2015. A série de TV correspondente foi ao ar em 2012, com 12 episódios. 
Haruna, Rito e Lala na versão animê. 
Uma segunda temporada dessa animação, chamada de To Love-Ru Darkness 2nd foi ao ar em 2015, com mais 14 episódios. E em janeiro passado, saiu o primeiro de três novos especiais para DVD/Blu-ray que dão continuidade à saga. A série também rendeu cinco games, sendo o primeiro deles no estilo visual novel, que é focado em enredos interativos. Tantos desdobramentos são o reflexo do carinho do público pela série. 

Em 2014, To Love-Ru ficou em vigésimo lugar em uma votação que procurou apontar os 20 maiores mangás da história da Shonen Jump, o que não é pouca coisa. (Veja a lista dos vencedores aqui)

To Love-Ru é uma obra despretensiosa, ligeira e clichê, mas é tão bem desenhada e com uma narrativa tão envolvente, que não é surpresa ver que foi tão longe. Editada no Brasil pela Ink Comics, tem a chance de conquistar o público brasileiro que gosta de mangás, acima de tudo, divertidos, apimentados e movimentados.

To Love-Ru

Roteiro: Saki Hasemi
Arte: Kentaro Yabuki
Editora: Ink Comics
Formato: 13,5 x 20,5 cm, com 190 páginas em média
Total: 18 volumes
Lançamento: novembro de 2015 (mensal, com distribuição nacional)

Preço: R$ 13,50
- Classificação indicativa: Para maiores de 16 anos.

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Bullet Armors, outra aposta da Ink Comics
no filão de mangás shonen (para garotos).
Sobre o selo Ink Comics:

- O selo Ink Comics é uma subdivisão da Editora JBC, criado em 2014 para publicar quadrinhos diferenciados de sua linha de mangás. Entrariam quadrinhos nacionais, como o Henshin! Mangá e Combo Rangers, podendo também editar títulos de outros países sem relação alguma com o estilo visual ou narrativo japonês. 

Porém, logo o selo acabou publicando também mangás, como Kill La Kill Savanna Game. Esses mangás seriam, a princípio, títulos alternativos, ousados ou com propostas inovadoras, mas esse conceito se perdeu com o tempo. Assim, To Love-Ru, um título de destaque na gigante Shonen Jump, é uma peça importante para puxar o resto do catálogo da Ink, atualmente capitaneada pelo jornalista Marcelo Del Greco desde que este retornou à JBC em 2015. 

Além de To Love-Ru, a Ink Comics também está publicando a série de aventura Bullet Armors. 

4 comentários:

Adelmo Veloso disse...

Gostei dessa sinopse! Já tinha visto alguém falando desse anime, mas nunca tinha parado pra ler. Clichês são bem complicados, porque amo a maioria deles, e ainda mais harém... Tudo começou com Love Hina: li todos os mangás e assisti a todos os episódios e OVAs, mas ao iniciar Ah Megami-Sama! - não achei a mesma graça por achar o roteiro muito semelhante. Por essa dica de ser bem costurado, farei um esforço pra assistir aos episódios!

Ale Nagado disse...

Fala, Adelmo!

Não sou grande fã de mangás de harém, mas gostei de Love Hina. O primeiro do gênero que li foi Oh My Goddess! e acompanhei o mangá por um bom tempo, através da edição em inglês da Dark Horse. Acho um excelente título.

A princípio eu não ia ler To Love-Ru, mas fui folheando e acabei lendo todo o volume um. É muito bem feito, devo admitir. Se gosta do gênero harém, acho que vai gostar desse.

Abraço!

Usys 222 disse...

Já tinha ouvido falar desse mangá e visto várias figuras dele, assim como artes de fãs, mas nunca tinha me interessado muito. Mas agora sei mais sobre ele graças a essa matéria.

É até difícil de acreditar que esse mangá é da Shonen Jump, que para mim sempre teve a imagem do "Esforço, Amizade e Vitória". De fato, a história me faz lembrar um pouco Urusei Yatsura, da Shonen Sunday. E visto que tem feito sucesso, percebo que os tempos mudaram e a Jump está expandindo seus horizontes.

Mas vejo também que não é para mim. Há algum tempo atrás gostava do tipo "harém", mas acabei perdendo o interesse gradualmente. Não sei dizer o motivo. Talvez a saturação. Atualmente, "kawaii" por "kawaii" prefiro Ika Musume.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! Bem lembrado, realmente To Love-Ru guarda semelhanças com Urusei Yatsurá. E tem chances de emplacar por aqui graças ao desenho, com muita influência do Masakazu Katsura e do Takeshi Obata. Ficarei de olho em outros trabalhos do desenhista. E realmente, esse mangá foge do padrão Jump. Não sabia que era tão popular até saber da votação em que ficou entre os mais queridos do público.

Harém não é minha praia, com duas honrosas exceções: Oh My Goddess! e Love Hina. To Love-Ru eu ainda vou decidir se acompanho mais, darei uma olhada no volume 2. Ao menos, os autores têm muita técnica e isso acaba sendo sempre algo compensador.

Abraço!