sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Angel - A Menina das Flores

É hora de recordar – ou descobrir – a saga de uma antiga aventureira que encantou fãs de desenhos japoneses na década de 1980.

Angel e seus amigos inseparáveis:
A gatinha Katty e o cão Baldo, ambos falantes. 
No início dos anos 1980, fãs de animação japonesa tinham poucas opções para assistir. Nessa época, alguns títulos interessantes foram exibidos na TVS, atual SBT. Um desses títulos foi Angel - A Menina das Flores.

Ao descobrir ser descendente de seres da distante Estrela Floral, a bela adolescente Angélica (Lunlun Flower, no original) deixa o lar de seus avós e parte pelo mundo em busca da lendária Flor-das-Sete-Cores, elemento vital para a salvação de seu povo. Ela carrega um medalhão mágico que transforma suas roupas em qualquer traje de sua imaginação.

Angel, Baldo, Katty e o gentil Príncipe Felipe. 

Angel viaja sempre acompanhada por dois animais falantes vindos da Estrela Floral: o cão Baldo e a gatinha Katty. O trio é sempre perseguido pela ardilosa Malícia e seu ajudante Ivan, que também estão atrás da preciosa flor.

Um enviado da Estrela Floral, o galante Príncipe Felipe, secretamente segue Angel por onde quer que ela vá, sempre a ajudando quando necessário. Felipe sempre aparece em momentos de perigo para Angel, e obviamente surge uma forte ligação entre eles. 


A série tinha um clima ingênuo, onde dinheiro não é problema e Angel, mesmo sendo apenas uma adolescente, viaja de um país a outro sem um adulto a acompanhando e isso não chama a atenção de ninguém. 

Obra original da Toei Animation, um dos destaque da produção foi o desenhista Shingo Araki, que depois trabalharia na série clássica dos Cavaleiros do Zodíaco (1986). Um dos grandes designers de personagens de sua geração, faleceu em 2011, aos 72 anos.

Sucesso na época de seu lançamento no Japão, Angel faz parte de um gênero de animê chamado de Mahô Shôjo, ou Magical Girls, geralmente (mas nem sempre) voltado ao público feminino infanto-juvenil. A primeira Magical Girl reconhecida como tal foi Akko, da série Himitsu no Akko-chan, criação de Fujio Akatsuka. A personagem surgiu em mangá em 1962 e virou animê de enorme sucesso em 1969. Além disso, elementos do gênero são reconhecidos em A Princesa e o Cavaleiro, mangá de Osamu Tezuka lançado em 1953 e cujo famoso animê é de 1967. Sailor Moon, Sakura Card Captor, Glitter Force (PreCure) e até a série adulta Madoka Magica estão nesse gênero, que ao contrário das franquias, não pertence a um estúdio específico. 

Angel e alguns de seus trajes.
Ao fundo, os vilões Malícia e Ivan.
Angel teve um curta-metragem para cinema com 15 minutos de duração, lançado no evento Manga Matsuri ("Festival do Mangá") da Toei, em 1980. O festival reunia especiais de cinema tanto da Toei Animation quanto da Toei Company, que produz heróis de tokusatsu.

No Brasil, a série foi dublada dos estúdios da TVS e ganhou uma abertura totalmente original, composta por Mário Lúcio de Freitas e cantada por Sara Regina, que na época já havia gravado temas para novelas mexicanas exibidas no SBT. A canção é muito bonita e é da mesma safra que incluiu Rei Arthur e Fábulas da Floresta Encantada. Infelizmente, nem SBT e nem a TV Record exibiram o final da série, visto por pouca gente apenas na TV Corcovado (atual CNT), já nos anos 1990. 


Angel foi um pequeno clássico dos animês que passou no Brasil sem muito alarde, mas que conquistou muitos fãs e certamente merecia um lançamento em DVD.

Ficha técnica:

Título original: Hana no Ko Lun-Lun ("Lun-Lun, a Criança das Flores")
Estreia no Japão: 09/ 02/ 1979 (TV Asahi)
Número de episódios: 50
Criação: Shirô Jinbo

Roteiro: Noboru Shiroyama, Hirohisa Soda e outros
Design de personagens: Shingo Araki e Michi Himeno
Trilha Sonora: Hiroshi Tsutsui
Chefe de direção: Hiroshi Shidara
Realização: Toei Animation

Extra 1: Confira a abertura brasileira, com sua bela canção original:




Extra 2: Ouça agora a abertura original, cantada pela grande dama das anime songsMitsuko Horie:

6 comentários:

Anônimo disse...

A abertura japonesa é tão mais "pra cima".

Ale Nagado disse...

Que é mais animada, não resta dúvida. Mas fico com a memória afetiva neste caso. O tema brasileiro de Angel rendeu uma boa canção.

Usys 222 disse...

Estava esperando por esta matéria!
Até onde eu sei, esse foi o primeiro desenho do gênero Meninas Mágicas a ser exibido no Brasil. Pena que não teve tanta repercussão quanto Card Captor Sakura. Só que é incrível como eu não me lembro de nada abertura brasileira. Tão forte é a presença da versão japonesa.

E vendo bem, no Character Design também consta a Michi Himeno, que trabalhou com o Araki em Saint Seiya. A parceira deles já vem desde essa época!

Uma coisa que me lembro do primeiro capítulo é que na sua primeira transformação, Angélica usou uma roupa que parecia ter saído de Grendizer. Foi bem engraçado e fazia sentido.

Aí também dava para ver que a Toei Animation visava o mercado internacional. Isso da Angelica ir para várias cidades do mundo significava que um dia ela poderia visitar a sua (do telespectador), como diz a letra da abertura japonesa, criando uma sensação de proximidade. Algo para fazer as crianças sonharem.

Foi uma matéria muito boa! Serviu para reavivar a memória dos mais velhos e para que os mais novos conheçam mais da história do animê no Brasil. Esse é o tipo de assunto que tem que ser documentado.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys!

Essa matéria é mais para um registro histórico mesmo. Confesso não lembrar muita coisa da série, apenas cenas, situações e episódios aleatórios. Eu assistia mais para passar o tempo e gostava muito do traço do Shingo Araki (antes de saber o nome dele).

Pesquisei os nomes para a ficha técnica e conferi onde mais passou, mas a matéria propriamente dita foi baseada em memórias. Na Wikipedia em português, consta que Angel passou primeiro na Record, mas a lembrança do anúncio na TVS/SBT como uma das animações inéditas do canal é bem cristalina. Lembro da empolgação de quando vi um comercial anunciando novos desenhos e o pacote incluía Rei Arthur e Angel, que eu de cara reconheci como sendo desenhos japoneses. Eu gostava MUITO de Candy Candy e achava que Angel seria semelhante. Não era, mas tinha brilho próprio e acabei acompanhando, mas o que me empolgava mesmo era o Rei Arthur.

Você deve ter conhecido Angel em fitas de vídeo japonesas. Demorei muitos anos para descobrir a música original. Por isso, meu referencial é mesmo a música brasileira.

Valeu a força!

Abraço!

Bia Chun-li disse...

Eu cheguei a ver o final da série, meio que por acaso, procurando uns canais que passavam desenho.

Ale Nagado disse...

Oi, Bia!

Que sorte. Eu ainda não vi o final da série. Uma hora, preciso tentar encontrar. Mas o meu favorito dessa época era mesmo o Rei Arthur, que abordei em uma postagem mais antiga.

Valeu pela participação, apareça mais.
Abraço!